Desde o jogo com o Remo chama atenção o bom rendimento dos veteranos Vélber e Landu, defensores do Cametá. Ontem, na Curuzu, apesar de alguns quilos acima do peso, o meia-atacante teve liberdade para jogar e criou várias situações perigosas. O atacante também fez das suas, mesmo que não conte mais com a mesma força de arranque e fôlego para superar os marcadores. Apesar disso, explorando a habilidade para o drible, Landu voltou a incomodar e perdeu um gol por pura infelicidade no segundo tempo.
Ainda assim, caso aproveitasse bem as oportunidades surgidas, o Paissandu teria vencido sem maiores dificuldades. Anotei pelo menos cinco grandes chances (Eduardo Ramos, Pikachu, João Neto, Vânderson e Rafael) que, por pecados de finalização ou perícia do surpreendente goleiro Mumu, deixaram de entrar. Do lado cametaense, Landu e Vélber também podiam ter marcado. Quando partia com a bola para cima da defesa cametaense, o Paissandu tinha imensas dificuldades, principalmente porque Iarley e Eduardo Ramos faziam essa função. Djalma, novamente discreto em campo, pouco contribuiu para essas ações ofensivas.
O primeiro tempo não teve grandes emoções porque o Paissandu criava pouco e não tinha força de chegada no ataque, mas boa parte desse marasmo deve ser creditado à boa produção do setor de marcação do Cametá, que fechava bem a entrada da área e não dava espaço para as triangulações que o Paissandu costuma fazer na intermediária adversária.
No segundo tempo, com Rafael no comando do ataque do Papão, o jogo ficou mais aberto e menos enfadonho. Mas, se ganhou presença ofensiva e uma saída mais rápida, o Paissandu também passou a se expor mais. Esdras substituiu Capanema e Lineker entrou no lugar de Brian, sem que as mudanças acrescentassem alguma coisa. O Cametá continuava com alas bem agressivos, Américo e Souza, e dois homens na frente, Landu e Kênia, abertos. Era o suficiente para levar desassossego à linha de zaga bicolor, culminando com o lance da bola na trave em jogada de Landu.
Aos 22, com a jogadinha tradicional de Pikachu cruzando para Rafael, a bola finalmente entrou. A tranquilidade aparente que resultou do gol foi quebrada apenas três minutos depois pelo belíssimo tiro de Tetê, que venceu Paulo Wanzeller. O Paissandu tinha mais volume, mas se atrapalhava no último arremate. O jogo ficou nisso, premiando a aplicação cametaense para conter o segundo melhor ataque do país. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
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Noite de decisão para o Leão
Os demais resultados da rodada iniciada ontem acrescentam boa dose de pressão sobre o Remo, que enfrenta o PFC hoje, em Paragominas. Tuna e Santa Cruz, que passaram pelo São Francisco e Águia, respectivamente, alcançaram 9 pontos, igualando-se aos azulinos. Com a pouca animadora opção por Nata na cabeça-de-área, o técnico Flávio Araújo retorna ao seu esquema favorito: o 3-5-2 de corte defensivo. Para justificar a volta ao antigo sistema, Araújo diz que o time ficou muito vulnerável no 4-4-2, como se o Remo não levasse sufoco ao usar três zagueiros.
Será, provavelmente, um jogo como tantos outros do Remo no campeonato. Ligações diretas para os atacantes, bolas rebatidas pela defesa e pouquíssima produção no meio-de-campo, setor completamente esquecido pelo treinador. Como a parada é decisiva, o Remo mais do que nunca dependerá de ações individuais. Zé Antonio, Clébson, Fábio Paulista ou Val Barreto. Sem perder de vista um dos artilheiros da competição, o sempre perigoso Aleílson, principal jogador do PFC. Jogo duríssimo.
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Perguntas obrigatórias
Até quando a Comissão de Arbitragem vai esperar para publicar a tão esperada súmula do jogo entre Santa Cruz e PFC, realizado no sábado passado? Será que as cornetas do patrono do Santa Cruz, que “apitou” a partida, se estendem até a sede da FPF? Mais ainda: será que as ameaças de devassa feitas pelo mesmo personagem, no Senado, intimidaram o coronel?
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 21)