A frase do dia

“O Mano vai continuar, ele não é o culpado pela derrota, como não seria o salvador da pátria em caso de vitória. Infelizmente até a Copa do Mundo vai ser assim, a cada derrota haverá questionamento. O grupo da seleção precisa ser fortalecido. O clima agora é de tristeza, mas já existe uma base (de jogadores) que será trabalhada até a Copa”.

De Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF.  

Givanildo é apresentado ao elenco do Paissandu

Acabou de acontecer na Curuzu o primeiro contato de Givanildo Oliveira com o elenco do Paissandu. Ao lado do presidente Luiz Omar Pinheiro e outros dirigentes, o técnico falou por mais de 20 minutos sobre seus planos para a campanha na Série C. Pediu o comprometimento e o empenho de todos para a conquista do acesso à Série B. (Foto: Ascom/Paissandu)

Repórter olímpico e as feras do boxe

O repórter olímpico da Rádio Clube, Giuseppe Tommaso, ao lado dos medalhistas do boxe, irmãos Yamaguchi e Esquiva Falcão. A fotografia foi tirada no interior do Airbus ainda no aeroporto de Londres, antes da decolagem rumo ao Brasil. Excelente trabalho de Tomazão, pra variar, dando informações exclusivas sobre os Jogos de Londres para a Clube, DIÁRIO DO PARÁ e RBATV.

Medalha do futebol é a única sem verba pública

Por Ricardo Perrone

Das 17 medalhas obtidas pelo Brasil em Londres, só a prateada do futebol foi conquistada por uma modalidade ou atletas que não contam com apoio direto de dinheiro público. O judô, responsável por quatro medalhas, é patrocinado pela Infraero. E o quarteto medalhado é beneficiário do Bolsa Atleta, programa do Ministério do Esporte. Assim como os três medalhistas do boxe, patrocinado pela Petrobras.

Já a Confederação Brasileira de Vôlei, que comemora outras quatro medalhas, é apoiada pelo Banco do Brasil. Os Correios são parceiros da natação, dona de uma prata e um bronze. A Caixa Econômica Federal patrocina a ginástica, esporte do medalhista de ouro Arthur Zanetti, também atleta bolsista. Na vela, Bruno Prada, bronze, ganha ajuda de custo do Bolsa Atleta. No Pentatlo Moderno,  Yane Marques, terceira colocada em Londres, é  apoiada pelo programa governamental.

O resultado reforça a tendência de o Estado bancar o esporte brasileiro. O apoio financeiro vai aumentar nos próximos anos. É necessário que os órgãos de controle do governo também incrementem a fiscalização do uso de dinheiro público pelas confederações.

Evitar desvios e desperdícios é fundamental para a evolução do Brasil no quadro de medalhas. Por ora, o crescimento técnico não acompanha o aumento de investimento público. Levantamento do UOL Esporte mostra que a preparação dos atletas para os Jogos de Londres consumiu  R$ 2,1 bilhão contra pouco mais de R$ 1bilhão para a Olimpíada de Pequim. Ou seja, a injeção de dinheiro público dobrou, mas só duas medalhas a mais foram conquistas em Londres: 17 contra 15 em 2008.

Otários metidos a bacanas

Do UOL

Um jornalista da versão online da revista americana Forbes, especializada em finanças e muito conhecida por compilar listas das maiores fortunas do mundo, escreveu um artigo em que ataca o preço excessivo cobrado no Brasil por modelos da Chrysler. Especificamente, citou o Jeep Grand Cherokee, já à venda no país, e antecipou crítica ao futuro preço do Dodge Durango, que só deve ser mostrado no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.
Jeep e Dodge são marcas do grupo Chrysler, hoje controlado pela Fiat.
“Alguém pode imaginar que pagar US$ 80 mil por um Jeep Grand Cherokee significa que ele vem equipado com grades folheadas a ouro e asas. Mas no Brasil esse é o preço de um básico”. É assim, em tradução literal, que começa o texto de Kenneth Rapoza, jornalista que cobre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) para a Forbes. O título original é “Brazil’s ridiculous $80,000 Jeep Grand Cherokee”, que, vertido ao pé da letra, fica “O Jeep Grand Cherokee brasileiro de ridículos US$ 80 mil”. O termo ridiculous, quando usado em frases construídas assim, serve para sublinhar o exagero daquilo a que se refere (no caso, o preço), em vez de simplesmente significar “ridículo”. Mas a crítica continua duríssima.
Rapoza centra sua argumentação nos modelos da Chrysler e não comenta, por exemplo, que mesmo os carros fabricados no Brasil também são relativamente caros. O jornalista aponta os culpados de sempre pelos preços inflados (ele prevê o Durango a R$ 190 mil): impostos sobre importados e outras taxas aplicáveis a produtos industriais. “Com os R$ 179 mil que paga por um único Grand Cherokee, um brasileiro poderia comprar três, se vivesse em Miami”, escreve Rapoza. O valor é o da versão Laredo; a Limited custa R$ 204,9 mil.
Mas a questão principal, para ele, é mostrar que o brasileiro que gasta esse dinheiro todo num modelo Jeep não deveria acreditar que está comprando um produto que lhe dê status. “Sorry, Brazukas” (sic), escreve Rapoza. “Não há status em comprar Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Cherokee ou Dodge Durango; não se deixe enganar pelo preço cobrado”.
O jornalista acrescenta que “um professor de escola primária pública no Bronx [bairro de Nova York]” pode comprar um Grand Cherokee pouco rodado, enquanto no Brasil trata-se de carro de bacana. A citação de Civic e Corolla é importante porque, nos Estados Unidos, estes são considerados carros baratos, de entrada — mas no Brasil, mesmo fabricados localmente, custam mais de R$ 60 mil (cerca de US$ 30 mil).

SE É CARO, É MELHOR
O que Kenneth Rapoza diz, no fundo, é que o consumidor brasileiro confunde preço alto com qualidade, e/ou atribui status a qualquer coisa que seja cara. O jornalista reconhece que vê esse “valor de imagem” em carros de Audi, BMW, Mercedes-Benz e grifes esportivas italianas, mas jamais em modelos do grupo Chrysler. Essa tese é explicada exaustivamente por Rapoza nas respostas aos comentários de leitores, que, até a publicação desta reportagem, eram 88 – muitos deles postados por pessoas usando nomes brasileiros.
Ali, o próprio Rapoza arrisca algumas palavras em português. Em seu perfil no site da Forbes, o jornalista relata que cobriu o país “pré-Lula e pós-Lula”, sendo que nos últimos cinco anos trabalhou como correspondente aqui para o Wall Street Journal e a agência Dow Jones. Agora está baseado em Nova York.

Goleada não pode iludir

Por Gerson Nogueira

A goleada que o Remo aplicou no Náutico reflete exclusivamente o esforço a determinação do time no segundo tempo. Os primeiros 45 minutos foram arrastados e difíceis de assistir, com o time paraense pouco superior ao atrapalhado visitante, que quase abriu o placar aos 39 minutos em seu único ataque até então.

As chances do Remo se limitavam aos escanteios e a algumas tentativas isoladas de Fábio Oliveira e Ratinho. Os laterais não conseguiam participar das jogadas ofensivas e Reis recuava em excesso, longe do posicionamento mostrado em Rio Branco na vitória sobre o Atlético-AC. A afobação para fazer logo o gol também se manifestava na maioria dos ataques.

No segundo tempo, Edson Gaúcho resolveu reforçar o meio-campo. Botou Chiquita em campo e tirou Fábio Oliveira. Instalou-se o caos no time, pois a meia cancha continuou como antes e o ataque perdeu seu homem de referência. Por sorte, André acertou um cabeceio e abriu o placar.

Para corrigir a mexida errada, o técnico substituiu o inoperante Ávalos por Cassiano e Laionel por Mendes. Ratinho, então, começou a aparecer mais para o jogo, mostrando desembaraço. Veio o segundo gol, em pênalti que provocou a expulsão de um defensor do Náutico.

Com a vantagem numérica e a vitória parcial, o Remo passou a tocar a bola, valorizando o domínio territorial. Surgiram também boas manobras pela direita com Cassiano e Dida. O terceiro gol veio logo em seguida em tentativa isolada de Ratinho, que disparou um chute forte de fora da área, enganando o goleiro Stanley.

Outras chances apareceram, mas Cassiano e Diego Barros erraram nas finalizações. O Náutico, mesmo com um homem a menos e sinais de esgotamento físico, continuou ameaçando e até criou dois lances de muito perigo com o atacante Robgol. Aos 40 minutos, em mais uma arrancada que envolveu quase todo o setor de criação e ataque, o Remo fechou o placar. Depois de um cruzamento da direita, André passou de cabeça para Mendes fuzilar a meta de Stanley.

O placar de 4 a 0, festejado pela torcida, não pode criar falsas ilusões. Contra um time tecnicamente inferior, o Remo poderia ter disparado uma goleada até maior se jogasse com mais criatividade desde o início e o ataque não errasse tanto. Ao mesmo tempo, as limitações do ataque adversário não impediram que a defesa cometesse seguidas falhas, evidenciando o crônico problema localizado no miolo da zaga.

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A vitória foi suada, garantida já no apagar das luzes, como diziam os locutores de antigamente. O resultado, porém, foi suficiente para recolocar o Paissandu no G4 do grupo A da Série C. O time mostrou também uma distribuição diferente em campo, com alguns jogadores que tinham sido esquecidos por Roberval Davino.

Ocorre que alguns, como Harisson e Leandrinho, não aproveitaram a oportunidade e tiveram atuação decepcionante. O gol de César, abrindo o placar no Mangueirão, assustou o Paissandu e irritou sua desconfiada torcida.

Somente no segundo tempo, em duas jogadas rápidas, a vitória se confirmou. Antes, porém, mais sustos para a galera. Leandro Cearense e Evandro tiveram chances de matar o jogo. Dalton e Fábio Sanches salvaram bolas que tinham endereço certo.

Como técnico interino, Lecheva não pode ser responsabilizado pelo mau começo do time, mas é fato que andou se equivocando nas mexidas. Kiros entrou no segundo tempo e nada acrescentou ao ataque. Pantico, idem.

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Fazia muito tempo que não se tinha notícia de uma surra tão impiedosa sofrida pelo Águia em torneios nacionais. A goleada de 5 a 1, ontem, em Lucas do Rio Verde, deixa o time em posição aflitiva na tabela de classificação e quebra a imagem vencedora que o Azulão de Marabá sempre ostentou.

O gol de Carlão deu a impressão de que o Águia poderia surpreender o líder da chave. Mesmo empatando o primeiro tempo, o jogo parecia normal. A casa começou a cair a partir do terceiro gol, escancarando as fragilidades da equipe. O resultado foi atípico, mas evidencia problemas que devem ser corrigidos de imediato.

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A vexatória atuação brasileira na final olímpica do futebol, sábado, reabre o debate sobre o comprometimento dos jogadores da Seleção Brasileira. Surpreendidos por um esforçadíssimo time mexicano, os jogadores brasileiros não sabiam como e o que fazer para sair da arapuca. Um filme ruim que a gente vê se repetir a cada grande competição desde a Copa de 2006.

Quando deu sinais de que poderia acertar o passo, a poucos minutos do fim, a zaga cochilou num escanteio e ficou olhando Peralta marcar o segundo gol. Hulk diminuiu o prejuízo, mas era tarde. Oscar, no minuto final, podia ter empatado, mas cabeceou errado.

Erros individuais e um espantoso apagão tático podem ser apontados como as causas de mais uma decepção brasileira em Olimpíadas. Não se pode esquecer, contudo, que nosso principal jogador e esperança de craque, Neymar, voltou a desaparecer num jogo decisivo. Talvez isso seja mais preocupante que a própria derrota.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 13)