Rodada decisiva do returno é desmembrada

Rasgaram todos os critérios normais e válidos de definição de vaga no Campeonato Paraense. O desmembramento da rodada decisiva do returno, marcada para a quarta-feira (27), com a mudança do jogo Remo x Águia para quinta-feira, avacalha de vez com uma competição marcada por interferências canhestras e omissões ridículas da Federação Paraense de Futebol, como no caso do megafone em Cuiarana. Depois de reunião realizada na tarde desta segunda-feira, na FPF, dirigentes de Paissandu, Remo e Tuna concordaram com as alterações sugeridas e a sétima rodada ficou assim definida: na quarta-feira, 27, jogam São Francisco x Cametá, no estádio Barbalhão, e Santa Cruz x Paissandu, no Mangueirão. Na quinta-feira, 28, jogam PFC x Tuna, na Arena Verde, e Remo x Águia, no Baenão. A alegação para a mudança de planos foi a existência de um laudo dos Bombeiros interditando o estádio Parque do Bacurau – sendo que, domingo, Cametá e Santa Cruz jogaram normalmente lá. Com isso, a FPF propôs ao Santa Cruz que mandasse o jogo em seu estádio, com portões fechados. O clube não aceitou e agora tentará, por via judicial, paralisar o campeonato.

Parazão 2013 – Classificação geral

TIMES PG J V E D GP GC SG AP
Paissandu 38 17 11 5 1 43 20 23 74.5
Remo 33 17 10 3 4 30 23 7 64.7
Paragominas 24 15 7 3 5 25 23 2 53.3
Santa Cruz 17 13 5 2 6 15 18 -3 43.6
São Francisco 14 15 4 2 9 22 32 -10 31.1
Cametá 13 13 3 4 6 14 18 -4 33.3
Tuna 11 13 3 2 8 12 18 -6 28.2
Águia 11 13 2 5 6 17 26 -9 28.2

Crise técnica ou emocional?

S FranciscoXRemo Parazao2013-Mario Quadros (17)

Por Gerson Nogueira

O que leva um time a cair no despenhadeiro a cada gol tomado? Quem conseguir uma resposta para esse enigma terá desvendado o mistério que envolve a derrocada do Remo no returno do Campeonato Paraense. Ontem, em Santarém, pela terceira vez consecutiva, o time desabou ao sofrer gol – no caso, o segundo do São Francisco, aos 35 minutos de bola rolando.

Como já havia acontecido anteriormente contra o Paissandu e o Paragominas, o time de Flávio Araújo acusou o impacto do gol e se desnorteou por completo. Passou a errar passes como um time de garotos e a se atrapalhar na marcação, permitindo que o São Francisco tomasse as rédeas da partida.

O ponto de desequilíbrio parece ser a insegurança que tomou conta de todos os jogadores. Não se sabe o que ocorreu internamente, mas o fato é que o Remo perdeu o bonde no último Re-Pa. As circunstâncias daquela derrota, que se desenhou depois de um gol surgido quando o jogo ainda era equilibrado, tiraram a tranquilidade e a força emocional do elenco.

No gramado do estádio Barbalhão, a crise de identidade ficou patente na volta para o segundo tempo. O São Francisco vencia por 2 a 1 e mostrava-se à vontade em campo, embora não fosse uma partida exuberante. Qual a vacina para conter um time em ascensão no jogo? Óbvio: tentar interromper o processo, através de mudança de jogadores ou de posicionamento.

O Remo não fez nenhuma das duas coisas. Entregou-se ao nervosismo. Seus zagueiros exprimiam esse sentimento, cometendo faltas desnecessárias e falhando seguidamente. Logo aos 4 minutos, em cruzamento que atravessou a área, o zagueiro Aldair cabeceou a bola na trave. Cinco minutos depois, Jefferson, o melhor do jogo, invadiu a área e foi chutar na cara do gol. Fabiano saiu com os pés e salvou.

S FranciscoXRemo Parazao2013-Mario Quadros (20)

A confusão que dominava o time não era percebida pelo técnico, que deixou o barco correr. Veio o terceiro gol, após cobrança de falta pelo lateral Levy. Como em lances anteriores, a bola passou pelos zagueiros e foi desviada pelo meia Mário Augusto.

Só então, com a derrota desenhada, o técnico resolveu partir para mudanças. Entraram Diogo Capela e Val Barreto. Saíram Carlinhos Rech e Fábio Paulista. Val pouco acrescentou, mas Capela botou ordem na meia-cancha, lançando e aparecendo para finalizações. Participou dos três lances mais agudos do Remo na etapa final. Pelo que mostrou fica ainda mais difícil entender sua condição de reserva num time tão carente de qualidade na criação.

O São Francisco, sempre seguro e superior, acabou perdendo mais duas oportunidades e Berg apareceu em campo aos 46 minutos, disparando um chute no travessão. O Leão santareno estava sem vencer há nove rodadas e conquistou seus primeiros pontos no returno. Depois do vexame, o meia Tiago Galhardo repetiu a frase do goleiro Evandro e disse que era um absurdo perder para o pior time do campeonato. Faltou completar que quem perde não tem o direito de desqualificar o vencedor. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Águia guerreira mata na hora

O lado emocional parece ter tido papel decisivo também no clássico de sábado entre Tuna e Paissandu, disputado no Mangueirão. Depois de estabelecer vantagem de 2 a 0, os bicolores relaxaram e acabaram por permitir a reação cruzmaltina. Foi o segundo empate do Papão depois do Re-Pa.

É claro que a ausência de Eduardo Ramos, principal destaque do time, pesou na balança. Mas não explica como a equipe deixou escapar uma vitória que parecia líquida e certa até 42 minutos do segundo tempo. Não foi a primeira vez no campeonato que o Paissandu permitiu a um oponente tirar diferença nos instantes finais, mas desta vez exagerou na dose.

O resultado reforçou a posição da Tuna na briga por uma vaga nas semifinais e deixou o Paissandu dependente de um bom resultado contra o Santa Cruz, fora de casa.

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Paragominas confirma grande fase

O Paragominas confirmou o bom momento conquistando a segunda vitória seguida em circunstâncias desfavoráveis. Na quinta-feira havia derrotado o Remo na Arena Verde completamente alagada. Ontem, também sob forte chuva, superou o Águia no Zinho Oliveira.

As duas vitórias asseguraram ao time de Charles Guerreiro a classificação antecipada às semifinais, com excelentes possibilidades de conquistar vantagem no cruzamento. Na última rodada, enfrentará a Tuna em Paragominas e em caso de vitória ficará em primeiro lugar.

Já o Santa Cruz percorre caminho menos tranquilo. O empate em Cametá deixa a equipe sob risco de exclusão do G4 na última rodada, pois cruza com o Paissandu na última rodada.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 25)

Parazão 2013 – Classificação do returno

TIMES PG J V E D GP GC SG AP
Paragominas 12 6 4 0 2 12 9 3 66.7
Paissandu 12 6 3 3 0 13 7 6 66.7
Tuna 10 6 3 1 2 11 7 4 55.6
Santa Cruz 10 6 3 1 2 9 9 0 55.6
Remo 9 6 3 0 3 9 10 -1 50.0
Cametá 6 6 1 3 2 8 11 -3 33.3
Águia 5 6 1 2 3 10 14 -4 27.8
São Francisco 3 6 1 0 5 7 13 -6 16.7

Fim de semana à moda de Baião

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Tirei o sábado e o domingo para visitar Baião, onde não voltava há algum tempo. Mais que isso: fui rever meus pais, irmãos e amigos. No mesmo embalo, levei os filhotes para ver os primos e falar com os avós. Uma autêntica reunião em família, com direito a lembranças e relembranças, histórias novas e antigas, sorrisos e muitos abraços. Depois de anos de espera, Pedro e João puderam sentar para ouvir o avô José contar causos saborosos. Conheceram primos, tomaram a bênção da avó Benedita e das tias Sônia, Marta e Adma. Laços que determinam a permanência. Provaram da culinária típica e aprenderam o que vem a ser esse tal cardápio à moda de Baião.

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Estiveram em lugares de Baião que só conheciam através dos relatos do pai. Tomaram banho às margens plácidas do Tocantins. É certo que ainda ficou faltando muita coisa, pois o tempo foi curto e a viagem corrida. Nas próximas idas e vindas, iremos à Praia Alta, ilhota que nosso saudoso pai Juca nos deixou. No fim das contas, além do contato com a terra natal, importa é que, mesmo em poucas horas, foi possível fortalecer ainda mais os elos afetivos sem os quais a vida não faz sentido.

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