Chávez catalisou reação latina contra os EUA

Por Monica Hirst (*)

Uma rápida retrospectiva dos anos em que Chávez foi uma peça de destaque no tabuleiro latino-americano mostra o efeito catalisador desta presença. Não se pode negar o sentido de beira de precipício e alto risco que a polarização ideológica impõe a qualquer cenário, seja nacional, regional ou global. No caso do chavismo na Venezuela, este foi um instrumento crucial de coesão interna que –num marco político-institucional próprio– replicou experiências como a de Cuba com Fidel ou da Argentina com Perón.

Um olhar menos preocupado em personalizar o relato histórico, que procura compreender os processos de mudança, verá que, para a América Latina – e, especialmente a América do Sul -, este foi o momento de esgotamento da condição de inserção internacional como esfera de influência dos Estados Unidos. Também se verá que o governo de Bush filho contribuiu com igual ou maior estridência que o presidente da Venezuela para esticar um cordão umbilical que, ao final, se rompeu, permitindo que se virasse uma página aberta desde os anos 40 do século passado.

Este foi um avanço histórico, impulsado pela sinergia política espontaneamente produzida entre visões de mundo defendidas pela Venezuela, pela Argentina e pelo Brasil. Enquanto Chávez vociferava contra os EUA em diferentes palanques, a Argentina oferecia o cenário mais expressivo da debacle do neoliberalismo e o governo Lula implodia a negociação da Alca – o último suspiro da noite de verão dos termos assimétricos que condicionaram por décadas o vínculo EUA-América Latina. A partir de então uma dobradinha não declarada entre Venezuela e Brasil permitiu que fossem dados passos largos para a condução de um projeto sul-americano próprio, com expressão política e institucional, que atualmente se configura como a Unasul (União de Nações Sul-Americanas).

Não foram de todo superadas as diferenças entre os governos da região, mas passou a prevalecer o primado da convivência pacífica e, pouco a pouco, ganhou corpo a coordenação em temas essenciais como a defesa, o combate ao narcotráfico, a governança global e a cooperação para o desenvolvimento. Também se caminhou na reconfiguração de um tabuleiro único latino americano-caribenho com a criação da Celac, que alavancou o retorno de Cuba ao multilateralismo regional. Mais uma vez, Caracas e Brasília trabalharam numa mesma direção.

SUL-SUL

A Venezuela de Chávez tornou-se também um dos principais motores da expansão da Cooperação Sul-Sul regional. Além das parcerias estimuladas por via da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), desde 2004, o governo venezuelano espalhou sua assistência petroleira pelo Caribe e América Central.

Deve-se sublinhar aqui a ajuda oferecida ao Haiti nos últimos oito anos através de generosas doações de petróleo. A Venezuela, da mesma forma que Cuba, sempre criticou a Minustah – tropa da ONU comandada militarmente pelo Brasil -, percebida como um novo episódio de intervenção externa imposta ao pobre país caribenho. Esta posição, entretanto, não impede que venezuelanos, cubanos, brasileiros e muitos outros tenham se somado num “pool” solidário para a reconstrução haitiana.

A atuação de Chávez foi ainda um fator favorável para avançar em direção da paz colombiana. O canal de comunicação mantido com as Farc constituiu um elemento facilitador crucial para que a Colômbia pudesse arquitetar uma mesa de diálogo entre as partes em conflito. O recente agradecimento público do presidente Juan Manuel Santos deixa registrado este reconhecimento. Em resumo, com estridência e dramatismo próprios da cultura venezuelana, Hugo Chávez já deixou uma marca na história recente latino americana.

Trata-se de uma figura que somou altivez e audácia ao momento de recuperação da soberania política da América do Sul. Um momento em que o continente consolida seus marcos institucionais democráticos que, se bem diversos, compartilham o compromisso com políticas de inclusão social e a valorização da paz regional.

(*) Monica Hirst é professora da Universidade Nacional de Quilmes e bolsista do Ipea

Leão confirma Clébson, ex-Salgueiro

O Remo fechou a contratação do meia-atacante Clébson, que defendia o Salgueiro (PE). O atleta, indicado pelo técnico Flávio Araújo, desembarca em Belém na quinta-feira. Clébson ficou conhecido por comandar o meio-de-campo salgueirense na célebre vitória sobre o Paissandu na Curuzu, em partida válida pela Série C 2010. O outro reforço para o meio-campo, anunciado ontem, o meia-esquerda Diego Capela (Peter Almeida), chega às 22h15 desta terça-feira e será apresentado amanhã no estádio Evandro Almeida. Capela, de 26 anos, já foi inscrito no Parazão e pode até ser escalado contra o Santa Cruz de Cuiarana na quinta-feira, no Mangueirão. Para essa partida, que marca a estreia remista no returno, a diretoria disponibilizou 10 mil ingressos a R$ 15,00 (arquibancada) e R$ 30,00 (cadeira).

Tribuna do torcedor

Por Jair Neto (via Cássio de Andrade)

É, galera. O torcedor que ama o clube, aquele que lê-se e é conhecido como fanático por amigos, familiares e desconhecidos. Esse mesmo que ontem (domingo) foi para mais uma batalha de seu clube, apenas mais uma, pois este torcedor em todas está presente. Seja contra a seleção do vilarejo do final do mundo ou contra o Barcelona, não importa, o que vale é este estar vendo o azul marinho reluzir. E é assim, em mais um momento não tão bom que venho aqui expor uma imagem de ontem (domingo). Mais uma imagem que envolve a paixão. Sim, eu juro que tento não assim fazer, mas como? Depois de um dia, de uma semana, ou no próximo jogo já esquecemos, somos tão ingênuos, mas o que fazer? Se não apenas, viver!
A cena é de uma final de turno, valendo um título contra o seu maior rival. O título valia, porém mais valia ainda a presença tranquila na final do campeonato garantindo a disputa para a vaga na Série D e o resto do calendário para o ano. Mas no Remo as coisas não são fáceis, sempre quando o fácil aparece tudo se complica. O ponto nem é tanto é esse. O ponto foi ter presenciado a nossa insanidade aparente nos olhos de outrens, a loucura desta torcida, e desta loucura eu não quero ser jamais curado.
O jogo acaba, o título foge entre nossas mãos nos minutos finais, outra facada a seco tomamos. Porém, acreditamos até depois do fim… O motivo? Depois do último trilar de apito a torcida adversária resolve aparecer de maneira efetiva, pela primeira vez no dia. Já a do Remo, ao invés de fazer o que protocolo pede, contrariou. Ficou no estádio por alguns minutos e o principal: cantando. Tempo que o derrotado saiu de cabeça erguida e consciente de seu papel.
E vos falo , amigos, a torcida do Remo é uma das mais enjoadas e pés no chão do Brasil, não estamos satisfeitos com nada, reclamamos até do vento na hora do jogo, e sabemos ser realistas e auto-críticos até em demasia.
Mesmo assim, ontem o esforço dos jogadores ali foi reconhecido. Saímos derrotados mas com a esperança e sapiência que o Remo possui um time não bisonho como em outros anos. Vi alguns abalados, mas a maioria tranquila, por este motivo, por confiar no time, dar crédito a ele e ao treinador.
Isto já tinha me chamado a atenção. Porém teve uma cena que chamou mais. Quando termina o jogo nunca vou embora logo, espero coisa de 1, 2 horas, pra evitar sufoco, tumulto e por medida de segurança. Fico no estacionamento tomando umas e conversando sobre o jogo com a galera.
Neste intervalo, eis que surge o ônibus do Remo. O movimento ainda era grande, pois o bonde saiu um pouco cedo. O ônibus se aproxima e a galera que tava afastada começa a correr para a rua principal que ele passou. O momento ali era triste, perder um título é ruim e para o rival, então… Mas foram segundos de tristeza que logo deram lugar para o nosso amor, que ama o clube, que está à frente de tudo. E aí vieram os cânticos de ”Reeeemo”, ”dá-lhe Remo”, ”Remo tu és a minha vida” , e por aí vai. Vários torcedores mostrando a camisa para as janelas do ônibus, batendo no peito, rodando camisas. Como se o Remo tivesse saído campeão alguns outros seguiram o caminho do ônibus até a saída pra Augusto Montenegro.
E para os que se perguntam… Será que os jogadores veem aquilo? Eu digo que sim. Teve um vídeo da chegada do Corinthians filmado de dentro do ônibus deles, e dá pra ver tudo perfeito, jogadores emocionados, vibrando com a torcida. E hoje o Cabeça falou na clube justamente isso. Os jogadores viram a cena toda e alguns começaram a chorar.
É… O futebol hoje envolve muito mais o dinheiro e quase amor, mas não podemos esquecer que os caras são seres humanos. Eles viram que infelizmente erraram, porém trabalharam muito, não conseguiram, mas viram que seu esforços foram reconhecidos pela torcida e isso emociona muito, dignifica e mexe com o brio. É como vc ser confortado por amigos/familiares quando não passa em um vestibular, prova importante, entrevista de emprego e afins.
Eu confesso que nunca vi aquilo de a torcida aplaudir e seguir o ônibus depois do insucesso nestas situações. Já vi a torcida do Remo cantar em derrota no Re-Pa de 2 x 0. E outros também. Já vi a torcida do Remo aplaudir o time depois de acabar o jogo contra o Paraná, pela Copa JH. E meu pai conta que na década de 80/início de 90, quando o Remo perdia a torcida não arredava o pé também, aplaudia o time.
O motivo destas vezes aplaudirem? É isso, saber que o time pode render, que dá raça, sangue, suor, que tem vontade!
Então é por aí, não tem como deixar de amar esse clube. A vida segue, e como ontem, na hora que eu estava acompanhando o ônibus, também continuo com o mesmo sentimento agora: confiante! Sei que no final vai dar certo. Temos muita coisa pra ajeitar, mas esse ano percebemos que temos time, e não aglomerados de jogadores, somente. 

A seleção dos melhores do turno

Por Gerson Nogueira

O término do primeiro turno enseja a escolha dos jogadores que mais se destacaram nesta fase do Campeonato Paraense. A coluna, como de hábito, elege a sua seleção a partir da observação das campanhas dos oito disputantes. Com base nisso, o time do turno fica assim escalado: Labilá (Cametá); Pikachu (PSC), Zé Antonio (CR), Raul (PSC) e Souza (PFC); Capanema (PSC), Caçula (SF) e Eduardo Ramos (PSC); Aleilson (PFC), Val Barreto (CR) e Rafael Oliveira (PSC).

bol_ter_050313_11.psVamos à justificativa das escolhas. A opção por Labilá, que dividiu com Fabiano a condição de melhor goleiro do turno, deve-se à performance num time que fez campanha das mais fracas e com uma defesa instável. Apesar disso, muito em função da categoria do guardião, a zaga cametaense foi a menos vazada do campeonato, com apenas sete gols.

A lateral-direita não teve nenhum destaque especial. Por exclusão, fica Pikachu, que fazia um campeonato razoável até a quarta rodada, mas que perdeu o prumo no primeiro Re-Pa, depois de brilhantemente anulado por Berg. A partir daí, caiu de rendimento e só veio se recuperar no clássico que decidiu o turno, ainda assim apenas no segundo tempo. Ocorre que nenhum dos outros laterais direitos esteve em nível melhor.

O miolo de zaga fica com os jovens Zé Antonio, do Remo, e Raul, do Paissandu. Curiosamente, ambos chamaram atenção pelos gols marcados nos jogos decisivos, mas têm se comportado de forma satisfatória nas funções defensivas. Zé Antonio costuma sair um pouco mais para troca de passes com volantes e meias. Raul joga mais plantado, na sobra.

A lateral-esquerda foi outro território esquecido neste primeiro turno. Berg custou a estrear no Remo e teve apenas lampejos. Rodrigo Alvim também entrou com o campeonato em andamento, sem produzir mais do que o rotineiro. Diante disso, o mais regular tem sido Souza, do Cametá, não só pelo bom trabalho de marcação, como pela desenvoltura no apoio ao ataque.

O meio-de-campo, formado por três peças, tem Ricardo Capanema como cão de guarda. Foi, sem dúvida, o volante mais aplicado desta primeira etapa do Parazão, apesar de alguns exageros na hora de buscar o desarme, confundindo força com violência. Caçula, do São Francisco, foi fundamental na boa campanha santarena. Comandou a equipe com lançamentos precisos e bons arremates de fora da área. Caiu muito na semifinal diante do Paissandu e isso pode explicar o fiasco do Leão tapajônico. Eduardo Ramos é o camisa 10 da seleção, com atuações impecáveis nas principais partidas do Paissandu no turno. Deu ao setor do time a consistência técnica que faltava, coordenando as ações e aparecendo como um falso atacante. Tem estilo clássico, mas joga de maneira simples, voltado sempre para a equipe.

No ataque, Aleílson e Rafael Oliveira, artilheiros da competição com 9 gols cada, têm a companhia do tanque remista Val Barreto, que marcou gols importantes e incendiou a massa azulina nas arquibancadas. Aleílson, porém, é o mais técnico do trio, com recursos que lhe permitem atuar fora e dentro da área.

O técnico é Lecheva, pelo trabalho de reconstrução do Paissandu ao longo do turno. Depois de conquistar o acesso à Série B, teve que buscar alguns outros nomes para cobrir posições carentes. Nem sempre foi muito feliz, mas responde pelas soluções inteligentes de efetivar Djalma e prestigiar Rafael, indiferente às críticas ao jogador.

Eduardo Ramos, pela capacidade de injetar vida inteligente à meia-cancha do campeão da Taça Cidade de Belém, termina o turno como grande destaque individual. No geral, uma equipe diversificada, equilibrando força e talento, que é bem representativo das virtudes e fraquezas do Parazão.

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Da grandeza do futebol paraense

O leitor Carlos Lira observa, com precisão, que os três clássicos levaram quase 120 mil pessoas ao Mangueirão. Diante de tamanha grandeza, ele pergunta: “O que faz do torcedor paraense um ser tão especial? Será que de um momento para outro passamos a disputar finais com Barcelona, Milan e Real? Será que o nosso velho e aniversariante Mangueirão passou a ter a estrutura dos estádios mais modernos do planeta? Será que se tratava de uma disputa por título mundial? Ou valeria vaga na Libertadores das Américas? Ou ainda, seria o show de Sir James Paul McCartney em nossa querida Belém?”. O próprio Lira busca e acha uma resposta: “Para entender tantas pessoas ávidas por assistir uma ‘super’ final do ‘grande’ Campeonato Paraense: AMOR, assim mesmo, em letras garrafais, posto que é preciso amar estes famigerados gigantes paraenses, carinhosamente apelidados de Leão Azul e Papão da Curuzu, para sofrer na compra de um ingresso ou na entrada de um estádio. Viva o futebol paraense! Viva Remo e Paissandu, gigantes da Amazônia!”. Na mosca.

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Direto do blog:

“Apesar de, finalmente, alguns poucos remistas reconhecerem os problemas que há tempo muitos vêm apontando no time, não vejo motivo para desespero no rival. Os três confrontos foram absolutamente parelhos e, como tenho dito desde o início do campeonato, teremos ainda muitos Re-Pa’s pela frente. Nada, mas nada mesmo, está garantido ao Paysandu com a conquista do turno. O problema é que a sorte que bafejou o Remo em alguns jogos e já abandonara o Paysandu em outras jornadas, resolveu sumir justo na partida decisiva. O Papão mereceu porque insistiu, foi mais aguerrido, Lecheva ousou e tal, mas também foi um time em busca desesperada em busca do ataque, sem referência na área, descoordenado e avançando atabalhoadamente. Com mais paciência, o Paysandu poderia ter usado melhor os espaços dado pela retaguarda remista. Porém, insistiu na bola alçada à área. Uma hora, na base do abafa a bola entrou. Enfim, está só esquentando… Bicolores e azulinos já não perdem por esperar muitas emoções dia 17!”.

De Israel Pegado, prevendo mais e melhores clássicos no restante da temporada.