Pelé é o embaixador da Copa de 2014

Depois de dizer que “o Brasil corre um grande risco de se envergonhar se não fizer uma boa Copa”, Pelé recebeu nesta terça-feira da presidente Dilma Rousseff o título de embaixador honorário da Copa de 2014. Segundo o ministro Orlando Silva (Esporte), a presidente assinou um decreto criando a figura do embaixador da Copa. O ministro disse que Pelé terá poderá dar orientações ao governo sobre a Copa, representar o país em eventos e participar das interlocuções com os demais países participantes da Copa e também com a Fifa. “Eu não poderia deixar de aceitar esse convite da nossa presidenta. Eu já faço isso desde quando nasci, desde a primeira Copa eu defendo e faço a promoção do Brasil. É uma responsabilidade muito grande”, disse o Rei.

Não poderia haver escolha melhor. 

Tribuna do torcedor

Por Daniel Malcher (malcher78@yahoo.com.br)

Ontem o Paysandu apresentou um time novo, porém com os mesmos velhos problemas. Embora o desentrosamento seja flagrante, algumas peças destoaram e muito. Thiago Potyguar, por exemplo, esteve abaixo da crítica, contudo há atenuantes que podem explicar seu baixo rendimento, como o desgaste físico, o pouco tempo de treinamento e o notório e já citado desentrosamento.
Rafael Oliveira, Luciano Henrique, Fábio Gaúcho e o treinador Roberto Fernandes, por sua vez, não merecem tanta condescendência. O avante bicolor há tempos não é mais o mesmo, pois está lento em demasia e não é muito participativo em termos coletivos (é, na gíria peladeira, o popular “fominha” ou “gulemeiro”), preferindo arrematar bolas em direção ao gol quando deveria dialogar com seus companheiros em melhor posição. Luciano Henrique foi imperceptível, pois o meio-de-campo do Rio Branco, povoado por até seis jogadores, o engoliu; e Fábio Gaúcho, por sua vez, sentiu o peso da estréia perante a torcida, não se encaixou, deus espaços para o lateral acreano Ley e pouco foi à linha de fundo. Não à toa, e perante sua desastrosa atuação, as principais ações do time acreano foram operadas na faixa de campo ocupada pelo lateral esquerdo bicolor.
Quanto à Roberto Fernandes, acredito que demorou a mexer no time. Não fez uma leitura muita boa do jogo ao colocar o inoperante Andrei, quando deveria ter colocado Sandro numa posição à frente dos volantes, sacando Rafael Oliveira e empurrando assim Potyguar para o ataque.
Fernandes deveria também ter alertado Josiel sobre seu posicionamento equivocado, pois o avante estava muito isolado entre os zagueiros acreanos, o que aumentou sua solidão no ataque em vista ainda da pífia atuação de Rafael Oliveira.
Mas acredito que o time vai melhorar, e para isso a equipe precisa adquirir melhor forma física e entrosamento, o treinador rever alguns conceitos seus e “puxar a orelha” de certos atletas para que os mesmos alterem suas posturas em campo. Vamos, então, dar tempo ao tempo
E para complementar, observei a atuação de dois jogadores que entraram no decorrer da partida e cheguei à seguinte conclusão: Andrei é um jogador de pouquíssimos recursos técnicos e mesmo físicos, e sua entrada não acrescentou nada para uma possível mudança na atuação do time bicolor. Posso até queimar minha língua e Andrei se tornar um grande jogador, isso acontece, mas não é de hoje que o atleta não vem rendendo. Quanto a Zé Augusto, agradeço e muito pelos grandes serviços por ele prestados às causas do pavilhão alvi-celeste, sobretudo pelas vitórias épicas, alcançadas via de regra na “bacia das almas” por intermédio de seus gols salvadores. Mas o velho Zé não agüenta mais, já até perde o compasso ao tentar dominar ou passar a bola para um companheiro. E isso eu vi num lance idêntico ao de ontem, no jogo contra o Bahia, lá no início do ano, pela Copa do Brasil. Não dá mais para ele.   

Coluna: É preciso melhorar muito

O torcedor vaiou o time e saiu do Mangueirão preocupado com o que viu. E as razões são óbvias. Parecia o mesmo Paissandu errático e pouco criativo do Campeonato Paraense, ainda sob o comando de Sérgio Cosme. A defesa transpira insegurança, errando lances bobos. Não há criação meio-de-campo e as únicas manobras lúcidas saíam dos pés de Robinho, que infelizmente se lesionou. O ataque não tem inspiração nem agressividade, dependendo de cruzamentos previsíveis para a área.
Há muito a ser mudado no time de Roberto Fernandes. Não que se esperasse uma atuação de gala nessa primeira apresentação em casa, pela Série C. O desentrosamento entre os setores é evidente, falta melhor condicionamento fisco a alguns jogadores, mas outros impressionam pela má condição técnica.
Luciano Henrique, por exemplo, grande aposta de Fernandes, não viu a cor da bola no primeiro tempo. Tiago Potiguar, grande aposta de todos, entrou em seu lugar e foi a grande decepção da noite. Errou passes simples e não empreendeu nenhuma arrancada em direção à área.
O curto período no futebol chinês parece ter tirado a conhecida explosão de Potiguar e inibido seus dribles curtos em velocidade. Para o Paissandu, não poderia haver notícia pior, pois o meia-atacante é talvez a melhor alternativa para arrumar o setor de criação e tornar o ataque mais forte.
Josiel estreou fazendo um gol, mas passou a maior parte do tempo escondido entre os zagueiros. No segundo tempo, levou mais de 20 minutos assistindo a zaga acreana cortar cruzamentos altos. Nos instantes finais, caiu pelo lado esquerdo e lançou algumas bolas na área sem maior sucesso.
Ficou evidente que Fernandes terá que rever alguns conceitos para tornar o Paissandu mais competitivo. Além da inadequação de Luciano Henrique, o treinador precisa arranjar outro parceiro para Josiel. Em má forma, Rafael Oliveira não funcionou na função e a dupla não deu liga. Foi só o primeiro jogo, mas a impressão não foi boa.
Antes, porém, tem o desafio de dar um jeito no caos do meio-campo.  Charles Vagner é o mais seguro, mas Sandro tem vaga praticamente certa no setor e deve virar titular absoluto caso seja aproveitado jogando mais à frente, quase como meia. Nas laterais, Sidny e Fábio foram apenas previsíveis, sem coragem para buscar alternativas para furar o bloqueio defensivo do Rio Branco. 
 
 
A base do atual elenco do Paissandu é quase toda do Náutico, clube de coração de Roberto Fernandes. Desde o início, tive dúvidas quanto à qualificação de alguns reforços. O empate com o Rio Branco acentuou as incertezas, a começar pelo zagueiro Jorge Felipe, que demonstrou hesitação no combate.
Nada está perdido. O Paissandu tem amplas possibilidades de classificação à próxima fase e ao acesso, mas o tropeço de ontem acende o alerta. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 26)  

Robinho foi o melhor; Potiguar, o pior

Melhores do jogo:

Robinho – Foi disparadamente o jogador mais produtivo e lúcido do time. Enquanto esteve em campo, o meio-campo criou jogadas e alternativas ofensivas.

Charles Vagner – Eficiente no desarme e na cobertura, sabe passar e fez sua parte na proteção à zaga. 

Andrei – Procurou compensar a falta de ritmo de Tiago Potiguar, articulando algumas tentativas no segundo tempo.

Josiel – Apesar de se deixar marcar pela defesa acreana, mostrou oportunismo na chance de gol que apareceu.   

Piores em campo:

Tiago Potiguar – Muita gente foi ao Mangueirão só para vê-lo reestrear. A falta de condicionamento é a única explicação para a terrível atuação.

Rafael Oliveira – Dispersivo e pouco confiante, não parece nem sombra do principal atacante do Paissandu no campeonato estadual.