O Brasil e as Olimpíadas

Por Edyr Augusto Proença

Muito engraçada a legenda de uma foto postada no Instagram, tirada da televisão, onde o ministro Joaquim Barbosa falava durante o julgamento do mensalão: melhor que as olimpíadas.. Os jogos, que se realizam em Londres, estão sendo transmitidos pela Record, que afrontou a Globo comprando os direitos. As imagens são excelentes, mas as locuções, não. Nossos profissionais se acostumaram a narrar com dose alta de torcida, porque na grande maioria das vezes, trabalham em jogos de vôlei e futebol. Então, induzem o espectador a torcer, acreditar na possibilidade de vitória, que poucas vezes vem. Então damo-nos conta da abissal distância de nosso nível esportivo para as grandes nações do planeta. A entrevista da moça que ganhou a medalha no judô, emocionada, saiu do Piauí, acho, chegou com pouco peso ao centro de treinamento, lutou duramente até a conquista. Os caras do halterofilismo, corrida, tênis de mesa e muitos outros esportes, que não recebem nenhuma atenção, nenhum investimento, que trabalham oito horas seguidas e só depois, usando tênis usados, impróprios, carregando barras de ferro com pesos de cimento, improvisados, de repente vêem-se ali, no ginásio ultra moderno, lotado e com jornalistas brasileiros cobrando resultados. Lutam, dão a vida, não conseguem e nós, aqui, após torcer, resmungamos que eles não são de nada. Passo pelo faxineiro do prédio que olha os últimos momentos da vitória japonesa sobre as meninas brasileiras no futebol. Está revoltado pela derrota, justamente para o Japão! Não interessa se as moças nem tem onde jogar e quando jogam é em campos esburacados, sem nenhuma atenção, à exceção de Marta que foi fazer sua vida na Europa.
E fico pensando nas Olimpíadas no Brasil. Em quatro anos não faremos nenhuma revolução aqui. A geração que chegaria a disputar as medalhas e assim justificar os investimentos feitos, já deveria estar trabalhando há pelo menos quatro anos e isso não foi feito. Pior, estaremos submetendo esses atletas a uma pressão terrível, feita pela família, vizinhos, todo mundo, a tentar vitórias impossíveis. E serão xingados, vaiados, pois temos a mania de achar que vamos vencer tudo, que brasileiro não desiste nunca. Sinceramente, acho até perigoso realizar os jogos no Brasil. Não temos culpa de nada. Ou temos, toda a culpa, por votar em quem não devemos votar.

2 comentários em “O Brasil e as Olimpíadas

  1. Nossos medalhistas são tão renegados, que até o cronista nem se interessou em saber o nome da moça que ganhou a medalha no judô, e nem tem certeza que ela é do Piauí.
    Égua!

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