Tuna e Santa Cruz vencem e pressionam Remo

Com 209 testemunhas no estádio do Souza, a Tuna derrotou o São Francisco, com gol de Lucas, aos 11 do segundo tempo. A Lusa teve domínio da partida durante todo o tempo, mas pecou muito nas finalizações, contando ainda com a boa atuação do goleiro Jáder, do lado santareno. A renda foi de R$ 1.700,00, com 209 pagantes. Não pagantes: 180. Total de pessoas presentes: 389. Com o resultado, a Tuna assumiu a vice-liderança do returno e encostou no Águia na classificação geral.

Em Cuiarana, em jogo equilibrado, o Santa Cruz venceu o Águia por 2 a 1 e manteve vivas as chances de classificação às semifinais, posicionando-se em 4º lugar na tabela do returno. Fumagalli abriu o placar aos 19 minutos. O Águia pressionou em busca do empate e conseguiu seu gol aos 22 do segundo tempo. Ratinho, aos 30, deu a vitória ao Santa Cruz. A renda chegou a R$ 1.200,00, com 120 pagantes.

Ganso e a desilusão

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Por Tostão

Duas condutas de dirigentes de clubes merecem elogios. Uma, do presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, que cortou toda a ajuda às torcidas organizadas após a agressão de torcedores aos jogadores. Espero que todos os outros clubes acabem com essa relação promíscua, uma das causas da violência no futebol.

Por outro lado, a sugestão do presidente da federação paulista, Marco Polo Del Nero, de os dirigentes formarem e financiarem uma torcida do próprio clube, com instrutor para comandá-la, é ridícula e ingênua. Imagine uma torcida de marmanjos, arrumadinhos, muito bem comportados, como se fosse um grupo de escoteiros, cantando e aplaudindo tudo o que os jogadores fizerem. Seria um ótimo tema para programas de humor na TV.

Outra bem-vinda conduta foi a do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, ao dispensar o bom técnico Dorival Júnior, por não aceitar a redução de 50% dos salários. Os outros clubes deveriam fazer o mesmo. Dizem que Dorival e os principais treinadores brasileiros recebem em torno de R$ 700 mil por mês, uma quantia inacreditável e absurda. E ainda tem a enorme comissão técnica, que o técnico carrega para os clubes.

As análises das partidas costumam ser feitas a partir do resultado e da conduta dos técnicos. Essa supervalorização é a principal causa de tantas trocas. O treinador é sempre o culpado pela derrota, e há sempre a ilusão de que, com o novo técnico, será diferente.

Apesar da truculência e da mania de perseguição de Dunga e do discurso ufanista e religioso de Jorginho, os dois têm boas chances de se tornarem ótimos técnicos. Assisti a todos os treinos, antes e durante a Copa-10. Eram melhores que os da maioria de outros técnicos badalados, que comandaram a seleção.

As maiores críticas a Ney Franco não são a alguns erros de escalação, substituição e à maneira de jogar do São Paulo. A maior crítica é ele não conseguir fazer com que Ganso jogue como um craque. Ganso, pelo toque e pelos passes bonitos e surpreendentes, tornou-se uma marca, símbolo da esperança de que preencheria o vazio, a falta de um grande craque no meio-campo do futebol brasileiro. Se Ganso não brilha, colocam a culpa mais no técnico do que nele.

Os grandes meias do passado, como Didi, Gerson, Rivellino, Ademir da Guia, Dirceu Lopes e outros, tinham muito mais mobilidade que Ganso, jogavam de uma intermediária à outra e participavam da marcação. A maioria das principais equipes atuava com apenas um volante e um meia-armador ao lado, uma mistura hoje de segundo volante e de meia de ligação.

O futebol de Ganso iludiu a todos. Em vez de continuarmos nessa ilusão, o caminho deveria ser o inverso, o da desilusão, de aceitá-lo apenas como um excelente jogador. Viver é se iludir e se desiludir.

Projeto de redução de salários divide vereadores

O projeto do vereador Cleber Rabelo (PSTU) que visa a redução dos salários do prefeito, vice-prefeita, secretários e vereadores de Belém foi discutido na sessão desta terça-feira da Câmara de Vereadores despertou reações curiosas. Miguel Rodrigues (PRB) alega usar o salário para manter projetos sociais e arcar com as despesas do mandato. O autor do projeto ouviu de vereadores mais antigos na Casa que o texto que propôs era reflexo da inexperiência. Até vereadores da oposição se manifestaram contrários à ideia de Rabelo. “A ordem está invertida. Deviam começar por Brasília, pelo Poder Executivo e Congresso Nacional para depois chegar à Câmara de Belém”, sugeriu Meg Barros do combativo PSol. O projeto de lei pretende fixar a remuneração mensal dos vereadores em oito salários mínimos, o equivalente a R$ 5.424,00 – quase 1/3 dos atuais R$ 15.031,76 mensais. A matéria também prevê a extinção da verba de alimentação, hoje no valor de R$ 14 mil por edil. (Com informações do DIÁRIO) 

Oposição descalibrada

Por Fernando Rodrigues (Folha SP)

No terceiro dia de Itália, Dilma Rousseff finalmente conseguiu 24 segundos cumprimentando o papa Francisco. Garantiu presença nos telejornais. Hoje, terá uma reunião mais longa com o pontífice. E tome mídia espontânea a favor.

Enquanto isso, no Brasil, saiu uma pesquisa Ibope sobre a popularidade da administração da presidente. Em dezembro, 62% achavam o governo da petista “bom” ou “ótimo”. Agora, a taxa é de 63%. No Nordeste, a avaliação deu um salto expressivo, acima da margem de erro: de 80% para 85% de aprovação.

Múltiplos fatores sustentam a alta popularidade de Dilma. Embora óbvio, não custa repetir um dos principais: o nível de desemprego continua em patamar histórico muito baixo.

Mas a pesquisa Ibope revela algumas curiosidades menos evidentes. Por exemplo, 20% dos brasileiros acham o governo Dilma melhor do que o de Lula. Esse percentual nunca foi tão alto e, pela primeira vez, é superior aos 18% que acham a administração Dilma inferior à de Lula. É a criatura aos poucos superando o criador.

Outro dado chama a atenção: a percepção das pessoas sobre o noticiário a respeito do governo Dilma. Pela primeira vez desde o início do mandato da petista, há mais brasileiros achando que a abordagem é mais positiva (38%) do que neutra (34%) ou negativa (11%).

A oposição dirá que os entrevistados são influenciados pela recente avalanche de propaganda do governo. Brasil sem Miséria e remédios de graça são duas campanhas que martelam a cabeça dos brasileiros na TV no momento.

Pode ser. Mas os três pré-candidatos a presidente de oposição – Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede) – têm recebido espaço farto para atacar a gestão Dilma na mídia. Em vão. O discurso não sensibilizou os eleitores. A estratégia anti-Dilma parece ainda bem descalibrada.

Comissão da Verdade/Sinjor ouve jornalistas

Os jornalistas Lúcio Flávio Pinto e Paulo Roberto Ferreira são os primeiros a prestar depoimentos à Comissão da Memória e Verdade, criada pelo Sindicato dos Jornalistas no Pará (Sinjor-PA) para investigar casos de violação e agressão ao trabalho de jornalistas paraenses, no período de 1964 a 1985, por órgãos da repressão política dos governos militares. Os dois jornalistas serão ouvidos durante audiência pública que vai acontecer na tarde desta quinta-feira, dia 21, no auditório Deputado João Batista, na Assembleia Legislativa do Estado Pará (Alepa).
A comissão criada pelo Sinjor-PA faz parte do esforço dos jornalistas brasileiros, através da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), para colaborar com as investigações que estão sendo feitas pela Comissão Nacional da Verdade. Esta comissão foi criada pela lei federal nº 1.2528/2011 e instituída em 16 de maio do ano passado “para apurar graves violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988”.
“Temos, nesse período, casos de repressão à atividade jornalística que ainda não foram devidamente apurados, histórias que ainda não foram contadas ou receberam apenas a versão oficial, e que agora precisam vir à tona, precisam ser contadas”, afirmou a jornalista Sheila Faro, presidente do Sinjor-PA. “Precisamos chacoalhar essa memória recente da nossa história e encontrar a verdade sobre muitos desses fatos”.
O jornalista José Maria Piteira, membro da Comissão da Memória e Verdade do Sinjor-PA, citou as repressões sofridas pelo jornal “Resistência”, editado pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH), a partir de 1978. “O jornal se tornou uma referência nacional de denúncia dos crimes e outras tantas atrocidades praticadas pelos órgãos de repressão dos governos militares pós-64”.
Por conta de sua luta contra a ditadura, o Resistência teve edições apreendidas, jornalistas presos, e a gráfica onde era impresso foi invadida pela Polícia Federal e, em 1984, misteriosamente incendiada. O jornal recebeu por quatro vezes o prêmio “Vladimir Herzog de Direitos Humanos”.  O jornalista Paulo Roberto Ferreira, que foi repórter e editor do jornal, vai contar essa história em detalhes, na audiência da próxima terça-feira.
A Comissão da Verdade do Sinjor-PA ainda vai colher, até o mês de julho deste ano, depoimentos de outros jornalistas paraenses que sofreram agressões dos órgãos de repressão dos governos militares. Todos os depoimentos, inclusive os da audiência desta quinta-feira, serão gravados em áudio e vídeo e ganharão registros taquigráficos. Esses documentos farão parte do relatório que o Sinjor-PA encaminhará à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em agosto. A Comissão da Memória e Verdade do Sinjor é integrada pelos jornalistas Emanuel Vilaça, Luciana Kellen, Franssinete Florenzano, Priscila Amaral e José Maria Piteira.
 
Dados sobre os jornalistas depoentes:
Lúcio Flávio Pinto é jornalista desde 1966, quando começou em “A Província do Pará”, de Belém, tendo depois passado por algumas das principais publicações da imprensa brasileira. Em 1988, deixou a grande imprensa e passou a se dedicar unicamente ao “Jornal Pessoal” (JP), boletim quinzenal que escreve há 25 Anos. Lúcio Flávio recebeu quatro prêmios “Esso” e dois “Fenaj” (Federação Nacional dos Jornalistas), que, em 1988, considerou o JP a melhor publicação do norte e nordeste do Brasil. Por seu trabalho em defesa da verdade e contra injustiças sociais, ele recebeu, em 1997, o prêmio Colombe d’Oro per La Pace. Em 2005, recebeu o prêmio anual do Comitê para a Proteção Jornalistas, de Nova York, pelas denúncias que fez no JP em defesa da Amazônia e dos direitos humanos.
Paulo Roberto Ferreira é um dos fundadores da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH), entidade que lutou contra os governos militares do período de 1964-1985 e pela redemocratização do Brasil. Como membro da entidade, foi diretor, editor e repórter do jornal “Resistência”, publicação que sofreu forte repressão dos órgãos da Ditadura Militar. Depois, Paulo Roberto foi repórter e editor dos jornais “Gazeta Mercantil”, “A Província do Pará” e “O Liberal”. Professor de Jornalismo, ele também exerceu o cargo de Secretário Estadual de Comunicação.

Papão tem 2º melhor ataque do Brasil

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Com 40 gols marcados em 15 jogos, o Paissandu tem hoje o segundo melhor ataque do Brasil. Para o técnico Lecheva, o desempenho do time é fruto de muito trabalho. “Quando eu assumi o time na Série C, ano passado, o Paissandu conquistava vitórias por placar mínimo e comigo conseguimos engatar duas goleadas seguidas. Temos trabalhado a vocação ofensiva desde então”, explica o treinador, que é o primeiro em 11 anos a concluir uma temporada e começar a seguinte no comando. Na comparação entre a Série C e o Parazão, Lecheva nota uma evolução na variação de jogadas e ressalta o papel de Pikachu. “Disseram que o Yago (Pikachu) estava em má fase, mas eu dizia que não era o caso. O time deste ano depende menos dele, tem mais jogadores de criação e movimentação, então o futebol dele aparece menos. A variação de jogadas é uma das coisas que mais temos procurado reforçar nos treinamentos”, avalia o técnico. (Com informações do Bola/foto: MÁRIO QUADROS) 

A Seleção corintiana

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Por Roberto Vieira

Pelé lançou a idéia. Pelé que de vez em quando chuta na bandeirinha de escanteio. Como naquele tempo em que afirmava. O povo brasileiro não sabe votar.

Mas voltando ao assunto. Pelé lançou a idéia. Como nos anos 60. Pegava-se metade do Santos. Metade do Botafogo. E já se escalava 90% da seleção brasileira.

Santos e Botafogo que mandavam por estas bandas. Pra completar? Uma pitada de Academia. Meia colher de Tostão. Pois bem.

Pelé deu a sugestão ao Felipão. O Corinthians é de longe a melhor equipe do Brasil. Das Américas. O Timão é o campeão do mundo! Bota o Cássio no gol. Chicão com Paulo André na zaga.

Nas laterais? OK! Daniel Alves e Marcelo. Ralf, Paulinho e Danilo no meio. Pode completar com o Oscar. E no ataque Pato e Neymar. Simples assim.

Depois pode tentar um Fred, um Bernard. Quem sabe o Kaká e o Ronaldinho. Mas pra ganhar a Copa das Confederações? Pra ser hexacampeão? Pelé balançou as redes, Felipão!

O negócio é a seleção do Timão… Aliás, até pra desfazer a imagem daquele jogo contra o Arsenal. Em 1965. Quando o Corinthians de Rivelino perdeu por 2×0. Vestindo a camisa da canarinha.

E a pelada vai dominar o mundo

Por Gerson Nogueira

Série especial de matérias da ESPN Brasil sobre as cidades que irão sediar jogos da Copa do Mundo mostra um cenário desalentador em Manaus para quem gosta de futebol. Além do monumental atraso nas obras do novo estádio, fica evidente o total desinteresse dos torcedores em relação às quatro partidas do Mundial que a capital irá receber. Entre ver Marrocos ou Japão jogar, o manauara prefere mil vezes mais acompanhar as trepidantes pelejas envolvendo algumas das 500 equipes que disputam o tradicional Peladão.

bol_qua_200313_15.psAo mesmo tempo, se antes havia alguma dúvida quanto à utilidade pós-Copa do caríssimo estádio em construção, cujo custo deve beirar R$ 1 bilhão, agora reina a certeza absoluta. Os próprios torcedores admitem que a obra será um riquíssimo elefante branco pelos motivos que todo o pessoal que acompanha o Círio já conhece: há muito que o amazonense não comparece a estádios, a não ser para ver amistosos da Seleção Brasileira.
Em determinado ponto da entrevista, irrompe um entusiasta das peladas garantindo que a Arena da Amazônia terá, sim, uso depois da Copa. Não, não será usada como palco para festival de boi-bumbá, como os mais apressados poderiam imaginar. Segundo ele, o moderníssimo estádio passará a ser o templo sagrado do Torneio Peladão. Com base nessa previsão, que merece todo respeito, a grama de alto padrão que a Fifa exige nos estádios da Copa será aproveitada (ou estragada, conforme a interpretação) por peladeiros.
Nada contra os esquisitos hábitos da torcida de Manaus, mas tudo contra os critérios dos mentecaptos responsáveis pela escolha das cidades da Copa do Mundo. Vou voltar a um assunto batido e irreversível, mas soa inaceitável, sob qualquer ponto de vista, que Belém tenha sido alijada da competição. Como se sabe, o ex-presidente da Fifa, o notório João Havelange, e seu também insigne sócio de maracutaias Ricardo Teixeira trabalharam febrilmente junto à Fifa para que Manaus e Cuiabá, ambas sem a menor tradição futebolística, fossem contempladas.
O argumento preparado para enganar os crédulos era o da questão ambiental, associada às duas capitais. Seria uma explicação quase meiga se tivesse um mínimo de verdade a sustentá-la. Como aconteceu na África do Sul, para a realização da última Copa, a Fifa fez questão de impor ao Brasil a construção de 12 novos estádios. Muito além do apuro arquitetônico das arenas futurísticas, está em jogo o fabuloso orçamento para bancar esses gastos. Algo que no país da bola ronda a casa dos R$ 25 bilhões – para o mundial sul-africano, os gastos foram 30% menores.
À época da escolha das sedes, há quatro anos, questionada em relação a Manaus, Cuiabá e Natal, a Fifa alegou critérios técnicos e observações durante a fase de inspeção das cidades candidatas. Quem acompanhou a visita a Belém, numa tarde chuvosa, constatou a má vontade de Ricardo Teixeira e delegados da Fifa, que aqui permaneceram por menos de três horas, partindo para dois dias de visita a Manaus, expressando o interesse dominante na comissão.
Como ficou patente depois de definidas as sedes, Belém não deveria sequer ter competido com Manaus, mas merecia a escolha em relação a Natal ou Cuiabá, por exemplo. Em nenhum instante, porém, o manda-chuva da CBF fez o mínimo esforço nesse sentido. Pesou, acima de tudo, o fato de que o Mangueirão vinha de uma reforma recente e não pegaria bem – até pelo exposto na proposta da candidatura de Belém – levantar um novo estádio.
Ontem, como agora, à Fifa pouco importa se a capital eleita não se interessa por futebol e se, por isso mesmo, um público diminuto irá prestigiar os jogos destinados à sede amazônica. A entidade só quer saber quanto dinheiro será pago às construtoras desses gigantes de concreto e aço. O futebol é mero detalhe.
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Era só o que faltava…
O episódio do cartola que passou o jogo de sábado, em Cuiarana, de megafone em punho, azucrinando e pressionando o trio de arbitragem deve ser apurado com rigor pela comissão de arbitragem da Federação Paraense de Futebol e merece apreciação do Tribunal de Justiça Desportiva. A interferência ostensiva de um dirigente, à beira do campo, desestabiliza a condução do jogo pelo árbitro e seus assistentes, devendo ser energicamente coibida.
Há muito tempo que o Campeonato Paraense não tinha notícia de práticas coronelescas, dignas do futebol de várzea. A desfaçatez com que o cartola do Santa Cruz agiu, a fim de garantir a vitória sobre o visitante Paragominas, não pode virar hábito num Estado onde práticas ruins são assimiladas com espantosa velocidade.
O mesmo pode-se dizer das atitudes violentas e antidesportivas da diretoria da Tuna em Cametá, na mesma rodada. Inconformados com a atuação da arbitragem, os cruzmaltinos chegaram a agredir os árbitros auxiliares na porta do hotel onde estavam hospedados.
Caso tais despautérios não sejam punidos, corre-se o risco de ter um campeonato dominado por cartolas bufões e arruaceiros, capazes dos piores desatinos sempre que seus times não consigam vencer.
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Fortes emoções em campo
A quinta rodada do Parazão começa hoje com partidas que podem modificar bastante a posição na classificação do returno e geral. Tuna e São Francisco fazem um jogo de desesperados. A Lusa, que entra como favorita, precisa escapar da zona de rebaixamento e brigar por um lugar nas semifinais. O São Francisco tenta sair do incômodo jejum (seis derrotas consecutivas) e se acautelar contra o risco de cair para a Segundinha.
Em Cuiarana, com ou sem megafone, Santa Cruz e Águia realizam duelo de seis pontos. Ambos brigam para alcançar as semifinais do returno e o Águia empreende esforço paralelo para deixar a zona da morte. Confronto com cheiro de empate.
À noite, o Paissandu recebe o Cametá para um jogo de afirmação de autoridade. Líder na pontuação geral, garantido na final do torneio, o Papão ainda curte as delícias do passeio sobre o maior rival. Por mais que o Mapará se esforce, os ventos sopram inteiramente a favor dos bicolores.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 20)

Há 50 anos, um disco que consolidou o rock

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Por Thales de Menezes, da Folha SP

Quem acredita que o rock and roll ajudou a formar sua personalidade ou influiu em seu comportamento, não importa a idade, precisa comemorar nesta sexta-feira. No dia 22 de março de 1963, chegava às lojas de discos da Inglaterra “Please Please Me”, o primeiro álbum dos Beatles. Para muitos, o mais importante da história. É notório que o auge da banda foi com “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), álbum que encabeça quase todas as listas de melhores discos do rock.

“Please Please Me” soa hoje ingênuo, coleção de canções sobre encontros e desencontros de namorados, longe da sofisticação musical de “Sgt. Pepper’s”. Mas a estreia dos Beatles em LP garantiu a sobrevivência do rock. Depois que o gênero foi criado na década anterior por Elvis Presley, Bill Haley, Carl Perkins, Little Richard e outros pioneiros, uma enxurrada de novos “ritmos jovens” inundou o mercado fonográfico anglo-americano.

O rock correu o risco de definhar entre modas musicais como o twist e o calipso. O sucesso de massa dos Beatles cruzou o Atlântico para disseminar entre os garotos a vontade de formar uma banda, numa dimensão que consolidou o rock até hoje. Para um álbum que gerou tanto barulho e ainda está à venda 50 anos depois, até que “Please Please Me” foi gravado sem grande investimento.

Depois do lançamento do primeiro single da banda, “Love Me Do”, em outubro do ano anterior, os Beatles começaram a excursionar sem parar pelo Reino Unido. Era o início do fenômeno que o mundo chamaria nos anos seguintes de “Beatlemania” –no Brasil virou “iê-iê-iê”, pelo som do refrão “yeah, yeah, yeah” em “She Loves You”, que os Beatles lançariam em agosto de 1963.

Tanto sucesso nos shows fez o produtor George Martin idealizar a gravação do álbum como uma simples repetição das canções para prensar em vinil. Assim, alugou por duas sessões de três horas o estúdio da gravadora EMI, que depois ficaria famoso pelo nome de seu endereço, Abbey Road.

A ideia era gravar mais algumas faixas para juntar com as quatro lançadas em dois singles: “Love Me Do”/”P.S. I Love You” (outubro de 1962) e “Please Please Me”/”Ask Me Why” (janeiro de 1963). Às 10h, Martin e os quatro Beatles começaram a gravar. As duas sessões agendadas não foram suficientes. O produtor conseguiu mais uma, no mesmo dia. O tempo total no estúdio foi de 9 horas e 45 minutos, para dez faixas.

Um dos maiores hits do disco – e do grupo – também é o que tem a história mais curiosa. “Twist and Shout” exigia muito de John Lennon, com vocal forte, aos berros. E ele estava muito gripado no dia das gravações. Martin resolveu deixá-la para ser gravada por último. E a voz de John resistiu a apenas uma tentativa, que é o vocal eternizado no vinil.

POR CONTA PRÓPRIA – Com oito canções escritas por Lennon e McCartney, “Please Please Me” esboçou um padrão que os Beatles buscariam sempre: compor e tocar todo o repertório. A parada britânica na época era dominada por música romântica, e o álbum levou dois meses para chegar ao topo dos discos mais vendidos. Permaneceu lá por 30 semanas consecutivas e só perdeu a primeira posição para… “With the Beatles”, o segundo álbum do grupo.

O resto é história. A história da música pop.