Clima de Re-Pa contagia a cidade

bol_sex_260118_11.ps

POR GERSON NOGUEIRA

A semana decisiva os dois litigantes em situação ligeiramente diferente. O Papão faz campanha impecável no Campeonato Estadual, com três vitórias em três jogos. Mais que isso: mostra evolução a cada jogo, conseguindo bons desempenhos dos reforços trazidos para a temporada. O Leão sofre com a instabilidade crônica do time. Ganhou o primeiro jogo, sucumbiu ao Galo Elétrico no segundo e passou – não sem dificuldades – pelo Águia na terceira rodada.

Tudo o que é dito às vésperas do grande clássico costuma ser desmentido em campo pelos velhos rivais. As ruas de Belém fervilham de curiosidade e expectativa. As torcidas se mobilizam, mas apontar favoritismo é sempre temerário, visto que, na prática, as forças acabam se equiparando na hora do confronto. Ao contrário de outros jogos, o Re-Pa envolve aspectos que não se restringem ao desempenho técnico de cada lado.

A emoção conta muito, assim como a capacidade de agigantamento dos times, mesmo quando um dos rivais é claramente superior. Não chega a haver um abismo técnico entre as equipes atuais, até porque tiveram pouco tempo para conseguir entrosamento, mas é inegável a qualidade técnica individual dos jogadores do Papão.

Marquinhos Santos se dá ao luxo de fazer substituições ao longo da partida dando a seus jogadores a chance de ganhar ritmo, fiel à curiosa tese de que o PSC segue em pré-temporada.

Tem sido assim, por exemplo, com Pedro Carmona, meia-armador que chegou para ser titular, mas que vem entrando aos poucos, a fim de adquirir melhor condicionamento. Ainda assim, sempre que foi lançado, Carmona mostrou serviço e acabou fazendo gols importantes.

Cassiano tem jogado como titular, mas não fica até o final. Isso não o impediu de também marcar gols e ganhar crédito junto à torcida. Moisés é outro que vem evoluindo a cada nova participação. Cáceres precisa ser menos tímido no meio, até para não ser atropelado por Danilo Pires, que exibiu um estilo mais compatível com as características gerais do time.

A situação anda tão tranquila e farta quanto a material humano que até Rodrigo Andrade (foto), que está de malas prontas para defender o Vitória (BA), voltou a ser relacionado no jogo contra o São Raimundo, anteontem. É peça tecnicamente importante no quadrado de meio-campo, podendo até ser relacionado para o Re-Pa.

Nas hostes azulinas, o retrospecto mais atribulado deixou o torcedor de orelha em pé, mas os primeiros minutos da partida contra o Águia reabriram esperanças. O problema é que, na mesma noite, o time voltou a ser indolente e desarrumado, quase pondo a perder a boa atuação inicial.

Sem tantas opções disponíveis, Ney da Matta tem mais motivos para cercar de mistérios a definição do time para o clássico. É provável, porém, que insista com o losango experimentado diante do Águia, com Fernandes sendo o homem encarregado de trafegar com liberdade entre meio e ataque, auxiliando o meia Adenilson.

O ataque não deve fugir às escalações recentes, com Isac e Felipe Marques. Como é próprio da história do Re-Pa, surpresas podem vir a ocorrer do lado azulino, onde Da Matta precisará de muita criatividade e ousadia para fazer com que o time jogue no mesmo nível nos dois tempos.

——————————————————————————————-

Clássico terá árbitro marcado por pênalti polêmico

A lembrança que se tem de Marcelo de Lima Henrique, o árbitro escolhido para dirigir o clássico de domingo, não é das mais recomendáveis. Dado a conversas prolongadas com os jogadores e pouco preciso nas interpretações de jogadas, o mediador carioca entrou para a história como o único que teve a pachorra de marcar um pênalti por agarra-agarra dentro da área. Ele despontou para o mundo por enxergar o lance faltoso, beneficiando os rubro-negros, no célebre clássico de 2008 entre Botafogo x Flamengo, válido pelo Campeonato Carioca.

Apesar de outros erros graves durante o jogo, a atuação de Lima Henrique ficou marcada pela controvertida decisão, apontando a marca da cal em marcação que acabou decidindo o título carioca daquele ano.  Curiosamente, ele não marcou mais nenhum agarrão dentro da grande área dos dois times após a polêmica penalidade.

Do mesmo modo, nunca mais marcou outro pênalti com base nesse singular critério, embora o tradicional empurra-empurra continue a acontecer livremente pelos campos do país.

É este árbitro que terá a missão de levar a cabo o Re-Pa de domingo, no Mangueirão. Vale dizer que Lima Henrique já apitou outros clássicos regionais, sem maiores problemas. Dirigiu o jogo de 2010, vencido pelos remistas por 2 a 1. Depois, em 2014, foi o árbitro do choque-rei que registrou vitória alviceleste por 2 a 1.

—————————————————————————————–

A vida como ela é…

Pode ter sido um desses fenômenos típicos da internet ou algum truque desconhecido, o certo é que a venda de meias-entradas do Papão para o clássico se esgotaram em poucos minutos na internet, ontem, no começo da noite.

Mais de três mil pessoas acessaram o site oficial do clube ao mesmo tempo.

Hum hum…

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira)

O salto na encruzilhada

Por Janio de Freitas, na Folha SP

O resultado: quem considerava Lula inocente e quem entendia faltarem provas indispensáveis para sua condenação, continuam, uns, convictos da inocência e, outros, da insuficiência de comprovação.

Quem o achava culpado não mudaria e não foi tentado a fazê-lo.

As exposições condenatórias dos desembargadores Gebran Neto e Leandro Paulsen não foram frágeis, nem forçaram argumentos além do que tem sido usual.

Ilações preencheram faltas de demonstração em alguns buracos, mas trataram de revestir-se de fartas quantidades de extratos de depoimentos contrários a Lula.

As cobranças da OAS, por exemplo, a pagamentos devidos por Lula para ficar com o apartamento, levaram o relator Gebran Neto a recorrer a um trecho de Léo Pinheiro, ex-presidente da empreiteira.

O pagamento, segundo o relator, foi feito como desconto em de programada contribuição da OAS ao PT.

Fórmula acertada pelo próprio Pinheiro com o tesoureiro do partido, João Vaccari.

Este é um ponto crucial no caso.

Mas, aí chegado, o relator Gebran saltou às pressas para outro assunto.

O pagamento indireto ficou, no relatório orientador do julgamento, como fato ocorrido.

Sem comprovação de sua ocorrência, no entanto. O que, aliás, veio complementar uma sugestiva providência da Lava Jato de Curitiba.

Lá citado pelo ex-presidente da OAS como outra parte do acordo, Vaccari não foi inquirido pelos procuradores nem por Sergio Moro, sobre o desvio financeiro de OAS-PT para o débito de Lula com a empreiteira.

Entende-se: o esperável de Vaccari, se ouvido, seria a negação a Léo Pinheiro, enfraquecendo ou neutralizando a única explicação para ressarcimento da OAS pela cobertura e pela obra que a adaptou a pedido de Marisa Letícia da Silva.

O presidente do julgamento, desembargador Leandro Paulsen, ressaltou que aquela turma de julgamento nunca se baseia só em delação.

Ao menos desta vez, não faltaram truques próprios dos acusadores –e não menos comuns, em seu inverso, nas defesas.

O salto sobre o pagamento foi, porém, muito prejudicial ao esclarecimento do caso.

Os desembargadores aceitaram que a OAS estivesse cobrando de Lula a diferença de valor do pequeno apê para a cobertura, a obra aí e a correção do preço.

O que nega o presente como compensação por contratos facilitados.

Mas se provado o pagamento por dedução em verba da OAS para o PT, como ficou dito por um só depoente, demonstraria a doação.

Se para Lula ou para o PT, até daria uma discussão divertida.

O presidente Leandro Paulsen chegou a dizer, em seu voto: “Tenho assim como comprovado o recebimento do benefício” (do apartamento por Lula).

Na verdade, se é possível comprová-lo, os procuradores de Deltan Dallagnol, Sergio Moro e os desembargadores do TRF-4 jogaram fora a oportunidade.

Como aí não se permite dispensar nada contra Lula e o PT, no desperdício parece estar uma escolha forçada na que era a encruzilhada mais visível até agora.

Resumo: amanhã, no Brasil, não é outro dia.

Finalmente, a Veja se revela na capa. O novo Dops quer prender Lula

capavejarevela

A capa da edição antecipada da Veja – deveria dizer, talvez, uma edição comemorativa? – revela, finalmente, uma verdade sobre não apenas com o que desejava esta sua campanha de anos ,as, também sobre o sentido da condenação de Lula.

Sim, é isso mesmo, a condenação e a desejada prisão de Lula são, a rigor, o mesmo agora e o mesmo que se refletia na sua foto do DOPS, em plena ditadura.

Não é a primeira condenação de Lula pela Justiça, falta a revista dizer. Por conta das greves do ABC, foi sentenciado a três anos e meio de detenção “por incitação à desordem coletiva”, em 1981.

Pouco importa se o beleguim da vez já não é o delegado Sérgio Paranhos Flery, mas moro e seus três adoradores do TRF-4.

O sentido é o mesmo: extirpar um símbolo da “desordem”, para que prevaleça a ordem onde só o povo perde e o Brasil se vende.

Não é preciso dizer que em pouco tempo seriam Leonel Brizola, Tancredo Neves, Franco Montoros, os que foram à cadeia apoiar Lula os governadores dos mais importantes estados do Brasil.

Nem que o próprio preso e condenado, em dias décadas, o Presidente eleito do Brasil.

O caminho agora será percorrido mais rapidamente.

É que o povo brasileiro já viu a face da esperança e a reconhece, não importa quantos cartazes a Veja e a mídia lhe preguem. (Do Tijolaço)

Jurista citado por juiz do TRF-4 afirma que texto foi “descontextualizado”

professor-direito-Alamiro-Velludo-Netto

A condenação do ex-presidente Lula nesta quarta-feira (24) pelo TRF-4 causou estranheza e perplexidade até no jurista que escreveu o texto que o desembargador João Pedro Gebran Neto citou em sua sentença. As informações são da Folha de S.Paulo.

Alamiro Velludo Netto, professor Doutor de direito da USP citado por Gebran, publicou em suas redes sociais o seguinte comentário após o voto do desembargador: “O pior de tudo é ser citado no voto por meio de um texto meu totalmente descontextualizado”.

No texto, o professor discorre sobre o julgamento do mensalão, em que não foi apontado ato de ofício preciso dos condenados – como ocorre no caso de Lula. Ele, no entanto, é um crítico e acredita que a lei não permite que não seja identificado ato que vincule o acusado à benesse recebida.

Sobre a questão, o professor Alamiro Velludo disse que “não poderia ter divulgação de grampo telefônico algum”. E explicou:

“Em relação à interceptação lícita, existe uma dúvida de senso de entendimento. Eu tendo a interpretar que o sigilo deve permanecer sempre. Essas gravações servem ao processo e não à opinião pública, ela é uma invasão. Quando você quebra o sigilo bancário, os extratos vêm para os autos, mas não se levanta o sigilo. Mas isso é discutível, porque existe o argumento mais pautado no princípio da publicidade. Ele (Sergio Moro) não faz referência à norma da interceptação, mas às normas constitucionais. Pode ser sustente essa postura”.

Gebran foi o relator do processo e teve o voto integralmente acompanhado pelos outros dois desembargadores. Ele condenou Lula a 12 anos e 1 mês de prisão.

Por não apresentar nenhuma prova concreta contra o ex-presidente, a sentença de Gebran também foi dissecada por outros juristas da área do Direito Processual Penal. Veja abaixo:

1 — Tese de Gebran para condenar Lula é “surreal”, diz mestre em Direito Processual Penal
2 — Fragilidade do voto de Gebran contra Lula chama a atenção de juristas
3 — Tratamento de Gebran à defesa de Lula revelou julgamento viciado

Até mesmo o jornalista Reinaldo Azevedo, conhecido como um dos principais detratores de Lula na mídia nacional, classificou o voto de Gebran como “lamentável” do ponto de vista jurídico (veja aqui).

Zagueiro Alex Morais troca o Remo pelo futebol asiático

destaque-482087-alex-696x392

Alex Morais, zagueiro de 29 anos, contratado no começo do ano pelo Remo, pediu rescisão contratual e já deixou o clube. Sem ter tido nenhuma chance no time de Ney da Matta, ele resolveu aceitar proposta do futebol asiático. Para recompor o elenco, a diretoria já se movimenta em busca de outro defensor.

A dura missão de “segurar as feras” e não prender Lula

POR FERNANDO BRITO

Já disse aqui que um dos piores problemas do autoritarismo é que ele conduz a formulação de uma inabalável convicção de que seus desejos são ou devem ser  a realidade. Qualquer um sabe que, na confirmação da sentença de Lula, o essencial era suspender seu direito de ser candidato.

Mas o ódio se retroalimenta.

kimjur

Como meninos do MBL, dois vetustos desembargadores fizeram apologia da prisão imediata, reduzindo o papel do STJ e do STF a meros homologadores de suas decisões. O que, aliás, está bem perto da verdade  desde que passamos a viver sob o império da Lava Jato..

Nada, também,  que não fosse coro, com o perdão da rima, ao Moro, que já tinha sugerido, na sentença, que um dos pecados de Lula tinha sido não pressionar os ministros do STF para mudarem seu entendimento da lei e autorizarem as prisões antes de esgotados os recursos do réu.

A muito custo, retorcendo-se, os colunistas da Globo relutam em juntar-lhes a voz.

Mas sabem que talvez não se consiga conter a monstruosidade que se tornou a aliança entre um Judiciário, um Ministério Público e uma Polícia que se sentem donos da lei, do poder e livres para exercitar seus arreganhos de poder, sob um STF que, há muito tempo, anda a reboque da histeria que impuseram.

O caminho da insensatez é uma ladeira ensaboada, onde a loucura e o ódio só se aceleram.

O confronto vai se tornando inevitável e deve nos encontrar serenos, lúcidos e fortes.