Eusébio jogou contra o Remo em Belém

526783_629213283762169_1196750957_nEusébio, o grande craque português, de origem moçambicana, desfilou seu talento pelos campos do Pará. Veio com o timaço do Benfica para um jogo festivo diante do Clube do Remo no estádio Evandro Almeida, em agosto de 1968. A promoção teve apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Belém. Eusébio era um dos melhores atacantes do mundo e pontificava na equipe encarnada, apenas dois anos depois de ter brilhado na Copa do Mundo da Inglaterra, quando Portugal terminou em terceiro lugar. Outros destaques do time de Lisboa eram Jacinto, Jaime Graça, Coluna e Torres. O Benfica era base da seleção portuguesa que assombrou o mundo e eliminou o Brasil de Pelé no Mundial de 1966.

Antes do apito inicial, no centro do gramado, com as arquibancadas lotadas, os jogadores portugueses fizeram a entrega das faixas de campeões aos jogadores do Clube do Remo, que haviam conquistado o campeonato paraense da temporada. No time azulino, treinado por Danilo Alvim, destaque para o artilheiro Amoroso, os zagueiros Alemão e Casemiro e os atacantes Rubilota e Zequinha.

CLUBE DO REMO 1 x 1 BENFICA
Data: 8 de agosto de 1968
Local: Estádio Evandro Almeida, em Belém (PA)
Árbitro: Paulo Bezerra, auxiliado por Jaime Batista e Antônio Santos.
Gols: Torres marcou para o Benfica, no primeiro tempo. No segundo, Amoroso marcou o gol de empate do Clube do Remo.
REMO: Jorge Baleia (François); China, Alemão (Zé Maria), Casemiro e Edilson; Celso (Ângelo) e Íris; Zé Ilídio (Jorginho), Rubilota, Amoroso (Julião) e Zequinha. Técnico: Danilo Alvim.
BENFICA: José Henrique, Jacinto, Humberto, Raul e Cruz; Jaime Graça e Coluna; José Augusto (Toni), Torres, Eusébio (Praia) e Simões.

(Com informações de A Província do Pará) 

Negligência da segurança e desrespeito à presidenta

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Por Paulo Henrique Amorim

Desde o UOL, no sábado à noite, o PiG (*) se deleita com fotos da Presidenta da República numa praia isolada (?) do litoral da Bahia. Uma avó, de 65 anos, num banho de mar, nas férias de fim-de-ano.
O que deveria ser um ato privativo, uma diversão com a família, torna-se uma exposição pública, com a intenção explícita de devassar, expor, constranger. O que esperar do PiG? Nada.
O PiG não tem compromisso com o Brasil, mas com o “Arco do Atlântico”, como preferem o Príncipe da Privatariaseu aplicado discípulo.
Eles querem que o Brasil e o pobre se explodam, diria o Chico Anisio.

(Clique aqui para ler o Janio e os “economistas de bancos”.)

Tanto assim, que um colonista (**)  da Folha (***), um desses jornalistas de Economia, na seção “Mercado” (êpa !) anuncia todo garboso:
“Não vai ter Copa” !
“Manifestações marcadas para começar dia 25 podem embaralhar previsões para este 2014”. Que venha o caos !
E que a Presidência da República seja exposta sem qualquer respeito ou conveniência.
A segurança (e a privacidade) da Presidência da República e a Segurança da Copa estão a cargo do mesmo general José Elito Carvalho Siqueira, Ministro-Chefe da Segurança (sic) Institucional (sic) da Presidência da República.
Não é a primeira vez que tentam constranger a Presidenta nas férias na Bahia. Como fizeram com o presidente Lula, de calção e uma caixa de isopor cheia de cerveja na cabeça, numa praia no litoral da Bahia também.
Aos governos trabalhistas, o escárnio. À Segurança Institucional, o caos!
“Não vai ter Copa !” é a nova palavra de ordem do PiG.
Que Segurança Institucional é essa que não percebe em que lancha estavam os fotógrafos do PiG? E se o fotógrafo fosse também um terrorista? Ou um agente da NSA? E o general Elito no mesmo lugar! Em que lancha do litoral baiano ele estava? Na do Daniel Dantas?

Aqui começou Belém. E a Amazônia também

Por Manuel Dutra

Bettendorf e a perfeita simbiose da fé com o império

O mês de janeiro é particularmente significativo para a cidade de Belém, capital do Pará. Foi nesse mês que os portugueses deram início ao efetivo domínio do que mais tarde viria a ser a Amazônia. No dia 12 de janeiro de 1616 começou a construção do ponto de apoio da ocupação. A construção do Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém foi o primeiro marco da posse prolongada. E foi também num janeiro que, 219 anos depois, começou o movimento que pretendia construir outra forma de sociedade, opondo-se aos construtores do Forte e a tudo que ele representava: a Cabanagem.

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Como se vê claramente nas palavras e nas imagens, Belém nasceu sob o signo da Fé e do Império, cunhados inclusive no nome do Forte. A história das conquistas dos povos das Américas foi marcada por essa hipócrita e trágica realidade: violência e catequese. Numa das mãos a espada, na outra a cruz. A cruz para persuadir. A espada para forçar a persuasão. Assim agiram portugueses e espanhóis, mas também os puritanos que dizimaram os indígenas da Nova Inglaterra, hoje Estados Unidos. Eles lá chegaram afirmando hipocritamente que não vinham dominar e saquear, mas “to perform the ways of God”, ou seja, palmilhar os caminhos de Deus.

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Lembra aquele episódio de um cacique na ilha que viria a ser Cuba, ao afirmar aos espanhóis, numa tarde de domingo, após dezenas de homens, mulheres e crianças degolados pelos invasores: Se o Deus de vocês aprova isso, eu prefiro ir pro inferno.

Aqui mais perto podemos observar a ação do jesuíta João Felipe Bettendorf, que foi diretor do Colégio de Santo Alexandre, em Belém, ao lado da igreja do mesmo santo e que mais tarde viria a abrigar o arcebispado da capital. Hoje é museu.
Ao chegar à confluência dos rios Tapajós e Amazonas, para fundar a missão religiosa que daria origem à cidade de Santarém, Bettendorf pronunciou o seguinte sermão, que era traduzido por um português já aclimatado, de nome João Corrêa. Disse o padre (mantida a grafia da crônica do jesuíta):
“Olhae os Mandamentos da Lei de Deus, todos se fundam em a razão, e quem os seguir deve-se chamar homem racional, e pelo contrario quem não os quer seguir este se póde chamar de bruto, e se deve governar com pancadas como se governam os animaes irracionaes”.
Como se percebe aí, o sermão do “fundador” de Santarém revela-se a perfeita simbiose da cruz com a espada. 
No Grão-Pará de ontem, que viria a ser a Amazônia de hoje, o processo inaugurado no Forte do Presépio está vigente neste início de século 21. No meado do século 19, o povo tentou mudar as coisas, mas saiu perdedor na guerra civil entre 1835 e 1840, que ficou conhecida como Cabanagem, que é ensinada nas escolas e nos livros como um “motim”, ou uma “revolta”, etc. Foi na verdade a mais encarniçada guerra civil brasileira, a que mais matou e que terminou com o genocídio praticado pela elite branca contra os paraenses não brancos. Isso após a “independência”. A desigualdade absoluta que deu partida à guerra da Cabanagem deixou marcas tão profundas que ainda hoje estão aí, vivas, nesta Belém do Grão-Pará e por toda esta imensa Amazônia.
(Transcrito do blogmanueldutra.blogspot.com.br) 

A campanha da moda

Por Janio de Freitas, na Folha e no DIÁRIO

Quem não discute gosto anda na moda, que é um modo de não ter gosto (próprio, ao menos). Até por solidariedade aos raros que não se entregam à moda eleitoreira de dizer que 2013 foi um horror brasileiro e 2014 será ainda pior, proponho uns poucos dados para variar.

Com franqueza, mais do que a solidariedade, que tem motivo recente, é uma velha convicção o que vê importância em tais dados. Um exemplo ligeiro: todo o falatório em torno de PIB de 1% ou de 2% nada significa diante da queda do desemprego a apenas 4,6%. Menor que o da admirada Alemanha. Em referência ao mesmo novembro (últimos dados disponíveis a respeito), vimos as manchetes consagradoras “EUA têm o menor desemprego em 5 anos: cai de 7,3% para 7%”. O índice brasileiro, o menor já registrado aqui, excelência no mundo, não mereceu manchetes, ficou só em uns títulos e textos mixurucas.

Mas o índice não pode ser positivo: “O índice caiu porque mais pessoas deixaram de procurar emprego”. Se mais desempregados conseguiam emprego, como provava o índice antes rondando entre 5,6% e 5,2%, restariam, forçosamente, menos ou mais desempregados procurando emprego? PIB horrível, falta de ajuste fiscal, baixa taxa de investimentos, poucas privatizações, coitado do país. E, no entanto, além do emprego, aumento da média salarial, a ponto de criar este retrato do empresariado de São Paulo: a média salarial no Rio ultrapassou a dos paulistas.

A propósito: com as alterações do Bolsa Família pelo Brasil sem Miséria, retiraram-se 22 milhões de pessoas da faixa dita de pobreza extrema. Com o Minha Casa, Minha Vida, já passam de um milhão as moradias entregues, e mais umas 400 mil avançam para a conclusão neste ano. A cinco pessoas por família, são 7 milhões de beneficiados com um teto decente, água e saneamento.

Sobre dados assim e 2014, escreve o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale: “Infelizmente, veremos mais promessas de ampliação do Bolsa Família e do salário mínimo, que, no frigir dos ovos, é o que tende a reeleger a presidente”. Da qual, aliás, acha que em 2014 “deverá se apequenar ainda mais”. Da mesma linhagem de economistas —a que domina nos meios de comunicação—, Alexandre Schwartsman dá à política que produziu aqueles resultados o qualificativo de “aposta fracassada”, porque só deu em “piora fiscal, descaso com a inflação e intervenção indiscriminada, predominando a ideologia onde deveria governar o pragmatismo”.

“Infelizmente” e “aposta fracassada” para quem? Para os 22 milhões que saíram da pobreza extrema, os 7 milhões que receberam ou receberão um teto em futuro próximo, os milhões que obtiveram emprego, os milhões ainda mais numerosos que tiveram melhoria salarial?

E, claro, ideologia existe só no que se volta para os problemas e possíveis soluções sociais. Quem se põe de costas para o que não interesse à elite financeira e ao poder econômico, não o faz por ideologia, não. Por esporte, talvez.

Foi a esse esporte, quando praticado orquestradamente nos meios de comunicação, que Dilma Rousseff se referiu como uma “guerra psicológica”, e gerou equívocos críticos. Não se trata de “expressão antidemocrática”, nem própria dos tempos da ditadura. É a denominação, técnica ou científica, como queiram, de métodos de hostilidade não militares, diferentes das campanhas por não serem declarados em sua motivação e seus fins, e buscando enfraquecer o adversário por variados tipos de desgaste.

Não é o caso da pregação tão óbvia no seu propósito de prejudicar eleitoralmente Dilma Rousseff. E prática tão evidente que, já no início de artigo na Folha, o empresário Pedro Luiz Passos definiu-a como “o negativismo que permeia as análises sobre a economia brasileira, em contraste com a percepção de bem-estar especialmente da base da pirâmide de renda”. Ou seja, há um negativismo, intenção de concentrar-se no negativo, real ou manipulado, e a desconsideração do que deu à “base da pirâmide” social alguma percepção de bem-estar.

O elemento essencial na existência de uma Nação é o povo. Não é o território, não é o Estado, ambos inexistentes em várias formas de nação ao longo da história e ainda no presente (os curdos, diversos povos nômades, povos indígenas). O PIB e os ajustes feitos ou reivindicados nunca fizeram nada pelos brasileiros que são chamados de povo. A cliente do PIB, dos gastos governamentais baixos e dos juros bem altos são os que compõem a mínima minoria dos que só precisam, para manter o país, do povo.

A magia dos craques

Por Tostão

Messi é o melhor jogador do mundo, mas o que mais brilhou, em 2013, foi Cristiano Ronaldo. Por causa das várias conquistas do Bayern e de suas ótimas atuações, Ribéry também disputa o título. Se fosse escolher os três melhores do ano, seriam Cristiano Ronaldo, Ibrahimovic e Ribéry, e os três do mundo, Messi, Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic. Neymar seria o quarto melhor do ano e do mundo. Todos são atacantes.

downloadO melhor jogador de meio-campo do ano foi Yaya Touré, da seleção da Costa do Marfim e do Manchester City, acima de Xavi, Pirlo e Schweinsteiger. Todos são volantes e atuam de uma intermediária à outra. O futebol mudou. Muitos não perceberam. Já os volantes brasileiros que têm atuado melhor são Ramires, que, na seleção, é reserva dos meias Oscar e Hulk, e Fernandinho, que nunca foi chamado por Felipão.

O grande craque reúne muita habilidade, técnica, criatividade, além de ótimas condições físicas e emocionais. O talento é a síntese de tudo isso. Não se deve confundir talento com habilidade, técnica ou criatividade. Todos os grandes craques são diferentes. Cada um faz de seu jeito. Jogadores extremamente habilidosos, como Robinho, não se tornaram craques por não terem ótima técnica. Outros, como Rivaldo, com extraordinária técnica, se tornaram craques, mesmo com pouca habilidade.

O perfeccionismo e a ambição são características comuns aos grandes craques. Para brilharem intensamente, precisam estar presentes, juntos, o talento individual, o coletivo, o esplendor físico e a gana de ir além. Assim como não se sabe qual é o momento exato em que um bom jogador se torna um craque, não sabemos também o instante em que começa sua queda nem se o motivo inicial é a diminuição da ambição, da concentração ou uma piora da forma física.

Cristiano Ronaldo possui mais virtudes técnicas que Messi. O português, além de alto, forte e veloz, faz gols de todos os lugares e de todos os jeitos. Passa bem e cruza como um autêntico ponta. Messi é menos completo, mas é mais encantador, mais espetacular. Faz também muitos gols, dribla em pequenos e grandes espaços e conduz a bola em grande velocidade, colada aos pés. O encanto não pode ser medido nem colocado nas estatísticas.

Neymar pode se tornar tão bom ou até melhor que Messi e Cristiano Ronaldo. Ainda não é. Diferentemente dos dois, Neymar ainda não atingiu o máximo do esplendor técnico. Ele possui um repertório mais variado, mais artístico e com mais efeitos especiais.

A torcida brasileira vai exigir que Neymar decida a Copa para o Brasil, mesmo se o time não estiver bem. Isso é cruel, pois concentra toda a responsabilidade no jogador, além de encobrir as deficiências da seleção e as mazelas do futebol brasileiro.

Adeus, Pantera Negra

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Do jornal Público, de Lisboa

Eusébio morreu. Eusébio da Silva Ferreira, antigo futebolista do Benfica, morreu na madrugada de domingo em Lisboa, disse à Lusa fonte do clube. A mesma fonte adiantou que Eusébio, 71 anos, morreu às 4h30, vítima de paragem cardiorespiratória. Nos últimos anos, o símbolo do Benfica esteve várias vezes internado.

Nascido a 25 de Janeiro de 1942, Eusébio tornou-se o maior símbolo do futebol português. Vindo de Moçambique, chegou ao clube de Lisboa no Inverno de 1960. Foi nessa década que o “Pantera Negra” mais brilhou nos relvados, no Benfica e ao serviço da selecção de Portugal, no Mundial de 1966, onde foi o melhor marcador.

Sete vezes melhor goleador do campeonato português (1963/64, 64/65, 65/66, 66/67, 67/68, 69/70 e 72/73), duas vezes melhor marcador europeu (1967/68 e 72/73), Eusébio foi uma vez eleito melhor futebolista europeu.

Foi 11 vezes campeão nacional pelo Benfica – alinhando em 294 jogos, nos quais marcou 316 golos -, ganhou cinco Taças de Portugal, foi campeão europeu em 1961/62 e finalista da Taça dos Campeões em 1962/63 e 67/68.

Jogou no Benfica até 1975, tendo depois actuado ainda em clubes da América do Norte, no Beira Mar e no União de Tomar – esta última uma breve experiência que durou até Março de 1978, após o que regressou aos EUA para tentar uma efémera experiência no futebol indoor.

Participou em 64 jogos da selecção de Portugal, pela qual se estreou em 8 de Outubro de 1961.

No Mundial de 1966, em Inglaterra, em que Portugal foi o  terceiro classificado, venceu o troféu destinado ao melhor marcador da prova, com nove golos, e foi considerado o melhor jogador da competição.

Ficou célebre a sua actuação no jogo com a Coreia do Norte, dos quartos-de-final desse mundial, em que marcou quatro golos, contribuindo decisivamente para a vitória de Portugal a por 5-3, depois ter estado a perder por 0-3.

Imagine se fosse aqui…

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Da Folha de S. Paulo

Brasileiros estão presos no aeroporto JFK, em Nova York, desde a última quinta-feira (2), na tentativa de embarcar para o país. Com remarcações e cancelamentos de voos, as pessoas dormiram no chão do aeroporto, tiveram problemas médicos e momentos de tensão com representantes das companhias aéreas.

O engenheiro civil Eduardo Stahlhoefer chegou com a mulher e dois filhos ao aeroporto na sexta-feira por volta das 6h. Como a filha tinha vestibular para Medicina no domingo, tentou um voo via Miami, que foi cancelado. A segunda opção foi tentar embarcar via Cidade do Panamá. Por fim, foi oferecido um voo da Delta para São Paulo. A família aguardou até a meia noite, quando o voo foi cancelado. O voo para a Cidade do Panamá acabou saindo no meio da madrugada.

“Se arrependimento matasse. É lastimável, estamos sendo tratados como animais. Passamos a noite no chão. Ninguém fala o que está acontecendo. Ontem, mudaram o portão quatro vezes, a gente caminhou o aeroporto todo, até cancelarem o voo”, disse Stahlhoefer.

Em 1958, a alegria inesquecível

Group Photo of Brazil's Soccer Team

Por Ruy Castro

Aos olhos de hoje, é como se a Copa do Mundo de 1958, disputada na Suécia –a primeira que o Brasil venceu– tivesse sido jogada em segredo. Afinal, como assisti-la se a TV praticamente não existia?

Na época, mesmo nos EUA, a televisão se limitava a três ou quatro canais por cidade. Na Europa, era pior ainda: só existia um canal –ainda por cima, estatal– por país. E nenhum deles chegava até nós, porque não havia o satélite. A URSS acabara de lançar o Sputnik, primeiro satélite da história, mas a ideia de usá-lo para transmitir futebol era tão absurda quanto imaginar um romance entre Marilyn Monroe e o premiê Kruschov.

O videoteipe também já fora inventado, mas não era de uso corrente, e os jogos continuavam a ser filmados com película, o que envolvia laboratório, revelação, copiagem. Era quase proibitivo filmar uma partida inteira. E, ainda que se fizesse isso, só se usavam duas ou três câmaras. O filme era mandado de avião para o país interessado –o que, no nosso caso, dependia da cortesia dos comandantes da Varig ou da Panair –, para ser exibido no cinema ou na TV.

Poucas famílias tinham televisão –o que não lhes faltava eram televizinhos. E a transmissão era horrível – para melhorá-la, aplicava-se um chumaço de Bombril à antena sobre os aparelhos de, no máximo, 21 polegadas.

Pois, com toda essa precariedade –acredite ou não–, cada brasileiro de 1958 acompanhou aquela Copa como se estivesse na Suécia, à beira dos gramados onde Didi, Garrincha, Pelé e seus companheiros seriam campeões do mundo. E como fizemos isso?

Pelo rádio. Todas as grandes estações mandaram seus homens para a Suécia e a todo momento eles transmitiam boletins sobre a seleção. Waldir Amaral, Jorge Curi, Oduvaldo Cozzi, Luiz Mendes, Edson Leite, Fiori Gigliotti, Pedro Luiz, Geraldo José de Almeida e outros faziam transmissões inesquecíveis.

Pelos jornais. Os matutinos tinham de esperar até o dia seguinte, mas os vespertinos, como “O Globo” e a “Última Hora”, tiravam edições logo ao fim da partida e traziam uma descrição minuto a minuto do jogo –como a internet hoje. As radiofotos eram atrozes e mal se identificava alguém na imagem, mas as legendas diziam o que precisávamos saber, e nossa imaginação fazia o resto.

Pelas revistas. “Manchete Esportiva” saía às segundas-feiras –o rádio ainda estava quente do jogo–, com os grandes textos de Ney Bianchi, fotos idem de Jader Neves, seus enviados especiais, e crônicas de Nelson Rodrigues. Era imperdível.

Pelo cinema. Três ou quatro dias depois da partida, o filme com trechos do jogo chegava ao Brasil e passava nos cinemas. Ainda não havia o “Canal 100”, mas o ótimo “Esporte na Tela”.
Na tela de 16 m x 22 m, os jogadores correndo em campo ao som de “Boogie Blues”, com Ray Anthony e sua orquestra, ficavam maiores do que a vida.

E pelas ruas. À medida que atropelamos a Áustria (3×0), encaramos como gente grande a Inglaterra (0x0) e massacramos a URSS (2×0), o Brasil foi se apaixonando pela seleção. As vitórias seguintes (1×0, contra o País de Gales, 5×2, contra a França, e o consagrador 5×2 final contra a Suécia) culminaram um orgasmo de semanas, amplificado pelos alto-falantes que transmitiam os jogos em todas as praças do país, os muitos gritos de gol, as chuvas de papel picado, o Carnaval em junho.

Eu vivi tudo isso, ninguém me contou. Aos 10 anos em 1958, em casa, atracado ao rádio, aos jornais e às revistas, e, nas ruas, em meio à euforia nacional, aquela Copa me ensinou que, sim, talvez fosse possível morrer de prazer.

Presidente na encruzilhada

Por Gerson Nogueira

Vandick Lima e sua diretoria têm sido duramente criticados neste começo de temporada. O torcedor se irrita com a demora na aquisição de reforços e fica impaciente ao observar a reedição do filme de 2013, quando o gerente Oscar Yamato tinha suas indicações postergadas ou ignoradas. Aparentemente, a situação de Sérgio Papelin, o novo gerente, é parecida. Vários nomes recomendados por ele não foram contratados. Em alguns casos, por concorrência direta de clubes mais endinheirados; em outros, por excessiva lentidão dos dirigentes do Papão.

É o que supostamente ocorre em relação ao meia-armador Júnior Xuxa, nome que o clube namora há tempos e que estava praticamente fechado no final de dezembro. Jogador do ABC, Xuxa topou vir para substituir Eduardo Ramos. Em cima da hora, o empresário entrou em cena, exigiu mais e o negócio perdeu força e gás.

unnamed (61)Dois outros jogadores estão em cogitação para a estratégica camisa 10, mas a diretoria prudentemente não divulga nomes. Apesar das queixas do torcedor, amplificadas pelas notícias quase diárias de nomes contratados pelo rival, a diretoria (leia-se Vandick e Roger Aguilera) não erra por ser criteriosa nas escolhas. Peca, talvez, por zelo demasiado e hesitação no momento de bater o martelo.

O mercado da bola no Brasil anda cada vez mais complexo e caro, pois os bons jogadores conhecidos são ofertados para clubes das Séries A e B. Restam para os times das demais divisões aqueles boleiros também bons, mas pouco conhecidos, cuja cotação repentinamente passa a ser hipervalorizada por investidores e empresários espertos.

Quando não há meios de trazer nem desconhecidos, só há um rumo a tomar: apelar para veteranos em baixa, quase sempre voltando de lesões graves. Mas, se o preço fica mais em conta, os riscos aumentam bastante.

Para os bicolores, tudo ficou naturalmente mais difícil depois do rebaixamento à Série C. Para um clube nortista, cuja exposição na TV será drasticamente reduzida em relação ao ano passado, não há muita margem de manobra. Ou se contenta com a chamada rebarba ou parte para uma política kamikaze, mais ou menos nos moldes do que o Remo é obrigado a fazer na desesperada tentativa de acabar com o jejum de títulos.

Onerar a folha salarial é a única maneira de montar um elenco competitivo, atraindo jogadores de bom nível com contratos longos e vantagens financeiras. É tudo o que Vandick e seus pares tentam evitar, depois de apostas erradas que abalaram as finanças do clube na recente Série B.

O dilema é saber até quando a razão pode prevalecer diante das exigências que a emoção do torcedor vai impor de modo cada vez mais forte.

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Um leão das artes marciais

Presença muito aguardada pelos dirigentes azulinos, o atacante Leandrão chegou na última sexta-feira, se apresentou no Remo e revelou ser um aficionado de artes marciais. É fã e gosta de lutar. O campeonato estadual ganha com isso um personagem a ser muito explorado dentro e fora de campo. Óbvio que as aptidões de Leandrão para o MMA só serão apreciadas no sentido figurado e desde que faça sua parte como goleador.

Conhecedor da torcida azulina, pois aqui já esteve nos idos de 2003 defendendo o Botafogo na Série B, Leandrão já sabe que a tarefa de levar o time ao título estadual é das mais hercúleas. Nem tanto pelo poderio dos adversários, mas pelas fragilidades emocionais do próprio Remo.

É um atacante que durante toda a carreira só teve bom rendimento quando o time jogava por ele, criando jogadas específicas e explorando o jogo aéreo. Leandrão deu a entender que optou pelo Remo ao saber da contratação de Eduardo Ramos, de quem conhece a facilidade para lançamentos e tabelinhas.

Um fato que precisa ser considerado é que Leandrão não é mais um iniciante. Não tem velocidade suficiente para buscar jogo e depende de bolas que chegam à área. Precisará ter a companhia de um atacante rápido, que jogue pelos lados. Aí reside talvez o grande dilema de Charles. A função pode ser executada tanto por Zé Soares quanto por Tiago Potiguar. Definir o titular será uma escolha difícil.

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Bola na Torre

Fernando José de C. Rodrigues, do conselho técnico da Federação Paraense de Futebol, é o convidado do programa deste domingo. Guerreiro comanda, Tomazão e este escriba baionense participam. Começa à 00h20, logo depois do Pânico na Band.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 05)

Julio Cesar não é problema. Fred e Oscar, sim

Do Blog do Menon

Depois de nove meses na reserva do QPR (uma espécie de Mogi Mirim da Inglaterra) Julio Cesar foi escalado novamente – só porque o goleiro titular estava com o dedo machucado – e tomou quatro gols. E daí? E daí, nada pelo menos no que me diz respeito. Ele tem personalidade, é um bom goleiro e, com um bom tempo de treinamentos, estará pronto para a Copa. Tem a confiança de Felipão e isso é ótimo.

Eu discordo dos que dizem que seleção é momento. Treinador de seleção é privilegiado. Pode escolher os melhores, não precisa lutar contra as deficiências do elenco montado pelo antecessor. Não gostou, troca. Aliás, eu tinha um chefe, Paulo Cesar Correia, meu grande amigo, que vivia dizendo assim: repórter é igual a mulher, se não gosto eu troco. Mentira dele, vive com a Marlene há mais de 35 anos.

Vou dar um exemplo: se um treinador achar que o Adriano é o melhor potencial de centroavante do Brasil e quiser apostar nele, tem todo o meu apoio. Mesmo que eu não concorde. Faltando um ano para a Copa, convoca o cara, faz treinar, faz recuperar o melhor da forma física e coloca na Copa. São apenas sete jogos, é um campeonato de tiro curto, não precisa constância. Basta estar bem naquele período. Pode não dar certo, mas o que pretendo dizer é que treinador não deve estar à mercê do bom momento de algum jogador.

Por isso, Julio César não me preocupa.

fred6Fred, sim. Esteve contundido por muito tempo em 2013. Fez uma boa Copa das Confederações, mas só no final. Não o vejo à altura de centroavantes como Cavani, Suarez, Falcao Garcia, Higuain, Balotelli, Lewandowski, Ibra (que não vem), Drogba, Etoo e outros.

E o pior é que não vejo outro centroavante brasileiro para substituí-lo. Jô, Luís Fabiano (muitas contusões), Leandro Damião… Não é atoa que Felipão correu atrás de Diego Costa.

Oscar também me assusta. Ele merece ser titular, sem dúvida, mas não o considero do nível de outros jogadores que estarão na Copa. Kaká, apesar dos últimos anos ruins, poderia acrescentar mais à Seleção.

Mas, de uma forma ou de outra, somos um dos quatro favoritos.