Paissandu x Remo (comentários on-line)

Campeonato Paraense – 4ª rodada do returno.

Paissandu x Remo – estádio Edgar Proença, às 16h.

Na Rádio Clube, Valmir Rodrigues narra; Gerson Nogueira comenta. Reportagens: Giuseppe Tommaso, Dinho Menezes, Paulo Caxiado, Hailton Silva e Paulo Bad Boy Fernando.

TV Cultura transmite ao vivo.

Belo gesto de um grande ator

sean-penn

Um dos mais consagrados artistas da história do cinema, o ator Sean Penn ganhou um Oscar da vida na última sexta-feira. Realizou o sonho do jovem ator brasileiro, Ariel Goldenberg, portador da Síndrome de Down, que ficou famoso ao protagonizar não apenas o filme “Colegas”, mas também ao iniciar campanha para conhecer o seu grande ídolo em Hollywood.

Penn recebeu o garoto em sua casa, passeou na praia, fez um churrasco especial para o encontro e ainda o presenteou com um souvenir inestimável, o certificado original de sua indicação ao Oscar de melhor ator por “Uma Lição de Amor”.

Um dia inesquecível para o fã, mas ainda mais para o ídolo, acostumado a conviver com as falsidades proporcionadas pela bajulação do mundo das celebridades, e que teve a oportunidade de passar algumas horas ao lado do mais puro sentimento de amor e gratidão. Pagamento maior não há para um gesto tão nobre de respeito e solidariedade ao ser humano. (Do Blog do Paulinho) 

O televisionamento dos nossos julgamentos

Por Pedro Serrano (da CartaCapital)

O direito e o sistema de justiça no Brasil sofrem intensas predações internas e externas. Das externas a que mais preocupa é o da mídia, em especial nos casos penais. Para que uma sociedade democrática e de direito contemporânea sobreviva como tal é relevantíssimo que os subsistemas comunicativos convivam entre si com base em relações de racionalidade transversal, ou seja, em essência a lógica de um não pode superar a do outro dentro da esfera de operação desse outro.

Assim, em um julgamento de um tribunal deve imperar a lógica do lícito/ilícito própria do direito e não a lógica do notícia/não notícia do subsistema de comunicação social ou do poder/não poder da política.

É esta manutenção da autonomia sintática dos subsistemas comunicativos dentro do grande sistema comunicativo que é a sociedade democrática que garante a pluralidade, tolerância e racionalidade conformadoras do Estado Democrático de Direito numa sociedade hiper-complexa como a nossa.

A ação midiática promove emoções, nem sempre boas conselheiras do juízo criminal que deve sempre se pautar por parâmetros racionais e certos valores que estabelecem o distanciamento afetivo e ideológico do julgador ao julgar a causa. O processo não é apenas garantia formal, mas direito material, exigindo a obtenção de um modo racional e equilibrado de formação da decisão. Onde há julgamento não deve haver linchamento, são conceitos totalmente contraditórios entre si.

Ao ser noticiada do cometimento de um crime a sociedade se solidariza com a vítima ou mesmo se sente vítima daquela conduta. Natural e razoável que seja assim. O que não é adequado é que este sentimento de ser vítima invada o espírito de quem julga um processo. O julgador não pode ser vítima da conduta, dele se exige distância das emoções que cercam o ocorrido como requisito essencial para que sua decisão seja racional e justa.

Este papel do julgador distante e racional foi uma imensa conquista humana. A superação dos linchamentos e dos juízos populares no âmbito criminal por formas racionais e legais de julgamento foi uma imensa conquista civilizatória que marca nossa história moderna.

Com os julgamentos do caso do “mensalão” e do homicídio de Mércia Nakashima sendo televisionados inauguramos um período de sério risco de retrocesso nesta conquista hoje mínima da sociedade civilizada.

Televisionar ao vivo um julgamento penal é trazê-lo ao patamar de um linchamento contemporâneo. É constranger juízes e jurados a que sigam os impulsos primitivos da turba sob pena de sofrerem constrangimentos inaceitáveis à proteção que faz jus o julgador no exercício de sua função. O que se protege aí não é a pessoa do julgador mas um sistema civilizado de valores.

Vide o que sofreu o ministro Lewandowski por ter ousado divergir em alguns aspectos do voto do ministro relator do caso do “mensalão”. Foi achincalhado por nossa mídia marrom sem qualquer respeito a seu papel de julgador.

Uma sociedade democrática que exige de seus juízes que sejam heróis para julgarem segundo o que lhes parece ser os ditames de nossa ordem jurídica não é, de fato, uma sociedade democrática. Agora transmite-se por filmagens ao vivo as cenas do julgamento do homicídio de Mércia Nakashima, o que levará certamente à condenação do réu.

Talvez a referida condenação seja justa. O problema é que não se dará como resultado do que consta do processo, como resultado racional do processo e da investigação que o antecedeu. Será um ato de manifestação do ódio e de afetos próprios do linchamento.
E se o julgador ousar divergir deste sentimento público se transformará em réu da opinião publica ou publicada. O juiz e os jurados terão sua vida perturbada por xingamentos em restaurantes, neles seu bife será cuspido pelo garçom e coisas do gênero.

Tornar-se-á, ao menos por um tempo, um pária. É o que se cobra do julgador que ousar divergir do senso comum em razão de provas ou evidências que constem eventualmente do processo. O direito fundamental do réu a contar com um juízo isento vai para o ralo. O processo passa a se assemelhar aos processos stanilistas, onde se entrava na sessão de julgamento sabendo-se de antemão o resultado.

Se esta gama de problemas já ocorria como consequência do normal acompanhamento pela mídia dos julgamentos, problema dificílimo de resolver em nossas democracias contemporâneas, televisionar ao vivo os julgamentos penais só agrava sobremaneira o problema ao invés de resolvê-lo.

Transformar os ambientes racionalmente controlados dos julgamentos criminais em espetáculo é um imenso equívoco. A título de uma transparência de fato inexistente, pois os documentos do processo nunca são televisionados, pois seria “muito chato” e de pouca audiência fazê-lo, joga-se no ralo conquistas civilizatórias de séculos de reflexões, revoluções e disputas.

Pedro Estevam Serrano é advogado e professor de Direito Constitucional da PUC-SP,mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC-SP.

A encruzilhada de Pikachu

Por Gerson Nogueira

gn colunaNa condição de mais promissora revelação do futebol paraense nos últimos anos, o lateral-direito Pikachu atravessou 2012 em alta, jogando sempre em alto nível para os padrões regionais e finalizando a temporada como um dos artilheiros do Paissandu. Neste ano, sob a expectativa geral de que iria evoluir ainda mais, seu rendimento caiu verticalmente, abrindo espaço para um debate sobre os verdadeiros horizontes do jogador.

Descoberto nas divisões de base do maior rival ainda na categoria juvenil, passou a ser tratado como jóia rara na Curuzu e foi lançado no Campeonato Paraense pelo então técnico Nad, com quem já trabalhava no sub-17. Pikachu entrou no time titular do Paissandu juntamente com outros garotos bons de bola – Bartola, Pablo e Tiago Costa.

A situação financeira do clube levou a uma política de valorização de talentos caseiros, beneficiando o grupo de atletas que vinha se destacando nas divisões amadoras. De todos, porém, Pikachu foi o que mais se destacou. Seu auge foi durante a Copa do Brasil, quando mostrou desenvoltura ofensiva contra Bahia, Sport e Coritiba.

O desempenho acima da média determinou, de imediato, o surgimento de diversas propostas por seus direitos federativos. Um negócio envolvendo investidores chegou a ser anunciado pela diretoria do clube, mas não se confirmou posteriormente.

O episódio frustrou o jogador e seus familiares, criando um desgaste junto aos dirigentes que comandavam o clube em 2012. Com a posse de Vandick Lima, a história mudou, pois a diretoria deixou claro que não tinha interesse em negociar o atleta.

Apesar dessa evidente valorização interna, Pikachu nunca mais foi o mesmo. Começou discretamente o Parazão e teve seu pior momento no Re-Pa da fase classificatória do turno, sendo responsabilizado por falha de marcação num dos gols do rival. No aspecto ofensivo, foi anulado pelo lateral-esquerdo Berg.

Desacostumado aos queixumes da torcida, o lateral evitou comemorações após bater um pênalti contra a Tuna, na Curuzu. À saída, reclamou das cobranças. Dias depois, deu a entender que mudou de estilo, ficando mais preso à marcação por orientação do técnico Lecheva.

De fato, Pikachu não é neste campeonato nem sombra do lateral arisco, driblador e sem medo de arriscar chutes de média distância. Abandonou a participação, como ocorria no ano passado, como autêntico atacante em lances de área. Parece travado e até intimidado diante da missão de atacar.

Até mesmo contra defesas mais frágeis, como as de Águia e São Francisco, times goleados na Curuzu, Pikachu foi pouco notado. Na decisão do turno, só mostrou utilidade quando teve a companhia de Héliton nas jogadas pela direita do ataque.

Na última terça-feira, contra o Águia, em Marabá, teve participação discreta ao longo da partida e “coroou” sua atuação desperdiçando penal que daria a vitória ao Paissandu nos instantes finais do jogo. É claro que não há nada de anormal em perder pênalti, mas na fase vivida pelo jogador a situação se agrava por se somar a um quadro desfavorável.

Por tudo isso, o Re-Pa deste domingo pode estabelecer um marco divisório para Pikachu. Sob o questionamento da torcida, precisa dar uma resposta. Nada melhor para isso do que o clássico contra o maior rival. Sua atuação estará vinculada ao comportamento geral do time, mas a iniciativa e o destemor são virtudes individuais e, mais do que aos torcedores, Pikachu precisa provar a si mesmo que pode reeditar as grandes atuações de 2012.

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Combinação eletrizante no clássico

Com previsão de um público inferior aos dos três clássicos anteriores, retração natural diante de tanta repetição em tão curto espaço de tempo, o Re-Pa de hoje tem características e atrativos interessantes. Em primeiro lugar, definirá a liderança geral do campeonato – há um empate em pontos (33), com a vantagem bicolor na artilharia, 37 contra 28 gols.

Além disso, estará em disputa a corrida para chegar às semifinais. Em caso de triunfo, o Remo praticamente antecipa presença entre os semifinalistas. Outro ponto a considerar é o tira-teima nos clássicos. Até o momento, reina rigoroso equilíbrio, com uma vitória para cada lado (ambas por 2 a 1) e um empate.

Por fim, o clássico vai pôr à prova a confiabilidade do novo esquema adotado pelo técnico remista. Vitorioso sobre o Cametá, no meio da semana, o Remo voltou a a atuar no 4-4-2, mas ainda se ajusta à nova configuração. A questão é que já terá pela frente o melhor conjunto da competição.

Em prova incontestável de maturidade técnica, o Paissandu de Lecheva foi a Marabá e empatou com o Águia, mesmo com seis desfalques importantes. Com todos os titulares de volta, entra em campo hoje a consistência do campeão do turno e atual líder geral contra o ainda instável novo desenho remista. Uma combinação que pode tornar o clássico eletrizante.

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O afeto sem limites

O estrondoso sucesso do álbum Cards Super Bola 2013, lançado na edição do último domingo, atesta, mais uma vez, a profunda ligação afetiva entre o paraense e o futebol. Este afeto fica ainda mais exposto quando se trata de resgatar a história e os grandes nomes da era de ouro do esporte no Pará.

Figuras lendárias como Rubilota, Alcino, Bené, Quarentinha, Bira, Artur, Mesquita e tantas outras, que andavam meio esquecidas, renascem para o torcedor pelas páginas e figurinhas do álbum especial do DIÁRIO. Além do resgate histórico, o trabalho tem o condão de apresentar esses craques ilustres ao jovem torcedor.

Santa Cruz, Águia e Cametá reagem no returno

O Santa Cruz derrotou o Paragominas por 1 a 0, na tarde deste sábado, no campo de Cuiarana, em jogo muito disputado. Com poucas chances de gol, levou a melhor quem foi mais objetivo. Aos 27 minutos, Fumagalli recebeu livre e bateu para marcar o único gol da partida. O PFC teve atuação discreta no segundo tempo, com algumas poucas tentativas de Aleílson, que a zaga do Santa Cruz conseguiu conter. No final, dirigentes de Paragominas criticaram a arbitragem, dizendo-se prejudicados durante o jogo. Na quarta-feira, o Santa Cruz recebe o Águia e o PFC enfrenta o Remo em Belém. A renda foi de R$ 2.115,00, com 233 pagantes. O número de credenciados foi até maior – 300.

Em Marabá, na noite deste sábado, o Águia quebrou um jejum de cinco jogos sem vencer e superou o São Francisco por 2 a 1, no estádio Zinho Oliveira. O primeiro gol aconteceu aos 29 minutos. Danilo Galvão finalizou após receber bom passe de Robert. Na segunda etapa, o zagueiro Aldair empatou aos 22 minutos, de cabeça. Quando tudo indicava que o resultado seria o empate, Danilo Galvão disparou um forte chute aos 44 minutos, dando a vitória ao Águia. Com a vitória, o time marabaense deixou a penúltima colocação na tabela do segundo turno e assumiu a sexta posição. Já o São Francisco amarga a sétima derrota consecutiva e passa a correr o risco de rebaixamento. A renda no Zinho Oliveira foi de R$ 4.633,00, com 269 pagantes. Com 95 credenciados, o público total no estádio foi de 364.

No Parque do Bacurau, também neste sábado à noite, o Cametá venceu pela primeira vez no returno. Derrotou a Tuna por 2 a 1, com grande atuação do centroavante Kênia. Superior no começo do jogo, a Lusa saiu na frente. Logo aos 10 minutos, Lucas abriu o placar. Os tunantes dominavam o jogo e desperdiçaram várias oportunidades. No segundo tempo, a situação se inverteu. O Cametá reagiu e, aos 5 minutos, Kênia empatou. O zagueiro Darlan foi expulso e a Tuna recuou ainda mais. Aos 33 minutos, de cabeça, Kênia marcou o gol da vitória aos donos da casa. O Cametá volta a jogar na próxima quarta-feira (20), contra o Paissandu, na Curuzu. No mesmo dia, a Tuna recebe o São Francisco, no Souza.

A renda no Parque do Bacurau foi de R$ 4.850,00, com 535 pagantes. Com 162 não pagantes, o público total foi de 697 pessoas.