A Justiça, que é cega, também dorme

 

Ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa tiram aquela soneca durante as argumentações da defesa dos réus do mensalão, na sessão desta segunda-feira à tarde. Ao que parece, como a sentença condenatória está praticamente definida – segundo O Globo, Veja, Folhão e Estadão -, os membros da Suprema Corte brasileira parecem não estar ligando muito para os apelos dos defensores. (Foto: Blog do Noblat)

LOP anuncia dispensa de Roberval Davino

Pelo Facebook, o presidente do Paissandu, Luiz Omar Pinheiro, acaba de confirmar a demissão do técnico Roberval Davino. LOP agradeceu o trabalho do treinador e lamentou que os resultados não tenham acontecido conforme o esperado. Davino passou a ser contestado no clube a partir da derrota em casa frente ao Fortaleza, no Mangueirão. Desde então foram quatro partidas sem vitórias e o time caiu para a sétima posição na classificação do grupo A da Série C. Givanildo Oliveira é, por enquanto, o nome mais comentado, mas a diretoria do Paissandu não confirma nenhum contato com o técnico pernambucano, que foi demitido pelo América-MG no domingo. Na terça, o elenco será recepcionado por Lecheva e Pompeu na Curuzu.

Vitória sob fortes emoções

Por Gerson Nogueira

Não foi daquelas exibições memoráveis, mas foi seguramente a melhor atuação do Remo desde a semifinal do Parazão contra o Águia (2 a 0 no Mangueirão). A vitória sobre o Atlético Acreano, sábado, na Arena da Floresta, poderia até ter sido mais folgada, caso o time já tivesse mais controle sobre seus próprios nervos.

Sofreu o primeiro gol num daqueles típicos apagões da defesa, problema recorrente nos últimos meses, mas não merecia a desvantagem. Desde os primeiros momentos, o Remo procurava o passe como principal arma de dominação do adversário. Esteve perto de abrir o placar, com Fábio Oliveira, Reis e Edu Chiquita, esmerando-se nas jogadas pelas laterais e buscando a linha de fundo.

Com isso, continha o Atlético em seu próprio campo e dominava a partida. Quando Ailton abriu o placar, aos 20 minutos, veio a desconfiança de que o Remo poderia desmoronar, como ocorreu no jogo anterior, no Baenão. Por alguns minutos, o time bambeou e quase entregou o segundo gol. Mas, em lance iniciado por Dida na lateral-direita, a bola chegou a Fábio Oliveira e deste para Ratinho, que disparou um chute forte e rasteiro para empatar.

A partir desse momento, a superioridade remista se ampliou ainda mais. Praticamente alugando o campo adversário, com saídas bem conduzidas por Jonathan e articulações de Reis com os atacantes, o time se aprumou em definitivo e só não virou o marcador por falta de apuro nas finalizações. Chiquita e Ratinho desperdiçaram as chances.

Logo a dois minutos, veio a recompensa pelo melhor futebol. Reis finalizou com tiro certeiro, após tabelinha com Fábio Oliveira. O desempate deu ao time a confiança que faltava e o Atlético esmoreceu de vez, deixando transparecer todas as suas limitações. A defesa batia cabeça e do meio para a frente apenas Josy, armador habilidoso, e Jessé, avante arisco, se destacavam.

O volume ofensivo do Remo se transformou em vantagem prática aos 23 minutos, em avanço de Dida pela direita e cruzamento que Fábio Oliveira desviou para Reis, melhor em campo, definir com categoria. O que parecia ser a porta de entrada para uma goleada acabou levando a uma acomodação prematura. Sem André, que havia levado o amarelo e foi trocado por Léo Medeiros, a equipe desguarneceu a cobertura e deixou ainda mais vulnerável a confusa dupla de zaga, Ávalos e Diego Barros.

E foi Ávalos que quase comprometeu o bom resultado remista no Acre ao perder infantilmente uma bola dominada dentro da área. O meia Josy ganhou a disputa e foi derrubado pelo goleiro Gustavo quando ia disparar em direção ao gol. O próprio Josy converteu o penal que transformou os 20 minutos finais num verdadeiro furacão de emoções para os azulinos.

Sem organização, mas animado pelo segundo gol, o Atlético foi todo ao ataque e quase obteve o empate em dois novos cochilos do setor defensivo paraense. No final, a alegria do time pelo triunfo importante veio acompanhada por um indisfarçável sentimento de alívio.

Edson Gaúcho, que não escondia a insatisfação com seus veteranos beques, fez questão de dizer que erros tão primários não podiam ter ocorrido. De uma forma ou de outra, terá uma semana para tentar arrumar a casa, embora o problema pareça menos de entrosamento e mais de competência individual.

—————————————————————

Pelo relato dos companheiros da Rádio Clube que cobriram o jogo em Campina Grande, o Paissandu criou jogadas como nunca e perdeu chances como sempre. Pikachu e Tiago Potiguar, a dupla de ataque inventada por Roberval Davino, até tentou desbravar o bloqueio defensivo do Treze, mas não foi feliz nas conclusões.

No segundo tempo, quando o Treze perdeu Tiago Messias por expulsão após falta sobre Pikachu, parecia se desenhar um bom resultado para o Paissandu, que continuava bem no trabalho de meio-de-campo. Davino substituiu Alex William por Washington e resolveu botar Kiros no ataque.

No entanto, foi o Treze que cresceu e chegou ao gol, em cruzamento rasteiro que passou pela linha de zagueiros e chegou a Brandão. Bem posicionamento, o atacante finalizou da entrada da área e ainda tirou onda com Vânderson na comemoração. Tudo porque o volante do Paissandu comentou, em má hora, que o time paraibano merecia o rebaixamento.

Vânderson não disse inverdades, mas contribuiu para atiçar os brios do Treze, que, apesar de jogar com dez homens no segundo tempo, conseguiu garantir seu primeiro triunfo na competição.

Depois do jogo, além das explicações de Davino quanto à falta de sorte nos lances de ataque, outra declaração de jogador chamou atenção e deve ter consequências no clube. O volante Leandrinho fez um desabafo que ajuda a entender parte dos problemas que afligem o elenco. Disse que alguns jogadores estão enganando e que, caso queiram dinheiro fácil, deveriam apostar na Mega Sena.

Não duvido que hoje, de cabeça fria, Leandrinho recue nas afirmações, mas ainda sob o calor da refrega parecia bem convicto em suas afirmações. Os comentários de que o elenco tem divisões importantes parecem confirmados pelas palavras do jogador. É mais um ingrediente explosivo para uma semana que se prenuncia tumultuada na Curuzu.

—————————————————————

O placar de 2 a 2 à primeira vista parece ruim para o Águia, que recebeu em casa o Salgueiro-PE, no sábado. Nas circunstâncias, porém, o empate terminou caindo do céu, pois os pernambucanos saíram na frente e fizeram 2 a 0 ainda no primeiro tempo.

Os gols de Carlão e Wando igualaram o marcador e impediram que o Águia sofresse um prejuízo maior. João Galvão admitiu que o time custou a acordar, mas deve ter ficado satisfeito com a capacidade de reação contra um adversário sempre tinhoso.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 06)

Só a mulher sabe acabar uma história de amor

Por Xico Sá

Vejo aqui, em reportagem de Isabela Barros para o UOL, respeitáveis especialistas, gente da USP etc, tratando da dificuldade que o macho tem para terminar as relações. E ponha dificuldade nisso. E bote enrolação e nove-horas. É isso mesmo. Homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

Sim,  o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar…”. Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente.

Sem reticências…

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido  prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita. O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!

O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no Continental sem filtro da covardia e do desamor. Mulher se acaba, mas diz na lata, sem metáforas.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro. O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada. Nem no Crato…nem na Suécia.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa. Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava. O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo. O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.