A CBF não aceitou a transferência do jogo Remo x Náutico para o estádio Mangueirão, como queria a diretoria remista, e o jogo será mesmo realizado no estádio Baenão, domingo, às 16h. Com a decisão, os ingressos passarão a custar R$ 20,00. Com a vitória sobre o Atlético Acreano por 3 a 2, no domingo passado, em Rio Branco, com grande atuação do meia-atacante Reis (foto), o Remo reassumiu a liderança do grupo A1 do Brasileiro da Série D. O resultado empolgou a torcida, que deve lotar as dependências do Baenão. De qualquer forma, a decisão da CBF faz com que o Remo deixe de arrecadar em torno de R$ 350 mil a mais, caso o jogo fosse no Mangueirão. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)
Mês: agosto 2012
Brasil cai para 13° lugar no ranking da Fifa
Saiu mais um ranking da Fifa e o Brasil perdeu duas posições, chegando à 13º colocação, sua pior em todos os tempos. No último ranking divulgado, a Seleção comandada por Mano Menezes já se encontrava fora do top-10, pela primeira vez na História, em 11º. Na edição de agosto da lista, mais uma queda. Desta vez, as modestas Rússia e Grécia ultrapassaram o Brasil, que caiu para 13º.
Nas dez primeira colocações, só houve uma mudança, e a campeã mundial e bicampeã seguida europeia Espanha no topo. A Inglaterra subiu uma posição, indo para a 3ª colocação, superando o Uruguai. A edição de agosto também inaugura a participação do Sudão do Sul, a mais nova seleção membro da Fifa. O time estreia em 199º.
Veja abaixo os 13 primeiros colocados do ranking da Fifa:
| 1 – Espanha | 1.605 |
| 2 – Alemanha | 1.474 |
| 3 – Inglaterra | 1.294 |
| 4 – Uruguai | 1.236 |
| 5 – Portugal | 1.213 |
| 6 – Itália | 1.192 |
| 7 – Argentina | 1.098 |
| 8 – Holanda | 1.053 |
| 9 – Croácia | 1.050 |
| 10 – Dinamarca | 1.017 |
| 11 – Rússia | 1.016 |
| 12 – Grécia | 1.003 |
| 13 – Brasil | 991 |
Uma vez Flamengo…
A volta e a volta do Mr. Paissandu
Por Gerson Nogueira
Givanildo Oliveira vem aí, mas é bom que o Paysandu (aliás, seu presidente) saiba que ele trabalha de um jeito todo particular. Na verdade, todos conhecem bem o estilo dele. De cara, exige organização em todas as áreas e condições propícias para trabalhar. Mais ainda: não é de aceitar interferências.
Foi exatamente assim que conquistou prestígio e confiança da torcida, sendo responsável pelas maiores conquistas do clube nos últimos 25 anos. Seu vitorioso currículo sobreviveu até a passagens menos brilhantes, como as duas últimas, em 2004 e 2008. Pesa, na avaliação do torcedor, seus triunfos: cinco títulos estaduais, Campeonato Brasileiro da Série B em 2001, Copa Norte e Copa dos Campeões em 2002.
A grande vantagem da contratação de Givanildo é, ironicamente, o maior problema. Conhecedor profundo das mazelas do clube, o experiente treinador não aceita conversa mole ou enrolação de dirigentes. De personalidade forte, é o nome certo para tentar salvar o ano bicolor na Série C. Mas, justamente por ter esse temperamento, pode pedir o boné diante da primeira contrariedade.
Roberval Davino, seu antecessor, vinha se ressentindo da ausência do presidente, que continua viajando muito e presidindo pouco. A algumas pessoas, chegou a confidenciar que se sentia incomodado com a falta de uma voz decisória no dia-a-dia do clube.
Todos sabem que, aos 64 anos, Givanildo vai cobrar comprometimento e presença do presidente – ou de algum dirigente que responda pelo clube em sua ausência, coisa que inexiste hoje.
O certo é que, em meio ao entusiasmo que sua vinda provoca naturalmente em todos os setores do clube, é preciso que o Paissandu esteja preparado para receber Givanildo. Tenho dúvidas quanto a isso, mas espero estar errado desta vez.
A tabela acaba colaborando com essa reentrada do técnico, pois o Paissandu recebe no sábado o lanterna da competição. Apesar do pouquíssimo tempo que Givanildo terá para arrumar as coisas, todo mundo sabe que o Cuiabá é o adversário ideal para o começo da reabilitação, por mais que o time paraense não esteja atravessando grande fase.
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A contratação de um novo técnico normalmente representa o ponto de partida para mudanças. Difícil imaginar que Givanildo continue com alguns dos prediletos de Roberval Davino. Por esse raciocínio, Fabinho, Alex William, Pantico, Marcus Vinícius e Dalton têm boas chances de receber o bilhete azul. Kiros, pernambucano como Givanildo, talvez permaneça.
Quem ganha com isso é obviamente a chamada prata-da-casa, que andou desprestigiada desde que Davino chegou à Curuzu. Héliton, Bartola, Neto, Djalma e Tiago Costa têm bons motivos para sorrir, pois voltam a ter chances reais de entrar no time.
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Um gol de bico, daqueles que até no mundo da pelada costumam provocar piadas, foi um dos três que o Brasil marcou contra a Coréia do Sul na disputa da semifinal, ontem. O autor: Leandro Damião, artilheiro da Seleção no torneio olímpico de futebol. Até o começo do torneio, era um dos jogadores mais questionados, mas, mesmo sem brilho, vem cumprindo sua tarefa básica: fazer gols.
Aliás, o time de Mano Menezes não se destaca especialmente por brilhantismo. Não dá show e raramente encanta. As jogadas são óbvias e apenas Neymar costuma variar o ritmo da música, embora exagerando nas firulas. Esse luxo, porém, perde em importância para a possibilidade de conquista inédita medalha de ouro.
Contra a Coréia do Sul, de surpreendentes atacantes, o Brasil sofreu o diabo nos primeiros 15 minutos. Parecia acuado diante de um futebol sem tradições. Aos poucos, meio aos trancos e barrancos, foi retomando o controle da situação até construir uma vitória folgada.
O México, oponente na grande final de sábado, é um time limitado e que baseia seu jogo na força e na velocidade. O lado bom disso é que o Brasil de Mano joga exatamente sim, com uns quatro ou cinco grandalhões a partir do meio-campo e dois garotos franzinos, Neymar e Oscar, para fazer a bola rolar com mais facilidade. No fim das contas, será uma batalha e tanto, com um leve favoritismo brazuca.
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Como quase todo o povo que acompanha o Círio sabe, não sou lá muito apreciador do vôlei, por razões diversas, nem sempre ligadas à lógica racional. Não curto a estética do esporte, centrado mais em aspectos emocionais do que em fundamentos técnicos. Prefiro sempre o lado mais cerebral do basquete ou a excelência do tênis, por exemplo.
Ontem, dediquei-me a ver o embate entre os times femininos de Brasil e Rússia e confesso que capitulei ao ver a comovente demonstração de resistência, força e talento da equipe nacional. Vítimas, há quatro anos, de frustrante decisão contra as mesmas russas, as brasileiras pareciam caminhar para nova decepção.
No tie-breaker, a sucessão torturante de match points favoráveis à Rússia minou a capacidade e o autocontrole de quem assistia. Imagino a tensão a que as jogadoras estavam submetidas. Mas, com fibra de campeãs, reagiram e não deixaram escapar a chance derradeira. Que jogo.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 08)
Rock na madrugada – El Cuarteto de Nos, Ya No Sé Qué Hacer Conmigo
Capa do DIÁRIO, edição de quarta-feira, 08
A sentença eterna
O Brasil e as Olimpíadas
Por Edyr Augusto Proença
Muito engraçada a legenda de uma foto postada no Instagram, tirada da televisão, onde o ministro Joaquim Barbosa falava durante o julgamento do mensalão: melhor que as olimpíadas.. Os jogos, que se realizam em Londres, estão sendo transmitidos pela Record, que afrontou a Globo comprando os direitos. As imagens são excelentes, mas as locuções, não. Nossos profissionais se acostumaram a narrar com dose alta de torcida, porque na grande maioria das vezes, trabalham em jogos de vôlei e futebol. Então, induzem o espectador a torcer, acreditar na possibilidade de vitória, que poucas vezes vem. Então damo-nos conta da abissal distância de nosso nível esportivo para as grandes nações do planeta. A entrevista da moça que ganhou a medalha no judô, emocionada, saiu do Piauí, acho, chegou com pouco peso ao centro de treinamento, lutou duramente até a conquista. Os caras do halterofilismo, corrida, tênis de mesa e muitos outros esportes, que não recebem nenhuma atenção, nenhum investimento, que trabalham oito horas seguidas e só depois, usando tênis usados, impróprios, carregando barras de ferro com pesos de cimento, improvisados, de repente vêem-se ali, no ginásio ultra moderno, lotado e com jornalistas brasileiros cobrando resultados. Lutam, dão a vida, não conseguem e nós, aqui, após torcer, resmungamos que eles não são de nada. Passo pelo faxineiro do prédio que olha os últimos momentos da vitória japonesa sobre as meninas brasileiras no futebol. Está revoltado pela derrota, justamente para o Japão! Não interessa se as moças nem tem onde jogar e quando jogam é em campos esburacados, sem nenhuma atenção, à exceção de Marta que foi fazer sua vida na Europa.
E fico pensando nas Olimpíadas no Brasil. Em quatro anos não faremos nenhuma revolução aqui. A geração que chegaria a disputar as medalhas e assim justificar os investimentos feitos, já deveria estar trabalhando há pelo menos quatro anos e isso não foi feito. Pior, estaremos submetendo esses atletas a uma pressão terrível, feita pela família, vizinhos, todo mundo, a tentar vitórias impossíveis. E serão xingados, vaiados, pois temos a mania de achar que vamos vencer tudo, que brasileiro não desiste nunca. Sinceramente, acho até perigoso realizar os jogos no Brasil. Não temos culpa de nada. Ou temos, toda a culpa, por votar em quem não devemos votar.
Capa do Bola, edição de quarta-feira, 08
Brasil disputa o ouro no futebol, 24 anos depois
Por Juca Kfouri
Ainda não foi a exibição que se quer do futebol brasileiro. Mas mais uma vez os meninos de Mano venceram e estão na disputa pelo ouro olímpico, coisa que acontece pela terceira vez na vida do time brasileiro, tomara que, agora, com final feliz neste sábado, no santuário de Wembley, contra o também invicto, mas não 100% time do México.
Que há muito, diga-se, perdeu o respeito reverencial que sempre dedicou à Seleção Brasileira e que muito se orgulha de ter como seu maior título uma conquista de Copa de Ouro, exatamente contra o Brasil.
O primeiro gol brasileiro saiu de um contra-ataque e um belo passe de Oscar para o vascaíno Rômulo fulminar o fraco goleiro coreano, mais alto jogador da Olimpíada com 1m92. Mais uma vez a arbitragem foi generosa com o Brasil, ao não marcar um pênalti de Juan em Ji no primeiro tempo e outro de Sandro no mesmo camisa 9, no começo do segundo.
Joseph Blatter e José Maria Marin, lado a lado, a tudo viam em Old Trafford, lado a lado. E devem ter ficado felizes ao ver uma trama entre Marcelo e Neymar, pela esquerda, aos 10, terminar em mais um gol de Leandro Damião: 2 a 0. Mais ainda quando o artilheiro colorado liquidou o jogo, aos 18, ao seu modo, empurrando a bola pra dentro do gol do jeito que der: 3 a 0.
Dá para reclamar? Sempre dá, é claro, mas rindo mesmo está o técnico Mano Menezes. E com razão. Afinal, a final contra os entrosados mexicanos será, também, contra um time que não saiu do 0 a 0 contra os mesmos coreanos do sul na primeira fase da Olimpíada.
E o time dele enfiou três, sem tomar nenhum. A arbitragem? Questão de interpretação, dirá.
Ele que ainda pôs Hulk no lugar de Marcelo aos 30, depois de ter surpreendido com a escalação de Alex Sandro na vaga do atacante, claramente preocupado em não perder o meio de campo, sem grande resultado, diga-se. Pato entrou no lugar de Damião e Bruno Uvini no de Juan.
Ouro à vista em Londres.
O passado é uma parada…
O desfecho inevitável
Por Gerson Nogueira
Roberval Davino, contratado para ser o comandante do Paissandu na luta pelo acesso à Série B, patinou na formação da equipe e acabou afastado depois de uma sequência de quatro jogos sem vitórias. A gota d’água foi a derrota para o lanterna Treze-PB, domingo, em Campina Grande.
Davino caiu porque teve dois meses para preparar o Paissandu antes da Série C, trouxe jogadores que recomendou e não conseguiu montar um time. Caso sejamos mais específicos, foi incapaz de estruturar um meio-de-campo decente.
Sua maior aposta para organizador do time era o meia Alex William, que jogou somente uma vez na competição, depois de um mês e meio recuperando-se de lesão sofrida no Re-Pa amistoso antes do Brasileiro. Esperando por ele, Davino ficou testando jogadores, sem se definir por um camisa 10. Passaram pela função Tiago Potiguar, Robinho, Leandrinho e até Pikachu. Nenhum emplacou.
No jogo final de sua passagem pelo clube, lançou finalmente Alex William, que também não mostrou qualidades para executar a tarefa. Usou então Washington, última contratação destinada a sanar a carência. Com ele em campo e o Treze com menos um, o Paissandu continuou carente de criatividade e organização.
Além de prestigiar seus contratados, Davino especializou-se em mudar a maneira de jogar do time, com prejuízos visíveis no rendimento de alguns jogadores. Do 3-5-2 dos primeiros jogos, ele evoluiu para o 4-4-2 e depois para um confuso 3-4-2-1, que provavelmente não foi compreendido e assimilado nem pelos jogadores.
Apesar de levar perigo e criar oportunidades nos jogos mais recentes, o Paissandu demonstra uma crônica dificuldade para fazer gols. No ataque, Kiros chegou como grande aposta do treinador. Pela altura, seria o homem talhado para o jogo aéreo. Com ele na equipe, o time tratava de cruzar todas, sem qualquer sucesso. Marcou dois gols apenas e virou reserva. Pantico, que chegou há duas semanas, virou alternativa, apesar de ter sido dispensado por deficiência técnica pelo ex-clube.
Estranhamente, Héliton, um dos principais atacantes do elenco, foi completamente desprezado por Davino nas últimas partidas, como se não fizesse mais parte de seus planos. Bartola, outro promissor atacante vindo da base bicolor, nem chegou a ser observado pelo técnico.
Como se observa, foram inúmeros os equívocos de Davino, mas nada disso justifica o tratamento deselegante que recebeu na rescisão de contrato. Foi comunicado da demissão via Facebook, no final da manhã de ontem. Educação e bons modos são importantes, sempre.
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Givanildo Oliveira, que está cotado para assumir a função, traz a esperança de consertar a rota e recolocar o Paissandu entre os favoritos ao acesso. Tem nome, currículo e estrela. Além disso, é o técnico responsável pela maior conquista da história do clube – o título da Copa dos Campeões, em 2002.
Para não criar falsas ilusões, porém, cabe lembrar que suas últimas passagens por aqui não foram felizes. Em 2004, contratado para evitar a queda para a Série B, cumpriu fraca campanha e foi demitido após poucos jogos. No ano seguinte, veio para o Remo e caiu para a Terceira Divisão.
Voltou ao Paissandu em 2008, perdeu o primeiro turno do Parazão para o Águia e saiu às pressas para dirigir o Vila Nova-GO. Por fim, no ano passado, aceitou dirigir o Remo no returno do Parazão e foi eliminado pelo Independente, não conseguindo classificar o time à Série D.
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Com apenas dois gols de saldo, por causa da defesa capenga, Remo não pode mais nem pensar em perder pontos em casa. Ao contrário, contra Náutico e Vilhena, precisa golear para igualar o saldo de gols do Atlético (5). Mais que isso: pelo andar da carruagem, terá que vencer o Penarol-AM em Itacoatiara para se garantir em primeiro na chave.
O Atlético, com 7 pontos em quatro jogos disputados, tem mais 12 pontos a disputar, podendo ultrapassar os azulinos e assumir a liderança. O curioso é que o Vilhena só conseguiu mesmo se impor perante o Remo, na primeira rodada. Depois disso, virou o saco de pancadas do grupo, o que aumenta o tamanho do prejuízo remista naquele jogo.
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A Olimpíada, que reserva surpresas como o ouro das argolas para o Brasil, também é um torneio que pede estratégia e premia méritos. O basquete nacional, que cumpre boa campanha de recuperação de imagem, teve uma vitória importante ontem contra a campeã mundial Espanha do gigante Pau Gasol, mas nem pode comemorar muito.
Tudo está diretamente associado e, por força do vacilo nos instantes finais contra a Rússia, derrotou os espanhóis, mas cai no lado ruim da tabela das quartas de final, pois se enfileira como possível adversária dos Estados Unidos, que ontem triturou a Argentina com excepcional atuação de Kevin Duran. E encarar o Dream Team antes da final, como se sabe, é sinônimo de perda de medalha.
Não há, porém, motivo para lamentações num esporte cuja nobreza exige que se busque vencer sempre, mesmo que isso signifique perder obrigatoriamente um pouco mais à frente.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 07)







