O que une o trio de ferro do continente nesta surpreendente Copa América? A seca de vitórias. Brasil, Argentina e Uruguai não conseguiram vencer seus jogos no torneio até aqui. Para frustração geral, os bichos-papões de títulos da América Sul tropeçaram em adversários menos credenciados. A Celeste Olímpica empatou dois jogos e fez dois gols. A anfitriã Argentina também tem dois empates e marcou só uma vez. O Brasil não passou de um 0 a 0 na estréia diante da Venezuela.
Há algum tempo que os técnicos brasileiros repetem exaustivamente a máxima de que não existe mais time bobo em futebol. Antes mesmo da decepcionante partida inaugural com os venezuelanos, Mano Menezes já profetizava que acabou a era das “galinhas mortas”.
Claro que a análise dos “professores” tem um fundo de verdade. As equipes mais modestas evoluíram e dificultam para qualquer adversário. Mas é fato também que os favoritos de antigamente sofrem um processo de regressão que tem raiz no gigantesco e lucrativo negócio que envolve o futebol hoje.
A exportação em massa de jogadores para o futebol europeu, principalmente, golpeou fundo as seleções sul-americanas. O processo se iniciou há mais ou menos três décadas, tornando-se visível a partir da Copa do Mundo de 1982, na Espanha.
Naquela edição do torneio, Brasil e Argentina começaram a apresentar times recheados de “estrangeiros”. Suas principais estrelas (Falcão, Zico, Sócrates, Maradona, Passarella) já estavam brilhando nos grandes clubes europeus. O fenômeno, desde então, se ampliou brutalmente.
Como efeito imediato desse êxodo, os selecionados passaram a se reunir às vésperas dos jogos. Mesmo para torneios importantes, o período de treinamentos é mínimo, levando os treinadores a buscarem compensar isso com muita conversa. Pela ausência de tempo, coletivos e exercícios táticos são, cada vez mais, artigos de luxo.
Os mais penalizados por essa realidade são os países exportadores, como Brasil, Argentina e Uruguai. Isso ajuda a explicar porque o melhor jogador do mundo, Lionel Messi, encanta as platéias quando veste a camisa do Barcelona, mas decepciona quando defende o escrete de seu país. Sua queda de rendimento é justificável: no clube, há uma agenda permanente de preparativos, o que leva ao entrosamento. No selecionado, o êxito depende da inspiração individual dos jogadores.
Por outro lado, os países menos tradicionais mantêm equipes maciçamente domésticas, possibilitando mais oportunidades para treinar. É uma clássica inversão de valores, que nivela as competições entre seleções, pois os primos pobres do continente tendem a endurecer cada vez mais. Paraguai, Equador, Chile e Colômbia confirmam essa tendência.
A Seleção de Mano Menezes, que dispõe de vários titulares pertencentes a clubes brasileiros, tem duríssimo (e decisivo) embate pela frente hoje. O Paraguai tem um time competitivo, que certamente será bem mais perigoso que a Venezuela. Ganso tem nova chance de fazer sua estréia.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 09)
Sr.Gerson
É essa sua capacidade de enxergar assuntos e temáticas inerentes ao futebol que encanta a muitos que gostam do blogue.O dr.Paulo Nogueira(não é seu parente?) ,advogado que a meu convite hoje a tarde acessou seu blogue pela primeira vez na vida me disse que independente do motivo profissional ,vai lhe acompanhar a partir de agora .É remista daqueles que sofrem a ponto de afirmar que não quer mais saber de futebol ,até a próxima partida rsrsrs.
É paraense ,mora em Belém me ligou somente para dizer que ficou encantado com seus conhecimentos sobre futebol e outros assuntos análogos.
Voltando ao tópico não sei se estou errado ,mas poderia acrescentar que a globalização aproximou tanto os rivais que alguns jogadores ,sejam argentinos ,brasileiros,alemães ,salvadorenhos,italianos parecem que não querem “melindrar “o colega de clube e rival de nacionalidade.Em 2006 Cafú saiu aos sorrisos de campo e abraçado a um frances,Robinho tbm.Em 1990 ALEMÃO que era amigo pessoal de Maradona,Careca ,sairam até pra tomar uns choppinhos depois com os rivais.Ou estou errado?
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Jogo duro e se a bandeira dos sem divisão estiver presente novamente a força do mal pode atrapalhar Ganso, Neymar e Cia. Com muito receio vou palpitar 1X0 para a canarinha. Que vença a força do bem.
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