Estreia do Papão mantida para domingo

Depois de muita indefinição, o Paissandu conseguiu na manhã desta terça-feira confirmar para domingo a partida contra o Gavião, no estádio da Curuzu, na abertura oficial do Campeonato Paraense de 2014. Até então, a Polícia Militar insistia na antecipação do jogo para sábado, alegando não ter condições de disponibilizar policiamento no domingo, data do aniversário de Belém. A Federação Paraense de Futebol chegou a oficializar a mudança, mas a diretoria do Papão não abriu mão do cumprimento da tabela. O impasse foi criado, mas hoje a situação foi resolvida. Os ingressos devem começar a ser vendidos nesta quarta-feira, com arquibancada a R$ 30,00 (meia a R$ 15,00) e cadeira a R$ 60,00.

A megavirada em marcha

Por Gerson Nogueira

Nunca foi tão forte o risco de uma virada na série A do Campeonato Brasileiro como agora. Pela primeira vez no sistema de pontos corridos, a competição ameaça ser descaracterizada com alteração na quantidade de clubes disputantes por força de ações na justiça comum, movidas por torcedores e clubes que se consideram lesados.

Para evitar a paralisia do torneio, a CBF pode ser obrigada a suspender os rebaixamentos, mantendo 24 clubes na Primeira Divisão – os 20 de 2013, mas quatro que subiram da Série B. Com isso, vai gerar um efeito cascata nas outras divisões, todas respeitando acessos, mas cancelando o descenso.

unnamed (67)Tudo tem a ver com a decisão do STJD que rebaixou a Portuguesa de Desportos e, automaticamente, livrou o Fluminense da queda para a Série B. Considerando-se prejudicado, o torcedor da Lusa decidiu buscar por via judicial o que a CBF e seu tribunal lhe negaram.

O obstáculo maior para esse tipo de empreitada deixou de existir desde que o Treze da Paraíba melou o campeonato da Série C em 2011, sem sofrer qualquer punição. Pelo contrário, o time paraibano foi alvo de um convite mediado pelo STF no ano passado, para que aceitasse um armistício com a CBF, estabelecendo um ponto final para o impasse.

Antigamente, sempre que um clube ou representante se assanhava para recorrer à justiça logo surgia o medo de uma penalização rigorosa através da Fifa. Os tempos são outros. Ninguém mais se amedronta com essa bazófia. A Fifa tem muitas outras coisas com as quais se preocupar. Dona CBF que se vire e resolva seus próprios problemas.

Prova disso é que, no ano passado, baseado na vitória do Treze, o Remo tentou a via judicial para obter vaga na Série D e esteve a pique de conseguir. Recuou sob o aceno de um acordo com os dirigentes da CBF, mas podia ter ido em frente, sem perigo de vir a ser castigado.

O ponto é que as várias leis vigentes no futebol brasileiro contribuem para a Babel ora estabelecida. O caso da Portuguesa, que descumpriu as normas ao escalar um jogador suspenso, comporta várias interpretações. Pelo Estatuto do Torcedor, o clube paulista está livre de punição porque a CBF não publicou em seu site oficial o despacho do tribunal sobre o atleta.

Estamos então diante de um quadro absurdo de excesso de legislação. São tantas as regras que os tribunais terminam por fazer julgamentos sujeitos a muitos erros. O caminho natural para pôr um fim na balbúrdia é a unificação dos regulamentos específicos de competições, regulamento geral da CBF e do Estatuto do Torcedor.

Em qualquer lugar mais ou menos normal essa providência já teria sido adotada, mas no Brasil sempre aparece alguém para protelar mais um pouco. E enquanto a justiça desportiva não se pautar por um código único, como nos campeonatos europeus, viradas de mesa estarão sempre a ameaçar os resultados de campo.

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Parazão: a bagunça já começou

O Campeonato Paraense vai começar exatamente como terminou o do ano passado: sob bagunça generalizada. Jogos mudam de endereço, televisionamento não confirmado e abertura indefinida. Paissandu x Gavião, marcado para domingo, pode ser antecipado para sábado. A diretoria do Papão finca pé e mantém a programação domingueira.

A Polícia Militar, que se especializou em adiar ou cancelar eventos, já avisou que não pode dar segurança porque é o dia do aniversário de Belém. Não entendi bem a conexão entre as duas coisas, mas o certo é que o torcedor, principalmente cliente do negócio, está sem saber o que vai acontecer. Como diria o comendador Raymundo Sobral, valha-nos quem?!

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Mais um feito do blog campeão

O blog ultrapassou a barreira dos 4 milhões de acessos. A marca – inédita na blogosfera regional – foi alcançada exatamente às 20h46 de ontem. A vitória se deve à participação diária de um pequeno exército de comentaristas, denominadas por mim de baluartes, que ajudaram a manter de pé um espaço virtual dedicado à livre troca de ideias sobre futebol, jornalismo, humor, cinema, política, comportamento e música, preferencialmente rock’n’roll.

Manter um blog requer tempo e disciplina, além de boas doses de tolerância, humildade e jogo de cintura para conviver com opiniões contrárias. Este exercício permanente de práticas democráticas está no ar desde abril de 2009, sendo que a maioria dos blogs não chega a completar seis meses de vida.

A todos os baluartes que têm participado desta caminhada, só posso dizer: muito obrigado. De coração.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 07)

A decepção do “Messi de Mato Grosso”

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Por Cosme Rímoli

De Belo Horizonte, veio a notícia rotineira. Jean Chera acaba de ser dispensado do Cruzeiro. O clube não o quis utilizar nem na Copa São Paulo. Nem como reserva. A diretoria abriu mão do jogador de 18 anos sem drama na consciência. Santos, Genoa, Flamengo e Atlético Paranaense fizeram a mesma coisa. A avaliação foi no igual caminho. Os dirigentes acreditam que ele foi mimado demais na adolescência.

Seu talento fora do comum na meninice acabou por contaminar seu maior incentivador. A empolgação do pai, Celso Chera, é acusada de ter atrapalhado o filho. Jean foi descoberto no Mato Grosso. Seu talento com a bola na perna esquerda era impressionante. Lembrava muito Messi quando era menino. Logo foi levado para o Santos. Os sonhos eram imensos. Seria o novo substituto de Diego, de Ganso, de Neymar.

A assessoria do clube também tratou de espalhar a notícia. Enviava às televisões vídeos do menino barbarizando no Mato Grosso. Encantados, repórteres faziam fila na Vila Belmiro para entrevistá-lo. Ele tinha um tratamento de rei. Antes mesmo de virar profissional, recebia R$ 25 mil mensais. Aluguel e escola particular pagos pelo clube.

Tietes o perseguiam. Cansou de fazer matérias para revistas e jornais. Todos tinham certeza que estavam em contato com um novo fenômeno. Tanto que, segundo seu pai e empresário, ofertas não faltavam. Clubes da Inglaterra, Itália, Espanha e Holanda sonhavam com Chera.

E ele se comportava como jogador especial. Não se importava de esquecer da modéstia. Falava abertamente em disputar a Copa do Mundo de 2014, com 18 anos. A Umbro até personificou a chuteira que usava, com seu nome. Mal sabia ele tudo que enfrentaria nos três anos seguintes.

Na Vila Belmiro, a badalação lhe teria feito muito mal. Ele se limitava a querer a bola nos pés. Deixou de ser um jogador participativo. Seu rendimento físico era abaixo do exigido. Jogadores menos talentosos porém mais bem preparados o anulavam. A situação logo chamou a atenção da direção do clube.

Justo na época mais delicada. A assinatura do primeiro contrato. Jean Chera chegava a ter tanta atenção quanto Neymar. Mas ao contrário do então companheiro, seu futebol ia caindo ao subir de categoria. Ao chegar ao sub-17 do Santos foi para a reserva. Seu pai ficou revoltado. Não aceitava as explicações de que era um período de adaptação. Chegou até a tirar o filho de uma partida ao vê-lo no banco.

Os dirigentes santistas chegaram a proibir que acompanhasse jogos do filho. Revoltado, Celso discutiu, reclamou de perseguição ao filho. Os treinadores se defendiam. Diziam que Jean os deixavam de obedecer ao ver o pai. Parava de correr e exigia a bola no pé, por ser o ‘craque do time’.

Aí veio a conversa sobre o primeiro contrato profissional. Segundo o Santos, a pedida foi absurda. R$ 130 mil para um contrato de três anos. E R$ 1 milhão de luvas. Celso rebateu dizendo que pedira R$ 75 mil no primeiro ano. R$ 100 mil no segundo e R$ 130 mil apenas no terceiro. E mais a luva de R$ 1 milhão. O Santos não aceitou, mas esperava nova conversa. Não houve.

O jogador simplesmente pegou todas suas coisas. E pelo twitter anunciou que não era mais jogador do Santos.

Seu pai o levou para o Genoa da Itália. Não conseguiu jogar. Seu futebol não convenceu os dirigentes a contratá-lo. Com a desculpa que não tinha passaporte europeu, voltou ao Brasil. Foi oferecido ao Corinthians e ao Palmeiras. As duas diretorias não quiseram o garoto. Os dirigentes não se conformavam com a atitude do pai com o Santos. E negaram dar qualquer chance ao meia.

Mas a direção do Flamengo resolveu apostar. Só que os mesmos problemas vieram à tona. Fraco preparo físico, não conseguia se adaptar ao futebol moderno. Não queria saber de marcar e ao mesmo tempo não tinha força para grandes arranques. Acabava sempre anulado.

De acordo com pessoas ligadas ao Flamengo, seu pai vivia perturbando a todos. Cobrava o motivo do seu filho não ser titular. Criou um clima muito ruim para Jean. Ele ficou cinco meses sem ser relacionado para jogos nos juniores. Lógico que acabou sendo dispensado. A desculpa desta vez foi que era perseguido.

O clube lhe devia dez meses de direito de imagem e não tinha como pagar. Por isso não o deixava jogar. Cansado de brigas, Celso finalmente resolveu envolver um empresário poderoso. O levou para Juan Figer. Logo o uruguaio tentou colocar Chera no São Paulo. Só que sua fama o precedia. E a direção não quis o garoto nem de graça.

Ele acabou indo para o Atlético Paranaense. Deveria jogar na equipe sub-23 que disputou o estadual de 2013. Só que não mostrou futebol. Acabou rebaixado para a sub-17. Mesmo assim, foi outra vez muito mal.

Pelos velhos motivos: falta de participação tática e fraco preparo físico. Não conseguiu se firmar. Foi novamente dispensado. Juan Figer usou seu relacionamento com a direção do Cruzeiro. E levou o garoto, de graça, para Belo Horizonte.

Chegou em setembro do ano passado. Teria um contrato de cinco meses para ser observado. E se desse certo, depois da Taça São Paulo, poderia ter o contrato prorrogado. Outra vez nova decepção. Não conseguiu nem mostrar futebol para disputar a competição. Foi excluído do grupo que viajou a São Paulo.

E dispensado do Cruzeiro.

Três meses bastaram para provar que não servia. Esta é a triste situação atual do jogador de apenas 18 anos. Se queimou no mercado nacional. A análise com quem trabalhou com o meia vai para a mesma direção. A superproteção do pai acabou por deixá-lo mimado. Atrapalhou um período fundamental, o de formação de jogador profissional.

Na Vila Belmiro há ainda uma acusação séria. Celso não teria levado o filho para conversar com a psicóloga do clube. Sonia Román, que trabalhou dez anos na base santista, avisava. Ainda em 2011, falou abertamente a jornalistas que acompanhavam o dia-a-dia santista.

“O Jean Chera é um dos poucos meninos com quem nunca falei. Sempre acharam que não precisava. Respeitei. Não vejo para o Jean Chera a mesma luz que enxergo para o Neymar. O Jean até tem uma formação boa, pais legais, mas vejo uma falha psicológica nele. (…) Sinceramente, não vejo com clareza algumas coisas na carreira desse menino. Não gosto de ser tão negativa para as crianças, mas…”

Suas declarações foram estampadas pela GE.net. “Eu tinha certeza que o Jean iria arrebentar. Ele sempre foi muito talentoso na base”, repete Neymar. Mas o problema foi nesta transição, da base para o profissional. Foi onde Jean e seu pai Celso, infelizmente, se perderam.

E o “Messi do Mato Grosso” procura trabalho…