Coluna: O silêncio pode custar caro

O torcedor do Remo perdeu a capacidade de se indignar. A frase não é minha. Pertence a Ronaldo Passarinho, um respeitado benemérito com extensa folha de serviços prestados ao clube. Disse isso a propósito da letargia que domina a grande nação azulina, famosa pela capacidade de empurrar o time a grandes vitórias nos estádios e pelo espírito indomável diante da menor ameaça que fosse ao pavilhão remista. 
Breve comparação ilustra bem o estado de alienação que tomou conta dos azulinos sob o mandato da atual diretoria. Em 2007, depois da débil campanha na Série B, o volante Ricardo Oliveira foi à sede do Remo receber seus salários e acabou discutindo com um funcionário. Revoltado, quebrou a socos a vidraça de uma janela. A diretoria denunciou a agressão ao patrimônio em boletim de ocorrência na Seccional de São Brás.
Neste ano, em meio às manobras de bastidores para garantir a qualquer custo a venda do estádio Evandro Almeida às incorporadoras Agre/Leal Moreira, o próprio presidente mandou quebrar, na calada da noite, o escudo do clube que encimava o pórtico do Baenão. A manobra sorrateira serviu para impedir que o estádio fosse tombado como patrimônio público de Belém e tivesse sua venda sustada.
Até hoje, decorridos mais de dois meses, poucos torcedores protestaram publicamente contra o crime confessado candidamente pelo dirigente. Paralisado, o Conselho Deliberativo sequer cogitou de registrar queixa na Polícia contra o agressor. Muito menos julgou o pedido de expulsão do quadro de associados, solicitado por 35 conselheiros e beneméritos. 
Ao lado de Ubirajara Salgado, Manuel Ribeiro, Roberto Porto, Sérgio Cabeça, Djalma Chaves e tantos outros, Ronaldo tem sido injustamente incluído pelos poucos defensores de AK no rol dos que contribuíram para endividar o Remo. Muito pelo contrário. Todos prestaram incontáveis serviços ao clube, contribuindo para gloriosas conquistas. E, acima de tudo, tiveram a decência de jamais considerar, mesmo remotamente, a hipótese de desmanchar o patrimônio erguido ao longo de um século de história.
Como destruir é processo que não requer talento, nem arte, bastaram dois anos para que o clube tivesse seus bens seriamente saqueados. Hoje se sabe que o script foi traçado a partir da desconstrução da imagem do Remo, acentuando dívidas e inflando pendências. Com a intenção de desvalorizar o produto e baratear seu preço para venda a um único comprador, definido antes mesmo da posse do atual mandatário.
Diante tantos descalabros, a massa torcedora – recordista de público na Série C 2005 – se mantém alheia, silenciosa e inerte. Até quando?
 
 
AK disse à Rádio Clube que não há mais dinheiro – ele antecipou todo o recebimento dos patrocínios – e que funcionários e atletas só irão receber a partir de janeiro. E foi além: os débitos serão cobertos com o dinheiro da venda do Baenão! Será que a transação, além de cobrir as dívidas atuais, também servirá para cobrir papagaios futuros? Melhor não duvidar. Tudo é possível no reino de fantasia criado pelo cartola-corretor.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 15)

11 comentários em “Coluna: O silêncio pode custar caro

  1. Eles já não tem forças nem para caminhar, suas pernas canssada jah não podem andar, eles não tem rumo nem onde morar, eles só pedem ah Deus para lhe ajudar.

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  2. Prezado Gerson, PARABÉNS. Sou Botafoguense e Remista e sempre leio seus artigos no Diário e seus comentários na Clube. Agradeço grandemente seu esforço em mostrar ao grande público esportivo a vergonha em que se transformou a gestão(???) atual do Remo. Peço que não permita que nem o jornal e a rádio deixem este assunto cair no esquecimento. Acrescentaria que grande parte da responsabilidade pela atual situação cabe ao Condel, órgão que tem poderes para apurar todo esse descalabro e não o fêz em tempo hábil. Não há como não se indignar pela omissão de todos do Conselho, situação que, agora vemos, justifica plenamente a redução proposta pelo Sr. Carlos Rebelo, tempos atrás. Excetuando alguns poucos que foram voto vencido, a grande maioria se deixou seduzir pelo oba oba do presidente ilusionista e sua idéia fixa. Não se iludam essas pessoas. Pelo seu comodismo de ontem e hoje, todos, sem excessão, serão lembrados no futuro como fracassados, independentemente de qualquer glória conquistada anteriormente. Mais uma vêz parabéns pela coragem e continue com a sua crítica séria e oportuna. Sds. Cesar

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    1. Caro Cesar, obrigado pelas palavras generosas. Tenho procurado cumprir com minhas obrigações profissionais, indiferente a alguns ataques (de procedência duvidosa) que só dignificam o meu trabalho. Tenho a convicção de que grandes clubes não podem mais ser entregues a aventureiros de ocasião. É necessário que os conselheiros exerçam seu verdadeiro papel de fiscalizadores, a fim de evitar desastres como o que se desenha no Clube do Remo.

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  3. Com todo o respeito, minha leitura é completamente diferente.

    O Conselheiro RP “o torcedor do Remo perdeu a capacidadede se indignar”, pois eu digo que, na realidade, o que ele pretende é transferir para o torcedor remista uma obrigação e responsabilidade que é dele próprio e dos demais conselheiros., beneméritos e grandes beneméritos.

    Ora, não há inércia, silêncio ou incapacidade de indignação. De fato, quanto ao fracasso nas quatro linhas a torcida deu sua resposta deixando de comparecer ao estádio em protesto à péssima campanha da equipe. Já no que respeita à venda do Baenão, o que há, infelizmente (para mim), é a aprovação da esmagadora maioria da torcida.

    Deveras, segundo o meu ponto de vista minoritário (sou contra a venda do estádio), se há quem não se comporta (e não se comportou) à altura de suas responsabilidades foram os Conselheiros, dentre eles, o RP. Pois foram eles que aprovaram a negociação (ou não votaram contra quando tiveram oportunidade, ou não revogaram a autorização dada), e foram eles que não fiscalizaram a atuação do presidente. Aliás, minha impressão, já declarada outras vezes aqui, é de que a grande maioria das atitudes do AK (até a deliberada inadimplência dos acordos) foi com a plena ciência e aquiescência dos conselheiros, inclusive do RP. Esta recente dissidência que originou o requerimento de expulsão do AK, muito provavelmente decorreu d’alguma contrariedade aos interesses particulares envolvidos no pacto sinistro.

    De fato dizer que : não passa de mera expressão retórica completamente descompromissada com os legítimos interesses do clube do Remo.

    De outra parte, não vejo nenhuma injustiça em inscrever o nome do Ubirajara Salgado e Jarbas Passarinho dentre os que endividaram o Clube do Remo, afinal foi sob a gestão da dupla que o Clube do Remo caiu para a 3ª Divisão e foi entregue completamente endividado ao Rafael Levy, inclusive com as cotas de patrocínios já esgotadas para o ano seguinte. Pelo menos foi o que disse o Rafael sem ser contestado pela dupla.

    Enfim, os Conselheiros, dentre eles o JP, são até mais responsáveis que o AK pela debacle do Clube do Remo.

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  4. BRILHANTE COMENTÁRIO GERSON, COMO SEMPRE MUITO LUCIDO E EQUILIBRADO. COMO REMISTA APAIXONADO, RESTA-ME A INDIGNAÇÃO COM OS ATOS DESTE “PRESIDENTE CORRETOR” E SEUS ASSECLAS ( INCLUINDO O OMISSO CONSELHO).
    GRANDE ABRAÇO

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  5. Gerson você está de parabéns e é praticamente uma voz solitária ao trazer à lume todas as indecências referentes à gestão AK. Aliás, ressalto que você já atua com tamanha grandeza desde as críticas ao não menos incompetente Raimundo Ribeiro.
    Penso que o Clube do Remo acabou. Primeiro por que sua torcida não é fanática como a do Flamengo, Corínthians e até mesmo do rival. Afinal, os que se dizem remistas torcem por mais de um clube. Dessa forma, quando o Remo está mal, a torcida pula para outras barcas. Talvez a “torcida do Remo” esteja certa, pois se o Clube do Remo fechar as portas de vez, tais torcedores terão outros times para torcerem.
    Besta sou eu que só torço para o Clube do Remo e o vejo derreter nas mãos de tantos conselheiros, os quais só pensam em si mesmos.
    O Conselho Deliberativo do Remo é conivente.
    Espero que haja apartamento para todos, caso contrário, muita lama podre será jogada na imprensa.
    Deus te proteja
    abraço

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  6. Discordo totalmente do Post. As pessoas tem que entender, que ele pagando via Justiça, não cabe mais reclamação trabalhista. Pensem no seguinte: Tonhão, Rafael Levy, Jones Tavares e outros, inclusive acima citados, em 2006, anteciparam todos os patrocínios do ano de 2007, ou seja posterior ao mandato do Levy. Hoje, o Amaro antecipou os parocínios, mas do ano de 2010, ou seja, ainda no seu mandato, o que foi correto. Hoje, isso é visto como uma coisa errada pela Imprensa e alguns torcedores, pelo fato de o Remo não ter ganho nada dentro das 4 linhas, mas que, em 2006, isso foi de uma inteligência fora do comum, pelo fato de o Remo ter se livrado do Rebaixamento. Te dizer. Anotem: O Remo entrará 2011 S-A-N-E-A-D-O, contra tudo e contra todos, é só aguardar. Anotem, mais ainda, se definirem, ainda esse ano o Presidente, o Amaro não se afastará do cargo, mas já deixará o novo Presidente montar o elenco para 2011, juntamente com o novo treinador. É só conferir.

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