O desfecho inevitável

Por Gerson Nogueira

Roberval Davino, contratado para ser o comandante do Paissandu na luta pelo acesso à Série B, patinou na formação da equipe e acabou afastado depois de uma sequência de quatro jogos sem vitórias. A gota d’água foi a derrota para o lanterna Treze-PB, domingo, em Campina Grande.

Davino caiu porque teve dois meses para preparar o Paissandu antes da Série C, trouxe jogadores que recomendou e não conseguiu montar um time. Caso sejamos mais específicos, foi incapaz de estruturar um meio-de-campo decente.

Sua maior aposta para organizador do time era o meia Alex William, que jogou somente uma vez na competição, depois de um mês e meio recuperando-se de lesão sofrida no Re-Pa amistoso antes do Brasileiro. Esperando por ele, Davino ficou testando jogadores, sem se definir por um camisa 10. Passaram pela função Tiago Potiguar, Robinho, Leandrinho e até Pikachu. Nenhum emplacou.

No jogo final de sua passagem pelo clube, lançou finalmente Alex William, que também não mostrou qualidades para executar a tarefa. Usou então Washington, última contratação destinada a sanar a carência. Com ele em campo e o Treze com menos um, o Paissandu continuou carente de criatividade e organização.

Além de prestigiar seus contratados, Davino especializou-se em mudar a maneira de jogar do time, com prejuízos visíveis no rendimento de alguns jogadores. Do 3-5-2 dos primeiros jogos, ele evoluiu para o 4-4-2 e depois para um confuso 3-4-2-1, que provavelmente não foi compreendido e assimilado nem pelos jogadores.

Apesar de levar perigo e criar oportunidades nos jogos mais recentes, o Paissandu demonstra uma crônica dificuldade para fazer gols. No ataque, Kiros chegou como grande aposta do treinador. Pela altura, seria o homem talhado para o jogo aéreo. Com ele na equipe, o time tratava de cruzar todas, sem qualquer sucesso. Marcou dois gols apenas e virou reserva. Pantico, que chegou há duas semanas, virou alternativa, apesar de ter sido dispensado por deficiência técnica pelo ex-clube.

Estranhamente, Héliton, um dos principais atacantes do elenco, foi completamente desprezado por Davino nas últimas partidas, como se não fizesse mais parte de seus planos. Bartola, outro promissor atacante vindo da base bicolor, nem chegou a ser observado pelo técnico.

Como se observa, foram inúmeros os equívocos de Davino, mas nada disso justifica o tratamento deselegante que recebeu na rescisão de contrato. Foi comunicado da demissão via Facebook, no final da manhã de ontem. Educação e bons modos são importantes, sempre.

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Givanildo Oliveira, que está cotado para assumir a função, traz a esperança de consertar a rota e recolocar o Paissandu entre os favoritos ao acesso. Tem nome, currículo e estrela. Além disso, é o técnico responsável pela maior conquista da história do clube – o título da Copa dos Campeões, em 2002.

Para não criar falsas ilusões, porém, cabe lembrar que suas últimas passagens por aqui não foram felizes. Em 2004, contratado para evitar a queda para a Série B, cumpriu fraca campanha e foi demitido após poucos jogos. No ano seguinte, veio para o Remo e caiu para a Terceira Divisão.

Voltou ao Paissandu em 2008, perdeu o primeiro turno do Parazão para o Águia e saiu às pressas para dirigir o Vila Nova-GO. Por fim, no ano passado, aceitou dirigir o Remo no returno do Parazão e foi eliminado pelo Independente, não conseguindo classificar o time à Série D.

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Com apenas dois gols de saldo, por causa da defesa capenga, Remo não pode mais nem pensar em perder pontos em casa. Ao contrário, contra Náutico e Vilhena, precisa golear para igualar o saldo de gols do Atlético (5). Mais que isso: pelo andar da carruagem, terá que vencer o Penarol-AM em Itacoatiara para se garantir em primeiro na chave.

O Atlético, com 7 pontos em quatro jogos disputados, tem mais 12 pontos a disputar, podendo ultrapassar os azulinos e assumir a liderança. O curioso é que o Vilhena só conseguiu mesmo se impor perante o Remo, na primeira rodada. Depois disso, virou o saco de pancadas do grupo, o que aumenta o tamanho do prejuízo remista naquele jogo.

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A Olimpíada, que reserva surpresas como o ouro das argolas para o Brasil, também é um torneio que pede estratégia e premia méritos. O basquete nacional, que cumpre boa campanha de recuperação de imagem, teve uma vitória importante ontem contra a campeã mundial Espanha do gigante Pau Gasol, mas nem pode comemorar muito.

Tudo está diretamente associado e, por força do vacilo nos instantes finais contra a Rússia, derrotou os espanhóis, mas cai no lado ruim da tabela das quartas de final, pois se enfileira como possível adversária dos Estados Unidos, que ontem triturou a Argentina com excepcional atuação de Kevin Duran. E encarar o Dream Team antes da final, como se sabe, é sinônimo de perda de medalha.

Não há, porém, motivo para lamentações num esporte cuja nobreza exige que se busque vencer sempre, mesmo que isso signifique perder obrigatoriamente um pouco mais à frente.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 07)