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Escolha o king-kong preferido e defenda-o com unhas e dentes…

1) O presidente da CBF, José Maria Marin, pode vir a ser investigado pelo papel que desempenhou, como parlamentar da Arena e homem do governo, no episódio da morte do jornalista Vladmir Herzog, vítima de tortura durante a ditadura militar.

2) Apesar de todas as recomendações em contrário por parte do Ministério Público Estadual, as diretorias de Paissandu e Remo amarelaram de novo: confirmaram a submissão às “organizadas” e mantiveram desconto de 50% nos ingressos.

3) Preparador físico Wellington Vero, do Paissandu, se mete em nova bronca por racismo. Acusado de ofensas a um socorrista do Zinho Oliveira, em Marabá, pediu desculpas e se safou. Antes, em Castanhal (2008), precisou pagar fiança pelo mesmo delito.

O Barcelona não acabou

Por Juca Kfouri

Nós, jornalistas, temos o hábito de botar pontos finais em histórias em curso.

Seja o político que perdeu a eleição e nunca mais será nada na vida, o compositor cuja veia poética secou, o ator que nunca mais repetirá o sucesso do filme que o tornou famoso, o time de futebol que acabou.

No começo dos anos 70 do século passado, quando comecei minha carreira, havia uma pauta recorrente na “Placar” semanal, sempre que o Santos, ainda de Pelé, perdia dois jogos seguidos: “O Santos acabou?”, perguntava-se na Redação mal acostumada com a década de 60, dominada estadual, nacional, continental e mundialmente por aquele mágico time de branco.

Daí o Santos, ainda de Pelé, enfileirava uma série de vitórias e a má consciência coletiva obrigava que se produzisse uma nova reportagem, afirmativa: “Não, o Santos não acabou!”.

Eis que acabamos de viver situação idêntica com o Barcelona de Messi.

A derrota em Milão já foi vista como prenúncio do fim do domínio europeu, e as duas derrotas para o Real Madrid, a primeira em Camp Nou, com baile, e a segunda contra um time misto dos merengues, no Santiago Bernabéu ressuscitado, decretavam o fim da soberania nacional, mesmo que com o título espanhol assegurado.

A ira do zagueiro Piqué na entrevista coletiva antes de enfrentar o Milan no jogo de volta era justa, ao cobrar a memória das pessoas, as façanhas recentes do time catalão, as exibições, mas, com tudo isso, senti pena dele.

A mesma que sentia, e outro dia fiz referência a isso aqui, quando via a derrota estampada no rosto daquele time do Santos. Ou no de Tostão, de Gérson, no dos campeões mundiais no México em 1970, uma gente que, para mim, era tão vitoriosa e exemplar que nunca merecia perder, nem quando o time de um enfrentava o time do outro.

Sentimento semelhante me abate quando vejo o time masculino de vôlei do Brasil perder.

Sempre parece haver uma coisa fora do lugar, por mais que os adversários tenham merecido, eventualmente, a vitória.

Desnecessário dizer que o Barça me desperta a mesma sensação.

Sentei diante da TV para ver a sinfonia que foi a goleada sobre o Milan certo de que veria a pá de cal definitiva e vi a ressurreição.

Mentira!

Vê como nós, jornalistas, somos? A derrota não seria pá de cal alguma e a vitória não foi ressurreição, porque ninguém estava morto.

Apenas diferente, com David Villa voltando a ser um atacante mais de referência, como em 2010 com Pep Guardiola. Com Daniel Alves mais livre para atacar, com a volta de um futebol mais vertical que horizontal, marcando a saída de bola adversária de maneira impiedosa, mas, sobretudo, com Lionel Messi provocado por quem o viu sem apetite.

Porque Deus castiga quem o craque fustiga, disse Armando Nogueira.

Ministra defende que Marin seja investigado

O deputado Romário ganhou uma importante aliada em sua investigação sobre a suposta participação de José Maria Marin na morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975. Nesta sexta-feira, um dia depois de Romário discursar no plenário da Câmara dos Deputados, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, defendeu que a investigação seja levada adiante.

“Eu penso que todas as pessoas que comprovadamente estiveram envolvidas em situação de morte, tortura e desaparecimentos forçados não devem ocupar funções públicas no país. Porque os que cometeram – e se cometeram comprovadamente estes atos -, traíram qualquer princípio ético de dignidade humana e não devem ocupar funções de representação”, disse a ministra à versão online do jornal O Globo.

Na quinta-feira, Romário pediu que Marin se explique quanto à sua participação em crimes da ditadura. Na época, o hoje presidente da CBF era deputado estadual. “Ele presidiu a Câmara de Vereadores de São Paulo e, antes de se tornar governador do Estado, foi deputado estadual pela Arena, o partido da ditadura. Foi nessa ocasião, em 9 de outubro de 1975, que ele fez um duro pronunciamento, contra a TV Cultura, ao apartear no plenário o deputado Wadih Helu. No seu aparte, o Deputado Marín exigia que fossem tomadas providências, segundo ele, em nome da “tranquilidade dos lares paulistanos”, como está registrado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, do dia 09 de outubro de 1975, página 62, que solicito conste nos anais desta Casa. Não sei que providências ele tinha em mente. O que sei, e que todos nós sabemos, é que no dia 24 de outubro daquele mês, o Diretor de Jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, foi convocado para depor no DOI-CODI, e apareceu morto em sua cela, no dia seguinte”, disse Romário no plenário da Câmara.

Nesta sexta-feira, a ministra Maria do Rosário participou da cerimônia de entrega do novo atestado de óbito de Herzog; o novo documento coloca a causa da morte como “lesões e maus tratos sofridos durante o interrogatório nas dependências do 2º Exército (Doi-Dodi), substituindo a versão “asfixia mecânica por enforcamento”, de suicídio, propagada na época da morte pela ditadura, que chegou a forjar uma fotografia do jornalista enforcado em uma cela”.

STJD absolve Cabeça, mas mantém multa

O presidente do Remo, Sérgio Cabeça, corria o risco de ficar suspenso de suas atividades no clube por cerca de 90 dias. Porém, ontem, a preocupação passou. Em novo julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio de Janeiro, Cabeça foi absolvido da punição.

A pena seria aplicada pelo não pagamento da multa de R$ 5 mil, que estava relacionada à punição imposta após a perda de 4 mandos de campo no dia 03/10/2012 por conta de arremessos de latas e garrafas nos árbitros da partida contra o Mixto (MT), pelo Campeonato Brasileiro da Série D. Defendendo o Remo, o advogado Osvaldo Sestário alegou que a multa foi paga, mesmo fora do prazo.

O fato deu a Sestário a chance de pedir a absolvição de Sérgio. O pedido foi atendido pelo relator Paulo César Salomão, mas a nova multa pelo atraso, no valor de R$ 1,5 mil, permaneceu. Os auditores do STJD seguiram o relator e, por unanimidade, votaram pela absolvição de Sérgio Cabeça. (Do DIÁRIO)