POR GERSON NOGUEIRA

Jogador de grande utilidade no Remo que obteve os acessos às Séries B e A, o meia Jaderson conquistou a confiança dos técnicos e da torcida por apresentar um futebol solidário e produtivo. Dono de boa técnica, veio do futebol paranaense e encaixou perfeitamente na equipe azulina. Após um breve período em baixa, ele dá sinais de que pode assumir um papel importante na campanha da Série A.

O jogo de sábado, diante do Vasco, coroou o bom momento. Ao entrar na etapa final, Jaderson contribuiu de forma decisiva para a reação que levou ao empate em 1 a 1. Esteve muito perto de marcar, ao disparar um chute da entrada da área após passe curto de Taliari. A bola passou tirando tinta da trave de Léo Jardim.

Quem vê as participações de Jaderson no time azulino, sob o comando de Léo Condé, não faz ideia dos problemas que afetaram o meia, desde que, em maio do ano passado, sofreu concussão cerebral após um choque acidental com o zagueiro Novillo, do Paysandu, na decisão do Parazão.

Ele precisou deixar o estádio Mangueirão de ambulância. Hospitalizado, permaneceu por uma semana na UTI devido à gravidade da lesão. O tratamento foi lento e deixou dúvidas quanto à sua recuperação plena para o futebol. Jaderson voltou no 2º turno da Série B 2025, sem conseguir apresentar o mesmo rendimento dos bons tempos.

Neste ano, como vários dos remanescentes da temporada passada, Jaderson maus pedaços sob a direção de Juan Carlos Osório. Teve poucas oportunidades no time principal, sem tempo para se firmar. A situação melhorou com a chegada de Léo Condé, um técnico mais afeito a abrir espaços para todos os jogadores do elenco.

Condé dedicou especial atenção a Jaderson e Marcelinho, jogadores que estavam praticamente descartados por Osório. O lateral-direito tem sido aproveitado como titular e Jaderson tem aparecido regularmente, sempre entrando no 2º tempo, como diante do Vasco.

A presença na Série A representa a chance de um novo recomeço para o atleta, que até se lesionar tinha desempenho impecável, com grandes serviços prestados ao Remo. Jaderson é um tipo raro de meio-campista, que transita de uma intermediária a outra, desempenhando funções de marcação e criação. Às vezes, consegue chegar à zona de finalização.

O Remo tem volantes e meias em quantidade suficiente, como Zé Ricardo, Zé Welison, Patrick, Leonel Picco, Patrick de Paula, David Braga, Pavani e Vítor Bueno, mas Jaderson tem qualidade para se colocar em plano destacado, tornando-se alternativa importante para um campeonato longo, exaustivo e fisicamente seletivo.

Goleiro pode ganhar nova oportunidade

Para o confronto de amanhã com o Independência, na Curuzu, pela Copa Norte, há uma dúvida rondando a comissão técnica do Paysandu: dar ou não uma oportunidade imediata ao goleiro Jean Drosny, após o vexame histórico contra o Nacional, em Manaus, na semana passada.

A ideia é que Jean Drosny, goleiro reserva na Série C e efetivo no time mesclado que o técnico Júnior Rocha utiliza na Copa Norte, tenha a chance de se firmar após as críticas sofridas pela desastrosa atuação da equipe que resultou na goleada de 7 a 0.

Não que o experiente goleiro tenha sido o único responsável pela derrota. É verdade que teve participação no fiasco, falhando em pelo menos três gols, mas o fato é que o vexame foi coletivo. Defesa, meio e ataque sofreram pane total naquela noite fatídica.

Quando as coisas vão mal num time de futebol, o problema costuma sempre estourar no goleiro. Jean Drosny, que foi contratado no começo do ano para ser um possível titular no Brasileiro, merece um tratamento diferenciado, até para não ficar excessivamente marcado pela torcida.

A escalação diante do Independência surge como solução natural e lógica, levando em conta a segurança que o time mesclado precisa ter no jogo, decisivo para as chances de classificação do Papão à próxima fase.

Suspensão de treinador vira treta entre clubes

O desrespeito e a grosseria do técnico Abel Ferreira foram finalmente punidos pela Justiça Desportiva de forma rigorosa. A suspensão de oito partidas foi mantida, apesar da pressão que o Palmeiras impôs nos bastidores em busca de efeito suspensivo.

No Brasil, virou hábito, uma espécie de lei não escrita, relaxar sentenças disciplinares do STJD. O próprio tribunal não mantém uma conduta firme e inflexível, contribuindo para o achincalhe das condenações que viram água, beneficiando uns e outros.

Quando uma punição é levada a sério, há revolta e ranger de dentes por parte dos sentenciados. Os rivais celebram, obviamente satisfeitos, embora tenham o mesmo comportamento quando seus interesses são contrariados.

Desde domingo, quando se confirmou que Abel não estava liberado para trabalhar no clássico Corinthians x Palmeiras, a pinimba se transferiu para as redes sociais, com xavecos e cutucões de parte a parte.

Independentemente dos argumentos, a treta não constrói e nem contribui para melhorar as coisas. As vaidades triunfam, os debates são frágeis e inconsequentes. Continuamos na Idade da Pedra. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 14)

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~ Rogers Hornsby

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