Terçado vira cidadão de Belém

O jogador de futebol José Augusto da Conceição, mais conhecido como o Zé da Fiel e Terçado Voador, recebe nesta quarta-feira o título de cidadão de Belém. O evento será realizado na Câmara Municipal de Belém. A homenagem foi solicitada pelo vereador Vandick Lima, ex-companheiro de ataque de Zé Augusto na equipe bicolor vencedora de vários certames, entre os quais o bicampeonato brasileiro da Série B, em 2001. Zé é maranhense de Barra do Corda e há 13 anos mora na capital paraense, mas se define como paraense pela relação de amor que tem com Belém e com a torcida do Paissandu.

Walter Bandeira

O blog se junta às justas homenagens a Walter Bandeira, que morreu na manhã desta terça-feira, após um período de convalescença. Um dos maiores cantores paraenses de todos os tempos, seguramente um dos melhores do país, Walter tem toda uma história de dedicação à música como ofício e missão. 

Além de cantor aclamado como o melhor de sua geração, Walter, de 67 anos, era ator e locutor. O velório acontece no Teatro Waldemar Henrique, na praça da República, a partir das 17h. O enterro, às 10h desta quarta-feira (3), será no cemitério Santa Izabel. 
 
Além de intérprete, Walter participou de produções de rádio e gravou dezenas de comerciais de TV e documentários. Recentemente, fez shows cantando clássicos da música francesa, além de participação em DVD gravado, ao vivo, pela cantora Fafá de Belém, no Theatro da Paz.

Pelo talento incomum, vai fazer muita falta. Que Deus o tenha.

Teixeira, persona non grata ao Pará

Um requerimento apresentado nesta terça-feira, 02, à Assembléia Legislativa, pelo deputado estadual, Arnaldo Jordy (PPS), e assinado por vários deputados do PSDB, PMDB, PV e DEM, declara o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, como “persona non grata” ao estado do Pará “por ele ter sido o agenciador dos critérios políticos que possibilitaram a exclusão de Belém de ser uma das cidades sedes da Copa de 2014”, afirma o documento, que ainda será levado à apreciação do plenário.

A não inclusão de Belém da lista da Fifa pontuou as discussões na manhã de hoje, na Assembléia Legislativa. No requerimento apresentado, os parlamentares manifestaram o sentimento do povo paraense com a não escolha de Belém para sediar os jogos da Copa e creditaram ao presidente da CBF parte da responsabilidade por essa derrota, uma vez que ele teria se deixado levar pelo lobby de grandes empresas.

Eles criticaram também o governo do Estado e a Prefeitura de Belém pelo que chamaram de falta de articulação política para garantir a vinda dos jogos. “Esse resultado é fruto do profundo e absoluto isolamento político que o governo do Pará e a Prefeitura de Belém vivem no cenário local e nacional. Não houve mobilização dos empresários, lideranças, dirigentes esportivos, intelectuais, artistas, políticos e da sociedade visando o envolvimento de todos para a indicação da cidade. Subestimamos e agimos de forma amadora para enfrentarmos uma disputa que envolvia todos estes componentes e grandes interesses”, diz um trecho do requerimento.

Arnaldo Jordy explicou que o desejo de sediar a Copa do Mundo não era um sentimento somente do povo de Belém, mas de todos os paraenses que ansiavam por receber as seleções, os torcedores e visitantes, brasileiros e estrangeiros, que viriam para conhecer a cidade e o Estado.

 “Ansiávamos também pelos benefícios diretos e indiretos que um evento desse porte traria e deixaria para a economia local”, disse, considerando que Belém reunia grandes chances de ser uma das cidades sede da Copa do Mundo, correspondendo com cerca de 80% dos critérios técnicos exigidos pela Fifa, além de apresentar um público apaixonado pelo futebol e um belo estádio olímpico reconstruído recentemente.

Burro, burro, burro…

Elias Pinto, no DIÁRIO de hoje:

Certamente não foram os deuses do futebol que escolheram as sedes brasileiras para a Copa do Mundo de 2014. Muito menos entrou em campo o Sobrenatural de Almeida, célebre personagem de Nelson Rodrigues que decidia – talvez com a ajuda dos deuses do futebol ou à revelia destes – renhidas partidas em lances capitais que desafiavam a compreensão dos boleiros.

O editorial da Folha de S.Paulo de sábado passado, a edição dominical do jornal paulistano e mais as colunas de ontem de Juca Kfouri e do companheiro Gerson Nogueira já forneceram suficientes explicações, por quem é do ramo, para entender os verdadeiros motivos, e não as justificativas técnicas alegadas, que levaram as máfias que controlam a Fifa (e a CBF, bem como as federações estaduais, num bolo de noiva pecuniário fatiado por interesses que parasitam em torno do bilionário futebol globalizado) a selecionar as doze capitais brasileiras. Em particular, para nós, o anúncio de Manaus, em detrimento de Belém, cidade de maior tradição futebolística e com estádio que necessitaria de menos investimentos do que aqueles exigidos para Manaus. Mas é possível que este fator, como alertou Gerson Nogueira, em vez de contar a favor de Belém, tenha pesado contra na balança sonante da Fifa/CBF.

Evidente que Belém, que há algum tempo vem perdendo terreno, para Manaus, como cidade referência na região amazônica, sofrerá outro considerável abalo em relação à capital amazonense, levando em consideração a prioridade nos investimentos federais que privilegiarão as cidades-sede do Mundial de 2014.

E com isso, outra metáfora criada pelo imortal Nelson Rodrigues fechará mais um botão sobre a já castigada imagem do paraense, o complexo de vira-lata que nos vem assolando, como continua o país a ser assolado pelo festival de besteiras cunhado pelo jornalista Sérgio Porto, o não menos inesquecível Stanislaw Ponte Preta. Mas a nossa cota de besteiras, sem dúvida, parece bem acima da média nacional, afivelando ainda mais, por sua vez, a focinheira do nosso complexo vira-lata.

Por outro lado (ou ainda do mesmo lado), enquanto Belém capitaliza as notícias negativas que o Pará (e a própria Belém) produz em proporção industrial, com invasões, conflitos agrários, trabalho escravo, bordel legislativo, urbanismo fóssil, etc. e etc., Manaus capitaliza não só o fato de o Amazonas concentrar a maior área preservada da região, como o próprio nome do Estado confundir-se com o da região. Por fim mas não menos importante, os dividendos de abrigar a Zona Franca, estando ali instaladas indústrias como Coca-Cola e Sony, patrocinadoras da Fifa.

Bem, diante de tudo que se sabe, tanto da Fifa quanto da flagrante incompetência dos que ora estão de plantão no poder estadual e municipal, o momento é de aproveitar a deixa e, fazendo uma analogia com as regras não escritas do futebol (e pedindo desde já licença ao presidente Lula, pois estamos entrando no terreno gramado que é sua maior especialidade), adotar a medida mais comum quando o time vai mal: demitir o técnico.

Demitir o “treinador” da ex-quase-futura-sede, Duciomar Costa, que, indo contra aquela “máxima”, mostra que os pequenos fracos são também capazes de guardar monstruosidades administrativas que exalam a moral mais putrefata da paróquia que o pariu (através do voto). E demitir a “treinadora” estadual, Ana Júlia Carepa, que, como diria o Lula (para quem, aliás, Ana está “prestigiada” no cargo), na língua que o presidente melhor domina, o idioma boleiro, já não tem o time na mão. Demitir, claro, através do voto, mas também pode ser, se couber, no tapetão.

E o que mais me dói é que, como está no “entorno” do Mangueirão, o estádio Francisco Vasquez, da Tuna, certamente ganharia uns trocados para reformar o Monumental do Souza, fazendo, assim, jus ao título. Mas para nós, tunantes, é apenas mais uma derrota que tiramos de letra, nossa espacialidade. E já que a cidade está fazendo água por todos os lados, melhor lançar-se ao mar, ou à baía, onde somos, com a nossa regata, os maiorais, apesar da maledicência de que português não gosta de água.

Há 42 anos…

2_12943

Foi no dia 1º de junho de 1967. Surgia um dos mais importantes álbuns de toda a história da música pop mundial: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o oitavo álbum dos Beatles. Nesse disco estão muitos clássicos da banda, como “Lucy in the Sky with Diamonds”, “A Day in the Life”, “When I’m Sixty Four”, “With a Little Help From My Friends”.

Sgt. Pepper’s é tão importante que a própria capa do álbum já é outra obra de arte, sendo uma das mais conhecidas e imitadas da história, além de ter originado várias teorias sobre mensagens subliminares. A mais absurda era a que envolvia a mão espalmada que aparece sobre a cabeça de Paul McCartney e que seria um sinal cifrado sobre a suposta morte do músico. 

Bons tempos, quando até os factóides eram divertidos.

Um outro olhar sobre a tragédia

No momento do acidente

JANTAR JÁ TINHA SIDO SERVIDO E RECOLHIDO; FILME ERA EXIBIDO

De O Globo:

As 228 pessoas que estavam no voo 447 da Air France provavelmente já estavam se preparando para dormir no momento do desaparecimento do avião, cerca de 4 horas depois da decolagem do Tom Jobim. Segundo pilotos e comissários de bordo, houve tempo suficiente para que o jantar fosse servido e recolhido pelos tripulantes.

– O serviço de bordo de um voo internacional como aquele costuma ser iniciado por volta de 45 minutos depois da decolagem, quando o avião atinge o nivelamento necessário. Neste momento, o piloto autoriza a equipe a começar o serviço, que dura cerca de 1h30 – explica o piloto Olímpio Ozuna Negrão, diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

– Àquela altura, o primeiro filme já devia estar sendo exibido para os passageiros, e as luzes da cabine estavam sendo apagadas, porque a maioria das pessoas quer dormir.

Para o ex-comissário de bordo Marcelo Garcia, no momento da tragédia muitos passageiros devem ter sido surpreendidos fora de seus lugares: 

– Em geral, essa é a hora em que as pessoas estão sendo cinto de segurança, na fila dos banheiros, preparando-se para dormir.  

Quando embarcam num voo da Air France, passageiros da primeira classe começam a ser servidos com champanhe e uma tábua de queijos franceses. O jantar, servido em louça de porcelana branca, é elaborado por Guy Martin, chefe do Grand Véfour de Paris. São três opções de entrada e quatro sugestões de pratos quentes, além de um carrinho de sobremesa, incluindo sorvetes, petits fours e uma cesta de frutas frescas. A carta de vinhos é selecionada por Olivier Poussier, eleito melhor sommelier do mundo em 2000.

Como passatempo de viagem, os passageiros de primeira classe têm videogames, 12 opções de filmes recém-lançados, seis canais temáticos e dez canais musicais. As poltronas se transformam em camas de dois metros de comprimento, com colchão e edredom com plumas de ganso.

Na classe econômica, os passageiros têm duas opções de refeição, além das especiais (vegetariana ou kosher). Eles podem escolher entre 85 filmes, séries de TV e programas de informação, além de mais de três mil horas de programação musical. 

 

Texto simples, enxuto e sem firulas, descritivo na medida certa e, não obstante, cheio de molho jornalístico. Foi o  relato mais grudento que li, até agora, sobre o sumiço do airbus da Air France. Recomendo de bom grado a qualquer aprendiz da nobre arte da escrita. Pena que a matéria postada no Globoonline não traga a assinatura de repórter tão competente.

O resmungo alugado

Não se pode mais confiar em ninguém. Iggy Pop gravou bossa nova – How insensitive/Insensatez  – em seu novo álbum Preliminaires. Só falta fazer turnê de banquinho e violão com João Gilberto. Fala sério.

De Jamari França, blogueiro e crítico musical, mordido com esse – digamos – excesso de camaleonice de Iggy Pop.

Sobre o driblador inútil

Do blog de Cosme Rímoli:

Denílson.

A maior negociação no Brasil nos anos 90. O São Paulo vendeu ao Bétis por US$ 32 milhões em 1998. Jogador de dribles sensacionais. Foi comparado a Garrincha, Canhoteiro..

Os dirigentes do Bétis afirmavam ter vencido um duelo com o Real Madrid. E contratado o melhor jogador do mundo, na época. Denílson jurava que deixava o seu clube de coração para vencer na Europa.

Decepção dos dois lados.

Logo em 2000, o Bétis era rebaixado. E Denílson considerado o pior investimento da história do clube espanhol. Na Seleção Brasileira também não se firmou. Perdeu prestígio e virou mera atração no banco de reservas.

Seu grande momento foi na Copa de 2002 quando entrou para prender a bola contra a Turquia. Sua habilidade fora do comum serviu para atormentar sete turcos. Quem não gostava de Denílson o chamou a carreira de ‘foca’. O comparava a um jogador de exibição com a bola. Que preferia driblar sem necessidade a produzir para o time que defendia.

O rótulo grudou.

Para piorar, diz que perdeu grande parte do seu dinheiro por ter acreditado em um ex-empresário. O brasileiro passou a ter uma vida de nômade para tentar se recuperar financeiramente. Flamengo, Bordeaux, Al Nassr, Dallas, Palmeiras, Itumbiara. No início do ano, a Portuguesa o recusou. Assim como os demais clubes grandes brasileiros.

Sentindo não ter mais espaço no País, a saída foi de novo o aeroporto. Não para a Europa. Mas, desta vez, para o Vietnã. Denílson acertou sua ida para o Xi Mang Hai Phong. Jogará lá por seis meses, noticiaram as agências internacionais. Denílson não atende o celular. O atacante tem apenas 31 anos. Parece mais velho. 

Sua alegria, irreverência foi embora há muito tempo. Treinadores e jogadores conversando sobre ele costumam ter a mesma sensação.

A de um enorme… De um gigantesco…

Desperdício…

Quem não lembra das patacoadas de Galvão Bueno: “Denilson neles, minha gente!!! É a graça e a malandragem do futebol brasileiro, e pererê, parará…”. Nunca me iludi com esse marketing fajuto que a Globo permite, transformando jogadores comuns em projetos de grande craque. Enganação pura.

Republicano isenta Saddam

Do Portal Terra:

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Dick Cheney afirmou nesta segunda-feira que o líder iraquiano Saddam Hussein, executado em dezembro de 2006, não teve ligação com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. “Eu não acredito e nunca vi nenhuma prova que confirme que (Saddam) esteve envolvido no 11 de setembro”, disse Cheney em discurso no Clube Nacional de Imprensa, em Washington.

Em março de 2003, os Estado Unidos invadiram o Iraque e, no fim do mesmo ano, capturaram Saddam Hussein. Em novembro de 2006, ele foi condenado por crimes contra a humanidade e executado no mês seguinte.

De concreto mesmo, há o fato de que Saddam foi armado e preservado pelos EUA enquanto foi conveniente. Quando virou um arquivo ambulante, assinou sua sentença de morte.

Re-candidatura com chances reais

Já se disse quase tudo sobre a exclusão de Belém da lista das eleitas para a Copa de 2014. Através de e-mails, participação no blog e depoimentos aos programas da Rádio Clube, nada escapou ao desabafo dos paraenses: desde os abusos do poder econômico, dos conchavos e dos critérios puramente comerciais da Fifa (e da CBF) no processo.

Falou-se também das picuinhas políticas entre a Prefeitura de Belém e o Governo do Estado, que tanto atrapalharam o projeto. O debate público e informal foi enriquecido pela confirmação de suspeitas quanto ao jogo de cartas marcadas na escolha antecipada das sub-sedes, anterior ao périplo dos inspetores da Fifa pelas cidades candidatas.

Tudo isso marcou o dia seguinte à frustração pela derrota de Belém, que registrou o surgimento dos costumeiros engenheiros de obra pronta, que se comprazem em atacar o que não deu certo com a sapiência de quem já previra o desfecho. Por sorte, o falso discurso de indignação não convence ninguém. O cheiro de torcida contra é facilmente identificável.

Em meio a isso, superando a frustração, começa a prosperar a idéia de uma nova candidatura, a partir do fato óbvio de que, tecnicamente, Belém tinha plenas condições de estar na Copa de 2014. A postulação se destina à Copa das Confederações de 2013.

Nas últimas edições, o torneio conquistou relevância e interesse da torcida. Envolve muito dinheiro e pode ser até mais atraente ao torcedor por ter menor número de seleções e maior equilíbrio.

Seria um justíssimo prêmio de consolação para Belém, Florianópolis, Campo Grande e Goiânia, barradas no baile principal, que teriam a compensação de exigir recursos e investimentos tão vultosos quanto os que serão feitos nas 12 sub-sedes da Copa propriamente dita. Resta trabalhar desde já, corrigindo erros de estratégia da primeira campanha.

E, desta feita, com a conveniente ausência dos influentes patrocinadores internacionais da candidatura baré. Só não vale perder para Rio Branco ou Macapá.

 

Ainda sob o peso da vergonha pela derrota histórica na peleja pelo título de “metrópole da Amazônia”, o leitor Rafael Araújo repele o chororô. “Refuto isso através de uma máxima do próprio futebol, segundo a qual contra time bom não existe juiz ladrão. De fato, se realmente Belém estivesse em condições no mínimo razoáveis de receber uma Copa não haveria artimanha política capaz de tirar-lhe esse direito”, diz.

Diante disso, Rafael propõe um projeto para o 400º aniversário de Belém. “Seria um projeto de re-fundação da capital e um resgate da auto-estima de sua população. Somente dessa forma poderemos recuperar o caro status de porta de entrada da Amazônia, que a Fifa nos tirou no último domingo”.

 

Como prova da maturidade e da qualificação do leitor-torcedor, o blog registrou ontem seu maior pico de acessos em pouco mais de um mês de vida: 1.356 até o fechamento da coluna, às 20h15. Para um espaço que só trabalha com idéias claras e colaboradores identificados, o resultado é estimulante. Este escriba baionense agradece penhoradamente.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 02/06)