Denúncia de jornal derruba presidente do Barça

Sandro Rosell, 49, decidiu renunciar à presidência do Barcelona diante das investigações em torno da transferência do atacante Neymar em maio de 2013. A informação foi dada no começo desta quinta-feira pelo jornal catalão “Mundo Deportivo” e confirmada no final da tarde desta quinta pelo próprio Rosell, em coletiva de imprensa.

Rosell apresentou sua renúncia à diretoria do clube e, em seguida, leu um comunicado publicamente explicando por que estava saindo do cargo. O dirigente renunciou após quatro anos na presidência do clube catalão –seu atual mandato terminaria em 2016.

No anúncio, o dirigente fez questão de falar das conquistas do time em sua passagem, como o título mundial e da Liga dos Campeões. Ele afirmou que a denúncia de apropriação indébita que chegou à Justiça nos últimos dias, referente ao “caso Neymar”, é injusta, e os ataques que sua família tem sofrido ultimamente fizeram com que repensasse sua continuidade no cargo.

“Tudo foi correto na transferência do Neymar”, disse. Por fim, Rosell disse que renunciava ao cargo para não prejudicar o projeto da diretoria que encabeçava e que até agora alcançou resultados positivos. O novo presidente será Josep Maria Bartomeu, 50, então vice-presidente de esportes do clube espanhol. (Da Folha de SP)

Tribunal Facebook

Por Alan Gripp, da Folha de SP

SÃO PAULO – Kaique foi brutalmente assassinado por ser preto, pobre e gay. Foi também por isso que o caso foi registrado pela polícia como suicídio. Sua morte é culpa do Estado, da igreja, do Congresso, do Alckmin, da Dilma, do Feliciano.
Essas conclusões foram extraídas de redes sociais menos de 24 horas depois de a história vir à tona, na semana passada. O tribunal Facebook já havia chegado a um veredicto.
O caso de Kaique não é simples. Ao identificar o corpo desfigurado, a família pôs a boca no mundo: disse que o rapaz foi morto por skinheads, teve os dentes quebrados e uma barra de ferro atravessada nas pernas. Junte-se ao contexto real de homofobia e de negligência policial e tem-se uma história verossímil.
O que surpreende é o fato de que o tom das redes sociais não se alterou a partir das evidências que aos poucos foram tornando o absurdo do suicídio numa versão plausível.
São elas: Kaique caiu de um viaduto; perdeu os dentes em razão do impacto da queda; não havia uma barra de ferro no local, e sim o fêmur do jovem rompido por uma fratura exposta; câmeras de segurança não revelaram skinheads, mas o jovem sozinho e trôpego.
A narrativa do crime homofóbico, porém, já estava fechada, com direito a protesto e declaração indignada de ministro. Em alguns casos, não mudou nem após a mãe de Kaique dar uma comovente entrevista em que disse estar convencida do suicídio e pediu desculpas.
Foi assim durante os protestos, por exemplo, no caso do vídeo dos PMs que quebraram o vidro do próprio carro para simular uma agressão –o policial retirava estilhaços de um vidro já quebrado, mas o desfecho do caso já estava escrito.
Esses episódios ilustram bem o que se transformou a internet pós-Mark Zuckerberg –um imenso fórum, indispensável e democrático, mas também terreno fértil para conclusões apressadas e intolerância de todos os matizes.