Como fica o jogo político após as eleições

Por Luis Nassif

Nessa reta final de campanha, o jogo político pós-eleições ficou algo confuso.

No início da campanha, o comitê de José Serra trabalhava com a idéia de ganhar em São Paulo pela diferença de 5 milhões de votos. Os mais otimistas falavam em 6 milhões. No PT, a estimativa mais otimista era perder de 2,5 milhões de votos. As pesquisas, até agora, tem apontado a possibilidade de Dilma vencer em São Paulo com diferença de 2,5 milhões de votos. Por outro lado, há possibilidades concretas das eleições para governador irem para segundo turno. Mesmo confirmando o favoritismo de Geraldo Alckmin, haverá uma polarização das eleições em outras condições. E aí ficarão claras as vulnerabilidades tanto do PSDB quanto do PT paulistas: despreocupação com renovação, com a ampliação de alianças.

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Em relação à política nacional, o quadro é complexo para a oposição. Numa ponta, haverá grande aumento da bancada tanto do PT quanto da base aliada. Na outra, haverá a necessidade da construção de uma nova oposição. E aí se esbarra em problemas criados pela campanha de José Serra. Em geral, constrói-se um novo caminho político durante a derrota. Quando se percebe que a derrota é inevitável, a campanha do derrotado deve ser feita pensando no segundo tempo, no pós-eleições. A campanha de Serra mostrou uma enorme resistência do eleitorado a discursos raivosos. As últimas pesquisas “tracking” (pesquisas diárias com universo restrito de eleitores) mostra que no máximo se consegue uma migração de parte pequena dos votos de Dilma para Marina. No debate da Mais TV, por exemplo, a emissora montou um laboratório presencial com 26 eleitores que tinham simpatias por algum candidato, mas não um voto definido. Quando o debate começou, Serra tinha 7 simpatizantes. Terminou com apenas um. Dilma terminou com 11, Marina com 10 e Plinio com 4.

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Mesmo sabendo dessa falta de eficácia da agressividade, Serra acabou complicando enormemente a reconstrução da futura oposição. Aécio Neves deverá assumir a liderança do processo. Embora seu discurso seja o da oposição civilizada, herdará um contingente de seguidores pequeno, mas fortemente influenciado pela raiva exarada pela campanha de Serra.

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Outro ponto complicado será o papel da grande mídia – do eixo Rio-São Paulo.

Num momento de fortalecimento da mídia regional, da entrada de novos atores no mercado, da migração de parte das receitas publicitárias para a Internet, a grande mídia entra em uma armadilha. Envolveu-se mais do que devia na campanha e acabou jogando a derrota em seu colo, sem precisar. A radicalização afastou parte dos leitores. A parte que ficou obviamente endossa a linha adotada. Mantendo a linha, terá dificuldades em ampliar o espectro de leitores. Mudando a linha, correrá risco de se indispor com leitores remanescentes. E isso em um momento em que a catarse política foi tão violenta que, passadas as eleições, provocará uma espécie de cansaço na opinião pública em geral.

6 comentários em “Como fica o jogo político após as eleições

  1. Não devemos esquecer dá compra de ingressos da tucanada em 2005 pra favorecer o remo, em detrimento do Paysandu, diziam que queriam atingir o Tourinho. Vamos dar a resposta a eles.

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  2. E o caso dos demos? Com a derrota do César Maia, do Heráclito Fortes e a saida do Kassab (indo para o PMDB) teremos sua sobrevida apenas no grande universo potiguar.
    A Onda Vermelha está arrasadora !!!!!

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  3. A política brasileira é intrigante, so vivendo-a para entende-la. São Paulo berço do PT, berço do sindicalismo brasileiro, berço político do Pte. Lula é o Estado onde os tucanos dominam o cenário político há algum temo. Ao que se deve ?

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  4. Discordo. SP já elegeu nordestinos em diversas ocasioes, é só lembrar :Erundina (prefeita e deputada) ; Lula, Genoino, Vicentino e outros com talvez menos historia mas distinguidos pelos paulistas. A razão não está na naturalidade.

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  5. Pelo desenrolar dos acontecimentos, após as eleições, ainda há uma missão política muito importante para o Lula, qual seja, nomear Ministro para o STF cuja primeira tarefa será desempatar a votação quanto à Lei da “F’icha Limpa”.

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