
Tá chegando a hora…



Por Tereza Cruvinel, no Brasil247
Na próxima segunda-feira (29), o advogado australiano Geoffrey Robertson apresentará um relatório à ONU denunciando o maniqueísmo, as distorções e as condutas indevidas que a seu ver caracterizam violação do direito do ex-presidente Lula a um julgamento justo. Ele foi autorizado a assistir presencialmente ao julgamento e viu coisas que apontou como impensáveis numa corte europeia. Robertson, que representa Lula no processo apresentado à Comissão de Direitos Humanos da ONU ainda antes do julgamento por Sergio Moro, não detalhou quais podem ser os desdobramentos do processo dentro da Organização. Mas devem ser mais políticos que jurídicos, não afetando as decisões do judiciário nacional que tanto o escandalizou.
– Foi uma triste experiência ver que normas internacionais sobre o direito a um julgamento justo não parecem ser seguidas no sistema brasileiro – declarou Robertson nesta quinta-feira.
Por muito tempo ainda, antes de tornar-se passagem dos livros de História, o julgamento de Lula pelo TRF-4 assombrará consciências jurídicas e políticas pelo jogo maniqueísta e combinado dos três desembargadores. Atuaram como um cartel, disse Lula, com aquela capacidade para troçar da dor, adquirida no balanço de sua vida sofrida e singular. Um caso que até podia ser levado ao CADE, brincou. “Como ensinar Direito depois deste julgamento?”, perguntou-se o constitucionalista e professor Lenio Streck. Outros tantos apontaram a falta de fundamentos da sentença e suas “inovações”, como a dispensa de ato de ofício em suposta corrupção, a volta do “domínio do fato” em sua versão distorcida, a inversão do ônus da prova e a substituição da prova pelo convencimento. Mas Robertson, um estrangeiro que assistiu de perto ao espetáculo, por sua posição dará grande difusão internacional à deformação da Justiça no Brasil, transfigurada em instrumento político para banir Lula da vida política e a esquerda da disputa do poder.
Robertson criticou, por exemplo, o fato do promotor Mauricio Gotardo Gerum, responsável pela acusação, sentar-se junto do relator e ter conversas particulares com os desembargadores ao longo do julgamento. Espantou-se com o fato de que os três magistrados terem levado seus votos prontos e escritos, numa evidência de que já tinham opinião formada antes de ouvirem qualquer argumento da defesa.
“Uma corte de apelação é uma situação em que três juízes escutam os argumentos sobre a decisão de um primeiro juiz, que pode estar certo ou não”, afirmou. “Os juízes hoje (no julgamento do dia 24) falaram cinco horas lendo um script. Eles tinham a decisão escrita antes de ouvir qualquer argumento”. “Nunca escutaram, então isso não é uma sessão justa, não é uma consideração apropriada do caso”, ponderou Robertson.
Autorizado a observar presencialmente a sessão, ele se impressionou negativamente com o comportamento dos atores envolvidos no processo durante o julgamento. “Eu estava lá na sala e vi o promotor-chefe do caso sentar ao lado do relator. Ele também almoçou ao lado dos três juízes e, depois, ainda teve conversas particulares com eles. Essa é uma postura totalmente parcial, isso simplesmente não pode acontecer numa corte”, criticou o advogado britânico.
Sobre o caso em que defende Lula na ONU, contra os procedimentos de Sérgio Moro na primeira instância, Robertson comentou que o sistema brasileiro não permite que o responsável pelo julgamento seja imparcial. “Aqui no Brasil vocês têm um juiz que investiga o caso, define grampos e ações de investigação, para depois também julgar a pessoa no tribunal”, avaliou. “Isso é considerado inacreditável na Europa. Impossível”, garantiu. “Pois isso tira o direito mais importante de quem está se defendendo: ter um juiz imparcial no seu caso.”
Disse ele ainda que Moro atuou com pré-julgamento exatamente por ter sido o juiz da investigação e do julgamento de Lula. “Ele demonizou Lula, contribuiu para filmes e livros que difamaram o ex-presidente e encorajou o público a apoiar sua decisão. Moro jamais poderia se comportar assim na Europa. Depois, divulgou para a imprensa áudios capturados de forma irregular, de conversas entre Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff. Pediu desculpas, mas imediatamente deveria ter sido retirado do caso.”
Robertson justificou suas opiniões lembrando seu trabalho como promotor em ação de direitos humanos contra o general Augusto Pinochet e sua participação em acusações contra o cartel de Medellín. “Tenho experiência com casos de corrupção e, aqui nesta sessão, não vi evidências de corrupção. Foi uma experiência triste sobre o sistema judiciário brasileiro.”

“Eu estava lá na sala e vi o promotor sentado ao lado do relator. Fez seu almoço ao lado dos juízes e, depois, ainda teve conversas particulares com eles. Isso é totalmente parcial, isso simplesmente não pode acontecer numa corte”.
Geoffrey Robertson, advogado britânico, a respeito da promiscuidade entre juízes e promotores no TRF-4

Na véspera do Re-Pa, o Papão pode presentear a torcida com uma contratação de peso, literalmente. Ainda não há confirmação oficial, mas o acordo está praticamente fechado com o atacante Walter. Ele deverá desembarcar na Curuzu nos próximos dias, como o 16º reforço da temporada.
Segundo fonte do clube, em contato com o blog campeão na tarde deste sábado, a transação tem 99% de chances de ser concretizada. O anúncio deve ser feito nas próximas horas e, se tudo se confirmar, Walter chega a Belém na segunda-feira, 29.
O jogador, cujo último clube foi o Atlético-GO (foto acima), tem 28 anos e reconhecida habilidade para fazer gols, mas sofre para se manter no condicionamento ideal.
O próprio Walter admite que não consegue controlar o peso, razão do apelido de “Gordinho” que o acompanha. Além disso, nos últimos clubes – Atlético-GO e Goiás – apresentou problemas disciplinares, chegando a brigar com companheiros de clube e não conseguindo jogar em bom nível, como nos tempos de Fluminense. No Dragão rubro-negro, Walter fez 25 jogos e marcou 5 gols.

Sem clube desde que saiu do Atlético-GO, o jogador chegou a negociar com o Vila Nova goiano, mesmo sem a aprovação da comissão técnica para sua contratação. O presidente do Vila, Ecival Martins, saiu em busca de investidores para ajudar no pagamento de salários do jogador, mas não teve sucesso e acabou por desistir.

O Remo encerrou sua preparação para o clássico com um treino recreativo, na manhã deste sábado, no campo do Ciaba. Ontem à tarde, o grupo realizou um coletivo, sem a presença da imprensa. Os jogadores, comandados por Ney da Matta, treinaram variações de jogadas e lances de bola parada. Durante a movimentação, surgiram dois problemas: o volante Geandro e o atacante Isac sentiram dores na coxa e panturrilha, respectivamente, ficando sob observação do departamento médico.
“Ficar escondendo as coisas é besteira. Não queríamos mexer no time, até porque fizemos um jogo legal na última partida, mas tivemos prejuízo grande no trabalho de hoje (sexta-feira). Se eles não estiverem aptos, a ideia é colocar o Jaime no lugar do Isac e ter uma briga pela posição entre o Felipe Recife e Dudu no lugar do Geandro”, revelou Da Matta.
Com as prováveis ausências de Geandro e Isac, a escalação deve ser a seguinte: Vinícius; Levy, Mimica, Bruno Maia e Esquerdinha; Fernandes, Geandro (Dudu ou Felipe Recife), Leandro Brasília e Adenílson; Isac (Jaime) e Felipe Marques.
O treinador diz estar ansioso para o confronto: “Essa ansiedade é sinal que estamos vivos. Só tenho a agradecer por estar trabalhando em um clube grande e com uma torcida maravilhosa. Há muito tempo não trabalhava em um time que os jogadores se doam tanto como aqui. Espero que o torcedor tenha paciência e acredite no nosso projeto, que ele é vitorioso. O Paysandu é um adversário difícil e de muita qualidade. O público vai presenciar um bom jogo entre clubes de grandeza”, afirmou.

Desde junho de 2017 no comando do Paissandu, o técnico Marquinhos Santos disputa neste domingo seu primeiro Re-Pa. Será o 15º clássico de sua carreira. Ao todo, o treinador participou de 14 dérbis Brasil afora. Seu retrospecto é de um grande vencedor de clássicos, com oito vitórias, cinco empates e apenas uma derrota, totalizando um aproveitamento de 69%.
No Coritiba-PR, Marquinhos disputou sete Atle-Tibas. Foram cinco vitórias, um empate e uma derrota, a única em clássicos. No Bahia, o técnico conseguiu duas vitórias e três empates, com direito à conquista de um título estadual sobre o rival, em 2014. À frente do Fortaleza-CE, ele disputou o clássico estadual em duas oportunidades, obtendo uma vitória e um empate diante do Ceará.
Na véspera do confronto com o Remo, o treinador demonstra já conhecer a importância do choque-rei da Amazônia. “É um importante clássico regional, mas o classifico também como um dos mais importantes do Brasil. São duas camisas de peso, com tradição no cenário nacional, e temos que valorizar o nosso clássico”, afirmou, mostrando-se pronto para o primeiro grande desafio regional.
Revelou também preocupação com as torcidas: “Primeiramente temos que ter um clássico da paz, com a presença de famílias nas arquibancadas torcendo”. Papão e Leão se enfrentam a partir das 16h deste domingo, no estádio Jornalista Edgar Proença, pela quarta rodada do Campeonato Paraense 2018. (Com informações da Ascom-PSC; foto: Fernando Torres)
Por Luis Fernando Verissimo, Globo
Mark Weisbrot dirige o Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington. Ele escreveu um artigo para o “New York Times” de anteontem sobre o julgamento de Lula, com o título “A democracia brasileira é empurrada para o abismo”. Weisbrot não acreditava na imparcialidade da corte e, no seu artigo, lembra que o juiz que presidiria o painel de apelação já tinha chamado a sentença original do Sergio Moro de “tecnicamente irreparável”, e sua chefe de gabinete já publicara no seu Facebook uma petição pela prisão do ex-presidente, antes de saber o resultado da apelação. O abismo de que escreve Weisbrot é uma queda no passado. Segundo ele, a democracia no Brasil nunca esteve tão frágil, desde o fim do regime militar.
Weisbrot cita dois exemplos do que chama de evidente parcialidade de Moro, quando este autorizou a condução coercitiva do Lula — que se oferecera para depor voluntariamente — só pelo espetáculo midiático, e depois a publicação da gravação de uma conversa telefônica entre Lula e a presidente Dilma, proibida por lei. Quanto às acusações que resultaram na condenação de Lula a nove anos de prisão, tecnicamente irreparáveis segundo o presidente do painel de apelação, Weisbrot diz que elas nunca seriam levadas a sério, por exemplo, no sistema judicial americano. Nos Estados Unidos, o julgamento em curso do Lula poderia ser um exemplo do que eles chamam de kangaroo court, um tribunal irregular reunido unicamente para condenar, e danem-se as provas.

Não sei de onde o mr. Weisbrot tira sua informação, e qual é o apito ideológico que ele toca; mas, fora alguns exageros como o abismo que vai nos engolir, o Brasil que ele enxerga lá de Washington é esse mesmo. Ele identifica a deposição da Dilma como o primeiro ato da exceção que vivemos agora, cujo objetivo indiscutível é barrar o futuro político do Lula e do PT.
Enfim, no momento em que escrevo, ninguém sabe o que aconteceu ontem — pra que lado pulou o canguru — e muito menos o que vai acontecer amanhã. Só espero que poupem o país da imagem do Lula arrastando correntes com os pés.

O Papão encerrou seus preparativos para o clássico com um treino recreativo, na manhã deste sábado, na Curuzu. O técnico Marquinhos Santos supervisionou atividade diante dos torcedores que compareceram ao treino de portões abertos. A prática começou ainda no vestiário, com um aquecimento de circuito funcional, comandado pelo preparador físico Glydiston Ananias.
No grama, o elenco ouviu orientações da comissão técnica e iniciou o treino dividido em dois grupos. O auxiliar-técnico Aílton Costa dirigiu um rachão entre os jogadores. Antes de voltar para os vestiários, os atletas foram até os torcedores para fazer fotografias, recebendo carinho e palavras de incentivo.

O zagueiro Fernando Timbó, recuperado de dores na coxa, treinou normalmente. Já os atletas Danilo Pires, com um desconforto na coxa direita, e Fábio Matos, que sentiu a região lombar, foram poupados da atividade. Com o término dos trabalhos, o grupo de atletas permanece na Curuzu, em regime de concentração, no hotel Antônio Diogo Couceiro, à espera do Re-Pa deste domingo (28), às 16h, no estádio Jornalista Edgar Proença. (Com informações da Ascom-PSC; fotos: Jorge Luiz)


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