Só não vê quem não quer

“A verdade? Até eu um simples cidadão sabe da perseguição do MP, da Justiça e da Imprensa ao PT e a tudo que lembre PT. Haddad é atacado diuturnamente, Dilma é atacada segundo a segundo e os que estão fazendo com a Copa 2014 é um crime contra a nossa Pátria. A verdade é que quando se pretende atacar nada impede, se o governo Lula não tivesse conseguido trazer a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 seria dito que ele é incompetente e que as nações desenvolvidas não acreditam no nosso país e, muito pior, tenham certeza, diriam exatamente ao contrário do que está acontecendo: o Brasil perdeu uma grande oportunidade de dar um salto qualitativo a Copa e as Olimpíadas seriam benéficas por que trariam mais empregos e nos obrigaria a melhorar substancialmente a infraestrutura de transportes principalmente os aeroportos e a mobilidade urbana. Quando se quer destruir é simples, mas construir é difícil e exige esforço, fé e persistência. “

Do blog Aposentado Invocado

O passado é uma parada…

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Despedida de Fernando Guilhon do governo do Estado, em 15 de março de 1975. Indicado ao cargo pela Arena, partido de apoio ao regime militar, governou o Pará durante a gestão do general Garrastazu Médici na presidência da República. Na foto, Guilhon é acompanhado até o carro oficial por um séquito de auxiliares e amigos. Entre os presentes, Carlos Costa, Aureliano Pereira, Maria José de Azevedo, Maria Annunciada Chaves, Brabo de Carvalho e o radialista Oséas Silva. (Do arquivo implacável de Elias Pinto) 

O fator Pikachu

Por Gerson Nogueira

unnamed (28)O Re-Pa, meio morno depois dos maus resultados dos rivais durante a semana, de repente volta a chamar atenção, dominando as discussões nas esquinas e bares. Tudo por causa de Pikachu. Até a escalação do melhor jogador do Paissandu virou mistério. De titular absoluto, passa a ser dúvida, depois que se despediu dos companheiros e do técnico Mazola Junior na sexta-feira.

Que Pikachu não quer mais continuar no futebol paraense, não é mistério para ninguém. O próprio presidente Vandick Lima admitiu, em entrevista ao Bola na Torre no começo do mês, que a saída de Pikachu era questão de tempo. Além de vários interessados em sua contratação, o próprio jogador parece decidido a buscar novos ares.

A surpresa ficou por conta do dia escolhido pelo staff de Pikachu para desfechar a operação bota-fora. Afinal, se a intenção era depositar os R$ 8 milhões da multa rescisória desde o dia 14 de janeiro, por que isso não foi feito logo? Por que deixar a coisa para as vésperas do Re-Pa?

Pode até não ter sido esse é o objetivo, mas parece uma tentativa de botar o clube contra a parede ou fazer com que a decisão ganhasse mais exposição na mídia. Investidores e empresários de jogadores não costumam se preocupar muito com a própria imagem, mas o atleta não pode descuidar de sua vinculação com a torcida e com a instituição.

Apesar da pública censura por parte da diretoria do Paissandu, Pikachu tem crédito com o torcedor alviceleste. Foi nas duas últimas temporadas o solitário destaque de um time que ficou devendo bastante, principalmente na malsinada campanha na Série B.

Jogador habilidoso e rápido, Pikachu somou a seu arsenal de encantos a condição de artilheiro. Fez gols importantes, aparecendo como elemento surpresa nas costas de defesas desavisadas. Gols que funcionaram como alento num campeonato de pouquíssimas alegrias para a torcida bicolor.

Identificado com o Paissandu, Pikachu deveria ter convencido seus representantes a esperarem ocasião mais propícia para sair. Fazer isso antes de um Re-Pa é arrumar encrenca, magoar o torcedor e optar por uma saída à francesa. Por outro lado, mesmo que o adeus seja inevitável (e tudo indica que sim), cabia ter sensibilidade para disputar o último clássico, até como sinal de gratidão e respeito pelo clube que o revelou.

Em meio a tudo isso, não é difícil imaginar a situação desconfortável de Mazola Junior, forçado a ficar no fogo cruzado: de um lado, a diretoria, que usa de argumentos mais do que justos para exigir que Pikachu jogue contra o Remo; do outro, o estado de espírito do jogador, que já deixou claro a intenção de não entrar em campo.

É dura a vida de técnico de futebol.

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Desajustes equilibram o clássico

Charles Guerreiro comanda o time líder do primeiro turno, com três vitórias e um empate. Mazola está à frente do segundo colocado, que venceu duas, empatou uma e perdeu outra. A rigor, o Remo deveria ser visto como favorito, pois cumpre a melhor campanha.

Ocorre que Remo e Paissandu têm muito mais semelhanças do que diferenças neste campeonato. A principal afinidade está na desarrumação das equipes, ainda longe de praticar um futebol confiável e imune a sobressaltos.

Apesar de apresentar estilo mais vistoso, de passes rápidos e de primeira, o Remo continua a ter setores bastante irregulares. O meio-de-campo funciona bem quando cria jogadas e trabalha em prol do ataque, mas fracassa na missão de proteger a defesa.

Sem um especialista na criação, o Paissandu sofre diante de qualquer adversário mais atrevido. Com um meio-de-campo repleto de volantes, Mazola Júnior tenta garantir segurança defensiva para compensar a ausência de transição eficiente para o ataque.

Os defeitos talvez façam com que os velhos rivais se enfrentem praticamente em igualdade de condições. As virtudes de um podem ser neutralizadas pela fibra e disposição do outro.

Por essas e outras, é bem provável que o esperado primeiro choque-rei do ano termine com um quê de desapontamento, para ambas as torcidas.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 26)

Balé coletivo

Por Tostão

Faz pouca diferença na estratégia se um time atuar no 4-2-3-1, no 4-4-2, no 4-3-3 ou no 4-1-4-1, sistemas táticos mais citados pelos jornalistas e treinadores. A moda mais recente é o 4-1-4-1, com quatro defensores, apenas um volante e quatro meias (armadores), que marcam e se aproximam do centroavante.

Muito mais importante que o desenho tático são a qualidade e a característica dos jogadores, com quantos atletas o time defende e ataca, o tipo de marcação (mais recuada ou mais à frente), o espaço entre os setores, como uma equipe se posiciona para receber o contra-ataque, a eficiência nas jogadas aéreas defensivas e ofensivas e vários outros detalhes.

O futebol compartimentado, por setores, com rígida divisão de funções, tem sido, progressivamente, substituído por um jogo mais dinâmico, menos previsível, em que quase todos os jogadores se misturam e trocam de posições. É uma correria organizada, um belo balé coletivo.

No futuro, zagueiros mais habilidosos vão também avançar quando o time estiver com a bola. Os goleiros estão aprendendo a jogar com os pés. Rogério Ceni já é um doutor. Quando parar, deveria ser um professor de goleiros. Imagino que isso é muito pouco para suas pretensões. Ele quer ser o presidente, como Rivaldo.

Assim como pouco se importava com a badalação e até com o título de melhor do mundo, o enigmático Rivaldo não está nem aí quando falam que ele é um ex-atleta em atividade. Ele quer se divertir. Faz muito bem.

Nos anos 1960, o jogador que estava em todas as partes do campo era, geralmente, o grosso do time, chamado de formiguinha. Nas décadas seguintes, passou a ser o jogador tático, mais valorizado. Agora, surgiu um novo tipo de atleta, que não para em campo, mas que tem talento, sabe jogar futebol. Quem sabe, mas é lento e se movimenta pouco, ficou para trás.

Com exceção de Neymar, uma raridade, com físico e estilo que, dificilmente, surgirão em um atleta europeu, não há mais diferença na maneira de jogar entre brasileiros e europeus. Dezenas de lugares-comuns, que vêm desde os anos 1960, tipo “Brasil, país do futebol”, “magia e arte do jogador brasileiro” e “futebol-moleque”, não fazem mais sentido. Se o Brasil ganhar a Copa, uma das razões será o fato de que dez titulares atuam na Europa.

Hoje, há dois tipos de futebóis no Brasil, o da seleção atual, que incorporou a maneira de atuar dos grandes times da Europa nos últimos dez anos, e o fraco futebol, na média, praticado em nossos estádios.

Isso ocorre por causa da falta de grandes jogadores e de bons gramados, pelas condutas viciadas e ultrapassadas de vários treinadores e devido à ineficiência, negligência e fisiologismo da CBF, uma entidade privada, que vive quase somente para explorar, como um gigolô, a seleção, um patrimônio público.