Ronaldo sobre Neymar no PSG: “Foi um passo para trás”.

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Ronaldo palpitou sobre a transferência do atacante Neymar do Barcelona para o Paris Saint-Germain, concretizada em agosto do ano passado. Em entrevista concedida a Zico, o ex-jogador comentou a decisão tomada pelo astro atual da Seleção Brasileira.

“Ele está no PSG agora, mas, esportivamente, é lógico que foi um passo para trás. Você está no Barcelona e vai para o PSG”, comentou Ronaldo, evitando condenar Neymar. “São desafios que cada um faz. Eu também jogava no Barcelona e fui para a Inter de Milão, quando o Campeonato Italiano era bem mais competitivo”, comparou.

Abordando diversos assuntos na conversa com quem foi seu ídolo nos tempos de torcedor do Flamengo, Ronaldo também se referiu a outro comandado do técnico Tite na Seleção Brasileira. Ao falar do centroavante Gabriel Jesus, ele foi mais elogioso.

“Ele está preparado para suportar a pressão. É um menino extremamente talentoso, com disciplina, dedicação, vontade de vencer e disponibilidade no campo. Fazia tempo que precisávamos de um camisa 9 na Seleção. O Adriano preencheu esse espaço por muito pouco tempo e tinha muito potencial”, palpitou o camisa 9 aposentado.

Hoje agenciando a imagem de Gabriel Jesus, Ronaldo aposta em uma parceria de sucesso entre o seu cliente e Neymar na Copa do Mundo de 2018, na Rússia. “Vamos torcer muito, porque precisaremos dos gols dele”, sorriu.

Além de ter defendido o Barcelona e a Internazionale enquanto estava em atividade, Ronaldo passou ainda por Cruzeiro, PSV Eindhoven, Real Madrid, Milan e Corinthians. O sonho de atuar pelo Flamengo, clube em que Zico fez história, não se concretizou.

Leão define time para a estreia

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O técnico Ney da Matta deve definir ainda nesta sexta-feira a escalação do Remo para a estreia no Parazão. Isso deve ocorrer após o treino marcado para o estádio do Souza. Ontem, o elenco azulino treinou apenas pela manhã, no campo do Ciaba, folgando à tarde. Como vem puxando nos treinos, o comandante azulino concedeu folga pela tarde.

Com a proximidade da partida inaugural, Da Matta não quer correr o risco de perder jogadores considerados titulares, como a lesão que vitimou o lateral-direito Diego Superti no primeiro amistoso contra o Castanhal. O atacante Gabriel Lima, que se reapresentou na quarta-feira (10), voltou a sentir a lesão na coxa direita e voltou ao Departamento Médico para novos exames.

Elielton, que é candidato a titular no ataque, sentiu mal-estar (a popular “cara branca”) durante o treino de ontem e foi atendido na hora. Medicado, o atacante ainda retornou à movimentação.

Pela escalação utilizada nos amistosos, o provável time para o jogo com o Bragantino, domingo, no Mangueirão, será: Vinícius; Levy, Bruno Maia, Martony (Mimica) e Esquerdinha; Geandro, Leandro Brasília e Rodriguinho (Andrei); Elielton, Marcelo (foto) e Felipe Marques, caso o treinador mantenha o esquema 4-3-3.

Quando o acaso leva ao sucesso

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POR JOÃO VARELLA (*)

Nem tudo na vida pode ser planejado. O jogador Philipe Sampaio sabe muito bem disso. Nascido na capital paulista, o atleta que atua como zagueiro viu uma lesão no braço mudar tudo o que já havia programado para a sua carreira. Com apenas 23 anos, o defensor já possui em seu currículo passagens nas categorias de base do São Paulo e do Santos, além de três temporadas de grande sucesso em Portugal até chegar na seleção do primeiro turno do Campeonato Russo, onde atua no Akhmat Grozny desde o início da temporada.

Após três anos atuando com a camisa do Tricolor nas categorias de base, o defensor foi atraído pelo projeto das categorias de base do Peixe, que convidou Philipe logo após uma decisão da Copa do Brasil sub-17, decidida justamente contra o São Paulo, torneio em que foi premiado como o melhor zagueiro da competição.

opção de vestir a camisa do clube da baixada teve muito a ver com a chance de atuar numa equipe que valoriza muito a categoria de bases. No entanto, em 2014, quando teria a oportunidade de demonstrar seu futebol na Copa São Paulo de Futebol Júnior, o acaso acabou pregando uma peça em Philipe. Um dia antes da estreia da principal competição da categoria de base, o zagueiro acabou fraturando o braço após um carrinho e perdeu a sua chance de participar da campanha que terminaria com o título santista.

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“Era a minha vez. No ano anterior eu esperei a geração 93, que jogava o Gustavo Henrique e o Jubal. Na equipe profissional, o Claudinei assumiu e logo de cara subiu os dois e falou para mim que eu deveria jogar a Copa São Paulo, para ganhar mais visibilidade. Um dia antes do torneio começar, eu sofro um carrinho e quebro o braço. O time acaba campeão da Copinha com um volante improvisado na defesa. Logo em seguida eu renovo com o Santos e assume o Oswaldo de Oliveira. Ele acabou me dizendo que era difícil eu receber uma chance na equipe profissional naquele momento, mas como tinha boas recomendações minhas, ele me pediu para procurar um empréstimo”, cita o jogador, relembrando do momento mais difícil de sua carreira.

Philipe então foi buscar um novo clube para receber as oportunidades de jogar profissionalmente. Acabou encontrando essa chance no Paulista de Jundiaí. Após três jogos com a equipe, que quando chegou já estava rebaixada no Campeonato Paulista, o jogador recebeu o convite de vestir a camisa do Boavista de Portugal.

“Foi tudo consequência. A infelicidade de ter quebrado o braço me proporcionou a minha ida para Portugal. Naquele momento eu olhei para a tabela, e o Paulista era o último colocado, já estava rebaixado, mas era a minha oportunidade de jogar profissionalmente. Eu não pensei muito e aceitei jogar pela equipe. Logo depois dos jogos recebi um convite para jogar no Boavista. Foi onde eu pude jogar, onde eu pude ter estabilidade e apostou em mim”.

Sua passagem pelo clube português deu mostras de ser positiva logo em sua estreia. Com o grande apoio recebido pelo seu técnico na época, o ex-jogador da seleção portuguesa, Petit, o zagueiro brasileiro teve sua trajetória na Liga Portuguesa iniciada num confronto contra o Benfica, um dos maiores clubes do país.

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Com uma adaptação rápida no futebol português, visto como muito tático na sua opinião, o jogador teve três temporadas de muito destaque e acabou tendo seu nome ligado aos Encarnados, além de ter cogitado se naturalizar português, sendo chamado de “novo Pepe” pela mídia local.

Buscando novos desafios para a carreira, o defensor decidiu atuar no Akhmat Grozny, clube da Chechênia que disputa o Campeonato Russo. Apesar das dificuldades iniciais, o jogador se adaptou rápido ao futebol russo e hoje já é um dos destaques da competição, sendo escalado como titular na seleção do primeiro turno da Liga Russa.

“Na Rússia, o jogo é muito disputado fisicamente. As jogadas aéreas são usadas a todo momento, e isso é uma das minhas características fortes. O campeonato também possui uma disputa franca. O último clube pode vencer o primeiro sem grandes surpresas. É tudo muito imprevisível. Diferente de Portugal, que você sabe que será uma partida quase impossível contra um dos gigantes”.

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Adaptação no país da Copa

Desde o dia 13 de julho de 2014, dia em que se encerrou a última Copa do Mundo no Brasil, o mundo do futebol busca entender a Rússia, país que será sede do mundial do ano que vem. Dois pontos parecem unanimidade entre as preocupações dos países que irão ao país disputar o título de melhor seleção do planeta: o clima e a extensão territorial.

Vistos como problemas para alguns, estas características não devem ser problemas durante a disputa do torneio. Quem garante isso é Philipe Sampaio, que em apenas seis meses jogando no FC Akhmat Grozny, clube da Chechênia que disputa a Liga Russa, mostrou uma adaptação impressionante ao país com maior extensão territorial do planeta. O defensor afirma que o clima foi a sua principal dificuldade no seu início de vida no país.

“Treinar e jogar lá em determinadas épocas é bem complicado. Você sente uma grande dificuldade para conseguir se sentir livre para realizar os seus movimentos. Parece que até que seu corpo congelou. As divididas e as boladas doem muito mais do que o normal”, avaliou.

Porém, este problema não deve dificultar muito a vida de quem atuará na Rússia em junho do ano que vem. Isso porque a competição acontece durante o verão local. Neste período, o país fica com uma temperatura média de 17 graus, bem diferente dos 40 graus negativos que podem acontecer durante o inverno. A cidade de Rostov por exemplo, que será sede da estreia brasileira na competição, tem média de 21 graus durante o mês de junho.

Outra questão vista como problemática na disputa da Copa do Mundo é a logística. No entanto, as longas viagens são um problema para quem atua no Campeonato Russo, mas não devem ser uma dificuldade para Copa devido ao planejamento prévio que pode ser realizado pelas seleções.

“Outra dificuldade para quem joga na Rússia são as distâncias percorridas dentro do país. Já cheguei a fazer viagens de 12 horas para jogar partidas pela Liga. Mas as seleções devem escolher a sede já pensando nisso, o que minimiza o problema”, cita o jogador.

Além das questões geográficas, outro quesito que poderia simbolizar um transtorno para algumas equipes é o racismo. Apesar de ser recorrente estes casos no país, Sampaio conta que nunca sofreu ou presenciou algo do tipo desde que chegou a Rússia.

“Eu nunca vi nada nesse sentido lá. Se eles falarem também eu não conheço russo e nem percebo. Mas no geral o povo russo é formado de pessoas com cabeças para frente. São diferentes das pessoas sul-americanas, são um pouco mais sérias”, analisou.

O brasileiro que faz parte da seleção do Campeonato Russo deste primeiro turno afirma ainda que a sociedade russa tem visto o Brasil como um dos principais favoritos da competição e possuem uma enorme expectativa na seleção comandada por Tite.

“Na Rússia a expectativa do povo russo é muito grande com o Brasil. O bom trabalho feito pelo Tite, nomes como o de Neymar e Coutinho fazem com que o povo russo tenha uma expectativa gigantesca em nós”, completou.

(*) Especial para a Gazeta Esportiva

Um candidato a ídolo

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POR GERSON NOGUEIRA

Mesmo diante da legião de atacantes contratados pelo Papão para a temporada, surgiu nos últimos dias um até então improvável candidato a ídolo: o zagueiro Diego Ivo. A surpresa fica por conta da posição que ocupa. Raramente, defensores viram astros no futebol brasileiro e, em particular, no Pará.

Na festa de apresentação do elenco bicolor para 2018, realizada no sábado pela manhã, na Curuzu, os aplausos mais entusiasmados da torcida dirigiram-se a Diego Ivo, saudado de pé pela plateia presente ao estádio.

Para quem acompanhou o Papão no Brasileiro, a recepção do torcedor é plenamente justificada. Diego Ivo, que chegou com a competição em andamento (estreou em agosto) fez gols decisivos e com todos aqueles ingredientes que sempre encantam as torcidas.

Foram somente dois gols, mas marcados em jogos duríssimos, quase já no final. Aí, no meio daquela multidão de jogadores espalhados na área, surgiu o zagueiro para testar para as redes inimigas. Gols que ficam cravados na memória do torcedor.

Além disso, participou com afinco e regularidade do esforço para evitar o rebaixamento, tendo ainda presença destacada como falso atacante – como no jogo com o Internacional, no Beira-Rio, quando tocou de cabeça para a finalização de Bergson.

Por tudo isso, é justo o reconhecimento caloroso que teve no evento de sábado. Curiosamente, o zagueiro quase não veio defender o Papão. Ele foi a segunda opção no momento em que o Papão corria atrás de um zagueiro para substituir Gilvan, que havia se transferido para o Atlético-GO. O preferido era Fábio Ferreira (ex-Botafogo), que estava na Ponte Preta e recusou o convite.

Aos 28 anos, o baiano Diego Ivo estava no Moreirense de Portugal e chegou sem maior alarde, como ocorre com a maioria das apostas que frutificam. Aos poucos, porém, foi entrando no time e acabou estabilizando uma parceria com Perema.

É provável que ao longo da temporada o trono de ídolo seja ocupado por um atacante ou meia-armador, afinal essas posições são normalmente mais propícias a ter jogadores que enchem os olhos da torcida, pelos gols e jogadas de efeito.

De qualquer maneira, Diego Ivo já entra em vantagem, pois tem a confiança da Fiel. A raça, a disposição (chegou a jogar no sacrifício algumas partidas) e a forte presença em campo são suas virtudes. Quem quiser superá-lo no coração da galera terá que, inevitavelmente, fazer muito mais do que ele.

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Um tributo que o Fab Four nunca teve

O Liverpool lançou ontem uma camisa especial, homenageando os Beatles. Toda branco, o uniforme traz na parte inferior a mítica imagem dos quatro cabeludos atravessando a rua em Abbey Road – título do álbum de 1969.

A repercussão foi imediata. Era previsível o efeito causado sobre os fãs de futebol que também gostam da história do rock e são apaixonados pelo Fab Four. Poucas vezes o futebol conseguiu tabelar tão bem com o rock’n’roll.

Aliás, é até surpreendente que o Liverpool nunca tenha tido a ideia de fazer esse tributo. É o tipo da ideia que estava quicando na área à espera de um chute, como dizem os criativos do mundo publicitário.

Quis o destino (e talvez São Roque) que a camisa fosse desenhada com extremo bom gosto, sem presepadas no design e fiel ao sentido da homenagem.

O curioso é que, segundo a história do quarteto, nenhum dos quatro músicos torcia pelo Liverpool. Paul McCartney é declarado torcedor do Everton, arquirrival dos Reds na velha cidade portuária. Ringo Starr sempre foi fã, meio desleixado, do Arsenal.

John Lennon e George Harrison jogaram futebol na escola, mas nunca deram muita bola para os clubes da cidade, aparecendo apenas em eventos especiais, como a Copa do Mundo disputada na Inglaterra, em 1966.

Há alguns anos, o Liverpool do Uruguai fez o que o original britânico nunca havia pensado. Convidou Paul para ser sócio e o ex-beatle topou de imediato. Foi em 2012. A diretoria do clube do bairro de Belvedere, localizado ao sul da capital uruguaia, aproveitou a passagem de Macca por Montevidéu e a coincidência de ter o nome da cidade-mãe dos Beatles para fazer dele um legítimo hincha negriazul.

O clube, através de um aficionado que trabalhava na organização da turnê, mandou convite oficial a Paul e este aceitou ser sócio do Liverpool uruguaio. Ganhou a camisa do time com seu nome gravado, um livro narrando as histórias do clube e até a carteirinha vitalícia de associado.

Em tempo: a previsão é de que a camisa especial do Liverpool venda milhões de unidades nos próximos dias. Com a Beatlemania não se brinca.

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A surpreendente Desportiva avança à terceira fase da Copinha

A Desportiva superou as desconfianças e passou pelo Marília, ontem, marcando 4 a 3 na série de penalidades, depois de empatar no tempo normal por 2 a 2. Com bom controle do meio-campo e velocidade nas ações ofensivas, o time paraense resistia bem à pressão meio atrapalhada do MAC no estádio Abreuzão, mas cometeu duas bobeadas e sofreu gols que pareciam representar a eliminação.

Sem se abater, o time foi à frente e chegou ao empate com gols de gente grande, principalmente o segundo, um chute forte de primeira da entrada da área. Nos penais, com os nervos no lugar, conseguiu levar a melhor. Na próxima rodada, já na terceira fase, a Desportiva encara a Penapolense, com chances de seguir na competição.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 12) 

Quando a Justiça troca a Lei pela moral

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POR LÊNIO LUIZ STRECK, no Conjur

A coluna também poderia ter o seguinte título: Alguém que trai a esposa(o) pode ser ministro(a)?

Esta coluna não está preocupada com o destino nem do Ministério do Trabalho e nem da quase-ministra deputada Cristiane Brasil. O que quero discutir é o aspecto simbólico da interferência do Judiciário em assuntos que não são de sua alçada. Uma das grandes vantagens (talvez a única) de criticar o ativismo judicial e as arbitrariedades do Poder Judiciário no Brasil, como venho fazendo desde o século passado, é que nunca tive problema de “falta de material”. Todo santo dia aparece alguma decisão arbitrária e, mesmo que já tenha visto quase de tudo nessa vida, não paro de ser surpreendido. No meu ofício acadêmico, penso que jamais sofrerei de tédio.

Dessa vez, o juiz da 4ª Vara Federal de Niterói (RJ) resolveu suspender a nomeação da deputada Cristiane Brasil ao cargo de ministra de Estado do Trabalho, pelo fato de que essa nomeação afrontaria a moralidade pública, já que a deputada teria sido condenada em duas reclamatórias trabalhistas.

Pois bem. Dentre as 27 atribuições do presidente da República previstas na Constituição do Brasil, a primeira delas deixa claro que é de sua competência privativa nomear e exonerar ministro de Estado (artigo 84, I da CF/88). O argumento de que a deputada seria imoral para ocupar o cargo, pelo fato de que já foi condenada por duas reclamatórias trabalhistas, é redondamente frágil.

“Mas professor, o senhor quer dizer que a (Não-quase-ou-de-novo) ministra tem moral para o cargo? O senhor gosta dela?”. Não, não quero dizer isso. Nem quero dizer o contrário. Isto porque sou jurista, não sou comentarista político, e é por isso que não interessa o que eu acho, o que eu penso nesse sentido, assim como não interessa o que pensa o juiz. Juiz tem responsabilidade política e é subjacente a essa responsabilidade a tarefa de decidir, não de escolher.

É por isso, pois, que a decisão é frágil. Nem estou dizendo que a argumentação moral, a argumentação política e a retórica são frágeis. Não importa. A argumentação jurídica — essa, sim, a que importa de verdade — é frágil justamente porque se afasta da racionalidade própria do Direito. Quando a nomeação de Lula foi barrada, protestei; quando a nomeação de Moreira Franco foi barrada, protestei do mesmo modo. Por isso, protesto, aqui, mais uma vez contra o ativismo.

Legitimar uma decisão ativista porque concordamos com a racionalidade moral ali pressuposta nada mais é do que legitimar que o Direito possa ser filtrado pela moral. E se aceitarmos que o Direito seja filtrado pela moral, e peço desculpas por fazer as perguntas difíceis, indago: quem vai filtrar a moral? É esse o ponto. Alguém tem de ser o chato da história. Não podemos aceitar o ativismo que agrada. Isso é consequencialismo puro, e devemos rejeitá-lo por uma questão de princípio. Do mesmo modo um réu não pode ser condenado porque o juiz não gosta dele. E nem o réu deve ficar preso porque o juiz fundamenta no clamor social, como se houve um aparelho chamado clamorômetro. Ou como as pessoas que queriam fazer interpretação extensiva ou analogia in malam partem no caso do ejaculador (ver aqui).

Agora dito isso, tomemos emprestado o pessimismo de Kelsen por um momento e aceitemos, para fins de argumentação, que o Direito é assim mesmo e que juiz faz ato de vontade. Se a decisão for mantida (no segundo grau já foi), e o precedente tornar-se obrigatório (quanta gente adora esse stare-decisis-que-não-é-stare-decisis no Brasil, né?), gostaria de sugerir ao presidente, doravante, algumas observações na nomeação dos seus ministros. Dizem que conselho, se fosse bom, não seria de graça. De qualquer forma, lá vão eles:

Penso que se o ministro da saúde fumar, deve ser descartado. Um bom ministro da Saúde deve praticar jogging diariamente. Deve comer salada e assistir o programa Bem Estar na Globo todo dia. O ministro da saúde também não deve ter halitose. E não pode ser gordo. Heráclito Fortes seria vetado.

O ministro da Defesa precisa saber lutar judô. Ou boxe. Se for algum lutador de MMA, melhor ainda. Deve ser feita, ainda, uma pesquisa da vida do ministro, para apurar se foi alvo de bullying na escola. Se sim, deve ser descartado, afinal, que ministro da defesa é esse que sequer conseguiu se defender? É preferível nomear o valentão que fez obullying.

O ministro das Cidades não pode ser alguém que morou no interior; e o ministro da Agricultura não pode ser alguém que morou na cidade. O ministro da Educação deve sempre dizer “bom dia”, “por favor” e “obrigado”. Se houver qualquer registro de que ele não o fez, é imoral para o cargo. O Ministério da Cultura…. bem, esse eu acho que vai ter que acabar mesmo. Sem chance de resolver esse problema. É que ele deveria saber tudo sobre Machado de Assis, Shakespeare, mas parece crime impossível.

Falando sério agora. Seríssimo: desculpem a ironia, desculpem as perguntas chatas, desculpem a insistência em coisas que, para alguns, já estão ultrapassadas, como força normativa da Constituição, legislação, enfim. Mas isso precisa ser dito. Afinal, se o juiz escolhe como quer, não há critérios, e não mais poderemos exigir o cumprimento da lei. E aí não adianta reclamar do ativismo só quando ele incomoda. (Talvez não tenha ficado claro, mas eu não subscrevo a essas teses que alguns têm levantado, inclusive em livros, de que o ativismo é bom.)

Numa palavra final: se a racionalidade jurídica for substituída pela racionalidade moral, não servimos para nada. Fechemos as faculdades de Direito e matriculemo-nos todos em faculdades de filosofia moral.

Ainda: se a decisão for mantida, teremos que, por coerência e integridade (artigo 926 do CPC) perscrutar/sindicar todos os cargos de livre nomeação. Por exemplo, o presidente do TCU quer nomear João Antônio das Neves para seu chefe de gabinete… só que ele foi multado em duas blitzes ou não pagou o carnê das lojas Renner. Pode ser nomeado? Isso é pior ou menos ruim do que ter duas reclamatórias trabalhistas? O prefeito de Pedregulho das Almas quer nomear Sofrício Ataualpa para uma secretaria…, mas ele não pagou o caderninho da venda ou foi visto saindo de um lugar suspeito de mulheres de vida difícil na periferia. Cabe ação popular? Vai liminar aí?

Eis aí, de novo, a diferença entre Direito e moral. Entre a racionalidade jurídica e os argumentos morais. Ou a moralização do Direito. Não se pode olhar a política como ruim a priori.[1] Se o presidente erra na nomeação de um ministro, o ônus é dele. É o ônus da política. Se não fosse “por nada”, não há previsão constitucional que autoriza o judiciário barrar esse tipo de ato administrativo sob argumentos subjetivos.

[1] Nesse sentido, a excelente análise de Eloisa Machado de Almeida, Folha de S.Paulo de 10.1.2018: “Suspensão de posse de ministra não deveria ser questão jurídica”.

Pré-candidata compara Bolsonaro a Hitler e desafia para debate

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Ex-apresentadora do Jornal Nacional e do Fantástico, a jornalista Valéria Monteiro gravou vídeo em que chama o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) de mentiroso e o compara ao ditador nazista alemão Adolf Hitler. Declarando-se pré-candidata à Presidência, Valéria desafia o seu eventual concorrente a um debate.

“Hoje vim aqui falar com você, Bolsonaro. Você é um mentiroso. O seu discurso de ódio faz as pessoas brigarem. Você não respeita as diferenças e vou lutar até o fim contra isso que é o pior do ser humano”, critica na abertura da gravação. “Hitler começou assim. Pegou uma Alemanha pobre, descrente, que precisava de autoestima. Convenceu as pessoas através do medo a acreditar em suas mentiras assim como você faz. Levou o mundo à maior guerra de sua história”, acrescenta Valéria, que negocia sua filiação ao PMN.

Valéria Monteiro diz que sua pré-candidatura busca a união e a conciliação enquanto Bolsonaro usa o discurso da guerra e do medo para atrair o eleitorado e dividir ainda mais o país.

“Você é um mentiroso e usa o medo para aterrorizar as pessoas que já vivem com medo, medo de não pagar as contas, medo de perder o emprego, de viver no meio da violência. O que você tem a oferecer às pessoas é o medo e não vou deixar você fazer isso. Acha engraçado brincar de guerra, acha engraçado mostrar arma para uma pessoa.”

<< Bolsonaro, o mito de pés de barro

Segundo ela, o brasileiro está descrente da política por causa de Bolsonaro e das “velhas raposas da política, que têm rabo preso”. “Marque local e hora, vamos debater, Bolsonaro. Porque seus 15 minutos de fama acabaram”, encerra a jornalista.

Natural de Belo Horizonte, Valéria começou a carreira na afiliada da Record em Campinas. Foi contratada pela TV Globo em 1986 apresentar o RJTV. Atuou como âncora do Fantástico entre 1988 e 1991. Comandou o Jornal Hoje. Em 1992 foi a primeira mulher a apresentar o Jornal Nacional No ano seguinte voltou ao Fantástico. Em 1995 assumiu a apresentação do GNT Fashion. Também trabalhou como atriz na minissérie Incidente em Antares.

Nos Estados Unidos trabalhou para a Discovery, a Bloomberg e a NBC. De volta ao Brasil em 1999, apresentou a primeira fase do programa A casa é sua pela Rede TV!. Na política trabalhou como garota-propaganda da campanha eleitoral de José Serra. (Do site Congresso em Foco)