Blog supera marca dos 4 milhões de acessos

Tenho o prazer e o orgulho de informar que o blog já ultrapassou a barreira dos 4 milhões de acessos. A marca – inédita na blogosfera regional – foi alcançada exatamente às 20h46 desta segunda-feira, 6. Nem precisaria, por óbvio, mas faço questão de agradecer penhoradamente a todos os que constroem este espaço virtual com tolerância, dedicação, paciência e uma extrema boa vontade para conviver com opiniões contrárias. Na verdade, esta é a receita da boa convivência democrática. Por isso, a todos os baluartes que têm participado desta caminhada, o meu muito obrigado. De coração.

Torcida organizada pelo fracasso da Copa

Por Paulo Moreira Leite

Acabo de ler um desses panfletos eletrônicos da campanha contra a Copa de 2014. Procuram atemorizar o turista dizendo que somos um dos países com maiores índices de assassinato do mundo. Também temos uma polícia extremamente violenta. Também temos uma educação ruim, uma saúde pública péssima, um transporte urbano idem.
São problemas reais, é óbvio. Mas a atitude é de torcida organizada pelo fracasso. Não se procura fazer um debate racional para encontrar soluções e alternativas. O esforço é produzir um fiasco inesquecível, atitude que só prejudica o Brasil.
O nome disso é guerra psicológica. Não é um movimento pela razão mas que procura a política pela emoção.
Janio de Freitas escreveu um artigo de mestre a respeito, na Folha de ontem. Quero abordar alguns aspectos do mesmo tema.
Teremos muita guerra psicológica, em 2014, para que, justamente no país do futebol, a Copa do Mundo venha a se tornar um problema político.
Josep Blatter, o presidente da FIFA, será endeusado quando começar a falar mal do governo federal. Vai passar de demônio a santo em 24 horas. Será por isso que ele já começou a fazer críticas ao governo brasileiro? Justo quem.
Olhando a situação com frieza, o ambiente não deveria ser este.
Começando pelo futebol pois, salvo segundo aviso, é disso que se trata.
A verdade é que, ao contrário do que se anunciou durante todos estes anos, os estádios – novos e reformados – vão ficar prontos no prazo necessário para os jogos.
São estádios modernos, seguros, confortáveis. Depois que entrarem em uso regular, a ocorrência de tragédias como a de Joinville e outras cenas de violência que marcam os campeonatos tradicionais.
Só para dar um pouco de realidade ao debate. Compare as obras da Copa com o Metrô paulista, por exemplo.
Tudo aquilo que se diz contra os estádios se demonstra – até com ajuda da Justiça Suíça – no metrô paulista. Os atrasos duram anos. O superfaturamento bate recordes. E então? Cadê a indignação?
Quando o Brasil ganhou o direito de organizar a Copa, o país fez uma festa. Quem não gostou da ideia ficou em silêncio.
Alguém disputou a eleição de 2010 falando mal da Copa? Não me lembro. Nem candidato a síndico de prédio se atrevia a tanto.
Salvo casos patológicos de desprezo pelas necessidades da maioria da população, quem não queria a Copa como proposta esportiva, dizendo que o país teria outras prioridades – esta era minha opinião na época – admitia a vantagem keynesiana. Era uma forma de apontar uma perspectiva de investimentos em larga escala, no país inteiro, nos anos seguintes.
Depois da crise mundial de 2008, quando o capitalismo entrou em depressão em escala mundial, a Copa de 2014 se tornou uma benção em vários lugares. Ajudou a manter o crescimento e o emprego de quem não teria outra chance de arrumar trabalho.
Na dúvida, dê uma volta no país e converse com pessoas da vida real.
O problema é a psicologia.
A maioria dos brasileiros concorda – racionalmente, com base em dados objetivos e também por experiência própria – que poucas vezes se trabalhou com tanto empenho para distribuir a renda e melhorar a vida dos mais pobres como aconteceu depois da chegada de Lula no Planalto. Neste ponto, é um governo de valor histórico.
A terapia emocional de massas quer nos convencer do contrário. Embora tenha chegado ao Planalto em 2003, procura-se criminalizar o condomínio Lula-Dilma pela omissão de seus adversários ao longo da história. É por isso que se fala muito do futebol.
E procura-se esconder o drama do metrô. Aliás: deu para notar que os atrasos do metrô geram menos protesto do que as críticas a demora relativa nas obras da Copa?
Qual é mesmo prioridade? O esforço da terapia é esse: mudar prioridades sociais e transformar a Copa num drama político.
Adversário de tantas ditaduras do século XX, David Rousset deixou uma frase muito útil para se enfrentar grandes operações contra as democracias:
– As pessoas normais não sabem que tudo é possível.

Os golpistas e a jogada da Copa

Por Gabriel Priolli – via Blog do Miro

Seis meses depois dos protestos que tomaram inúmeras cidades brasileiras, decantadas as insatisfações apresentadas pelos manifestantes e as múltiplas soluções aventadas por todos os atores políticos para a estranha crise que se formou, temos um quadro bem claro. A maioria da população quer mudanças no país, mas prefere que elas sejam conduzidas por Dilma e não pela oposição. A presidenta lidera em todas as sondagens de intenção de voto.
Falta muito tempo até as eleições, certamente, e já assistimos a oscilações espetaculares de intenção de voto nos pleitos anteriores, inclusive candidaturas que “atropelaram” na reta final e venceram. Tudo pode acontecer, portanto, até que se proclamem os resultados. Mas, até segunda ordem, quem lidera é Dilma. A soma dos votos de seus adversários não supera os votos da candidata governista e tudo indica que a eleição será definida já no primeiro turno.
Sim, mas há um outro roteiro possível para este ano. Nele, as massas sairiam novamente às ruas em junho, em plena Copa do Mundo, e causariam tal transtorno à competição que seria impossível ignorá-las. A mídia mundial distribuiria a todo o globo imagens de multidões pedindo reformas, de black blocs destruindo seus alvos habituais e das polícias reprimindo com a cortesia conhecida.
As cenas passariam a impressão de um país sem governo e de um governo sem legitimidade – impressões absolutamente falsas. Mas o que é mesmo a verdade, nessas coisas da mídia e da enunciação de seus conteúdos?
Um governo “ilegítimo”, pressionado externamente, ficaria acuado também pelos adversários internos. Estes amplificariam ao máximo possível os protestos e tentariam conduzir a sua pauta, exatamente como fizeram em 2013. Para criar um clima de megacrise, que nenhum ponto de contato tem com o real. Mas o que é exatamente o real, quando se tem o controle do que a mídia diz sobre ele?
Quem sabe se, em meio ao eventual fiasco da Copa – corre-corre e pancadaria nas imediações dos estádios, os inevitáveis problemas organizativos amplificados ao extremo, as queixas e angústias dos turistas constrangidos pelo clima de guerra política no Brasil e, prêmio final, uma boa derrota da seleção nacional -, os eleitores não embarquem na ideia de jogar toda a culpa em Dilma? Quem sabe não escolham na urna uma alternativa de oposição?
Acumulam-se as evidências de que setores conservadores, descrentes de sua capacidade de sedução do eleitorado pelas vias convencionais, cogitam se lançar na aventura catastrofista da Copa. Pretendem que o maior evento já realizado no país fracasse espetacularmente, para o máximo constrangimento e desgaste do governo atual. Acham que colherão os louros dessa ação de lesa-pátria.
É simplesmente doentia a ideia de que, para conquistar o poder de “consertar” o país, alguém considere aceitável que a nossa imagem internacional seja destruída. Que o Brasil seja penalizado por décadas, pela “incapacidade” de realizar grandes eventos internacionais. E que isso aconteça fundamentado em mentira e manipulação da opinião pública.
Mas, infelizmente, a possibilidade é bastante concreta. Daqui até junho, provavelmente veremos novas convocatórias para que as massas voltem às ruas e façam manifestações “espontâneas”. Assistiremos à incitação explícita de atos destinados à desestabilização do governo. “Não vai ter Copa!”, bradarão outra vez os carbonários – com todas as câmeras e microfones à sua disposição.
Dias atrás, na primeira vez em que externei essa preocupação, recebi o previsível fogo de barragem. Disseram que é paranoia minha, exagero. Que as convicções democráticas da oposição e de sua mídia são inquestionáveis. E que a eleição transcorrerá dentro das regras, sem tentativas de tapetão.
Será mesmo? O pré-golpe de 1964, em que muitos não acreditavam que a legalidade fosse demolida, talvez nos ensine melhor sobre os métodos do conservadorismo para tomar o poder. E sobre como ele é campeão em destruir a democracia, para “salvá-la” da ameaça dos governos populares.
Por que deveríamos confiar agora em quem não foi confiável no passado e segue não sendo?

A grama do vizinho

Por Gerson Nogueira

Para o torcedor, a comparação com o clube rival é sempre o ponto a decidir qualquer discussão. Quando essa rivalidade é centenária e alimentada pela busca permanente da superação a coisa fica ainda mais séria. Esse anseio de não ficar para trás ou em segundo plano na comparação direta explica em boa medida a atual situação dentro do Paissandu. Há dias, torcedores e conselheiros fustigam o presidente Vandick Lima, reclamando da timidez nas contratações.

É importante observar que logo depois do rebaixamento à Série C a reação dos bicolores não foi tão dura quanto agora. Estava mais ou menos claro naquele momento que a diretoria havia errado nas apostas, mas havia a compreensão de se gastou muito dinheiro com reforços que não corresponderam.

Quando tudo parecia serenado e o sentimento era de expectativa para a nova temporada, eis que ressurge – com mais ímpeto – uma onda de insatisfação com a diretoria. Nas redes sociais, já há quem pregue um inusitado “fora Vandick!”. Por mais razões que o torcedor tenha para se opor ao presidente, pregar sua saída a essa altura é irresponsabilidade pura.

Ainda mais se a irritação atual for comparada com a passividade que envolveu a comunidade bicolor ao longo da desastrosa gestão passada, que ao longo de quatro penosos anos se especializou em lambanças e contabilidade errática. O acesso obtido em 2012, meio na valentona, terminou funcionando como anistia aos desmandos da aloprada diretoria.

É preciso dizer que Vandick e sua equipe assumiram o clube em situação financeira precária. Organizaram as finanças, dando transparência às decisões e reabilitando a marca, mas o mau passo na Série B de repente se transformou em pecado imperdoável.

A azedar ainda mais o vinagre há a súbita audácia do Remo nas contratações para o Parazão. A diretoria arriscou tudo, trazendo quase um time inteiro, com direito a três ex-bicolores (Eduardo Ramos, Rodrigo Fernandes e Tiago Potiguar), e alguns atletas caros, como Leandrão, Max e Athos.

Com a ousadia remista exposta diariamente nos jornais e na web, galvanizando a torcida com a chegada de reforços, os bicolores perderam as estribeiras. E o alvo, naturalmente, é a diretoria. Ocorre que o momento do Paissandu é inteiramente oposto ao do rival. Com calendário cheio ao longo do não, o Papão não precisa se afobar, gastando o dinheiro que não tem apenas para se ombrear ao vizinho.

Entre as queixas da Fiel e a necessidade de administrar racionalmente, Vandick descobre da pior maneira o reverso da moeda que rege o futebol. Quando jogador, tinha a responsabilidade de fazer os gols que a torcida pedia. Como cartola, está aprendendo o quanto é difícil satisfazer o mesmo torcedor, principalmente quando a grama do vizinho parece mais verde.

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Pantera vestiu a pele do Leão

unnamed (63)Quando Belém era rota obrigatória de grandes esquadras futebolísticas do planeta, Eusébio aqui aterrissou com o Benfica para um jogo de entrega de faixas aos atletas azulinos campeões de 1968. Era 8 de agosto de 1968. O timaço encarnado era base da seleção de Portugal terceira colocada na Copa do Mundo da Inglaterra.

Na equipe lusitana, pontificavam ainda outros grandes nomes, como Simões e Torres. Apesar do caráter amistoso, a partida foi disputada com afinco no Evandro Almeida apinhado de gente. No final, um empate em 1 a 1. Torres fez o gol dos visitantes, Amoroso anotou o gol remista.

Como já havia ocorrido com Pelé e Nilton Santos, a diretoria do Remo conseguiu que Eusébio envergasse a camiseta azulina. Uma foto histórica (reproduzida aqui) mostra o craque ao lado do centroavante Amoroso. Por razões mais do que óbvias, os remistas guardam o registro como autêntica relíquia, principalmente agora que Eusébio partiu.

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Estreias desiguais na Copinha

Apesar dos problemas de última hora, envolvendo a não regularização de seis atletas, o Remo obteve um excelente resultado na estreia diante do Corinthians, um dos favoritos ao título da Copa SP. O time resistiu bem à pressão corintiana no começo e depois cresceu no jogo. Chegou ao gol, em cobrança de falta de Biro, e quase arrancou a vitória. Cedeu o empate nos minutos finais, mas a atuação foi auspiciosa.

Já o Papão caiu diante do Figueirense, depois de sustentar o 0 a 0 no primeiro tempo, graças às defesas do goleiro Paulo Eduardo. Na etapa final, porém, a porteira abriu e o alvinegro catarinense estabeleceu a goleada sem grandes dificuldades.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 06)

Leãozinho empata com o Corinthians na estreia

O Remo estreou com empate diante do Corinthians na Copa São Paulo, neste domingo, no estádio Major Levy Sobrinho, em Limeira (SP). Após mais de 40 horas de viagem, chegando às vésperas do primeiro jogo, o Leãozinho mostrou-se aguerrido desde o início e abriu o marcador aos 24 minutos do segundo tempo, em falta cobrada com perfeição por Biro, batendo do canto esquerdo da grande área. O Corinthians, um dos favoritos ao título, pressionou muito e acabou empatando aos 42 minutos. Malcom aproveitou falha de André e chutou para as redes. Pelo outro jogo do grupo, a Inter de Limeira empatou com o XV de Piracicaba por 1 a 1. O melhor momento corintiano aconteceu aos 20 minutos, quando o ataque obrigou o goleiro Jader a fazer várias defesas difíceis. Antes do final do primeiro tempo, Lucão ainda teve uma oportunidade também, mas finalizou mal, fácil para o goleiro. 
Aos 21 minutos do segundo tempo, o zagueiro Tsunâmi quase abriu o marcador, após cobrança de escanteio. O gol de Biro aos 24 minutos premiou o esforço dos garotos e a boa distribuição em campo. A falha nos instantes finais foi muito lamentada por André, que deixou o campo chorando, consolado pelos companheiros.  

Papão sofre goleada na abertura da Copa SP

O Figueirense goleou o Paissandu por 4 a 0, na tarde deste domingo, pela primeira rodada do Grupo A da Copa S. Paulo. O jogo foi realizado em Votuporanga (SP). No primeiro tempo, o goleiro Paulo Eduardo fez boas defesas e impediu que o Figueira abrisse o placar. No segundo tempo, porém, o Papão perdeu o foco e sofreu o primeiro gol aos 9 minutos, através de Léo. Dois minutos depois, Clayton ampliou. O camisa 9 fez o terceiro gol aos 40 minutos e Marcelo fechou a goleada nos acréscimos, segundos antes do apito final. Na próxima rodada, o Figueirense enfrenta a Ferroviária, na quarta-feira, às 16h. O Paissandu encara o Votuporanguense duelam às 14h, no mesmo dia.