Classificação do grupo A da Série C

Clubes pts. J V E D GP GC S
1  Luverdense-MT 12 6 4 0 2 9 9 0 66.7
2  Fortaleza 11 6 3 2 1 5 4 1 61.1
3  Icasa-CE 10 6 3 1 2 7 7 0 55.6
4  Santa Cruz 10 6 2 4 0 12 7 5 55.6
5  Águia 9 6 2 3 1 7 6 1 50.0
6  Salgueiro-PE 8 6 2 2 2 13 10 3 44.4
7  Paysandu 8 6 2 2 2 7 6 1 44.4
8  Guarany-CE 4 6 1 1 4 5 7 -2 22.2
9  Treze 4 6 1 1 4 3 9 -6 22.2
10  Cuiabá-MT 4 6 0 4 2 1 4 -3 22.2

Papão erra muito e cede primeira vitória ao Treze

Com um gol de Brasão aos 27 minutos do segundo tempo, o Treze-PB derrotou o Paissandu na tarde deste domingo e conquistou sua primeira vitória no Brasileiro da Série C. No jogo, realizado no estádio Amigão (Ernane Sátiro) em Campina Grande, o time paraense foi superior na maior parte do tempo, tomando iniciativa nas ações de meio-campo e levando constante perigo à defesa paraibana. Com a improvisação de Pikachu no ataque, o técnico Roberval Davino deu ao setor mais habilidade e movimentação, mas reduziu sua capacidade de definição. Ainda assim, o Paissandu esteve sempre mais perto de abrir o marcador, sendo que a melhor chance foi desperdiçada por Tiago Potiguar, depois que Pikachu driblou o goleiro e deu um passe açucarado para dentro da pequena área. O Treze ameaçava apenas em lances esporádicos, sempre puxados por Brasão.

No segundo tempo, Davino substituiu Alex William (que teve atuação discreta) e lançou outro de seus indicados, o meia Washington, ex-Catanduvense como William. A mexida pouco acrescentou e o time só passou a ter maior presença ofensiva quando o centroavante Kiros entrou na equipe, provocando o recuo de Pikachu para a ala direita. E foi o próprio Pikachu que protagonizou o lance mais agudo do Paissandu, ao avançar livre para a área e sofrer falta do último marcador, Tiago Messias. Pela falta, o jogador do Treze foi expulso, abrindo mais possibilidades ao Papão no jogo.

Ocorre que, apesar de atacar em maior quantidade, o Paissandu não conseguiu chegar ao gol. Quem balançou as redes foi o Treze, por intermédio do atacante Brasão, aos 27 minutos, aproveitando descuido da linha de zagueiros paraense, que não afastou cruzamento sobre a área. Em função da troca de “gentilezas” verbais durante a semana, Brasão tirou a camisa na comemoração e passou no rosto do volante Vânderson, que havia afirmado que o clube paraibano merecia o rebaixamento.

Treze – Danilo; Jamerson, Tiago Messias, Tiago Gasparetto e Luciano Amaral; Vágner Rosa, Everton Cezar, Júlio Zabotto (Manú) e Cristian (Alexandre); Rodrigo Pardal (Alexandre Carvalho) e Brasão. Técnico: Marcelo Vilar.

Paissandu – Dalton; Régis, Marcus Vinicius e Fábio Sanches e Pablo (Pantico); Vânderson, Leandrinho, Robinho (Kiros) e Alex William (Washington); Thiago Potiguar e Pikachu. Técnico: Roberval Davino.

Sobre invenções e invencionices

Por Gerson Nogueira

Costumo recordar o raciocínio de um amigo que já não está entre nós sobre a mania que o Pará futebolístico tem de incensar técnicos de meia-pataca. Ofereça um time inteiramente formado por jogadores nativos para qualquer desses treinadores visitantes e ele, de bate-pronto, recusará a oferta e baterá em retirada, dizia o saudoso cronista, com argúcia e .

Nossos dirigentes não estão nem aí para a realidade ululante, mas o fato é que quase todos os técnicos brasileiros se transformaram em figuras jurídicas, montando em torno de si pequenas empresas. Sempre trazem a tiracolo preparador físico, treinador de goleiros, supervisor e – quando permitem – seu próprio empresário de jogadores, isso quando o próprio treinador também não agencia atletas.

Tem sido assim há muitas luas e não há sinal de mudança. Remo e Paissandu adotam uma estratégia de contratações – de técnicos e jogadores – que beira a ingenuidade. Entregam seus destinos a falsos Messias, que desembarcam aqui com um plano de voo definido pelos próprios interesses e negócios. Como ninguém serve a dois senhores, não há como dar certo.

Escrevo sob a inspiração direta da entrevista do técnico Roberval Davino, na sexta-feira, analisando a situação do Paissandu na Série C e seu instável desempenho. Ganhou quatro pontos fora e entregou cinco em casa. Tudo está sob controle, observa o comandante, mas o torcedor deve ser paciente e ter os pés no chão, como se a galera estivesse iludida com o time que tem.

Bobagem. Ao contrário do que parece, o torcedor é a parte mais lúcida da equação. Por isso, teme nova desilusão na Série C. Depois de assumir o Paissandu dois meses antes da competição, avalizando 13 contratações, Davino ainda repete o bordão de que a base da equipe vem do Campeonato Paraense. A manha está em jogar toda a responsabilidade na situação que encontrou na Curuzu, embora o time atual tenha sido montado e treinado por ele.

Para o confronto de hoje na Paraíba contra o fona do torneio, Davino decidiu inventar. Esclareço logo que não sou inimigo de inventores, até tenho respeito por alguns. A questão é saber se o momento pede invencionices, improvisos. Como a inesperada escalação de Pikachu no ataque. Pode até dar certo, afinal o lateral/ala tem habilidade, traquejo e lampejo de atacante. Receio apenas que, em caso de fracasso na tentativa, o jovem atleta venha a ser responsabilizado, como costuma acontecer com os da terra.

No papel, a estratégia de Davino é valorizar a aproximação entre meio-campo e ataque, com passes em velocidade. Sem centroavante de ofício e com um quarteto de baixinhos (Leandrinho, Alex William, Potiguar e Pikachu), o time tende a ser mais técnico e criativo, embora menos presente na área inimiga. A lamentar a ausência de Harisson nesse quarteto e a barração sistemática de Héliton, o mais rápido atacante do elenco.

—————————————————————

Jogadores de futebol não gostam de falar sobre adversários. Seguem um catecismo particular de respeito absoluto aos outros times, mesmo quando a lógica indica caminho oposto. As entrevistas são verdadeiros desfiles de obviedades. Vânderson, normalmente muito centrado e parcimonioso com as palavras, resolveu mudar o tom da prosa. Foi sincero. De fato, além de intruso, o Treze é o pior time da Série C. Não conseguiu vencer ninguém até agora. E, principalmente por não ter o direito de estar no torneio, deveria mesmo ser rebaixado.

Ocorre que esse discurso franco e sem disfarces pode ter dado de bandeja aos paraibanos o combustível que faltava para encarar o Paissandu hoje com a faca nos dentes. Sentindo-se desafiado, o time desanimado de repente se ergue altaneiro, impávido colosso.

A história lembra tantas outras de superação. Técnicos experientes costumam usar isso para atiçar seus jogadores. A dúvida é se, apenas pela vontade de dar uma resposta a Vânderson, o Treze será capaz de mudar seu destino no campeonato.

—————————————————————

Antes de a pira ser acesa em Londres, poucos acreditavam que as chances de ouro para o Brasil se restringiriam ao vôlei de praia, ao judô e ao imprevisível futebol masculino, de tantas frustrações anteriores em Olimpíadas.

Desta vez, porém, a urucubaca parece ter ficado com nossos mais diretos (e ameaçadores) rivais. Espanha e Uruguai enrolaram a bandeira ainda na primeira fase, propiciando à Seleção de Mano um trajeto bem mais tranquilo até a medalha tão cobiçada. Mesmo com alguns apagões defensivos nos primeiros jogos, o time exibe virtudes interessantes.

Oscar, Neymar e Marcelo são as molas propulsoras do time, compensando com sobras as lambanças da defesa e algumas derrapadas do ataque. (Claro que estou escrevendo isso horas antes do confronto com a zebrada Honduras, neste sábado).

————————————————————–

Direto do Twitter:

Júlio Guerra ‏@juliochem – “Que morram Barueri, Boa Esporte e todos esses clubes que estão na vaga de Remo e PSC na série B”.

—————————————————————

Adriano, goleiro do Remo, é o entrevistado do Bola na Torre deste domingo. Começa às 23h45, depois do Pânico na Band. Apresentação de Valmireko.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 5)