Suor, lágrimas e gasolina

Por Lemyr Martins:

Quando Emerson Fittipaldi estreou na Fórmula 1, alinhou ao lado do inglês Graham Hill e ficou feliz em ultrapassar seu ídolo logo na segunda curva. O que ele jamais poderia supor naquele dia é que o destino elegeria o velho campeão para salvá-lo de uma tragédia. Foi o pior susto da carreira de Emerson na F-1, e aconteceu em Zandvoort, na entrada da curva Bocht, nos treinos de classificação para o GP da Holanda de 1973.

Uma das rodas dianteiras do seu Lotus quebrou e o carro foi direto ao guardrail. A pancada destruiu tudo: a frente sumiu do painel para baixo, a suspensão se desintegrou e virou sucata. Emerson nunca esqueceu aqueles momentos:

“Fiquei preso nas ferragens, com o pé esquerdo quebrado e a sola virada ao contrário, olhando para mim. Meu maior temor era estar sobre uma poça de gasolina com o cockpit inundado de combustível. Se escapasse uma faísca, eu ia virar torresmo.

Supliquei aos bandeirinhas de pista que estancassem a gasolina e me ajudassem a sair do carro. Mas os comissários, que na época eram amadores, ficaram paralisados, com medo de uma explosão.

Graças a Deus, o Graham Hill parou o seu Shadow-Embassy do meu lado e veio me socorrer. Estancou a gasolina e começou a dar ordens aos bandeirinhas. Ainda fiquei uns vinte minutos preso nas ferragens.

Foi o próprio Hill quem pegou uma serra e, lentamente, para não produzir faísca, cortou um pedal, parte da carenagem do chassi e pedaços da sucata, para me livrar das ferragens.”

Mesmo aterrorizado, naquele momento Emerson se lembrou da tarde de sua estréia na F-1, no cálido 19 de julho de 1970, no circuito inglês de Brands Hatch. Lá estava ele, feliz dentro do Lotus 49, na última das doze filas, à esquerda do bicampeão Graham Hill. Tinha atingido o sonho de alinhar num grid de F-1.

Em Zandvoort, ensopado de gasolina, suor e lágrimas, pela dor no pé esquerdo fraturado, preso entre as ferragens do Lotus 72, ele lembrou que na sua estréia chegara ao exagero de pensar que, se morresse naquele dia, morreria feliz.

Quando Graham Hill serrou a última travessa da carenagem e ajudou-o a sair dos destroços do carro, Emerson sentiu remorso ao recordar que, na sua primeira corrida, havia ultrapassado o velho Hill, seu herói de infância, na segunda curva.

(Do livro “A Saga dos Fittipaldi”, Panda Books)

Paraguai perde a liderança

Mesmo jogando fora de casa, o Chile derrotou o Paraguai por 2 a 0, na noite deste sábado, em Assunção, pela 13ª rodada das eliminatórias para a Copa-2010, na África do Sul. Com o resultado, o Paraguai entregou a liderança para o Brasil, que mais cedo goleou o Uruguai por 4 a 0. Os dois países têm 24 pontos, mas o Brasil leva vantagem no saldo de gols. O Chile aparece logo depois, com 23. O time chileno abriu o placar aos 13min do primeiro tempo com um gol do meia-atacante Matias Fernandez. Na etapa final, aos 6min, o atacante Suazo ampliou de cabeça.

Argentina passa sufoco

Às duras penas, a Argentina derrotou neste sábado a seleção da Colômbia por 1 a 0, em Buenos Aires, valendo pelas eliminatórias da Copa-2010. Os comandados do técnico Diego Maradona vinham de goleada de 6 a 1 frente à Bolívia, fora de casa. O time portenho sofreu bastante pressão da equipe visitante no primeiro tempo. Foi só no segundo tempo que o placar foi aberto, aos 10min, pela Argentina, após jogada do zagueiro Diaz, que chutou de direita e mandou para o fundo das redes.

Cai tabu de 33 anos

brasil

Um tabu derrubado depois de 33 anos. Com uma goleada de 4 a 0, dentro do estádio Centenário, em Montevidéu, a Seleção Brasileira praticamente assegurou classificação à Copa de 2010 e surpreendeu um tradicional adversário. Com gols de Daniel Alves, Juan, Luís Fabiano e Kaká, de pênalti, o Brasil atropelou a Celeste de maneira inapelável. Foi uma das melhores atuações do time sob o comando de Dunga.

Luís Fabiano, 3 a 0

Saída da defesa para o ataque, aos 7 minutos do segundo tempo, com a bola rolando de Robinho para Kaká na direita. Deste para Elano na entrada da área e daí para Luís Fabiano, que fuzila pelo alto, cruzado, sem chances para Vieira. 3 a 0.

O Uruguai tentava se organizar para uma reação. Se continuar no mesmo ritmo, o Brasil chega fácil aos 4 ou mais.

Em lance esticado rumo à área, Luís Fabiano pula sobre o goleiro para evitar o choque. O árbitro, mal colocado, interpreta como simulação e dá o segundo cartão (exclusão) ao brasileiro.

Brasil 2 a 0

Segundo gol do Brasil. Após uma tentativa, salva em grande defesa de Vieira, Juan testa para as redes. Aos 35 minutos. A zaga uruguaia, apesar da combatividade no jogo rasteiro, falha muito nas bolas aéreas. Logo em seguida, aos 37, Júlio Cesar evita o gol uruguaio em duas saídas perfeitas.

No meio-campo, Kaká joga à vontade, percorrendo até 20 metros com a bola sem ser combatido. Nessa batida, se encaixar mais um ou dois contra-ataques, o Brasil sai de Montevidéu com um resultado histórico.

Frangaço em Montevidéu

Onze minutos de jogo, em Montevidéu, Brasil 1 a 0. Daniel Alves pega uma bola à altura da intermediária e dispara um chutão na direção do gol uruguaio. A bola quica antes do goleiro Sebastian Vieira e vai morrer no fundo do barbante. Um frangaço. O lateral brasileiro sai em disparada rumo ao banco brasileiro, vibrando, abraça-se aos companheiros e aí vem a presepada: levanta a manga da camisa e fica mostrando uma tatuagem no braço. Bundamolice, como diria Lobão.

O certo é que o gol de Daniel Alves veio num momento importante do jogo, quando o Uruguai tentava impor um sufoco sobre a zaga brasileira na base da correria.

Almir ataca Jatene e Ana Júlia

Trecho da matéria de Frank Siqueira, para o DIÁRIO deste domingo:

O ex-governador Almir Gabriel saiu esta semana do seu refúgio voluntário em Bertioga, no litoral paulista, para onde se mudou no final do primeiro semestre de 2007, e concedeu uma longa entrevista ao DIÁRIO DO PARÁ. Foi seu primeiro contato formal com um veículo de imprensa em quase dois anos e meio, tempo contado a partir do momento em que o ex-governador Simão Jatene, até então seu aliado, deixou o cargo de governador do Estado. (…)

Sobre Jatene:

Em relação a Simão Jatene, em contrapartida, Almir Gabriel se mostra bem menos condescendente. “Ele (Jatene) já foi governador e esqueceu de que governar é administrar e fazer política”, disse ele, sublinhando sua avaliação pessoal de que, como administrador, Jatene foi apenas regular. “E com um dado muito importante: ele deixou o Hangar e cinco hospitais (regionais) para a minha adversária inaugurar”, completou.

O ex-governador Simão Jatene descurou-se também, segundo ele, da área política, deixando de receber prefeitos e lideranças políticas, inclusive do PSDB e de partidos aliados. Isso ajuda a explicar, na sua avaliação, por que Jatene teve “uma pequena” participação política e administrativa no interior do Estado, o que se refletiria no resultado da eleição. (…)

De acordo com Almir Gabriel, o então governador Simão Jatene o levou a perder uma eleição que “estava na mão”. E quanto ao governo Ana Júlia? Ele nem procura dissimular ou mesmo dar meio-tom às palavras: “Está sendo um desastre. Um desastre previsível, aliás”.

Matéria completa na edição de domingo do DIÁRIO, já nas ruas.