A interessante entrevista de Cuca

Por Marcos Moura (*)

Estamos fora da Copa Sul-Americana e terminamos o primeiro turno em sétimo lugar. Não dava para esperar mesmo muita coisa depois dos movimentos feitos pela diretoria nos últimos meses e pela forma do treinador dirigir a equipe. Contra o Palmeiras no torneio continental, fiquei com a impressão de que os jogadores se reuniram na etapa final e resolveram jogar sem esquema, por conta própria mesmo. Mostraram disposição, mas faltou algo treinado que pudesse representar o gol da classificação.

Ontem diante do Flamengo foi uma pobreza de ambição. A defesa nem se portou tão mal quanto em vezes anteriores. Brinner cortou as bolas pelo alto e errou quase todas as saídas pelo chão, mas isso não é ele que tem de fazer. Os laterais foram fracos e o meio-campo pouco criativo. Como o ataque inexiste, o goleiro adversário foi um espectador da partida dentro do campo. Os rivais já perceberam que não temos ataque.

Teremos sim é uma sequência difícil. São Paulo, fora, Coxa, em casa, e Cruzeiro, fora. O elenco que já era curto vai ficando mais escasso. Brinner se machucou e só temos dois zagueiros para o próximo jogo, Fábio Ferreira e Dória. Lucas levou o terceiro cartão amarelo infantilmente e Lennon terá de atuar no Morumbi. Previsão de emoções fortíssimas. Cidinho entrou mal nas duas partidas. O jovem jogador precisa de uma sequência de jogos para reender o que se espera dele e não entrar na etapa final faltando 15 minutos.

Seedorf segue mostrando belo repertório de jogadas. Foi dele nossa única chance de gol no clássico. Em cobrança de falta que quase iludiu Felipe. O holandês merecia um time bem melhor. Lembrei muito da equipe treinada por Cuca entre 2007 e 2008. O time ficou com a fama de perdedor e chorão, mas jogava um futebol de primeira qualidade. Mostrava claramente que tinha um treinador. E a torcida estava sempre do lado, sempre apoiando.

Cuca deu uma entrevista ao jornal O Globo de domingo e falou que repensou algumas coisas que tinha feito ao longo da carreira. Mostrou que está evoluindo. O Galo lidera jogando um excelente futebol. Não sei se será campeão, mas tenho certeza que a torcida está aprovando. Como fizemos na passagem do técnico por General Severiano. Torço para que Cuca seja campeão e retorne um dia para ganhar os títulos que a arbitragem e nossos próprios erros não deixaram que acontecesse.

(*) Jornalista carioca, domiciliado em Brasília. Texto extraído do blog SRZD.

Incompetência para definir

Por Gerson Nogueira

O Paissandu levou 45 minutos para chegar ao gol e levou outros tantos para entregar o ouro. Curiosamente, marcou quando estava mal e sofreu gol quando era superior. A explicação para o tropeço diante do Icasa passa por questões simples. Time de futebol que se preza não abre espaços, não afunila tanto o jogo e não desperdiça tantas oportunidades – principalmente quando atua em casa.

Givanildo Oliveira, que chegou há duas semanas, montou a equipe com o que tinha de melhor na Curuzu, alguns nativos e um punhado de “reforços” da era Roberval Davino. O que se vê em campo indica o tamanho do trabalho que espera pelo novo treinador para dar consistência tática ao Paissandu.

A verdade é que Givanildo precisará reinventar um time, pois a continuar nessa toada o Paissandu terá dificuldades para vencer qualquer adversário nesta Série C. Além da fraca atuação dos atacantes, houve excesso de passes errados, posicionamento ruim da zaga (principalmente Tiago Costa) e ausência de trabalho pelas laterais.

No primeiro tempo, quando mais precisava de velocidade na saída de bola, o time esbarrava na lentidão dos homens da criação, que até tentavam trabalhar a bola, mas não havia continuidade. No ataque, Rafael Oliveira não acertava o pé, literalmente.

Tiago Potiguar, que passou o primeiro tempo quase sem ser notado, acabou fazendo o que seu companheiro de frente parecia incapaz de fazer. Na primeira oportunidade clara, mandou para as redes, após passe primoroso de Alex William.

O gol acendeu a esperança de que o Paissandu finalmente acordasse em campo e explorasse as muitas deficiências defensivas do Icasa. Sem isso, o jogo se mantinha num cenário perigoso. Antes de sofrer o gol, o Icasa chegou perto de fazer o seu, em duas ocasiões.

No intervalo, Givanildo parece ter gastado seu latim, cobrando rapidez e participação dos jogadores. Deu certo. Com aproximação entre os setores, o time todo subiu de produção e o Paissandu passou a imprensar o Icasa em seu próprio campo. Harisson melhorou – embora Alex tenha caído de rendimento. Animado, Potiguar quase encaçapou o segundo. Rafael, no entanto, destoava. Facilmente marcado pelos zagueiros, era peça improdutiva.

Mesmo quando o jogo se encaminhava para aquele período de acomodação perigosa, o Paissandu controlava o ritmo e seguia desperdiçando chances. O tempo passava, mas o visitante de vez em quando ameaçava uma reação, explorando a instabilidade do sistema defensivo paraense.

No finalzinho, quando tudo parecia resolvido, eis que Dalton, autor de boas defesas no primeiro tempo, vacilou na formação de barreira e permitiu o empate. Antes de entrar, a bola bateu na trave e resvalou nas suas costas. Dois minutos depois, porém, mostrou destreza para evitar o gol da virada.

A instabilidade do time disseminou um sentimento de pessimismo entre os torcedores. Caiu a ficha quanto ao nível geral do elenco, que andou sendo disfarçado por alguns lampejos – como no jogo contra o Santa Cruz e na estreia diante do Luverdense.

Givanildo, que responde por alguns dos maiores feitos do clube, terá que se desdobrar para pôr a casa em ordem. Dificilmente chegará a bom termo apenas com esses jogadores, a não ser que reeduque a maioria quanto a alguns fundamentos básicos.

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A vitória do Vilhena sobre o Atlético-AC dá uma nova perspectiva ao jogo de quarta-feira em Belém. O Remo passa a jogar por dois resultados, vitória e empate, para se classificar à próxima fase. Para ser o primeiro do grupo, porém, precisa vencer. E, cá pra nós, ninguém espera do time remista em Belém outro resultado que não seja a vitória.

No Bola na Torre de ontem, Marcelo Veiga mostrou tranquilidade e reconheceu que o elenco estava desconfiado com a mudança. Pela capacidade para dialogar, não duvido que consiga transmitir serenidade. Talvez seja exatamente isso que esteja faltando no Baenão.

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Duas cipoadas – 5 a 1 para o Luverdense e 6 a 1 diante do Santa Cruz – deixam o Águia em situação esquisita na Série C e indicam que há algo de desajustado no time marabaense. Não recordo de outra fase tão estabanada no setor defensivo do time de João Galvão. O momento exige reação imediata, para evitar um vexame maior na competição.

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Dediquei-me a ver Botafogo x Flamengo na tarde de domingo e ali pelos 30 minutos já havia me dado conta da má ideia. O jogo não teve nenhuma jogada brilhante, os dribles foram raros e os chutes saíam sempre descalibrados. O Flamengo era até mais ousado, buscava o gol com insistência, mas errava nas tentativas de articulação.

O Botafogo deu seu primeiro chute a gol aos 5 minutos do segundo tempo. O meio-de-campo é tecnicamente bom, com Seedorf à frente, mas não há quem aproveite as jogadas criadas. Oswaldo de Oliveira arma o time de maneira surreal: sem atacantes de ofício. Deve estar fazendo algum curso com Zagallo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 27)

Série C: Classificação do grupo A

Clubes PG J V E D GP GC S
1  Luverdense-MT 21 9 7 0 2 18 12 6 77.8
2  Fortaleza 20 9 6 2 1 13 5 8 74.1
3  Santa Cruz 13 9 3 4 2 19 12 7 48.1
4  Salgueiro 13 9 3 4 2 17 13 4 48.1
5  Paissandu 13 9 3 4 2 11 9 2 48.1
6  Águia 12 9 3 3 3 14 18 -4 44.4
7  Icasa 11 9 3 2 4 9 12 -3 40.7
8  Cuiabá 8 9 1 5 3 7 10 -3 29.6
9  Treze 7 9 2 1 6 8 17 -9 25.9
10  Guarany-CE 4 9 1 1 7 10 18 -8 14.8

Águia leva outra peia fora de casa

Com uma atuação desastrosa no segundo tempo, o Águia voltou a ser goleado na Série C, na tarde deste sábado. Levou de 6 a 1 do Santa Cruz no estádio do Arruda, no Recife. O Coral pernambucano abriu o placar logo aos 8 minutos, com Everton Sena. Na saída de bola, aos 9 minutos, Juliano cobrou falta e enganou o goleiro, empatando a partida. Aos 17 minutos, porém, Fabrício Ceará desempatou para o Santa. O jogo permaneceu mais ou menos equilibrado no primeiro tempo, mas na etapa final o Santa deslanchou. Aos 3 minutos, escorando de cabeça, Dênis Marques ampliou para 3 a 1. Aos 19, Leandro Oliveira marcou o quarto gol. Aos 30, Leozinho aproveitou cochilo geral da zaga e fez 5 a 1. Dênis Marques fechou a contagem aos 42, cobrando pênalti. A renda no Arrudão chegou a R$ 297.560,00, com público pagante de 23.287.