Apagão na zaga italiana e surgiu a primeira grande zebra da Copa das Confederações.
Mês: junho 2009
Atacante vai fazer falta
Não houve muita repercussão, mas as saídas de Alex Sandro e Reinaldo podem vir a ter consequências a médio na prazo na campanha do Paissandu na Série C. Nem tanto a dispensa do lateral, que em nenhum momento conseguiu se firmar entre os titulares e levando em conta que o clube trouxe Jucemar de volta.
Mas Reinaldo certamente fará falta, pois funcionava como opção natural para substituir Zé Carlos como homem de referência na área.
Dizem que a proposta do Santa Cruz foi vantajosa para o jogador, mas fica a dúvida se o Paissandu realmente se empenhou em mantê-lo.
Bons atacantes são artigos cada vez mais raros. A partir de agora, Edson Gaúcho só conta com Torrô como substituto de Zé Carlos.
É pouco.
Globo aplaude decisão do STF
Do Comunique-se
As Organizações Globo se manifestaram favoravelmente à decisão do Supremo Tribunal Federal de revogar a exigência do diploma para o exercício do jornalismo. Um comunicado divulgado na tarde desta quinta-feira (18/06) informa que o fim do diploma “apenas ratifica uma prática da organização”.
“A decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o diploma de jornalista é bem-vinda. Ela atesta como legal situação vivida por órgãos de imprensa, que, há anos, têm na sua equipe especialistas de outras áreas, com talento reconhecido, mas que não se formaram na profissão. A decisão do STF apenas ratifica uma prática que sempre foi nossa”, diz o comunicado, assinado pelo vice-presidente João Roberto Marinho.
Os veículos de comunicação ligados à corporação mantêm em seus quadros de jornalismo profissionais que não são graduados nessa área. Na visão da empresa, essa prática não conflita com a contratação de jornalistas formados. No comunicado, as Organizações Globo reconhecem os cursos de Jornalismo como fundamentais e afirmam que continuarão a buscar neles seus profissionais.
STJD absolve corintiano
O atacante Dentinho, do Corinthians, está livre para enfrentar o Internacional na partida de volta da decisão da Copa do Brasil, dia 1º de julho, no estádio Beira-Rio. O jogador foi absolvido no julgamento do recurso pedido pelo clube alvinegro no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Dentinho era acusado de dar uma cotovelada no atacante Rafael Moura na partida em que o Corinthians perdeu por 3 a 2 para o Atlético-PR, na Arena da Baixada, pela Copa do Brasil. Cotovelada que todo mundo viu, menos o árbitro da partida.
Péssima notícia
Por Leandro Fortes
O fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo é uma derrota para a sociedade brasileira, não esta que discute alegremente conceitos de liberdade de expressão e acredita nas flores vencendo o canhão, mas outra, excluída da discussão sobre os valores e os defeitos da chamada “grande imprensa”.
São os milhões de brasileiros informados por esquemas regionais de imprensa, aí incluídos jornais, rádios, emissoras de TV e sites de muitas das capitais brasileiras, cujo único controle de qualidade nas redações era exercido pela necessidade do diploma e a vigilância nem sempre eficiente, mas necessária, dos sindicatos sobre o cumprimento desse requisito.
Tenho ouvido, há anos, como continuei ouvindo, hoje, quando o STF decidiu por oito votos a um acabar com a obrigatoriedade do diploma, essa lengalenga interminável sobre os riscos que a liberdade de expressão sofria com a restrição legal a candidatos a jornalistas sem formação acadêmica específica.
Esse discurso enviesado de paixão patronal, adulado aqui e ali por jornalistas dispostos a se sintonizar com os sempre citados países do Primeiro Mundo que não exigem diploma, gerou uma percepção falaciosa, para dizer o mínimo, de que para ser jornalista basta apenas ter jeito para a coisa, saber escrever, ser comunicativo ou, como citou um desses ministros do STF, “ter olho clínico”. Foi baseado nesse amontoado de bobagens, dentro de uma anti-percepção da realidade do ofício, que se votou contra o diploma no Supremo.
Conheço e respeito alguns (poucos) jornalistas, excelentes jornalistas, que sempre defenderam o fim do diploma, e não porque foram cooptados pelo patronato, mas por se fixarem em bons exemplos e na própria e bem sucedida experiência. São jornalistas de outros tempos, de outras redações, de outra e mais complexa realidade brasileira, mais rica, em vários sentidos, de substância política e social. Não é o que vivemos hoje.
Não por acaso, e em tom de deboche calculado, o ministro Gilmar Mendes, que processa jornalistas que o criticam e crê numa imprensa controlada, comparou jornalistas a cozinheiros e costureiros ao declarar seu voto pelo fim da obrigatoriedade do diploma. É uma maneira marota de comemorar o fim da influência dos meios acadêmicos de esquerda, historicamente abrigados nas faculdades de jornalismo, na formação dos repórteres brasileiros.
Sem precisar buscar jornalistas formados, os donos dos meios de comunicação terão uma farta pescaria em mar aberto. Muito da deficiência dessa discussão vem do fato de que ela foi feita sempre pelo olhar da mídia graúda, dos jornalões, dos barões da imprensa e de seus porta-vozes bem remunerados.
Eu, que venho de redações pequenas e mal amanhadas da Bahia, fico imaginando como é que essa resolução vai repercutir nas redações dos pequenos jornais do interior do Brasil, estes já contaminados até a medula pelos poderes políticos locais. Arrisco um palpite: serão infestados por jagunços, capangas, cabos eleitorais e familiares.
O fim da obrigatoriedade do diploma vai, também, potencializar um fenômeno que já provoca um estrago razoável na composição das redações dos grandes veículos de comunicação: a proliferação e a expansão desses cursinhos de trainee, fábricas de monstrinhos competitivos e doutrinados para fazer tudo-o-que-seu-mestre-mandar.
Ao invés de termos viabilizado a melhoria dos cursos de jornalismo, de termos criado condições para que os grandes jornalistas brasileiros se animassem a dar aulas para os jovens aspirantes a repórteres, chegamos a esse abismo no fundo do qual se comemora uma derrota.
De minha parte, acho uma pena.
Diploma e ética profissional
Às vezes, quando me perguntam sobre a importância do diploma para o exercício da profissão de jornalista, gosto de lembrar do tempo em que comecei na profissão, na década de 70, quando inúmeras pessoas trabalhavam no ofício sem terem passado por uma escola de formação profissional. Logicamente, a grande maioria exercia um jornalismo de qualidade e ético. Mas alguns profissionais esbanjavam também na falta destes quesitos.
Como exemplo, gosto de citar o caso de um jornalista (não é o caso de citar seu nome, inclusive porque hoje ele já é falecido) que ganhou dois ou três prêmios Esso, era tido como excelente repórter, mas, no exercício da profissão, dava um show no que diz respeito à falta de ética.
Digo isso porque pude testemunhar o tal jornalista em dois momentos. Primeiro, ao vê-lo atuar como repórter policial e, duas décadas depois, quando pude copidescar os seus textos e constatei que se tratava de um semi-analfabeto, o que, certamente, poderia justificar o fato de desconhecer certos conceitos éticos.
Um filme a que já assistimos
Esse jornalista sem diploma e sem compromisso com a ética não fazia entrevistas, mas, sim, interrogatórios com os personagens que por acaso iam parar nas mãos da polícia. Gritava ou empurrava com os presos, pés-de-chinelo ou não. Outra coisa: em plena ditadura, ele não questionava e achava normal ver policiais torturando presos com a cocota (uma sola de pneu usada para bater nas palmas das mãos dos presos). Para ele, a tortura era tida como um ofício corriqueiro contra os presos e não era notícia, mesmo que acontecesse à sua frente.
Acho que é aí que entra a importância dos cursos de Jornalismo para o exercício da profissão. Além de qualificar os futuros profissionais, os cursos são importantes não só para melhorar a qualidade da informação, mas, sobretudo, para comprometer o jornalista com a ética.
O fim da necessidade da formação profissional representaria também o fim do compromisso dos “jornalistas” com o Código de Ética da profissão. Isso abriria as portas do jornalismo para os picaretas, que passariam a usar a informação em interesse próprio, sem qualquer compromisso com a sociedade e com a ética, um filme a que já assistimos muito no passado, antes da regulamentação da profissão.
Para mim, este aspecto, por si só, já justifica a necessidade do diploma para o exercício da profissão. Aliás, se o jornalismo melhorou em qualidade nas últimas décadas deve-se, sem dúvida, às escolas de Comunicação.
Uma decisão danosa
Por Alberto Dines
Difícil avaliar o que é mais danoso: a crítica do presidente Lula à imprensa por conta das revelações sobre o comportamento do senador José Sarney (PMDB-AP) ou a decisão do Supremo Tribunal de eliminar a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. São casos diferentes, porém igualmente prejudiciais à fluência do processo informativo. E exibem a mesma tendência para o sofisma, a ilusão da lógica.
Fiquemos com a decisão do STF. Embora irreversível, não é necessariamente a mais correta, nem a mais eficaz. A maioria do plenário seguiu o voto do presidente da Corte, Gilmar Mendes, relator do processo, que se aferrou à velha alegação de que a obrigatoriedade do diploma de jornalista fere a isonomia e a liberdade de expressão garantida pela Constituição.
Para derrubar esta argumentação basta um pequeno exercício estatístico: na quarta-feira em que a decisão foi tomada, nas edições dos três jornalões, dos 29 artigos regulares e assinados, apenas 18 eram de autoria de jornalistas profissionais, os 11 restantes eram de autoria de não-jornalistas. Esta proporção 60% a 40% é bastante razoável e revela que o sistema vigente de obrigatoriedade do diploma de jornalismo não discrimina colaboradores oriundos de outras profissões.
No seu relatório, o ministro Gilmar Mendes também tenta contestar a afirmação de que profissionais formados em jornalismo comportam-se de forma mais responsável e menos abusiva. Data vênia, o ministro-presidente da Suprema Corte está redondamente enganado: nas escolas de jornalismo os futuros profissionais são treinados por professores de ética e legislação e sabem perfeitamente até onde podem ir.
É por isso que na Europa e Estados Unidos onde não existe a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, são as empresas jornalisticas que preferem os profissionais formados em jornalismo, justamente para não correrem o risco de serem processadas e punidas com pesadas indenizações em ações por danos morais.
O STF errou tanto no caso da derrubada total da Lei de Imprensa como no caso do diploma. E foi induzido pela mesma miopia. (Transcrito do Observatório da Imprensa)
Gols de Brasil 3, EUA 0
Comentei o jogo para a Rádio Clube (off-tube) e fiquei impressionado com a desenvoltura de Ramires, volante que o Cruzeiro revelou ao mundo e que hoje pertence ao Benfica. Participou dos principais lances da partida com autoridade de titular. E com um talento raro no meio-campo brasileiro: a rapidez na saída de jogo. Sua participação no gol de Robinho foi espetacular: arrancou com a bola dominada por quase 20 metros e esperou o exato instante de passar a bola ao atacante, que mandou para as redes.
Com Ramires, a Seleção ficou mais ágil. Elano, o antigo titular, tem como principal característica o estilo “enceradeira”, sempre cozinhando o jogo no meio-campo e abusando dos passes laterais. Além da boa vitória, o Brasil ganhou hoje um volante moderno, que Dunga só não transforma em titular se for realmente muito teimoso.
Robinho também jogou bem, deslocando-se nos momentos certos e diminuindo a quantidade de firulas. Quem destoou foi Kaká, meio desligadão e errando muitos passes. Ainda assim, participou do lance do segundo gol e foi decisivo no terceiro gol, de Maicon, ao dar o passe final dentro da área.
Quero ser juiz de direito (sem exigência de diploma)
Por Gadelha Neto, jornalista
A decisão do STF, que dispensa o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, me abre um mundo novo: a possibilidade de ser Juiz de Direito e, quem sabe, até alçar voo rumo ao próprio Supremo. Sim, porque a decisão deixou claro que a minha profissão não exige diploma porque não são necessários conhecimentos técnicos ou científicos para o seu exercício. Disse mais: que o direito à expressão fica garantido a todos com tal “martelada”.
Tampouco a respeitabilíssima profissão de advogado e o não menos respeitável exercício do cargo de juiz pressupõem qualquer conhecimento técnico ou científico. Portanto me avoco o direito (e, mesmo, a obrigação), já que assim está decidido, de defender a sociedade brasileira diante dos tribunais e na própria condução de julgamentos.
Além de ser alfabetizado e, portanto, apto a ler, entender, decorar e interpretar nossos códigos e leis, tenho 52 anos (o que me dá experiência de vida e discernimento sobre o certo e o errado) e estudei – durante o curso de jornalismo (!) – filosofia, direito, psicologia social, antropologia e ética – entre outras disciplinas tão importantes quanto culinária ou moda: redação em jornalismo, estética e comunicação de massa, radiojornalismo, telejornalismo, jornalismo impresso etc.
Com essa bagagem e muita disposição, posso me dedicar aos estudos e concorrer às vagas de juiz pelo Brasil afora, em pé de igualdade com os colegas advogados. Também posso pagar e me dedicar aos cursos especializados em concursos públicos para o cargo, se eu julgar necessário. E não é justo que me exijam, em momento algum, qualquer diploma ao candidatar-me ao cargo.
Afinal, se a pena de um jornalista não pode causar mal à sociedade (!!?), a de um juiz também não teria este poder de fogo. As leis – e elas são justas em si – existem para serem cumpridas e cabe a um juiz, tão somente – usando da simplicidade do STF – seguir a “receita de bolo” descrita pelos nossos códigos. Assim sendo, um juiz não pode causar mal algum a ninguém, se seguir, estritamente, o que determina a lei. Concordamos?
Data venia, meus colegas advogados, por quem nutro o devido respeito (minha mãe, cunhada, irmão e sobrinha – por favor, compreendam), quero ser juiz porque é um direito meu, assegurado pelo STF, e o salário de jornalista não está lá estas coisas.
Fenaj: ameaça à democracia
O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo Andrade, disse nesta quarta-feira que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que derrubou a exigência do diploma para o jornalista representa uma ameaça à democracia. Andrade criticou a postura dos ministros que compararam jornalistas com cozinheiros e modelo e teriam deixado de lado a complexidade e dificuldades da atuação do profissional da área.
Para o presidente da Fenaj, o STF derrubou a exigência pela qualificação dos jornalistas. “Não é novidade para ninguém que o melhor lugar para qualquer pessoa adquirir conhecimento é a escola. Lamento que o Supremo tenha andado na contramão, deixando de lado a exigência por profissionais qualificados. Foi um contrassenso”, afirmou.
Na avaliação de Andrade, ao anular o decreto-lei 972/69, que estabelece que o diploma é necessário para o exercício da profissão de jornalista, o Supremo derrubou uma luta de 40 anos. “É um golpe duríssimo na nossa profissão. São 40 anos jogados no lixo. Foi um milagre o Supremo não nos proibir de exercer o jornalismo no Brasil”, disse.
O presidente da Fenaj disse ainda que vai esperar uma análise do departamento jurídico da entidade para adotar uma orientação aos sindicatos. Segundo Andrade, ainda não há ideia da dimensão do impacto do julgamento. “Vamos analisar a decisão para orientar os sindicatos. Agora, não é uma sentença de morte. Vamos usar a criatividade para garantir que a profissão seja exercida com ética”, afirmou. (Da Folha de S. Paulo)
ABI: fim do diploma expõe jornalistas
Por 8 a 1, o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou hoje a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Só o ministro Marco Aurélio Mello votou pela manutenção do diploma. O presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azêdo, criticou a decisão. “A ABI lamenta e considera que esta decisão expõe os jornalistas a riscos e fragilidades e entra em choque com o texto constitucional e a aspiração de implantação efetiva de um Estado Democrático de Direito, como prescrito na Carta de 1988”, disse ele em nota.
Na nota, Azêdo diz esperar que a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) recorra ao Congresso Nacional para “restabelecer aquilo que o Supremo está sonegando à sociedade, que é um jornalismo feito com competência técnica, alto sentido cultural e ético”. Ele informa que a ABI organizou o 1º Congresso Brasileiro de Jornalistas em 1918 e aprovou “como uma das teses principais a necessidade de que os jornalistas tivessem formação de nível universitário”. (Da Folha de S. Paulo)
Jornalismo x culinária
“Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”.
Gilmar Mendes, o Iluminado, discorrendo sobre jornalismo e culinária.