Coluna: Futuro do Remo em discussão

Reabro o tradicional fórum das terças-feiras, espaço livre para idéias e críticas dos baluartes da coluna. Dentre mais de 100, separei três comentários que resumem bem a média das opiniões. Começo pelo de Daniel Malcher, que fulmina o modelo de gestão adotado pelos clubes paraenses. “Com a eliminação do Remo e com a profusão de notícias sobre a polêmica venda do Baenão nos últimos meses pós-Copa do Mundo, sempre pontuadas por informações que dão conta de possíveis interesses espúrios envolvidos no negócio e pela passividade da comunidade azulina perante tais interesses, cheguei à seguinte conclusão: o modelo dirigente-patrono, que ‘investe’ dinheiro no clube por ‘abnegação’ e que administra o clube como um feudo, cercado de correligionários que infestam os quadros dos conselhos administrativos, fiscais e outros mais e que só fazem dizer amém para suas ações perdulárias, já se esgotou. Fracassou”.
Acrescenta que, “a continuar nadando contra a maré dos novos tempos, o Remo caminha para a insolvência plena, e assim, para a sua extinção. Caso isso ocorra (e torço pelo contrário, embora seja um bicolor empedernido), será danoso ao futebol do Pará. Dirigentes e torcida, arregacem as mangas! Não deixem morrer um dos componentes daquela que é, sem dúvida, uma das maiores rivalidades do mundo: o clássico Re-Pa”.
Para Marcelo Gomes, a conversa de que o Vila Aurora vestindo a camisa do Remo iria dar melhor resultado, é balela. “O plantel não era ruim, o treinador tem grande contribuição no fracasso, foi burro e teimoso, mas o principal culpado é o presidente, que se cercou de gente sem conhecimento no futebol e se preocupou mais em vender o patrimônio do que em conquistar títulos. O Remo é um clube que não merece a torcida que tem. É preciso entregá-lo a pessoas jovens que queiram mudar a realidade”.
Entregar os destinos do Leão a cabeças modernas é também a sinalização do amigo Edyr Augusto Proença. “Talvez a incompetência seja geral, mesmo, algo que botaram na água do Bolonha, fazendo com que o Paysandu, por exemplo, tenha melhor sorte, apenas, mas disfarce seu abismo pessoal. Será que é tarde demais para uma virada? Para insuflar, no caso, remistas jovens, profissionais, que desejam tomar o clube para si? Que comprem os títulos do Remo e tomem o Condel? Que aproveitem esses meses em branco para refazer tudo? Mais fundo que isso, falta apenas ser desclassificado do campeonato paraense”.
Será que se aparecer um remista de coragem, puxará outros que por agora não quiseram surgir? – questiona Edyr. “Ou vão ficar esses conselheiros a discutir no senadinho, gritando, se ofendendo, bebendo e depois indo para casa dormir sua sesta, tranquilos, enquanto esse gigante agoniza? Gerson, será que a imprensa não toma isso à frente? O fim do Remo é mais um capítulo em direção ao abismo, à falta de patrocinadores e empregos”. “Assisti ao jogo e sobre ele nem quero comentar. Devia estar acostumado a ver de um tudo, mas confesso que fiquei acabrunhado. Penso que meu pai sofreria muito, também. Não estou nem aí para as gozações de amigos bicolores. A tristeza é muito maior”, conclui. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 14) 

Não é justo duvidar do Botafogo

Por Paulo Vinícius Coelho

A vocação do Botafogo não era ser campeão brasileiro. O time não era nem mesmo para brigar pela vaga na Libertadores. Mas vai brigar. No Brasileirão que já provou dar margem a recuperação – o campeão de 2009 tirou 13 pontos do líder, o de 2008 descontou 11 pontos do primeiro colocado – o Botafogo é o time mais regular dos que estão na ponta.

Emendou cinco vitórias seguidas e este comentarista cobrou um resultado forte contra um adversário de ponta. Caiu contra o Inter e, há duas semanas, mesmo na derrota, ficou claro que os outros não jogam o que o Botafogo está jogando.

O time de Joel Santana é firme na defesa, graças ao posicionamento de Leandro Guerreiro, o guarda-costas de Antônio Carlos e Fábio Ferreira. Contra o São Paulo, Somália fez muita falta. É ele quem ajuda a que a bola saia com qualidade. Mas Fahel e Marcelo Mattos não deixaram tanto a desejar.

O Botafogo que se acertou com a velocidade de Jóbson e Herrera, precisou mudar e teve em Joel a sensibilidade para avançar Maicosuel para a função de segundo atacante. Com Renato Cajá no meio, Maicosuel na frente, a rapidez do ataque se mantém, apesar de Loco Abreu ser a antítese da velocidade.

E assim o Botafogo tem oito vitórias, um empate e uma derrota nas últimas dez rodadas. Um time como esse pode chegar à Libertadores, sim, mesmo que essa não seja a sua vocação. E porque nenhum time joga como campeão, o Botafogo é um dos que têm a regularidade necessária para terminar na primeira posição.

Tribuna do torcedor (47)

Por Ubirandir Corrêa (brlacerda667@gmail.com)

Não há o que se contestar na classificação do Vila Aurora, o time pratica o futebol de resultado com uma equipe forte fisicamente, não possui estrelas mas sabe tocar a bola e explorar os espaços, além de marcar bem. Pratica um futebol quase igual ao do Remo de 2005, que ganhou a série C por sorte – combinação de resultado, pois na época praticava um futebol medíocre. O Remo foi um time medíocre que não sabia marcar, dando espaços no meio campo para o Vila Aurora, o Danilo e o Júlio recuavam muito quando a bola estava nos pés do Vila, por isso o Vila mostrava tomar conta do jogo. No futebol atual não há espaços para velhos sem velocidade no meio de campo, para se manter estes senhores deve-se utilizar volantes que saibam sair jogando, trocar passes. Não entendo como jogadores como: Didão e Samir, ficavam no banco, e nem a escalação do Landu, aliás tal entrada não passou de propaganda eleitoral, talvez a entrada do Heliton pudesse trazer alguma coisa, mesmo não sabendo cruzar, aliás nem o Marlon, nem Lima, nem Levy sabem este fundamento. O jogo bonito somente é realizado por time jovem, que possui gás para correr, como é o caso do Santos, e treina fundamentos desde da base. Se o Giba achava que times como: América-AM, Cametá e Vila Aurora, eram bons, porque não tratou de armar taticamente o Remo para enfrentar estes times? Penso que estes comentários do Giba eram para se alto-promover, caso acontecessem vitórias do Remo. Temos que acabar com este pensamento que o Remo é um time de tradição, isto é coisa do passado, a realidade é outra, pois não passa de um time falido em decorrência das péssimas administrações a qual se sujeitou. Agora, veja a situação o Remo não possui: série, não terá estádio, não possui jogadores para criar uma nova base, possui uma grande torcida que deverá deixar de apoiar o clube – este ano fui assistir somente a lavagem do Santos. Vila não possui grande torcida, mais possui um estádio, contrata dentro das suas limitações e deverá se classificar para Série C de 2011. Temos que admitir que a força futebolística paraense está com Paisandu e Águia, o Remo caiu para o segundo escalão estando ao lado de Cametá, Independente e São Raimundo. Nosso Estado só não será mais um no cenário brasileiro porque teremos Paisandu e Águia provavelmente na Série B de 2011, para série D temos que admitir que estamos para o AP, RR, AM e RO. Sobre a administração(Klautau) do Remo, atuou como um político, pois usou de má fé para vender o Baenão, ao deixar de pagar o acerto feito com a Justiça do Trabalho, se fez de morto para debaixo dos planos fazer o que fez.

As desventuras do senador valentão

A última pesquisa Ibope de intenções de voto para o Senado, no Amazonas, indica que o ex-governador Eduardo Braga (PMDB) aparece com 80% das intenções de voto. A deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB) aparece em 2º lugar, com 39%. O senador Arthur Virgílio, do PSDB, tem 34%. O candidato do PDT, senador Jéferson Praia, ficou com 9% e a candidata do PT, Marilene Corrêa, obteve 5% das intenções de voto. Cabe observar que Virgílio é aquele boquirroto que, ao lado do netinho de ACM, ameaçou dar uns cascudos no presidente Lula. Vida que segue…

Pensata: O bode expiatório

Por Mino Carta

Os antigos donos do poder preparam-se para jogar sobre os ombros de José Serra a culpa pela próxima derrota.

Bom pai José Serra é. Mas basta isso para ser candidato à Presidência da República? Espantado, ouço estranhas, surpreendentes conversas pelos locais das horas felizes, os mesmos onde, até há pouco, pouquíssimo tempo, Serra era apontado como o aspirante “preparado”, concorrente, imbatível contra Dilma, “a guerrilheira” sem experiência eleitoral. Dramaticamente despreparada. Pois o tucano, conforme as falas que me cercam, começa a ganhar as inconfundíveis feições de bode expiatório. De certa forma, um Dunga da política.

Os cavalheiros e suas damas faiscantes de berloques e pedrarias buscam uma explicação para o desastre que se esboça. É com melancolia que tomam seu vinho de rótulo retumbante, a girar o copo em curtas evoluções aprendidas não sem fadiga psicossomática nos últimos anos. Aplicados discípulos do up-to-date, substituíram o uísque que os acompanhava horas a fio até ao jantar, enquanto, na hora do almoço, surgem de gravata amarela nos restaurantes finos e caríssimos. Salvo raras e honrosas exceções, entraram na parada com a certeza da vitória. Seria o seu próprio triunfo, por sobre os escombros de Lula e do lulismo, perdão, de Lulla e do lullismo. Se a Seleção Canarinho perde, é por vontade divina, ou porque o técnico errou. E se perde o candidato Serra, de quem a culpa?

Não faltam os técnicos, ou seja, os marqueteiros, uma corte de especialistas não se sabe com exatidão em que matéria, tidos, porém, como indispensáveis nas nossas paragens. Às vezes me pego a imaginar Roosevelt ou Churchill, ou mesmo Zapatero e a senhora Merkel, que invocam a presença de peritos à sua volta para instruí-los como diretor de teatro faz com seus atores.

Os marqueteiros nativos são iguais à mítica fênix. Imortais, reaparecem sempre porque sempre perdoados. Vai sobrar para o próprio Serra, não ficou à altura das esperanças. Caiu em incertezas e confusões que seus eleitores cativos, tão fiéis, tão dedicados, não imaginavam. Não mereciam. Já está em elaboração a listagem dos erros do candidato tucano. Demorou demais para anunciar a candidatura. Não soube cativar Aécio. Imprimiu à campanha direções diversas e até opostas. Etc. etc.

Não é que a mídia não tenha colaborado para a vitória tucana. Formidável mídia, de tucanagem ampla, geral e irrestrita. Um instituto de pesquisas, o Datafolha, também participou do esforço. Surgiu ainda a denúncia, também apelidada de dossiê, a lembrar histórias de aloprados e mensalões. E nada? Culpa do Serra, dirão os senhores e suas damas. E me vejo, de improviso, a me compadecer, sinceramente, do futuro, iminente derrotado, em quem reconheci, e reconheço, muitas qualidades.

O erro de Serra foi ter caído na esparrela urdida por Lula, a do plebiscito inescapável, sem perceber, além da força dos adversários, a mudança que o ex-metalúrgico guindado à Presidência acarretou para o País, acima e além de alguns bons e inegáveis resultados alcançados por seu governo. A situação, precipitada em grande parte pela identificação entre a maioria e seu presidente plebeu, digamos assim, acabou por empurrar Serra para a direita como nesta página foi observado inúmeras vezes. O ex-presidente da UNE, perseguido pela ditadura, tornou-se representante de um partido fadado a ocupar o mesmo espaço outrora preenchido pela UDN velha de guerra.

Sublinhei também que Serra nunca recomendou “esqueçam o que eu disse”. Mesmo assim, na alternância contraditória das rotas da sua campanha, o candidato tucano amiúde, e lamentavelmente, permitiu-se tons udenistas adequados à exposição de ideias idem. Vivêssemos outro tempo, nada disso importaria, está claro. Empenhada em assustar a minoria privilegiada, a mídia nativa teve êxito em 1989, 1994 e 1998, contra o espantalho do Sapo Barbudo. Faz oito anos, contudo, que os argumentos da chamada elite não logram os resultados de antanho, mas Serra e os seus eleitores não se deram conta disso até hoje.

Esta incapacidade de compreender um Brasil diverso daquele sonhado, esta ignorância, é que confere um toque patético à derrota da minoria privilegiada, dos herdeiros e cultores de um passado que os fez donos do poder. Não são mais, a despeito da descoberta do vinho servido em taças, como dizem os maîtres.

Remo vai emprestar Héliton ao Águia

A diretoria do Remo definiu, na manhã desta segunda-feira, o empréstimo do atacante Héliton para o Águia de Marabá, ainda para a disputa da Série C. Os salários do jogador passam a ser pagos pelo clube marabaense. Quanto a Samir, cuja rescisão deve ser definida ainda hoje, há a possibilidade de acerto com o Paissandu. (Com informações da Rádio Clube)

Homenagem de Mestre Zuenir a Belém

SÓ VENDO…

Por Zuenir Ventura

Acostumados com o clichê preconceituoso que acredita não haver vida inteligente fora do eixo Rio-São Paulo, nos surpreendemos quando encontramos alguma atividade cultural em cidades do chamado “interior” — o “centro” somos nós, claro. Por exemplo: onde é possível reunir cerca de 650 mil pessoas, um terço dos moradores, para tratar de um assunto meio fora de moda, a leitura? Pois acabo de ver o fenômeno em Belém, na XIV Feira Pan-Amazônica do Livro, um dos três principais eventos do gênero no Brasil, este ano dedicada à África de fala portuguesa. Houve shows com Gilberto Gil, Lenine, Emílio Santiago, Luiza Possi, mas o destaque foram os R$30 milhões faturados com a venda de 500 mil volumes, superando, segundo os organizadores, a Bienal do Rio.
Há cidades brasileiras que só vendo. A capital do Pará é uma delas. Além de ser uma das mais hospitaleiras do país, gosta de seu passado e é hoje um exemplo de como revitalizá-lo. Já escrevi e repito que a intervenção que o arquiteto Paulo Chaves fez no cais da cidade, transformando armazéns e galpões na monumental Estação das Docas, é uma obra que não deve nada à que foi realizada em Barcelona ou Nova York (o prefeito Eduardo Paes devia ir lá ver). Outro genial exemplo de reaproveitamento é o centro onde se realiza a Feira, o Hangar, um gigantesco espaço que antes, como diz o nome, servia de estacionamento para aviões.
E não fica nisso. Há roteiros culturais como o do núcleo Feliz Lusitânia e seu Museu de Arte Sacra, onde se encontram uma Pietá toda em madeira, o São Sebastião de cabelos ondulados e a famosa N. S. do Leite, com o seio esquerdo à mostra dando de mamar. Sem falar nos museus do Encontro e de Gemas do Pará, e numa ida a Icoaraci para ver as cerâmicas marajoara, tapajônica e rupestre.
Para quem gosta de experiências antropológicas, recomenda-se — além dos 48 sabores regionais, a maioria, do sorvete Cairu — uma manhã no mercado Ver-o-Peso, onde me delicio nas barracas de banhos de cheiro lendo os rótulos: “Pega não me larga”, “Amansa corno”, “Afasta espírito”, “Chora nos meus pés”. Com destaque para o patchuli, que a vendedora me diz ser o odor de Belém. Mas antes deve-se passar pela área dos peixes: douradas, sardas, tucunarés, enchovas, piranhas, tará-açus. “Esse aqui é o piramutaba”, vai me mostrando o nosso guia, o cronista Denis Cavalcanti; “aquele é o mapará, olha o tamanho desse filhote”.
Desta vez, o ponto alto da visita foi uma respeitável velhinha fazendo o comercial do Viagra Amazônico para mim e o Luis Fernando Verissimo: “O sr. dá três sem tirar, e depois ainda toca uma punhetinha”. Isso com a cara mais séria do mundo, sem qualquer malícia, como se estivesse receitando um remédio pra dor de cabeça. Só vendo.