Mourinho quer Kaká no terceiro mundo do futebol

O desejo do técnico do Real Madrid, José Mourinho, em não contar com Kaká no elenco é algo claro desde a temporada passada. Mas, em sua edição desta segunda-feira, o jornal espanhol “El País” detalha um processo de fritura do português para que o brasileiro deixe a equipe. A publicação revela que o tratamento do técnico ao jogador já deixou de ser frio e agora é quase que um assédio para que ele saia.
Nos últimos dias, Kaká não foi sequer relacionado para o banco de reservas para os jogos contra Barcelona, pela Supercopa da Espanha, e Getafe, pelo Campeonato Espanhol.
A cada treinamento na pré-temporada da equipe, o treinador aumentava a aspereza no trato e pouco se esforçava para uma boa relação. Logo na apresentação da equipe, o brasileiro fez questão de sorrir e desejar bom dia. Mas Mourinho já estava impaciente. Em um treino, chegou perto do brasileiro e perguntou de maneira seca: “O que pensa sobre seu futuro?”. Kaká disse que queria continuar. E isso irritou ainda mais o treinador.
O jornal diz que o brasileiro está convencido de que o treinador o maltrata para que saia do clube por vontade própria. “Ele é uma pessoa muito má”, disse Kaká a um de seus amigos, segundo a publicação. O El País diz, no entanto, que Kaká evita o confronto com o técnico e opta pelo sorriso a cada vez que Mourinho o maltrata. “Mas o brasileiro é religioso fanático, não se permite discutir ou insultar”, diz trecho da matéria.
É clara a percepção do elenco de que o português força a saída do brasileiro. “Mourinho o tratou como um inútil”, disse um companheiro do brasileiro ao jornal espanhol. Uma conversa entre os dois e mais o pai do jogador, Bosco Leite, teria sido o estopim para a péssima relação. A publicação relata um diálogo em que o pai de Kaká indica que Mourinho dá preferência a jogadores de seu agente, Jorge Mendes, e o clima esquenta. “Não consegue perceber que não quero contar com você?”, indagou Mourinho a Kaká. O brasileiro fez cara de espanto e disse que não.
“Não pensa em fazer nada para retomar sua carreira?”, perguntou o treinador. Então, o pai do jogador teria dito que para que ele saia teria que receber o que o Real deve. Mourinho retrucou. “Seu filho aqui atrapalha meu projeto”, falou.“Seu projeto e o de Jorge Mendes”, rebateu o pai do atleta.
A conversa esquentou até que tivesse acusações mais graves, não reveladas pelo jornal. Mourinho teria oferecido duas saídas para o brasileiro: ou voltar para o Brasil ou jogar nos Estados Unidos. (Do Uol Esportes)

Teixeirão vendeu a Seleção Brasileira até 2022

Por Juca Kfouri

No dia 15 de novembro de 2011, quatro meses antes de renunciar à presidência da CBF, Ricardo Teixeira assinou, em Doha, no Qatar, um novo contrato com a International Sports Events (ISE), dando à empresa da Arábia Saudita, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, o direito de organizar amistosos da Seleção Brasileira até o final da Copa do Mundo de 2022. A revelação está na Folha de S.Paulo de hoje, assinada por este blogueiro.

Desde 2006 a ISE é responsável pelos amistosos do time da CBF que não estiveram contidos no contrato com a Nike, num acerto que vigoraria até 2010 e que foi alterado em março daquele ano para contemplar mais 10 partidas da seleção. Teixeira assinou o novo contrato pela CBF e, pela ISE, um tal Moheyddin Kamel, que teria sido apresentado por Sandro Rossel, presidente do Barcelona.

Então, já era dada como certa a saída de Teixeira da CBF.

Rossel é investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal por seu envolvimento no amistoso entre as seleções do Brasil e de Portugal, em 2008, quando recebeu R$ 9 milhões para organizar o jogo. O novo contrato da CBF/ISE prevê o pagamento de uma taxa fixa de US$ 805.000 pelos jogos ainda referentes ao contrato antigo e de US$ 1.050 pelo acordo que vigorará até 2022.

Veiga e o dilema da escolha

Por Gerson Nogueira

O drama de um técnico que dispõe de uma multidão para escolher a equipe titular começa pela baixa qualidade da mão-de-obra. Dos quase quatro times que o Remo tem, dá para escolher, com muita boa vontade, 13 nomes. Por esse ponto de vista, a escalação prevista para o jogo decisivo de amanhã é a melhor possível, nas circunstâncias.

Gustavo; Rafael Andrade, Marcelão e Igor João; Dida, André, Edu Chiquita, Laionel e Andrezinho; Ratinho e Fábio Oliveira (Mendes). Marcelo Veiga, que identificou logo a avenida existente na lateral esquerda, tratou de trazer um jogador de sua confiança, Andrezinho. Cuidou também do crônico problema no miolo de zaga, indicando Rafael Andrade.

Como o tempo é curto para treinar a nova formação, Veiga esquematizou o time no 3-5-2, sistema que normalmente usava durante seus sete anos de Bragantino. Na preparação para o jogo, o técnico insiste na aproximação entre os jogadores como recurso para diminuir a possibilidade de erros, principalmente na troca de passes.

É um desafio para qualquer treinador estrear logo em jogo decisivo, onde a derrota significa a eliminação sumária da competição. Veiga, em conversa na RBA no domingo à noite, demonstrou estar consciente dos riscos. Acredita que, na base do diálogo, vai desmanchar a nuvem de intranquilidade que encontrou no Evandro Almeida. Para ganhar a confiança dos boleiros, descartou dispensas antes de garantir a classificação.

Boas intenções às vezes garantem resultados positivos. Veiga talvez esteja no caminho certo do ponto de vista das relações humanas, mas o Remo precisará mostrar contra o Vilhena um time mais arrumado, comprometido e determinado do que aquele que se deixou golear com tamanha passividade pelo Penarol, em Itacoatiara. Acima de tudo, o Remo precisa jogar bola, pois mesmo um adversário modesto pode criar problemas no Mangueirão. A história recente mostra isso.

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A notícia se espalhou como fogo no capim seco, logo depois do empate com o Icasa, sábado à tarde. O Paissandu estaria com duas folhas salariais em atraso, gerando com isso um clima de descontentamento no elenco e o surgimento de situações localizadas, como o caso do meia Robinho, que teria pendências não assumidas pelo clube.

Em entrevistas, no domingo, o presidente não admitiu a dívida com os jogadores. Ao contrário, preferiu bravatear. Aos gritos, disse ter vontade de chegar na Curuzu e dispensar vários atletas. O discurso vazio da falsa valentia, que irrompe sempre em momentos de crise, já não impressiona ninguém, nem mesmo torcedores mais ingênuos.

Ao invés de potocas, a diretoria deve se organizar para cumprir o compromisso com o elenco. Numa competição difícil e equilibrada como a Série C, pagar em dia pode fazer uma enorme diferença neste returno da primeira fase.

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Uma grande publicação europeia finalmente reconhece o campeonato nacional do Brasil como um dos mais fortes do mundo. Trata-se da revista britânica Four Four Two, que situou o Brasileirão num honroso quarto lugar, abaixo apenas dos certames Inglês, Alemão e Espanhol, e à frente de competições tradicionais, como o Italiano, o Português e o Francês.

Na reportagem, a FFT justifica a surpreendente posição do torneio brazuca no ranking pelo grau de equilíbrio entre os times que brigam pelo título. A contratação de bons veteranos, como Forlán, Seedorf e Luís Fabiano, também ajuda a alavancar a imagem da Série A brasileira.

Para variar, o lado negativo diz respeito à atenção com o torcedor. A revista informa que o sistema de transportes é ruim, há muita insegurança nos estádios e os ingressos custam mais caro do que na Europa. No quesito “qualidade do futebol”, o Brasil também não aparece bem, obtendo apenas nota 4, contra 10 dos três primeiros torneios da lista.

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A CBF anunciou ontem uma novidade que pode dar samba no país do breganejo. Vai criar, ainda neste ano, a Copa do Brasil sub-20. O torneio será realizado entre os meses de outubro e dezembro, com 32 participantes de todo o país. O objetivo é promover e valorizar o trabalho das categorias de base, ajudando a revelar jogadores para as seleções amadoras.

A Copa BR sub-20 deve dar vaga para a Taça Libertadores da categoria, que foi criada no ano passado pela Conmebol. Falta definir como serão escolhidos os times participantes, embora a hipótese mais viável seja o respeito ao ranking do futebol profissional.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 28)