Torça sempre a favor

Por Paulo Vinícius Coelho

O intervalo das transmissões da TV Pública da Argentina, durante a Copa América, promove a campanha contra a Xenofobia. Alentá, siempre a favor! é o slogan (Torça sempre a favor). A parte genial dos comerciais é usar os nomes de grandes jogadores sul-americanos. Ou melhor, não simplesmente gigantes do futebol da América do Sul, mas ídolos dos maiores clubes da Argentina que nasceram e brilharam em outros países.
Nomes citados como Rubem Páz e Francescoli, craques uruguaios que brilharam no Racing e no River Plate. Percy Rojas, Franco Navarro, peruanos do Independiente, Julio Melendez, craque do Boca Juniors.
Os brasileiros citados são Silva, o Batuta, citado como Machado da Silva, artilheiro do Racing entre 1968 e 1969. Dorval, ponta-direita do Santos bicampeão mundial em 1962 e 1963, que atuou pelo Racing em 1964. E Araquem de Melo, carioca criado no Vasco, que não se destacou no futebol brasileiro, mas foi ídolo do Huracán nos anos 60.
Seria possível citar vários outros brasileiros, como Domingos da Guia e Paulo Valentim, do Boca Juniors, Delém, do River Plate. Você pode contestar os nomes escolhidos. Mas a ideia é bem legal. Abaixo, o texto dos dois comerciais e um dos vídeos que homenageiam uruguaios, brasileiros, peruanos, colombianos, chilenos, bolivianos e o paraguaio José Luis Chilavert.

Descontruindo a festa junina

A vida não cansa de nos empurrar pacotes que não pedimos nem compramos, mais ou menos como agem aquelas operadoras de telemarketing especialistas em tirar do sério até monge zen-bundista. Mas não abri esse post para falar dessas invasões de privacidade pelo telefone. Minha bronca é com a descaracterização das festas juninas. Nasci num lugar que tem Santo Antônio como padroeiro. Basta dizer isso para deixar claro o quanto as festividades do mês de junho me são particularmente caras. Fico, por essa razão, bastante mordido quando entro no shopping bacaninha, super bem transado, perfumes florais no ambiente, etecétera e tal, e deparo com aquele arraial de boutique na praça de alimentação.

E tome comidinhas que nada têm a ver com a quadra homenageada. Cadê o arroz doce, a canjica, a pamonha? Até fazem algumas tentativas toscas, usam (em vão) o nome dessas delícias interioranas, mas o sabor é de palha seca misturada com plástico. Não dá para engolir esse tipo de desrespeito, meus amigos. É um achincalhe.

Ainda mais para quem, lá em Baião, aprendeu desde moleque a apreciar os doces preparados por minha avó Alice. Estamos diante de um verdadeiro crime de apropriação indébita dos nomes dos quitutes juninos por parte de mãos fraudulentas. Alguém precisa localizar e convocar as cozinheiras e doceiras do interior paraense para ensinar essas impostoras da capital.

Além de poluir o visual com sujeitos vestidos de vaqueiros do Texas tirando onda e tomando o lugar dos verdadeiros jecas de junho, alguns desses estabelecimentos cheios de caqueado que infestam o shopping inventam de modernizar a festa. Por sugestão de alguns gênios do marketing, pessoal sempre descoladíssimo, já pipocam alguns pratos alienígenas na quadra junina. Já vi sushi, sashimi e até yakisoba expostos junto com inocentes quindins e cocadas. Não dá, tou pegando corda. É motivo mais do que suficiente para decretar guerra ou, como manda a moda do momento, propor a criação de um novo Estado.