Mês: janeiro 2014
Leão venceu duelo das torcidas
A torcida do Remo foi a mais numerosa no clássico. Dos 16.914 pagantes, mais de 10 mil eram azulinos. A renda foi de R$ 686.640,00. Descontadas as despesas (R$ 183.473,16), o Remo ficou com 323.683,43. Ao Paissandu, coube a importância de R$ 179.483,42. Lembrando que os ingressos foram divididos pela metade e a arrecadação contabilizada separadamente pelos clubes. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)
Charles x Athos: crise declarada
A substituição do meia Athos (por Zé Soares) aos 43 minutos do primeiro tempo é daquelas situações que os boleiros costumam chamar de “queimação com a torcida”. Insatisfeito com o rendimento do jogador, Charles preferiu não esperar o intervalo e fez logo a mudança. Algumas hipóteses para o episódio: pode ter sido um recado direto do técnico ao jogador, artifício para atribuir a derrota a um culpado ou, ainda, desespero para mudar a toada do jogo, que naquele momento era vencido pelo Paissandu por 2 a 0. Um dos principais reforços do Remo para a temporada, Athos fez excelente campanha pela Chapecoense na Série B e é reconhecidamente um jogador de criação. Seu maior problema no time tem sido a ocupação do mesmo espaço com outro armador, Eduardo Ramos. Encontrar um jeito de aproveitar o potencial de ambos é o desafio de Charles. Na entrevista pós-jogo, Athos foi franco: revelou insatisfação com a forma como foi substituído, dizendo que isso jamais tinha acontecido em sua carreira. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
Objetividade premiada
Por Gerson Nogueira
Foi a vitória do time melhor arrumado defensivamente e mais aplicado no ataque. Se há uma palavra que resume o que foi a atuação do Paissandu, ontem à tarde, esta é objetividade. Com funções bem definidas e concentração total, a equipe pouquíssimas vezes se afastou do roteiro previamente desenhado. Marcava com até seis jogadores no meio-de-campo, levando em conta que Aírton e Djalma se juntavam ao esforço para bloquear os avanços dos meias e laterais remistas.
No futebol, muitas jornadas são vencidas nos vestiários – perdidas também. Desta vez, Mazola Junior e seus comandados trilharam o caminho vitorioso porque sabiam que o Paissandu precisava enfrentar jogadores habilidosos no meio-de-campo e se prepararam adequadamente, montando um planejamento preciso e simples.
Seus três volantes começaram a partida sem passar da linha divisória. Cada um, Vanderson à frente, combatia um adversário. O entrega era tão intensa que nos primeiros minutos foram cometidas oito faltas seguidas, levando a um cartão amarelo para Charles logo aos 5 minutos.
Depois de enganoso domínio territorial do Remo, o gol contra de Rogélio aos 16 minutos desnudou a realidade do jogo. No lance fatal, Vânderson chegou à intermediária, lançou para Djalma, que cruzou à meia altura em direção à área. Simples e certeiro. A bola resvalou no zagueiro e entrou.
O Remo entregou-se então a uma combinação de apatia com desarrumação, receita infalível para o insucesso. Ainda esboçou uma reação, deslocando Eduardo Ramos para o lado direito do ataque, mas sem resultado prático. Potiguar, inicialmente explorando a faixa esquerda, era cercado por Djalma e Zé Antonio, sendo obrigado a investir pelo meio, onde embolava com Leandrão e Athos.
No segundo gol, um contra-ataque perfeito, com nova participação de Djalma, que acionou Héliton mais à frente. Dele partiu um lançamento alto para o centro do ataque, onde Lima recebeu à frente de Rogélio e seguiu livre para o arremate à direita de Fabiano.
Enquanto o Paissandu impunha dois gols de diferença, tocando menos na bola, mas com muito mais rapidez e eficácia, o Remo teve somente duas boas oportunidades. Na primeira, cruzamento de Ramos, que Matheus desviou com dificuldades. Logo em seguida, Rogélio cabeceou com perigo, mas o goleiro estava bem colocado. Não por acaso, Potiguar e Ramos deixaram o campo no fim do primeiro tempo clamando por aproximação e entusiasmo dos colegas.
Veio a etapa final e, logo de cara, o Remo mostrou que também podia ser ágil e objetivo. Potiguar foi lançado na área, atraiu a atenção dos zagueiros e chutou forte. Mateus rebateu e Zé Soares (que havia substituído Athos) botou para dentro.
Por cerca de 10 minutos, o Remo esteve muito perto do empate. Perdeu chances seguidas com Leandrão, Potiguar e Zé Soares. Seguro, Mateus já se estabelecia como o grande nome da tarde. A agressividade azulina empolgou a torcida e a pressão foi muito forte sobre a defesa do Paissandu, que se postou com correção e não se abalou com a situação.
Aos poucos, o jogo se reequilibrou, embora o Remo continuasse sempre presente no ataque, ameaçando com Potiguar e Zé Soares. Val Barreto substituiu Leandrão a dez minutos do fim e empreendeu a jogada mais emocionante do segundo tempo. Driblou dois marcadores junto à pequena área e bateu no canto. A bola caprichosamente resvalou em João Paulo e saiu a escanteio. Na sequência, Jonathan chutou na gaveta, mas o goleiro evitou o gol.
Resumo da ópera: Paissandu se fez merecedor da vitória por ter consciência de suas limitações. O Remo jogou como se as coisas se resolvessem naturalmente em campo. Ambos precisam melhorar muito, mas do ponto de vista anímico a vantagem hoje é alviceleste.
Lembranças fortes do passado
A maneira como o Paissandu se estruturou em campo, priorizando a defesa, como no basquete, remeteu diretamente ao primeiro clássico do Parazão 2013. Na ocasião, Flávio Araújo fechou o Remo e dedicou-se aos contra-ataques. Ganhou por 2 a 1, como fez Mazola ontem. Para reforçar as coincidências, o jogo ocorreu na mesma data, 26 de janeiro.
Cabe a Mazola e ao Papão mudarem o rumo da prosa na sequência do torneio, pois Flávio Araújo se perdeu nas retrancas e levou junto o Remo, que acabou derrotado na decisão dos dois turnos. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 27)
Capa do DIÁRIO, edição de segunda-feira, 27
Guerra e paz (by Mário Quadros)
Parazão 2014: classificação do turno
| TIMES | PG | J | V | E | D | GP | GC | SG | AP | |
| 1° | Paissandu | 10 | 5 | 3 | 1 | 1 | 9 | 6 | 3 | 66.7 |
| 2° | Remo | 10 | 5 | 3 | 1 | 1 | 8 | 5 | 3 | 66.7 |
| 3° | Cametá | 7 | 5 | 2 | 1 | 2 | 3 | 3 | 0 | 46.7 |
| 4° | São Francisco | 7 | 5 | 1 | 4 | 0 | 3 | 2 | 1 | 46.7 |
| 5° | Paragominas | 6 | 5 | 1 | 3 | 1 | 5 | 5 | 0 | 40.0 |
| 6° | Gavião | 4 | 5 | 0 | 4 | 1 | 4 | 5 | -1 | 26.7 |
| 7° | Independente | 4 | 5 | 0 | 4 | 1 | 2 | 4 | -2 | 26.7 |
| 8° | Santa Cruz | 2 | 5 | 0 | 2 | 3 | 4 | 8 | -4 | 13.3 |
Rock na madrugada – Dave Grohl/Norah Jones, Maybe I’m Amazed
A arte de Atorres
Remo x Paissandu (comentários on-line)
Só não vê quem não quer
“A verdade? Até eu um simples cidadão sabe da perseguição do MP, da Justiça e da Imprensa ao PT e a tudo que lembre PT. Haddad é atacado diuturnamente, Dilma é atacada segundo a segundo e os que estão fazendo com a Copa 2014 é um crime contra a nossa Pátria. A verdade é que quando se pretende atacar nada impede, se o governo Lula não tivesse conseguido trazer a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 seria dito que ele é incompetente e que as nações desenvolvidas não acreditam no nosso país e, muito pior, tenham certeza, diriam exatamente ao contrário do que está acontecendo: o Brasil perdeu uma grande oportunidade de dar um salto qualitativo a Copa e as Olimpíadas seriam benéficas por que trariam mais empregos e nos obrigaria a melhorar substancialmente a infraestrutura de transportes principalmente os aeroportos e a mobilidade urbana. Quando se quer destruir é simples, mas construir é difícil e exige esforço, fé e persistência. “
Do blog Aposentado Invocado
















