Onde se lê Chávez, leia-se Lula

Por Paulo Henrique Amorim

“Chávez se soma agora a Vargas, Perón e outros líderes autoritários do passado. Tendo chegado tarde a um mundo globalizado, seu papel para os críticos do sistema financeiro internacional projetou-se para além da tacanha realidade latino-americana -a qual, infelizmente, simbolizou com tanta ênfase quanto os mais atrasados oligarcas a que se opôs.” (trecho do editorial da Folha de S. Paulo)

O ansioso blogueiro se encontra com Mercucio Parma no aeroporto.

– Você leu o editorial da Folha?, pergunta.

– Me contaram, responde Mercucio, com enfado matinal.

– Seria desrespeitoso?

– Não é uma questão de respeito. Também não é um erro. É uma hipocrisia.

– Hipocrisia ?

– Sim, claro, porque eles querem é a morte do Lula e do Lulismo. O Chávez é o biombo que os esconde.

– Onde se lê Chávez leia-se Lula. (Clique aqui para ler “Chávez morreu. depois é o Fidel”.)

– Exato !

– Do que você gosta no Chávez ? Eu sei que não é o seu tipo inesquecível …

– Como brasileiro, o que mais admiro nele foi lutar pela integração latino-americana e se opor aos Estados Unidos e seus Golpes de Estado na América Latina. (Clique aqui para ler “Lula: sinto orgulho de ter trabalhado com Chávez”.)

– Como o Golpe do Clinton e o do FMI para garantir a reeleição do Fermando Henrique.

– Com o que o Clinton e o FMI mantiveram o curso neoliberal do Fernando Henrique.

– O Correa do Equador é que diz que os Estados Unidos não correm o risco de sofrer um Golpe de Estado, porque não tem Embaixada americana…

– Bingo !

– O Fernando Henrique diz que não era neo liberal, mas um estadista que se aproveitou da onda da globalização …

– Ele já foi marxista … Pegar onda é com ele.

– O Chávez era anti neoliberal.

– E por isso poupou os pobres da Venezuela de muitas desgraças.

– A distribuição da renda na Venezuela melhora, mas continua tão inaceitável quanto a do Brasil…

– Outra virtude do Chávez… Governou para os pobres.

– Deve ser por isso que a manchete da Folha pretende ofendê-lo com o qualificativo “populista” ….

– Para a Casa Grande, como diz o teu amigo Mino Carta …

– Nosso amigo …

– Às vezes … Como diz o Mino, a Casa Grande chama de “populista” quem governa para o povo.

– E quer botar fogo na Casa Grande …

– Não. Os “populistas” não ameaçam os alicerces da Casa Grande. A Casa Grande é que, se pudesse, botava fogo na senzala e punha a culpa nos escravos.

Pano rápido.

Presidente do STF engrossa com repórter

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, chamou de “palhaço” e mandou “chafurdar no lixo” o repórter do jornal O Estado de S. Paulo. O ministro irritou-se ao ser abordado nesta terça-feira, na saída da sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Os jornalistas esperavam ao final da sessão para ouvi-lo sobre as críticas que recebeu das associações de classe da magistratura em nota divulgada no final de semana. Antes que a primeira pergunta fosse feita, Barbosa atacou.
O repórter apenas iniciou a pergunta: “Presidente, como o senhor está vendo…”. Barbosa o interrompeu e não deixou que terminasse a pergunta: “Não estou vendo nada”. O repórter tentou fazer nova pergunta, mas novamente foi impedido. “Me deixa em paz, rapaz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre”.
O jornalista tentou questionar a razão do comportamento do ministro. “Que é isso ministro, o que houve?”. Ainda exaltado, Joaquim Barbosa prosseguiu. “Estou pedindo, me deixe em paz. Já disse várias vezes ao senhor”, disse. O repórter disse que apenas lhe fazia uma pergunta, o que é parte de seu trabalho.
No mesmo tom, Barbosa afirmou que não responderia as perguntas. “Eu não tenho nada a lhe dizer, não quero nem saber do que o senhor está tratando”, afirmou.
O assessor de imprensa do ministro tentou tirá-lo do lugar, pedindo para que o ministro seguisse em frente. E quando estava à porta do elevador, na frente dos jornalistas, chamou o repórter de “palhaço”.
Desculpas
O STF emitiu uma nota oficial na qual pede desculpas, em nome do presidente do STF, Joaquim Barbosa, aos profissionais de imprensa pelo episódio ocorrido nesta terça. A nota diz ainda que “após uma longa sessão do Conselho Nacional de Justiça, o presidente, tomado pelo cansaço e por fortes dores, respondeu de forma ríspida à abordagem feita por um repórter. Trata-se de episódio isolado que não condiz com o histórico de relacionamento do Ministro com a imprensa”.
Segundo a nota, o ministro reafirmou também “sua crença no importante papel desempenhado pela imprensa em uma democracia. Seu apego à liberdade de opinião está expresso em seu permanente diálogo com profissionais dos mais diversos veículos”. (Do Portal Yahoo)

Tuna e PFC estreiam com vitórias no returno

Os dois primeiros jogos do returno, realizados nesta terça-feira, apresentaram triunfos tranquilos de Tuna e PFC sobre, respectivamente, Águia e Cametá. À tarde, no Souza, a Lusa dominou a partida e disparou uma goleada sobre a equipe marabaense. Lucas abriu o placar aos 21 minutos do primeiro tempo. O zagueiro Preto Barcarena ampliou aos 33, de cabeça. Logo aos 40 segundos do segundo tempo, Lucas marcou o terceiro. Robert descontou para o Águia aos 32 e Sinésio, cobrando pênalti, fechou o placar aos 34.

À noite, na Arena Verde, o Paragominas recebeu o Cametá e venceu por 2 a 0, com gols de Aleílson (de cabeça) aos 29 minutos do 2º tempo. Magno, cobrando pênalti, fez o segundo, aos 34. Com o gol marcado, Aleílson se isolou na liderança da artilharia, com 10 gols.

Reforço depende do plano tático

Por Gerson Nogueira

bol_qua_060313_15.psClébson, meia-armador que o Remo anunciou como reforço para o returno, é o mesmo que fez misérias naquele confronto entre Salgueiro e Paissandu pela Série C 2010, na Curuzu. Naquela ocasião, destacou-se pela boa técnica e a capacidade de distribuir passes precisos, aproximando-se do ataque sempre que possível. Desde então, sua contratação chegou a ser anunciada algumas vezes pelos remistas, mas só agora se concretizou.

Caso siga jogando no mesmo nível, Clébson representa de fato uma boa aquisição. Sob medida para solucionar o maior enrosco do atual time do Remo. Há consenso, até mesmo na comissão técnica de Flávio Araújo, que falta ao time uma meia-cancha criativa e capaz de dar aos jogadores de ataque assistências e alternativas para chegarem ao gol.

Até a metade do turno, o Remo atuou como se a armação fosse um setor em extinção no futebol. Caprichosamente, Flávio Araújo foi obrigado a rever sua estratégia. Desde o empate em Paragominas, quando sofreu pressão em tempo integral do modesto PFC, o time azulino acrescentou um meia-armador (Tiago Galhardo) à multidão de volantes. A situação melhorou, mas a criação continuou em segundo plano.

O que era desconforto e jogo feio virou problema sério quando o Remo teve pela frente o Paissandu nas partidas finais do turno. Obrigado a superar um setor adversário que valorizava o passe e a posse de bola, Galhardo teve pouquíssimas chances de armar jogadas. A dificuldade se mostrou particularmente terrível no último domingo, quando o time tentou equilibrar as ações no meio-campo.

Galhardo, mesmo exausto por lutar sozinho contra uma dupla de armadores do outro lado, teve que permanecer em campo e simplesmente não conseguia jogar. Não havia espaço, nem companheiros para a aproximação necessária. À beira do campo, Flávio Araújo não tinha alternativas no banco de reservas para mudar o panorama e viu seu time ser sufocado com bolas aéreas, sem cabeça para explorar as inúmeras oportunidades de contra-ataque.

É importante observar, porém, que Clébson e Diego Capela (outro armador contratado) não poderão fazer muita coisa além do que Galhardo já faz se o Remo permanecer preso ao plano tático atual. O 3-5-2, que começou como ideia provisória e se consolidou como esquema, não permite tanta liberdade aos armadores. Na verdade, o sistema usado no Brasil quase sempre só emprega um armador cercado de volantes e beques. Com essa configuração, raramente um time escapa à mais pura retranca.

Antes que a torcida acredite que as coisas realmente mudaram, cabe esperar para ver se Flávio Araújo mudou seus planos. Com um armador só, seja Galhardo ou Clébson ou Capela, o time continuará a ser dominado pelos adversários, até mesmo aqueles mais modestos do atual Parazão.

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Acertos de um novo estilo de gestão

A contratação de Clébson e Capela, anunciada pela diretoria do Remo, expôs publicamente a força do vice-presidente, Zeca Pirão. Desde que se dedica a coordenar o departamento de futebol do clube, Pirão vem se sobressaindo pelo desassombro e a disposição para enfrentar problemas, com mais virtudes do que falhas. A opção por Flávio Araújo foi um de seus grandes acertos.

Em contrapartida, a contratação (com aquisição de parte dos direitos federativos) de Ramon, um jogador que esteve perto da consagração há três anos, mas que decaiu surpreendentemente desde que deixou o país para tentar a sorte no Oriente.

A confusa natureza do negócio é um dos fios desencapados da atual gestão, embora fontes internas assegurem que o clube conseguirá sair ileso da operação. Só não há solução para o mau futebol que Ramon apresentou sempre que foi escalado.

Apesar disso, o vice-presidente segue com o prestígio em alta, apesar do revés no turno. Isso se deve principalmente ao jeito franco e direto. Funcionários do clube também ressaltam sua presença na rotina diária, acompanhando de perto tudo que diz respeito ao futebol. É consenso que há muito tempo o Remo não tinha um dirigente com essas características.

Por isso mesmo, sua resistência à contratação de Tiago Potiguar (defendida por Flávio Araújo) foi respeitada e prevaleceu na hora da escolha de nomes para o meio-de-campo.

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Notícia ruim para os tristes trópicos

Quem parou para ver Manchester United e Real Madri se enfrentando ontem deve ter tirado suas próprias conclusões sobre o que espera o Brasil dentro de um ano na Copa do Mundo. Velocidade, força e técnica em altíssimo nível. Dois times que praticamente não erram passes, tradutores do futebol que a Europa cultiva hoje.

Apesar do otimismo natural que embala os corações tropicais, fica cada vez mais incômoda a comparação com o futebol rastaquera que se pratica por aqui, quase sempre dedicado apenas à marcação, sem lançamentos, dribles ou variações táticas inventivas.

Quando se vê Cristiano Ronaldo e seus companheiros em ação percebe-se que o Velho Mundo tem hoje o futebol mais rejuvenescido e comprometido com a estética do jogo. É tão rápido e intenso que não se pode perder um minuto do duelo entre as equipes. Bem diferente daquilo que mostram os clubes brasileiros, de estilo cada vez mais enfadonho e previsível.

O lado preocupante da história é que, há alguns anos, o futebol no Brasil já estava pobre, mas havia a esperança nos craques “exilados” na Europa. Hoje, infelizmente, nem isso há mais.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 06)