Dinheiro público vai bancar arenas da Copa

Da Folha de SP

Apesar da promessa de que não haveria dinheiro público nos estádios da Copa, as obras nas arenas que receberão o torneio são realizadas com quase 100% de dinheiro governamental. Até agora, o preço total das reformas e construções chega a R$ 7,08 bilhões – o número deve aumentar até 2014. Desse valor, 97,3% são oriundos dos cofres públicos, por investimento direto ou financiamento.

A cifra é baseada na matriz de responsabilidade do governo. Inclui os R$ 420 milhões de incentivos fiscais cedidos pela prefeitura paulistana para a construção do Itaquerão como investimento público. O BNDES é responsável por financiar R$ 3,6 bilhões ou 51,7% do total investido em arenas. Sedes, Estados e municípios bancam R$ 3,2 bilhões (45,5%).

Números que não se comparam com o que a iniciativa privada aporta no setor: apenas R$ 192 milhões -2,7% do total. São três os estádios privados: Itaquerão, Beira-Rio e Arena da Baixada.

Todos são beneficiados com empréstimos do BNDES e com incentivos fiscais dos governos locais.

Por enquanto, porém, o Itaquerão é erguido apenas com dinheiro da Odebrecht, já que o financiamento federal não sai e a prefeitura não libera os incentivos fiscais.

Árbitro paulista escalado para Remo x Fla

O paulista Raphael Claus, 33 anos, considerado o melhor árbitro do Paulistão 2011, será o árbitro do jogo Remo x Flamengo, pela Copa do Brasil 2013, marcado para 3 de abril no estádio estadual Edgar Proença, às 22h. Raphael Claus terá como assistentes Lincoln Ribeira Taques, do Mato Grosso, e Sandro do Nascimento Medeiros, do Maranhão. O quarto árbitro será o paraense Joel Alberto Teixeira Rezende.

Os coniventes

Por Luis Fernando Veríssimo

O ex-deputado estadual e ex-marido da Dilma, Carlos Araújo (foto abaixo), não é um ex-ativista politico, pois recentemente voltou à militância partidária no PDT, apesar de limitado pela saúde. Quando militava na resistência à ditadura foi preso, junto com a Dilma, e os dois foram torturados. Depondo diante da Comissão Nacional da Verdade, esta semana, sobre sua experiência, Araújo lembrou a participação de empresários na repressão, muitas vezes assistindo à ou incentivando a tortura.

129_2130-alt-araujoQue eu saiba, foi a primeira vez que um depoente tocou no assunto nebuloso da cumplicidade do empresariado, através da famigerada Operação Bandeirantes, em São Paulo, ou da iniciativa individual, no terrorismo de estado. O assunto é nebuloso porque desapareceu no mesmo silêncio conveniente que se seguiu à queda do Collor e à revelação do esquema montado pelo P. C. Farias para canalizar todos os negócios com o governo através da sua firma, à qual alguns dos maiores empresários do país recorreram sem fazer muitas perguntas.

A analogia só é falha porque não há comparação entre o empresário que goza vendo tortura ou julga estar salvando a pátria com sua cumplicidade na repressão selvagem e o empresário que quer apenas fazer bons negócios e se submete ao esquema de corrupção vigente. Mas a impunidade é comparável: o Collor foi derrubado, o P. C. Farias foi assassinado, mas nunca se ficou sabendo o nome dos empresários que participaram do esquema.

Nunca se fez a CPI não dos corruptos, mas dos corruptores, como cansou, literalmente, de pedir o senador Pedro Simon. No caso da repressão, talvez se chegue à punição, ou no mínimo à identificação, de militares torturadores, mas o papel da Oban e da Fiesp e de outros civis coniventes permanecerá esquecido nas brumas do passado, a não ser que a tal Comissão da Verdade siga a sugestão do Araújo e jogue um pouco de luz nessa direção também.

A comparação nossa com a Argentina é quase uma fatalidade geográfica, somos os dois maiores países da America do Sul com pretensões e vaidades parecidas. Lá o terrorismo de estado foi mais terrível do que aqui e sua expiação — com a condenação dos generais da repressão — está sendo mais rápida. Mas a rede de cumplicidade com a ditadura foi maior, incluindo a da Igreja, e dificilmente será julgada. Olha aí, pelo menos nessa podemos ganhar deles.

Árbitro “esquece” abusos do senador Tapioca

Do RD (no DIÁRIO de hoje)

A novela protagonizada pelo senador Mário Couto (PSDB) sábado em Cuiarana durante jogo entre Santa Cruz e Paragominas teve final feliz para todo o elenco escalado para os capítulos. Ontem, três dias depois, a súmula apareceu, enfim, no site da FPF. Talvez por amnésia, o juiz Benedito Silva esqueceu tudo o que o presidente da Comissão Paraense de Arbitragem, José Guilhermino, denunciara segunda-feira: que o senador pressionou, de megafone na beira do campo. Silva escreveu que foi “um torcedor não identificado”.

Depois de tudo isso, será que os árbitros paraenses ainda terão a pachorra de reclamar de discriminação? Falta, acima de tudo, dignidade a essa gente.

Os negócios confusos de Marin na CBF

Do Blog do Juca

É estarrecedor. Mais uma gravação de José Maria Marin dizendo a um interlocutor que nāo aparece ( ou seria um monólogo?) o que ele dirá aos irmãos Balsimelli, donos da BWA, que exploram a maioria dos estádios brasileiros. O que fica claro, e é gravíssimo, é que Marin sabe de coisas que usa para ameaçar seus pares. O que não fica claro é quem gravou, embora a informação inicial é a de  que tenha sido o próprio Marin e a esquecido em algum lugar, algo, no mínimo, bizarro.

Nota do blog: o texto que introduz o áudio é de responsabilidade de quem o publicou no Youtube.

E a petição “Fora Marin!” segue AQUI, já com mais de 48 mil assinaturas.

Resta uma  constatação: que o governo não intervenha na CBF é compreensível e prudente. Mas que não convença a Fifa de que é necessário intervir no COL é  indesculpável. Porque alguém com estes modos, além do passado indecoroso, não pode representar o país numa Copa do Mundo. 

Paissandu luta para não perder dinheiro

O Paissandu trava três importantes batalhas no front financeiro nesta semana. A primeira diz respeito ao contrato em vigor com a empresa de logística BWA, cuja multa rescisória é de R$ 1,6 milhão. Outros seis clubes brasileiros rescindiram acordo com a firma, mas o Paissandu ainda não descobriu um jeito de pôr fim a uma parceria que na prática não existe mais. A segunda bronca tem a ver com o lateral-direito Pikachu, cuja transferência para investidores permanece um grande mistério. Um dos empresários desembarcou nesta semana em Belém alegando que pagou um adiantamento ao ex-presidente Luiz Omar Pinheiro. A diretoria não levou em conta os argumentos e defende-se dizendo que não há nenhum documento assinado comprovando o negócio. Por fim, uma causa trabalhista de grande monta surge no horizonte alviceleste. Envolve o ex-jogador Sandro, que cobra na Justiça dívidas no valor de R$ 750 mil e ação indenizatória, por calúnia e difamação, no mesmo valor, contra o ex-presidente LOP. Quem acompanha de perto detalhes das reivindicações dá como praticamente certa a vitória do antigo ídolo da Fiel nos tribunais.

Vivendo e não aprendendo

A situação envolvendo o jogador Ramon começa a gerar sérias preocupações no Remo. Além de pouco produzir quando foi escalado, o meia está vinculado ao clube por contrato de dois anos, negociado com um empresário que usou indevidamente a marca de uma conhecida empresa. Na conversa com os dirigentes, o cidadão não explicou a atual condição do jogador e nem o clube procurou saber os motivos que levavam um atleta internacional a querer se estabelecer no futebol paraense. Pelo acordo, Ramon recebe salários em torno de R$ 24 mil, o mais alto do atual elenco. A quantia é justificada porque ele seria a principal aposta para o campeonato, a contratação top. Mesmo depois que ficou evidente que o jogador não é reforço, alguns dirigentes ainda insistem em justificar a barbeiragem, que pode vir a custar muito caro ao clube mais adiante – algo mais ou menos do porte que a dívida com Arinélson significou para o Paissandu.