Remistas preparam festa pelo novo pórtico

Operários ainda trabalham nos ajustes finais do escudo do Clube do Remo no estádio Evandro Almeida. A entrega solene e festiva do novo pórtico, reconstruído depois da destruição promovida há dois anos, acontecerá na manhã de sábado (18), com a presença da torcida azulina e dos grandes beneméritos do clube. Na ocasião, serão ainda comemorados também os 101 anos da reorganização do clube, que transcorre neste 15 de agosto com vários eventos na sede social de Nazaré.

E sobrou para o paraense

Por Gerson Nogueira

Espécie de praga nacional, dirigentes de futebol são quase sempre alienados ou gostam de agir como tal. As declarações de Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF, bancando a permanência de Mano Menezes no escrete, se inserem nessa galeria de desvarios próprios da cartolagem. Somente a insensibilidade de quem deixou de ser torcedor para permitir afirmações tão deslocadas da realidade.

Ao contrário do que parece pensar o diretor da CBF, a derrota do Brasil na final olímpica não foi recebida como um resultado qualquer. No contexto da Olimpíada, o vexame ganhou relevância pela maneira como a seleção se apresentou, descompromissada e sem a entrega que o torcedor espera de atletas que defendem o time nacional.

Junte-se a isso a opinião que é quase unânime entre os torcedores de que jogadores de futebol constituem uma casta de privilegiados no universo dos esportes no Brasil. Há um evidente exagero nesse pensamento, mas alguns dos que estavam em Londres têm de fato esse perfil.

Ao mesmo tempo, o trabalho de Mano Menezes é cada vez mais questionado. Montou um esquema único para a disputa da Olimpíada, chamou jogadores errados na faixa acima dos 23 anos. Não se justifica a opção por Huck e o esquecimento do atleticano Bernard, por exemplo. Como também é difícil entender os motivos da barração de Lucas, que só entrou nos minutos finais da decisão. O Brasil precisava àquela altura de um jogador com suas características, que pudesse mudar o ritmo das coisas e capaz de romper o forte bloqueio mexicano.

Vai daí que a intempestiva entrevista, apenas três dias depois da decepcionante jornada em busca do ouro olímpico, coroa o quadro de absurdos que envolve a entidade controladora do futebol nacional. Além de um presidente arcaico, que cumpre o papel de sub-Teixeira, há ainda um cartola que administra a Seleção como tratava seu clube, o Corinthians.

Seleção é coisa séria. É possível até entender as preocupações de Sanchez em blindar o técnico Mano Menezes. Afinal, o cargo é importante. A Seleção é a grande vitrine para o comércio de jogadores com clubes estrangeiros. Como se sabe, depende do comandante do escrete a opção de convocar este ou aquele jogador, decisão que pode levar a negócios milionários, interessando diretamente aos clubes e investidores.

No mesmo dia da manifestação do dirigente, foi anunciada a dispensa técnica de Paulo Henrique Ganso do amistoso de hoje com a Suécia. Na prática, o meia foi o único punido e responsabilizado pelo fiasco de sábado. Pouco utilizado por Mano Menezes durante o torneio em Londres, o meia-armador paraense pareceu sempre um estranho no ninho e voltou a reclamar de dores que atrapalhavam sua participação até nos treinos.

Foi nesse período que surgiu uma discreta e sórdida campanha de desgaste do meia paraense nos jornais, internet e emissoras de TV, com insinuações de que estaria fazendo corpo-mole e evitando até treinar.  Circulou até uma notícia comparando a “apatia” de Ganso com a disposição que Neymar mostrava nos treinamentos.

Impossível não lembrar o ocorrido com outro paraense, Giovanni na Copa de 1998, quando foi vítima desse tipo de marketing negativo. Apesar do inegável talento, o meia foi fritado por Zagallo no escrete. Seu pecado foi ter contrariado interesses poderosos em torno da Seleção, incluindo algumas cobras criadas da mídia esportiva. Ganso que se cuide.

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Cena típica dos nossos estádios: domingo, durante o jogo Remo x Náutico no Baenão, cerca de 50 torcedores brigões foram presos e encaminhados à Delegacia de São Brás. Para surpresa de quem se preocupou em checar, nenhum deles deu entrada na Seccional. Hipóteses possíveis para o estranho fenômeno: uma improvável fuga em massa ou a liberação pura e simples dos desordeiros do lado de fora do estádio remista.

Não precisa ir muito fundo na análise para perceber que situações como essa é que emperram o combate à violência nos estádios de Belém. Enquanto o problema for tratado com pouco caso, os baderneiros continuarão dando as cartas.

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Givanildo Oliveira não pediu, mas ganhou logo no primeiro dia de Paissandu dois candidatos a reforços, enviados pela RC3 Sports, empresa pertencente a Roberto Carlos. Há tempos que a parceria entre o Paissandu e a empresa parecia ter murchado. A chegada dos dois jogadores reabre os entendimentos, mas vai depender do nível técnico de ambos.

Sob desconfiança geral, pela ausência de informações sobre suas carreiras, os dois atletas serão avaliados por Givanildo. O meia Grizolli e o atacante Ronaldinho, caso sejam contratados, podem vir a suprir dois setores carentes no clube. No meio-de-campo, não há até hoje um camisa 10 digno desse número mítico. E o ataque depende de Rafael Oliveira, desde que o grandalhão Kiros perdeu a condição de titular.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 15)

As frases do dia

‘’O Brasil perdeu a medalha de ouro porque não soube mudar de estratégia, isso ficou claro. Mas, para mim, a seleção precisa mesmo é de uma injeção de caráter. Não pode ter tanta firula. Tem que trazer jogador que tenha talento e sangue. O Pelé era assim: jogava muita bola, mas tinha raça. Com esse time que temos hoje, não ganharíamos a Copa’’.

‘’Ele não pode passar 90 minutos na ponta esquerda. Se não está funcionando, precisa ir para outro lado, buscar espaço. Eu tenho comentado o Campeonato Espanhol e vejo o Messi como o exemplo ideal. Quando a marcação aperta, ele joga em toda parte do campo’’.

De Mazzolla, campeão mundial de 1958, opinando sobre Neymar. 

São Paulo quer tirar corintiano da CBF

Nos bastidores, o São Paulo pressiona a CBF a demitir Andrés Sanchez. A acusação de que ele teria criado obstáculos para Lucas assinar o contrato com o PSG na concentração é usada como prova de que seu corintianismo fala mais alto. Por isso não pode ser diretor de seleções. A pressão é para que sua saída detone uma ampla reformulação. Mas tirar Andrés não é tarefa fácil. Ele se fortaleceu nos últimos meses. A cúpula da CBF percebeu que comprará briga com Mário Gobbi, do Corinthians, se demitir o diretor. E o trânsito de Andrés no PT ficou mais valioso, já que a presidenta não recebe Marin. Além disso, um dos envolvidos na negociação de Lucas disse que ele não sabotou a assinatura. A dificuldade teria sido o credenciamento. (Via Blog do Perrone)

Escudo do Remo volta ao lugar de origem

Depois de ter sido retirado a golpes de picareta, há dois anos, por ordem do então presidente Amaro Klautau, o escudo do Clube do Remo foi reentronizado na tarde desta terça-feira no pórtico do estádio Evandro Almeida. Reconstruir a fachada do estádio era um compromisso da diretoria eleita. Como nesta quarta-feira, o Remo comemora o ato de reorganização do clube, a diretoria decidiu utilizar a data para recolocar o escudo. Fica faltando agora que o Conselho Deliberativo, presidido por Manoel Ribeiro, tome as providências em relação às irregularidades praticadas por AK quando presidia o clube. (Foto: THIAGO ARAÚJO/Bola)