Relação entre Globo e clubes segue inalterada

Do Blog do Perrone

O acordo feito com o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que acaba com o direito de preferência da Globo nos contratos com o Clube dos 13 para a transmissão do Brasileiro, está longe de mudar o relacionamento estreito entre emissora e dirigentes. Na última quinta, representantes de alguns clubes da Séria A estiveram na sede da emissora para discutir a negociação de seus canais de informação exclusivos sobre os times com a Globo. A ideia é vender o direito de comercializar esses canais (ou programas), como a TV Galo, do Atlético-MG. A Globo faria a venda no sistema pay-per-view.

Para quem acaba de encarar um proceso sob a acusação de formação de cartel, o mais prudente seria evitar tal discussão na sede da Globo. Mas ninguém teve essa preocupação. A conversa quase  virou uma uma pré-negociação entre um grupo  fechado com a Globo sobre o próximo contrato do Brasileiro. O blog apurou que Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, pediu para os colegas não entrarem na discussão do contrato por não se tratar de uma reunião formal do Clube dos 13. E por não ser na sede da entidade.

Cuidar desse tema num encontro para poucos na sede da Globo iria justamente contra o objetivo do Cade: um sistema que permita a livre concorrência, com regras claras e a participação de mais emissoras.

A falta que faz uma biografia de Pelé

Por Mauricio Stycer

Entrevistei Pelé duas vezes – por ocasião dos seus 60 anos e, quatro anos depois, na época do lançamento do filme “Pelé Eterno”. Nas duas ocasiões, pedi a colegas que registrassem em foto meu encontro com o rei do futebol. Mantenho as duas imagens em porta-retratos no escritório da minha casa.

Digo isso para sublinhar, de cara, o tamanho da minha admiração pelo sujeito que neste sábado comemora 70 anos.

Que eu lembre, vi Pelé jogar apenas duas vezes, numa partida do Santos contra o Botafogo e num amistoso da seleção brasileira. Conheço o Rei como quase todo mundo da minha idade ou mais jovem – pelas imagens que o registraram em ação, pelas suas entrevistas, pelos relatos dos que o conhecem.

Há dezenas de livros sobre Pelé, além de centenas – sobre outros personagens – que contam histórias a respeito do craque. Há dois grandes documentários (“Isto É Pelé” e “Pelé Eterno”) com registros de centenas dos seus mais de mil gols, além de uma infinidade de programas jornalísticos e filmes que relatam a sua história.

Por que, apesar de tudo isso, tenho a sensação que não conheço Pelé direito? Vou arriscar algumas hipóteses.

1. Pelé ganha a vida, há pelo menos 40 anos, como garoto-propaganda. Para ele, imagem é tudo. Por isso, a controla com zelo.

2. Há anos, Pelé conta sempre as mesmas histórias do mesmo jeito e, pior, falando na terceira pessoa. É como se ouvíssemos relatos homéricos, grandes lendas e não situações vividas por gente de carne e osso.

3. Os grandes feitos de Pelé, entre o final dos anos 50 e o início dos 60, ocorreram numa época em que o jornalismo esportivo era pouco objetivo e muito emocional.

4. Todos os contemporâneos de Pelé no futebol repetem, igualmente, os mesmos casos, sempre sublinhando as mesmas qualidades do jogador. Mesmo atitudes altamente condenáveis, como entradas violentas que causaram lesões gravíssimas em adversários, são relatadas com leveza, como se fosse uma qualidade do jogador, que “sabia se defender” das pancadas.

5. As polêmicas relacionadas a vida pessoal de Pelé sempre foram deixadas em segundo plano. Esta é uma questão que não diz respeito a ele, mas a uma boa tradição da imprensa brasileira mais séria, de não avançar o sinal em matéria de vida privada de pessoas públicas.

6. Casos recentes envolvendo Pelé, como a filha que não reconheceu ou os problemas policiais do filho, ganharam tratamento sensacionalista. Como Pelé evita comentar os assuntos negativos, é difícil avaliar corretamente o que está em jogo.

7. Uma rara tentativa de avaliar o legado do jogador mais criticamente, o livro “A Verdade sobre Pelé”, de Adriano Neiva, o De Vaney, publicado na década de 70, mistura questionamentos interessantes com bobagens que revelam ressentimento e, por isso, não é levado a sério.

8. As idas e vindas de Pelé no campo da política esportiva, sua pouco eficaz atuação como ministro e suas relações com a CBF, quando esmiuçadas por jornalistas independentes, tem pouca repercussão. A opinião pública parece sempre muito compreensiva com Pelé.

9. Pelé desmente a famosa frase de Tom Jobim, que disse: “No Brasil, sucesso é ofensa pessoal”. Como Roberto Carlos e, talvez, Lula, Pelé é reverenciado acima do bem e do mal.

10. Ainda não foi escrita “a” biografia de Pelé.

Em tempo: um site especial, caprichado, sobre Pelé pode ser visto aqui.

Tribuna do torcedor (49)

Por Nildo Monteiro (nildoartcopy@hotmail.com)

Gostaria de opinar sobre essa ridícula tentativa de enriquecimento por parte do homem que deveria cuidar e zelar pelo nosso patrimônio (Clube do Remo) e, em vez disso, tenta a todo custo se desfazer de nosso estádio! Como diria minha avó, há males que vêm para o bem! Espero que esse cancelamento sirva para dar um basta nessa tentativa de extinção do meu amado Clube do Remo. Sugiro que convoquem os milhões de seguidores remistas, que, como eu, querem ajudar nosso clube mas não sabem como. Não sou o único a me emocionar ao comentar essa situação pela qual passa meu clube amado. Somos milhões de torcedores e salvaremos o Leão Azul, filho da glória e do triunfo!

Coluna: Ato final de uma tragédia

O processo de venda do estádio Evandro Almeida, que começou turvo e cheio de meias-verdades, não podia chegar a um desfecho diferente. Como lembrado pela coluna, não havia como criar um memorial descritivo sobre um terreno inexistente. A indefinição quanto à aquisição da propriedade que abrigaria a futura Arena do Leão, com a demora em escolher local apropriado, não permitiu que fosse elaborado um relatório descritivo da área, conforme estabelecem as normas da construção civil.

Ontem à noite, em face do não cumprimento das exigências legais pelas empresas Agre e Leal Moreira, a Justiça cancelou a negociação que envolvia a venda do Baenão por R$ 33,2 milhões. O prazo de entrega do documento foi espichado durante toda a tarde, mas os compradores não conseguiram honrar com o que havia sido previamente acertado.   

Renomado engenheiro de Belém foi procurado, há três semanas, por representantes das empresas interessadas na compra do Baenão, desesperados para obter um memorial, a tempo de cumprir o prazo estabelecido pela Justiça do Trabalho. Do alto de sua expertise no ramo, o profissional disse que era impossível preparar um documento tão minucioso e preciso em menos de 60 dias.

No comunicado sucinto que sepulta a longa novela, a juíza antecipa que o estádio deverá ser levado à leilão judicial para pagamento das dívidas trabalhistas do clube, sem fazer referência a datas.

Soa irônico que a transação que virou prioridade obsessiva do mandato do atual presidente do Remo termine dessa maneira, derrubada pelo descumprimento do prazo final de obrigações perante a Justiça. Poderia ter sido desfeita antes, caso o Conselho Deliberativo do clube tivesse cumprido seu dever, fiscalizando o desinteresse do presidente no pagamento das parcelas de acordo trabalhista celebrado em 2006. A inadimplência proposital deixou o clube sob a iminência de perda de seu mais valioso imóvel, localizado em área central de Belém. Pior: levou à depreciação do Baenão, cuja área de 27 mil metros quadrados não vale menos de R$ 60 milhões, segundo cotações do mercado imobiliário.

Podia, ainda, ter sido travada quando o presidente deliberadamente escondeu detalhes do negócio. Primeiro, anunciou que o futuro estádio teria capacidade para 24,5 mil espectadores. Meses depois, mudou os números: a nova praça teria 22 mil lugares. E, finalmente, reduziu a capacidade da Arena do Leão para 15 mil lugares, sem qualquer alteração proporcional nos valores a serem pagos pelos compradores.

Sem esquecer que as motivações da aloprada venda incluíram o patético episódio de derrubada do escudo remista do pórtico do Baenão, pelo simples receio de que servisse de motivo para um processo de tombamento da tradicional praça de esportes.

Como última medida, depois de tanta inércia, caberia ao Condel inquirir o presidente sobre a verdadeira razão da desesperada urgência em se desfazer de um bem do Remo. Em seguida, com ou sem resposta, deveria cumprir o rito sumário de sua expulsão, por conduta claramente lesiva aos interesses do clube.    

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 22)