Juizados especiais voltam a atuar no Re-Pa

A Coordenadoria dos Juizados Especiais estará presente no estádio Edgar Proença, no próximo domingo, 17, no jogo entre Remo e Paissandu pelo segundo turno do Campeonato Paraense. Como nos clássicos anteriores, o TJPA voltará a disponibilizar três ônibus itinerantes, a partir das 13h, para instrução e julgamento de pessoas acusadas de infração de acordo com a Lei dos Juizados Especiais e do Estatuto do Torcedor. Um juizado itinerante funcionará às proximidades do portão de saída B1 para atender demandas cíveis e criminais registradas no interior do estádio. Outros dois ficarão no estacionamento do Departamento de Trânsito (Detran) e atenderão delitos que ocorrerem nas imediações, perfazendo um raio de cinco quilômetros, conforme prevê o Estatuto do Torcedor.

A ação é liderada pela coordenadora dos Juizados Especiais, desembargadora Diracy Nunes Alves, auxiliada pelo juiz Cristiano Arantes e Silva. Os ônibus dos juizados, que são equipados com gabinete, sala de audiência, banheiro e copa, contarão com a atuação dos juízes Cristiano Magalhães, Cláudia Favacho e Wagner Soares Costa, além de membros da Defensoria Pública e do Ministério Público do Estado e servidores do tribunal, que trabalharão nas secretarias.

A ação é parte do projeto “Futebol com Justiça”, que está sendo proposto pela presidência do TJPA, por meio da Coordenadoria dos Juizados Especiais do TJPA – órgão criado pela Lei Estadual nº 6.459/2002, cuja competência é a de organizar e estruturar o sistema de Juizados Especiais do Estado do Pará.

Será a terceira vez que os juizados atuarão durante o Re-Pa. Na primeira atuação dos juizados no Mangueirão, no último dia 24 de fevereiro, foram realizados 18 procedimentos após o término da partida, dos quais dois cambistas foram punidos por vender ingressos acima do preço de mercado e estão proibidos de comparecer a estádios de futebol no Pará por um período de seis meses; 13 torcedores receberam punição por tumulto e três pelo porte de instrumentos para a prática de violência. Essas 16 pessoas foram proibidas de comparecer aos jogos do Remo e Paissandu pelo período de um ano.

Já no segundo Re-Pa, em 3 de março, os Juizados Especiais realizaram 25 procedimentos, sete a mais que o primeiro. Cinco cambistas também foram punidos por vender ingressos acima do preço de mercado e ficaram proibidos de comparecer a estádios de futebol no Estado por três meses. Três deles terão que pagar prestação pecuniária que será revertida a uma instituição definida pela Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas. Na ocasião, 19 torcedores foram punidos por tumulto. Essas pessoas estão proibidas de comparecer aos jogos do Remo e Paissandu, sendo um torcedor por um período de 9 meses, outro por um período de 10 meses e 17 por um período de um ano. Um torcedor teve seu processo arquivado pelo juiz, de acordo com o artigo 18 do Código de Processo Penal. Para garantir o cumprimento da pena, as pessoas terão que comparecer a um batalhão da PM, em dias de jogos, onde participarão de palestras educativas.

Cabe dizer que, das 18 pessoas condenadas no primeiro jogo, sete não compareceram ao Comando Geral da Polícia Militar duas horas antes da partida, onde deveriam permanecer até o término do jogo, conforme sentença proferida. Segundo o tribunal, comunicações já foram feitas à Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas, que deverá adotar as medidas cabíveis necessárias, como, por exemplo, o agravamento da pena.

O passado é uma parada…

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Escalação do Independência (AC), em 1991. Em pé (da esquerda para a direita): Ricardo, Toninho, Rocha, Klosbey, Anderson e Paulão. Agachados: Marcelo Carioca, Marcelinho, Gilmar, Rol e Artur. Foi um dos primeiros times do Rei Artur, que depois brilharia como atacante do Remo, antes de fazer carreira de sucesso no futebol português. A foto acima é da tarde em que o Independência derrotou o Paissandu por 3 a 0, com dois gols de Artur e um de Marcelinho, em partida válida pelo Brasileiro da Segunda Divisão.

Araújo e os desafios do 4-4-2

Por Gerson Nogueira

bol_sex_150313_15.psO Remo estreou oficialmente o esquema 4-4-2 no jogo contra o Cametá, anteontem, no Baenão. Apesar da vitória, conquistada com certa dificuldade, o desempenho do time ficou aquém do esperado. A visível falta de tempo para ensaiar jogadas e posicionamento contribuiu para uma atuação atrapalhada em alguns momentos e quase sempre embolada no ataque. Os armadores Clébson e Tiago Galhardo caíam quase sempre para o mesmo lado do campo, deixando o time penso e lento.

No fundo, os problemas apresentados eram até previsíveis. A defesa, acostumada com três jogadores, sofreu para marcar o ataque do Cametá. Mauro e Zé Antonio posicionavam-se em linha, facilitando as manobras dos atacantes. Somente no segundo tempo o técnico Flávio Araújo conseguiu ajustar o setor.

O técnico terá que dedicar prioridade à solução das dificuldades surgidas no meio-campo, onde Clébson e Galhardo tiveram boa movimentação e troca de passes, mas não acertaram o passo quanto a quem deveria avançar ou se manter mais plantado. São detalhes e macetes que dependem de treinamento continuado para serem assimilados.

De positivo, o desembaraço crescente de Galhardo, que voltou a fazer gol – o terceiro em três jogos – e mostra-se mais confiante para arriscar jogadas individuais. Pelas características de suas peças, o Remo precisa ter, além do estilo forte de marcação, opções para fazer o jogo flutuar quando encontra um adversário bem distribuído e que não cai na armadilha de permitir o contra-ataque.

O Cametá agiu exatamente assim. Plantado atrás, o time se preparou para aplicar ao Remo o mesmo veneno que os azulinos costumam usar. Emerson Bala, Landu e o lateral-direito Américo eram os que mais buscavam a saída rápida sempre que a bola era recuperada no campo de defesa. Jogando assim, o time chegou ao gol e enfrentou o Remo de igual para igual até a metade do segundo tempo.

Para o clássico de domingo, Flávio Araújo sabe que o time não pode ter indecisões na armação, muito menos fragilidade no miolo de zaga. Já adiantou que o esquema será mantido, mas terá apenas mais dois dias para fazer os ajustes necessários. É pouco tempo.

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Combate ao crime organizado nos estádios

As coisas começam a pender favoravelmente para os verdadeiros torcedores. Alguns episódios recentes, distintos até na geografia, fazem crer que há um esforço geral para extinguir a criminalidade que assombra o futebol. Primeiro foi a condenação de um assassino à prisão perpétua na Argentina. Depois, 21 baderneiros foram sentenciados à morte no Egito. Em seguida, o novo presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, lançou a proposta pública aos demais clubes para que se libertem das chantagens e ameaças de torcidas organizadas. Ontem, a Justiça do Rio condenou três membros da “organizada” Young Flu a nove anos de cadeia por assaltar e agredir vascaínos.

Um dia, quem sabe, o rigor da lei chega por aqui. Continuo otimista.

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O que há com o Mangueirão?

Depois do último clássico Re-Pa, recebi telefonemas e e-mails tratando do já tradicional tremor nas arquibancadas do estádio Edgar Proença, agravado pela queda de placas de concreto da parte superior, lado onde fica a torcida do Remo. Um dos relatos é do leitor Edison André Rodrigues: “Vários são os relatos de que a parte superior da rampa de acesso do Lado A do Estádio Olímpico do Pará balançava de maneira violenta na descida do público após a partida. Alguns torcedores registraram um grande desnível no último trecho da rampa, próximo ao acesso da última entrada. Os relatos dizem que o balançar da estrutura se assemelhava ao de uma gangorra”.

Segundo ele, a ocorrência exige providências. “A situação é grave e merece ser apurada de forma urgente e minuciosa, visto que em uma partida onde haja um grande público (como é muito comum naquela praça esportiva) uma tragédia poderia acontecer caso não sejam tomadas as devidas providências. Não é necessário lembrar aos senhores que está próximo um clássico entre Remo e Paysandu e um jogo entre Remo e Flamengo, nos quais certamente haverá um grande público”, observa.

Diante do esforço que autoridades da área de segurança, justiça e Ministério Público têm feito para resguardar direitos básicos do torcedor, cabe atentar também para o aspecto da conservação do nosso maior estádio. Em outros tempos, já ocorreram inspeções regulares nas arquibancadas e vigas. Mais do que nunca, torna-se oportuna uma verificação em caráter de urgências, a fim de prevenir tragédias como a da Fonte Nova.

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Reação cruzmaltina no returno

A Tuna de Cacaio parece a fim de abandonar o papel de mera cumpridora de tabela e candidata-se a ir às semifinais do returno. Com seis pontos ganhos, tem jogo decisivo no próximo sábado contra o Cametá, no Parque do Bacurau. Caso vença, põe a mão na vaga. Em seguida, recebe o São Francisco e encara o clássico com o Paissandu. Na rodada final, terá pela frente o PFC, em Paragominas.

Ao contrário de outras temporadas, o diferencial da Tuna neste returno é o comportamento impecável dentro de seus domínios. A continuar assim, vencendo no Souza e beliscando pelo menos dois pontos fora de casa, aumentam as probabilidades de escapar ao rebaixamento.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 15)