Remo recebe hoje novo reforço para a zaga

O zagueiro Marcelão, de 24 anos e 1,92m, que vinha jogando pelo Canoas-RS, desembarca na noite desta sexta-feira (10), em Belém, como novo reforço para a problemática defesa do Remo. Natural do Tocantins, o atleta foi indicado pelo técnico Edson Gaúcho. Marcelão deve se apresentar na manhã de sábado no estádio Baenão para iniciar treinamentos. Na curta carreira, defendeu o Veranopólis-RS, o Charleroi (Bélgica), o Nacional-PR e o Araxá-MG.

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Escolha aqui seu mico preferido:

1) Paissandu perde fora de casa para o lanterna da Série C, insuflado por declarações do volante Vânderson, que normalmente quase não abre a boca. Treze terminou o jogo com 10 jogadores.

2) Remo demora a pedir transferência do jogo com o Náutico-RR para o Mangueirão. CBF, sempre rígida com essas coisas, mantém partida no Baenão. Clube deixa de ganhar cerca de R$ 300 mil.

3) Na Olimpíada de Londres, basquete masculino da Espanha facilita contra o Brasil para escapar de um confronto com a seleção norte-americana nas semifinais. 

Longe dos sonhos olímpicos

Por Gerson Nogueira

A Olimpíada já viveu dias melhores e eu já fui bem mais atento aos Jogos do que sou hoje. Antigamente, dedicava tempo e interesse a várias modalidades, com ênfase naquelas em que o Brasil tinha alguma chance. Hoje, sem mais aquele patriotismo olímpico, concentro esforços em jogos tecnicamente empolgantes de basquete, algumas lutas de judô e boxe, finais do vôlei feminino e grandes provas de atletismo e natação.

Por isso talvez já não sinta, como antes, frustração com os resultados da equipe brasileira. Habituado a ver o Brasil se posicionar sempre entre o 20º e o 25º lugar no quadro de medalhas, passei a achar mais ou menos normal qualquer desempenho.

Lembro que até os anos 80, quando ainda era forte a divisão entre o bloco soviético e o mundo ocidental liderado pelos norte-americanos, as disputas adquiriam uma conotação quase geopolítica. Em tempos de guerra fria, era até divertido ver a exasperação americana com as façanhas de Cuba nos esportes coletivos.

Os boicotes de Estados Unidos e então União Soviética, ambos de inspiração supostamente altruísta, faziam com que os Jogos tivessem desfechos inesperados.

Os resultados que castigam atletas brasileiros, alguns até favoritos, não irritam mais. Ontem, uma dupla alemã quase desconhecida levou o ouro em cima dos brasileiros mais cascudos da modalidade. Na semana passada, Fabiana Murer, que em Pequim já havia esquecido a vara, foi vítima de uma lufada de vento.

A simpática Maurren Maggi não passou nem perto da medalha. Os irmãos Hipólito não ganharam nada, de novo, mas seguem como promessas. Há, ainda, as tais medalhas consideradas certas, como a de César Cielo, cuja presença midiática cresceu na mesma proporção em que diminuíram seus feitos na piscina. Nenhuma surpresa, afinal o Brasil é assim e todos fazemos bem pouco para modificá-lo – e não me refiro só ao esporte.

Interessante é que a Olimpíada desnuda um aspecto quase tradicional em nossos atletas: a insegurança emocional, que se revela diante do menor sinal de pressão ou expectativa. Como já disse o fenomenal Alexander Popov, o Homem de Gelo, um dos reis das piscinas na era pré-Phelps, o torneio olímpico é diferente porque exige desempenho em grau máximo.

Só há um remédio para tanta amarelidão: a repetição de vitórias. Isto só virá com a massificação do esporte, quando quantidade vira qualidade. Atletas de qualquer modalidade sabem que o Brasil só cultua os vencedores, relegando os medianos e derrotados ao limbo da história. Estão cientes de que só os medalhados serão chamados para todos os programas esportivos e de amenidades da TV nas próximas semanas.

Alguns sonham a vida toda com essa questionável honraria. Outros sabem que, salvo exceções, somente a superexposição permite a captação de patrocínios e, por consequência, o acesso a treinamentos e métodos avançados disponíveis nos países do Primeiro Mundo.

Considero forçado e quase sempre cabotino esse discurso raivoso, quase clichê em ano de Olimpíada, deplorando a falta de política para o esporte e as comparações daí decorrentes. Um país tão jovem deve ter o esporte na agenda, mas não pode deixar de lado prioridades maiores, como educação e saúde. Quando essas áreas forem tratadas com a devida atenção, os campeões irão surgir naturalmente.

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O amigo e leitor Gil Mattos observa, a título de análise estatística, que nos últimos 12 anos em Brasileiros e Copas do Brasil o Remo acumula, em 66 jogos no Mangueirão, 32 vitórias e 21 derrotas no Mangueirão, com saldo positivo de 26 gols e aproveitamento de 55,05%.

No Evandro Almeida, o Remo foi praticamente imbatível nesses dois torneios: são 61 jogos, com 43 vitórias, 13 empates e 5 derrotas, com saldo de 83 gols e aproveitamento de 77,60%.

Números eloquentes – e preocupantes. Reforçam a ideia de que o futebol do Pará só fez regredir nos últimos anos.

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Na quarta-feira, ao comentar a espetacular virada da seleção feminina de vôlei sobre a Rússia, mencionei uma data errada. Na verdade, as russas derrotaram as brasileiras há oito anos, nos Jogos de Atenas, num jogo traumático pelas circunstâncias: a seleção venceu bem os dois sets iniciais, permitiu a reação e acabou superada por 16 a 14 no tie-break. Como se vê, o triunfo de terça foi uma revanche completa. Ontem, o time de Zé Roberto se qualificou para a segunda final olímpica consecutiva.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 10)

O núcleo da política do mensalão (parte 2)

Por Paulo Moreira Leite – Revista Época

Qualquer antropólogo  que já passou um fim de semana nos Estados Unidos sabe que ali se encontra um dos países mais desiguais do planeta, onde os ricos não pagam impostos, os pobres não têm direito a saúde e as garantias formais da maioria dos assalariados são exemplo do Estado mínimo.  A Justiça é uma mercadoria caríssima e as boas universidades estão reservadas para os gênios de qualquer origem e os milionários que podem pagar mensalidades imensas e ainda contribuem com uma minúscula fatia de suas fortunas para garantir um sistema em que o topo garante ingresso para seus filhos e netos – com aplauso de deslumbrados tropicais pelo sistema.

Quem se acha “europeu” poderia abrir as páginas de A Força da Tradição, onde o historiador Arno Meyer descreve a colonização da burguesia revolucionária – da liberdade e da igualdade – pela aristocracia que moderou  ímpetos mais generosos e democráticos, chamados fraternos, dos novos tempos. Fico pensando se os pensadores americanos acordam de manhã falando em sua meia-república depois de pensar na força Tea Party. E os europeus, incapazes de olhar para o horror e a miséria de sua crise contemporânea? Também acham que tem um problema em sua “cultura”?

Tudo isso para dizer que o problema não é cultura, não é passado, mas é a luta do presente. E aí não é possível deixar de notar uma grande coincidência. Vamos esquecer os banqueiros e publicitários dos “núcleos” operacional e financeiro da denúncia. Vamos para o principal, o “núcleo político.”

Há quatro décadas, José Dirceu foi preso sem julgamento e, mais tarde, iniciou uma longa jornada no exílio e na clandestinidade. Não lhe permitiam circular pelo país nem defender suas ideias em liberdade. O mesmo regime que o perseguia suprimiu eleições, transformou a justiça num simulacro, cassou ministros do Supremo, instalou a censura a imprensa e  convocou um admirador de Adolf Hitler, como Filinto Muller, para ser um de seus dirigentes políticos.

Civilizado, não? Meia-república? Ou o país deveria ser transformado numa ditadura porque lideres estudantis, como Dirceu, defendiam um regime como o comunismo cubano?

José Genoíno foi preso e torturado. Queria fazer uma guerrilha da escola maoísta – popular e prolongada. Imagine a farsa do tribunal militar que o condenou – com aqueles oficiais que cobriam o rosto, na foto inesquecível do julgamento da subversiva Dilma Rousseff, mas não deixavam de cumprir o figurino do regime, ilustrado por denuncias fantasiosas, de tom histérico.

Gushiken, a quem não forneceram provas na hora necessária, era do tempo em que a polícia vigiava sindicatos, perseguia dirigentes – achava civilizado dar porrada, desde que não ficassem marcas de choques elétricos.

Esta turma merece mesmo ser chamada de “núcleo político” do caso. Está no centro das coisas de seu tempo. É o centro do átomo.

Ninguém se importa com banqueiros do Rural, vamos combinar. Nem com publicitários. Se forem inocentados, terão direito a um chororô de fingida indignação e estamos conversados.

A questão está nos “políticos”.

Sabe por que? Porque dessa vez “os políticos” já não podem ser silenciados na porrada.

Quatro décadas depois, cidadãos como Genoíno, Dirceu, Gushiken, e seus descendentes políticos, não são conduzidos a tribunais militares. Podem apresentar sua versão, defender seus direitos. Resta saber se serão ouvidos e considerados. Ou se há provas e argumentos para condená-los, sem perseguição política.

Vídeo por vídeo, não há nada contra os réus que se compare a tentativa de suborno que serviu de prova da Operação Satiagraha – anulada pela Justiça. Também não há relação de contribuições a políticos tão clara como a Castelo de Areia, com dezenas de milhões desviados, nome após nome  – anulada pela Justiça. Para voltar a um passado um pouco mais distante. Nunca se viu um escândalo tão grande como o impeachment de Collor, com troca de favores e obras públicas registradas em computador – prova anulada pela Justiça.

Desta vez, os réus  têm uma chance. É isso que irrita a turma do linchamento. Imagine quantas provas de inocência não sumiram no passado. Quantos depoimentos não foram redigidos e alinhavados pela pancada e pela tortura.

Hoje, os mesmos réus e seus descendentes políticos têm direito a ser ouvidos. Representam. Seu governo tem votos. O partido é o único que população reconhece.

Alguns acusados do núcleo contam com advogados que não cobram menos de R$ 100 000 só pela primeira consulta – sem qualquer compromisso posterior. Pois é. O justiça brasileira continua escandalosamente cara, exclusiva, desigual. É feita para brancos e muito ricos. Mas os  bons advogados deixaram de ser monopólio do pessoal de sempre. Tem gente nova no clube. O país não mudou muito. Só um pouquinho.

É isso que a turma do linchamento não suporta.

Lecheva abre espaço para os renegados

Sob o comando de Lecheva, o Paissandu entra em campo neste sábado, às 16h, no Mangueirão, contra o Cuiabá com escalação que reabilita alguns jogadores barrados por Roberval Davino. Depois de dois coletivos, o time mais provável do Papão é o seguinte: Dalton; Pikachu, Fábio Sanches, Tiago Costa e Régis; Vanderson, Leandrinho (foto), Lineker e Harisson; Rafael Oliveira e Héliton. Harisson, Vanderson e Héliton voltam à equipe e será a primeira participação de Lineker como titular. Lecheva só vai dirigir o time nesta partida. O novo técnico, Givanildo Oliveira, chega na manhã de sábado e vai acompanhar o jogo das tribunas do Mangueirão. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)