Malandro não perde pênalti

Por João Saldanha

…“Por que será que time brasileiro perde tanto pênalti em tais decisões?”

Duas explicações são as mais evidentes. A primeira é porque nossos jogadores não treinam jogadas de precisão. O pênalti é uma delas, e se o jogador não estiver bem treinado, não terá confiança. Sem confiança, está sujeito a perder a cobrança fácil. O gol fica pequeno, o goleiro vira gigante, a indecisão do canto a chutar, bate forte ou bate fraco – tudo isso passa em fração de segundos na cabeça do jogador. Uma espécie de calor vem à cabeça e, ou a bola vai fora, ou o goleiro faz a defesa. Nossos jogadores são péssimos batedores de pênalti.

Mas tem outra razão, e que é muito forte. Trata-se da tal malandragem do brasileiro. Nunca fiquei convencido de tal malandragem. Sempre achei que não pegávamos nem juvenil com certos povos. De barato dou alguns: em primeiro, armênio emigrado. Saiam de baixo. Sabem tudo. Em segundo, grego internacional. É só botar qualquer um nu, no deserto do Saara, que vira xeque em três meses. Em terceiro lugar, é uma parada dura. Não sei se coloco inglês ou sueco… E, lá no fim, estamos nós com nossa tão falada malandragem.

Na hora de cobrar um pênalti de decisão de torneio – destes tais pênaltis que não existiram – os jogadores querem fazer mais do que o necessário. É de ver o rebolado na hora de dar o chute. Parecem mais baianas na passarela do desfile das escolas de samba. Assim, muitas vezes, perdem o pênalti. Daí, principalmente, tais resultados…

E nossos malandros entram pelo cano. Perdem o pênalti e raramente impressionam. Malandro, mesmo, não perde o pênalti.

O grande João Sem-Medo era craque mesmo. Quando crescer quero escrever assim. Te contar…

Rio esgota ingressos para show de Clapton

Esgotaram os ingressos para o show de Eric Clapton no Rio de Janeiro esgotaram nesta terça-feira (19) após dois dias de venda. Segundo a produtora Media Mania, o artista já está em negociações para um segundo show na cidade, que irá recebê-lo em 9 de outubro, no HSBC Arena. Mr. Slowhand se apresenta no mesmo mês em outras duas cidades, Porto Alegre (6) e São Paulo (12). As apresentações marcam a primeira vinda do “deus da guitarra” ao país em dez anos e fazem parte da turnê de divulgação do último álbum dele, “Clapton”, de 2010. Ingressos para os shows em Porto Alegre e São Paulo podem ser comprados pela internet, pelo  site http://www.livepass.com.br, ou pelo telefone 4003-1527.

Por enquanto, dancei. Mas ainda tenho chances de ver Mr. Slowhand no Rio.

Coluna: Tempo de zebras e fiascos

Diego Forlán, o melhor jogador da última Copa do Mundo, deu ontem um grande depoimento descrevendo com simplicidade o que acontece na atual Copa América. A eliminação dos gigantes Argentina e Brasil, eternos favoritos, estabelece novas bases para se avaliar o futebol do continente. O fato é que o mapa da bola está virado pelo avesso. Peru e Venezuela, tradicionais sacos de pancada, estão surpreendentemente nas semifinais do torneio continental. 
Forlán não disse, mas a indigência técnica é a principal marca desta Copa América. Não há uma seleção que possa ser avaliada como deslumbrante. A coisa é tão grave que nenhum jogador de linha brilhou até aqui. Os grandes nomes da competição são os goleiros Muslera (Uruguai) e Villar (Paraguai).
Até os reconhecidamente bons, como o próprio Forlán e Lionel Messi, desceram ao nível dos pernas-de-pau. Com o nivelamento das equipes, prevalecem os esquemas fechados e a marcação de padrão bovino, como a que o Paraguai executou contra o Brasil domingo.
Não se pode, contudo, atribuir a pobreza da competição – que teve quatro empates em 0 a 0 nas primeiras rodadas – aos emergentes. Pelo contrário. A responsabilidade maior pela decadência deve ser creditada aos bichos papões.
Argentina e Brasil são os maiores culpados pela fase ruim do futebol sul-americano com seus craques “estrangeiros” completamente exauridos pelo esforço na temporada européia. A distorção estoura, em níveis mais amplos, nas Copas do Mundo, disputadas nesta mesma época do ano. Não por acaso, o Velho Continente deitou e rolou nos últimos mundiais. Itália x França decidiram em 2006 e Espanha x Holanda em 2010.
Não que se deva atribuir tudo ao problema do calendário. Em edições recentes da Copa América, já havia a mesma situação e ainda assim o futebol foi de nível satisfatório. Desta vez, porém, o cansaço físico se juntou à ausência completa de inspiração, resultando no fiasco atual.  
 
 
Pode-se dizer que foi a estréia praticamente perfeita. O Paissandu, ao contrário de tantos outros começos de torneios nacionais, debutou com vitória na Série C 2011. O placar foi magro (1 a 0), mas podia ter sido por dois ou três gols. Rafael Oliveira, Robinho, Héliton e Charles Vagner perderam boas chances. Contra um adversário desconhecido, o time resistiu bem ao desentrosamento e à falta de ritmo de alguns jogadores. Perdeu Rodrigo Pontes na metade do 2º tempo, mas soube se segurar na marcação e ainda levou muito perigo nos contragolpes. O ataque foi menos agudo do que poderia ser, mas a defesa exibiu segurança com Márcio Santos e Vagner. Aliás, fazia tempo que o Paissandu não tinha beques tão firmes.
O resultado projeta Mangueirão lotado para as próximas partidas, contra  Rio Branco (AC) e Águia. Em caso de novos triunfos, a classificação à próxima fase fica praticamente selada.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 19)