Sete vezes Botafogo!

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Por Juca Kfouri

Vasco entrou no Engenhão com um pensamento fixo: ganhar a Taça Guanabara. Para tanto bastava o empate e o Vasco o perseguiu como o Santo Graal. Verdade que a grande chance de gol no primeiro tempo foi nos pés de Carlos Alberto. Mas, de fora da área, de bola parada, do jeito que deu, o Botafogo fez o goleiro Alessandro trabalhar. Tanto que, no segundo tempo, ele fez pênalti em Lodeiro, mas o apitador preferiu considerar um choque normal o que foi uma carga ilegal.

E o 0 a 0 seguia no placar, o que daria a 12a. Taça GB aos cruzmaltinos, que desde 2003 não a erguiam. Já o Botafogo até fazia por merecer sua sétima taça, principalmente pela atuação de Seedorf, o homem-esquadra, regente, maestro, polivalente, onipresente, general e soldado.

O jogo foi mais tenso que bem jogado, a ponto de Carlos Alberto e Bernardo discutirem cabeça a cabeça, como se fossem dois pugilistas na pesagem, enquanto Seedorf instruia Vitinho de pai para filho, outro de seus papéis. E também no segundo tempo, um voleio de Carlos Alberto, aos 30, obrigou Jefferson a fazer a defesa mais difícil da decisão.

Mas, aos 35, em lance que começou com Seedorf de calcanhar e sobrou na direita para Lucas, depois de uma verdadeira linha passe na área vascaína, para o lateral fazer 1 a 0, com Vitinho impedido à frente do,goleiro. Em seguida Jefferson bateu roupa, Renato Silva empatou, mas estava impedido.

No desespero em busca do empate, o Vasco proporcionou três chances para o Botafogo ampliar no fim do jogo.

Quis o deus dos estádios que o grande com a quarta campanha na fase classificatória, ganhasse o título de 2013 e garantisse seu lugar na final do Campeonato Carioca. Foram 32.770 pagantes numa linda tarde de sol no estádio que tem capacidade para 47 mil torcedores.

Beckenbauer e Charlton enaltecem Brasil de 70

Da revista Placar

Nem mesmo os inúmeros títulos recentes da seleção espanhola, do Barcelona e do Real Madrid fizeram com que duas lendas do futebol se rendessem e apontassem a Espanha como a maior de todos os tempos. Os ídolos Beckenbauer e Bobby Charlton revelaram a preferência pelo Brasil de 1970.

becken1Segundo os dois campeões mundiais, a seleção do tricampeonato foi a mais incrível de todos os tempos. “Lembro-me muito bem do Brasil de 1970. Perdi para ele. E foi o melhor time de todos os tempos, na minha opinião. Um dos heróis da minha geração é o Pelé”, afirmou Beckenbauer em coletiva no Rio.

Para o ex-líbero alemão, que conquistou os Mundiais de 1974 (como jogador) e 1990 (como técnico), a Fúria não vai ter facilidades em 2014, no Brasil. “É claro que é um dos maiores times, mas vai ser muito difícil. A Alemanha vem forte. E nem vou falar dos brasileiros, que jogam em casa”, disse.

Presente na coletiva de imprensa do Laureaus, o treinador Vicente del Bosque, da seleção da Espanha, adotou um tom imparcial. “O país está bem com os clubes e com a seleção. Somos os melhores no ranking da Fifa há seis anos. Mas é apressado dizerem que somos os melhores de sempre”, comentou.

Já Bobby Charlton, que fez história na seleção inglesa e no Manchester United na década de 1960, garantiu que o Brasil ainda é referência no futebol. “Qualquer jovem, em qualquer lugar, é analisado com a maneira brasileira de jogar. É sempre o parâmetro. A de 1970 é a melhor que eu já vi”, finalizou.

Um novo passeio alviceleste

Por Gerson Nogueira

bol_seg_110313_23.psO melhor time do campeonato é, sem qualquer discussão, o Paissandu de Lecheva. Campeão do turno, pode até não ser exibir um futebol deslumbrante, mas tem jogadas, usa o passe e os lançamentos. Seus atacantes se deslocam o tempo todo e não dependem apenas de cruzamentos.

É de conhecimento até do reino mineral que o Parazão é um campeonato de baixo nível técnico, com equipes montadas às pressas e pouco qualificadas. Em cenário assim tão limitado quem tem um olho é rei. No caso do Paissandu, quem tem Eduardo Ramos como organizador está com a vida feita.

O meia-armador voltou a jogar muito no sábado à noite. Havia sofrido um apagão, como quase todos os seus companheiros, na abertura do returno em Santarém. Fez de tudo. Passes precisos, distribuição inteligente do jogo e arrancadas em direção ao gol.

Foi dele o cruzamento que resultou no primeiro gol. Estava impedido, mas isso é outra história. Depois, participou dos demais lances capitais do jogo, incluindo o passe açucarado para Héliton liquidar a fatura.

Mas, por favor, o Paissandu não é apenas Eduardo Ramos. Djalma também vive grande fase, funcionando como o azougue do time. Ajuda a marcar e se posiciona como terceiro atacante. O gol, de puro oportunismo, é prova dessa disposição. O goleiro espalmou para a frente e ele, sem hesitar, testou para as redes. De fora da área.

Contra um PFC intimidado, confuso e sem a agressividade do primeiro turno, o Paissandu tomou conta da partida e não deixou que o adversário criasse problemas nem quando Djalma foi expulso ao receber o segundo cartão amarelo.

Qualquer time deste campeonato fica desarvorado quando perde um jogador. O Paissandu, pelo formato que executa em campo, quase não se abala. Héliton entrou no lugar de Iarley, que voltou a destoar do conjunto, e injetou sangue novo, botando o time no ataque outra vez.

Um quarto gol poderia ter coroado a noite, mas João Neto conseguiu mandar a bola longe quando tinha a trave escancarada. Times bem treinados sobram em campo quando enfrentam adversários inferiores. O Paissandu confirmou essa antiga regra. E ainda há quem questione o trabalho de Lecheva. Te contar.

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Remo vence no sufoco, de novo

Desde que o campeonato começou venho comentando sobre a fragilidade tática do time do Remo. Ganha os jogos, pontua e raramente perde – só uma derrota, para o Paissandu, até agora – e, no entanto, não passa confiabilidade. Contra qualquer adversário deste campeonato repleto de equipes sofríveis, o Remo sofre para vencer e manter vantagem.

Não foi diferente, ontem, contra a Tuna. O time começou a toda velocidade, como sempre, e terminou capenga, pressionado e correndo riscos. Os gols perdidos no primeiro tempo quando o time era superior e mais agudo nas tentativas de ataques escassearam na etapa final.

Tiago Galhardo, em rara tentativa individual, arriscou um chute meio mascado de fora da área e abriu o placar aos 33 minutos. Depois disso, outras boas tentativas, sempre em alta velocidade, quase nunca com mais de três passes de preparação.

Este talvez seja o problema do Remo. O sistema usado não permite que a bola passe de pé em pé e seja trabalhada antes do arremate final. Há pressa excessiva, pouquíssimo preparo. O setor de criação existe justamente para isso, mas os remistas estão marchando em sentido contrário. Disputam o campeonato sem ligar muito para essa função.

Flávio Araújo pode chegar ao título usando o sistema atual, mas correrá sempre riscos imensos quando enfrentar um adversário mais consistente no meio. O Paissandu levou o título do turno justamente por ter esse diferencial.

A Tuna, de futebol tão modesto quanto suas pretensões no torneio, quase complicou a vida do Remo, meio sem querer querendo, como diria o velho Chaves. Fabrício, que ainda joga muito, fazia sozinho o que a meia-cancha inteira do mandante não conseguia. Lançava, arrumava e arriscava chutes a gol.

No segundo tempo, o que era um perigo a considerar virou situação de fato quando foi marcado o penal contra o Remo. Mossoró bateu e Fabiano defendeu. Logo depois, Fabrício fez aquilo que habitualmente faz e levou o cartão vermelho, quebrando as pernas da Tuna.

Ainda assim, o Remo seguiu seu calvário de passes errados e ligações diretas. Não mudou de estilo nem quando Clébson substituiu Gerônimo e o time passou a ter dois armadores. Galhardo foi à frente, mas não havia liga. Falta treino para fazer a equipe girar e valorizar a posse de bola. O esquema bate-estaca está tão assimilado que nem dois meias habilidosos como Clébson e Galhardo mudam o ritmo do samba remista. Mas há ainda tempo.

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A diferença que um maestro faz

Fazia tempo que um título não me alegrava tanto quanto a conquista desta Taça GB sobre o Vasco de meu pai José e meu mano Edmilson. Além de atestar a maturidade de jovens como Dória, Gabriel e Vitinho, crias do Botafogo, ficou evidenciada a importância de um maestro em campo.

Tínhamos Clarence Seedorf do nosso lado, o Vasco não tinha ninguém. Foi dele a assinatura de sofisticação de um toque de calcanhar para Vitinho cruzar em direção à área. Esta é a primeira taça levantada no Engenhão. Por certo, a primeira de uma longa série.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 11)