Tribuna do torcedor

Por Diogo Carlos Luz da Silva (diogotorcedor@gmail.com)

Vou ao Mangueirão neste sábado assistir ao Paysandu jogar. Confesso, porém, que vou apenas pela paixão pelo clube, não guardo qualquer esperança que essa equipe que aí está leve o Papão à Série B. Para um time que ficou se preparando tanto tempo para a Terceirona (principalmente durante a paralisação da mesma pelo 13 da PB) os resultados até aqui são desanimadores. Penso que todo time tem uma personalidade e essa formação bicolor possui uma personalidade fraca. Não tem vontade de ganhar, haja vista a quantidade de gols perdidos e a incapacidade de segurar uma vitória. Foi assim contra o Salgueiro, contra o Santa Cruz, não conseguiu empatar com o Fortaleza e nem ganhar do Águia, e contra o Cuiabá foi aquele Deus nos acuda!   Até em treino esse time não ganha. Só peço para que não caiam. Contudo, penso que a diretoria deveria manter o Givanildo para um trabalho em longo prazo. Para que ele possa formatar a equipe de 2013, fazendo do Paraense um laboratório para a Série C. Para completar, a saída do LOP será, se Deus quiser, a grande alavanca para a subida do Papão.

Adeus ao goleiro do Tri

O ex-goleiro Félix, campeão mundial em 1970 com a seleção brasileira, morreu nesta sexta-feira em São Paulo, vítima de uma doença pulmonar obstrutiva crônica agravada por pneumonia, aos 74 anos. Seu sepultamento será à tarde, na capital, em local não divulgado. Com 47 partidas pelo Brasil, Félix Miéli Venerando foi ídolo no Fluminense, time pelo qual jogou por oito anos (1968 a 76). Paulistano de nascimento, atuou ainda pelo Juventus – time pelo qual se tornou profissional, em 1953 -, Portuguesa e Nacional. Encerrou a carreira após descobrir que tinha calcificação no ombro direito, o que lhe limitava os movimentos. Pelo Flu, Félix foi campeão do Campeonato Carioca em 1969, 1971, 1973, 1975 e 1976, e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em 1970.

Tentou ser treinador, mas não teve sucesso. Dirigiu o Avaí. Foi ainda treinador de goleiros no próprio Fluminense, logo depois que deixou de ser profissional. Félix estava internado desde o dia 18 de agosto. Trabalhou nos últimos anos como diretor comercial de uma empresa que pertencia a seu genro. Deixa três filhas e mulher. Em homenagem ao goleiro, a CBF, via comunicado, anunciou que todos os jogos da rodada deste fim de semana do Campeonato Brasileiro terão um minuto de silêncio.

Vote no mico da semana

Escolha aqui o seu mico preferido dentre os mais destacados da semana:

1) Protesto de araque no Baenão faz o temperamental Edson Gaúcho perder as estribeiras no Baenão. Duas horas depois, mesmo na liderança de seu grupo na Série D, o técnico foi demitido sumariamente. 

2) Primeira tentativa de parceria entre a RC3 Sports, de Roberto Carlos, e o Paissandu termina em fiasco: os dois pernas-de-pau repassados pela empresa ao clube foram dispensados por Givanildo Oliveira.

3) Romário ataca Mano Menezes, que rebate firme chamando o Baixinho de despeitado. O craque da Copa de 1994 recomenda, ao melhor estilo do Capitão Nascimento, que o técnico deve pedir para sair da Seleção.

Amadorismo de duas faces

Por Gerson Nogueira

Pequenas verdades precisam ser ditas, repetidas vezes, sobre a realidade do futebol no Pará. Pela insistência talvez seja possível avançar ou faça com que alguma alma de bom samaritano resolva tomar a atitude necessária. É duro dizer, dói às vezes, mas o certo é que os clubes continuam a atirar a esmo, arriscando sem planejar, mirando em resultados sem investir em gestão moderna.

O mundo da bola se profissionalizou, mas as diretorias de Remo e Paissandu continuam a agir como amadoras. Não adianta nada ficar culpando os dirigentes atuais. Não são piores que os outros, têm apenas uma dose maior de responsabilidade por reprisarem erros antigos sem procurar uma saída.

Às vezes, a faísca da sorte cai do lado de cá e acontece um milagre. Foi assim que o Paissandu virou campeão dos Campeões e, por tabela, chegou à Libertadores. Iludidos com essas conquistas fortuitas, nossos grandes clubes não saem do círculo vicioso: contratações de jogadores a rodo, apostando no escuro e esperando que o milagre de 2002 se repita.

Os técnicos se revezam, passando entre dois e três meses (é a média dos últimos cinco anos) por aqui e depois partindo sem deixar herança ou saudade. Que ninguém culpe os treinadores, eles são convidados e encontram aqui estruturas capengas e viciadas.

No fundo, ninguém se compromete com mudanças. Poucos são os verdadeiros baluartes, sinceramente preocupados em contribuir para o soerguimento dos clubes. Em geral, chegam cheios de boas intenções mas desprovidos de grandes ideias. O problema é que a maioria só está interessada em sugar benefícios, satisfazer projetos políticos pessoais, obter faturamento fácil ou apenas surfar na exposição midiática.

Virou folclore, mas continua a exigir a figura do dirigente meteoro, que se envolve com o clube por ciclos, empreende uma carreira interna e às vezes chega à presidência. Quando se imagina que o ardor clubístico dará lugar a um trabalho enxuto e modernizante eis que a coisa se resume a pinimbas domésticas, que só atravancam o avanço administrativo e dividem o clube em facções que se digladiam entre si.

O torcedor, vértice mais poderoso (e amador) da equação, é o único a contribuir para o engrandecimento do clube, pois comparece sempre que é motivado – às vezes, até sem qualquer atrativo ou chamariz. Padece com as mazelas dos estádios desconfortáveis, enfrenta a insegurança das ruas, a ruindade dos times e a lábia dos cambistas para exercer o legítimo direito de torcer, incondicionalmente.

Do torcedor depende a sobrevivência dos nossos gigantes, cada vez mais frágeis e empobrecidos. Só o torcedor pode salvar o futebol paraense da extinção. Mas, como agente, precisa se mexer e tomar atitudes. Não como anteontem nas arquibancadas do Baenão, quando havia o óbvio interesse em tumultuar o ambiente e pavimentar a queda de mais um treinador.

Os esforços devem ser concentrados na fiscalização das gestões e na cobrança intransigente de eleições diretas, como forma de arejar, renovar o ambiente do futebol. Os inimigos dessa participação popular no futebol argumentam com o risco de aventureiros assumirem o poder, inviabilizando ainda mais a existência dos clubes. Ora, mais do que os parasitas e acomodados de agora já fazem?

A mudança buscada chama-se democracia. Mecanismos de transparência permitem corrigir rumos, afugentar oportunistas e descobrir novos caminhos. Você pode achar que, como Lennon, sou um sonhador, mas eu ainda acredito.

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Andrezinho, lateral-esquerdo, e André Astorga, ex-zagueiro do próprio Remo, estariam na agenda de Marcelo Veiga para remontar o trôpego setor defensivo azulino na Série D. Astorga, na passagem por aqui há quatro anos, não foi mais que um zagueiro de atuações discretas, embora lento para a posição. De toda sorte, é bastante superior aos que o Remo reúne no elenco atual.

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O Botafogo venceu o Palmeiras na quarta-feira, depois de passar um primeiro tempo afundado na letargia. Parecia disputar um reles amistoso. Quando se espertou, puxado por grande atuação de Seedorf, chegou fácil aos 3 a 1, insuficientes para garantir a classificação na Copa Sul-Americana.

Depois da vitória-derrota, o técnico loroteiro seguiu teorizando sobre o nada, arranjando desculpas esfarrapadas para a ausência de agressividade nos momentos decisivos e o pouco entusiasmo inicial da equipe.

Não duvido que, daqui a algumas semanas, o Alvinegro estará entregue à rotina habitual: lutar por uma vaga na Sul-Americana do ano que vem, para disputar com a indolência habitual e sair do jeito que tem sido sempre. Isto cansa.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 24)

O julgamento do mensalão, a farsa e os farsantes

Por Bob Fernandes

Há quem diga ser uma farsa o julgamento do chamado “mensalão”. Não, o julgamento não é uma farsa. É fruto de fatos. Ou era mesada, o tal “mensalão”, ou era caixa dois; essa que (quase) todo mundo faz e usa. Mas não há como dizer que há uma farsa. E quem fez, que pague o que fez. A farsa existe, mas não está nestes fatos. Farsa é, 14 anos depois, admitir a compra de votos para se aprovar a reeleição em 98 -Fernando Henrique Cardoso-, mas dizer que não sabe quem comprou. Isso enquanto aponta o dedo e o verbo para as compras que agora estão em julgamento. A compra de votos existiu em 97. Mas não deu em CPI, não deu em nada.

Farsa é fazer de conta que em 1998 não existiram as fitas e os fatos da privatização da Telebras. É fazer de conta que a cúpula do governo de então não foi gravada em tramoias e conversas escandalosas num negócio de R$ 22 bilhões. Aquilo derrubou um pedaço do governo tucano. Mas não deu em CPI. Ninguém foi preso. Deu em nada. Farsa é esquecer que nos anos PC Farias se falava em corrupção na casa do bilhão. Isso no governo Collor; eleito, nos lembremos, com decisivo apoio da chamada “grande mídia”. À época, a Polícia Federal indiciou mais de 400 empresas e 110 grandes empresários. A justiça e a mídia deixaram pra lá o inquérito de 100 mil páginas, com os corruptos e os corruptores. Tudo prescreveu. Fora PC Farias, ninguém pagou. Isso, aquilo, foi uma farsa.
Farsa foi, é, o silêncio estrondoso diante do livro “A Privataria Tucana”. Livro que, em 115 páginas de documentos de uma CPI e de investigação em paraísos fiscais, expõe bastidores da privatização da telefonia. Farsa é buscar desqualificar o autor e fazer de conta que os documentos não existem ou “são velhos”. Como se novas fossem as denúncias agora repisadas nas manchetes na busca de condenações a qualquer custo.
Farsa é continuar se investigando os investigadores e se esquecer dos fatos que levaram à operação Satiagraha. Operação desmontada a partir da farsa de uma fita que não existiu. Fita fantasma que numa ponta tinha Demóstenes Torres e a turma do Cachoeira. E que, na outra ponta da conversa que ninguém ouviu, teve (ou melhor, teria tido), o ministro Gilmar Mendes.
Farsa é, anos depois de enterrada a Satiagraha, o silêncio em relação a 550 milhões de dólares. Sim, por não terem origem comprovada, US$ 550 milhões continuam retidos pelos governos dos EUA e da Inglaterra. E o que se ouve, se lê ou se investiga? Nada. Tudo segue enterrado. Em silêncio.
O julgamento do chamado “mensalão” não é uma farsa. Farsa é, isso sim, isolá-lo desses outros fatos todos e torná-lo único. Farsa é politizá-lo ainda mais. Farsesco é magnificá-lo, chamá-lo de “o maior julgamento da história do Brasil”. Farsa não porque esse não seja o maior julgamento da história. Farsa porque se esquecem de dizer que esse é o “maior” porque NÃO EXISTIRAM outros julgamentos na história do Brasil em relação a todos estes casos e tantos outros. Por isso, esse é o “maior”.
Existiram, isso sempre e a cada escândalo, alianças ideológicas e empresariais na luta pelo poder. Farsa, porque ao final prevaleceu sempre, até que visse o “mensalão”, o estrondoso silêncio cúmplice.