Participei ontem, na Rádio Clube, de um debate interessante sobre o futuro das divisões de base no futebol paraense e, especificamente, a respeito do acordo de Remo e Paissandu em torno dos direitos federativos de Héliton. Ao contrário dos que acreditam em nova era na relação entre os rivais, penso que duas forças antagônicas têm interesses quase sempre conflitantes e dificilmente estabelecerão parcerias duradouras.
Explico melhor: as condições favoráveis à cessão, quase de graça, de Héliton ao Paissandu têm a ver com os momentos absolutamente opostos vividos pelos dois clubes. O Paissandu, a caminho da Série B, atravessa situação positiva, com astral elevado, dentro e fora de campo. Já o Remo, combalido politicamente, amarga ainda sérios dissabores no futebol, depois de eliminado da Série D.
Diante disso, fica razoavelmente fácil entender o sucesso da transação, apesar dos termos desfavoráveis ao Remo, que recebeu R$ 70 mil de bônus e cedeu o jogador por cinco anos, com direito a 40% do valor de uma possível transferência para outro clube.
Argumentei no programa – ancorado pelo companheiro Valmir Rodrigues, com a presença de Carlinhos Dornelles (pelo Remo) e Antonio Cláudio Louro (Paissandu) – que a negociação só chegou a bom termo porque os remistas estão enfraquecidos, com a torcida desmobilizada e um presidente que tenta a todo custo fazer dinheiro antes de passar o cargo.
Em igualdade de condições, por melhor que fossem as propostas apresentadas à mesa, a transação dificilmente se consumaria. Como é impensável que isso ocorra hoje em sentido contrário, com o Paissandu transferindo – a preço de banana – um bom jogador ao velho oponente.
Não significa que remistas e alvicelestes, através de seus dirigentes, não devam construir uma agenda positiva, de convivência civilizada, que permita, eventualmente, acordos pontuais em torno da transferência de atletas ou qualquer outro item comum.
Ainda no programa, através das palavras do baluarte Dornelles, a constatação de que as divisões de base seguem sem merecer a devida atenção dos gestores. Alheios à redenção que a boa formação de craques pode representar, os clubes locais vivem de espasmos na valorização de suas crias. Qualquer dia desses acabam acordando – ou sumindo do mapa.
Para espanto (quase) geral, o presidente do Remo declara não ter dinheiro para pagar funcionários do clube e jogadores que restaram no plantel. Alega que o clube está ameaçado por cerca de 20 leilões! Para completar, antecipou o recebimento da verba dos próximos três meses de patrocínios e zerou o caixa para o próximo presidente (a ser eleito em dezembro). A pergunta que não quer calar: se Amaro moveu céus e terras para vender o estádio, a título de sanear as dívidas trabalhistas, de onde surgem esses novos leilões judiciais? Há muita coisa a explicar e descobrir nesse campo minado em que o Remo se transformou.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 14)
O que vemos é um clube no fundo do poço, sem dúvida. Mas desculpe, Gérson, é impossível fugir à comparação: se o Paysandu tem os mesmos patrocínios e uma despesa ainda maior, já que sua folha é de 500 mil, e sua dívida maior (10 milhões), será que sua situação é tão diferente? Não tem nenhuma lógica mostrar o Remo como o único clube em dificuldades…
Cito uma situação parecida: o pentacampeonato remista. Naquela época, todos achavam que apenas o Paysandu havia quebrado. Qual não foi a surpresa quando, no que seria o ano do hexa, descobriu-se que a situação financeira remista era ainda pior que a do rival e o penta só havia servido para encobrir as mazelas. O mesmo se dá agora, com papéis invertidos.
Como o Paysandu está em vias de subir, seus problemas vão para baixo do tapete. E é uma pena que seja assim, porque, como no Remo, as cobranças podem demorar, mas chegarão. A oposição à venda do estádio (que também acho errada), só ganhou força quando o time foi eliminado pelo Vila Aurora. Se tivesse retornado à série C, o estádio já estaria vendido, o Aurá seria “paradisíaco” e AK, talvez reeleito.
Serei novamente taxado de “secador”. Também o Ricardo Rezende quando ia aos jornais denunciar os descalabros do Tourinho, era taxado de louco, invejoso, diziam até que não tinha o que fazer pois Tourinho era o maior vencedor da história do Paysandu. Depois, Rezende foi saudado como um dos “baluartes” do clube, “defensor intransigente dos interesses alvi-celestes”, “primeiro-ministro” etc.
Que os clubes ouçam seu alerta no penúltimo parágrafo, Gérson: “Qualquer dia desses acabam acordando – ou sumindo do mapa.”
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Clone, a diferença está na “lisura”.
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Na ausência, o Cláudio “Jagger” se faz representar por seus seguidores.
Não desviem o foco. Todos sabem que o Paysandu tem problemas que aos poucos serão resolvidos e não empurrados tapete abaixo, com interesses obscuros, como vem acontecendo do outro lado.
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Acácio,
Sei que você é um dos mais coerentes deste blog, por isso acho que sua mensagem passa uma tranquilidade superficial! E por que?
Primeiro quero dizer que, é justo comemorar o momento pelo qual passa o bicoloa, dentro de campo.
Mas, dizer que seus problemas, que já não são poucos, não estão sendo atirados sob o tapete, sem interesses escusos, é no mínimo, acalentar o ego com o falso.
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O que causa a ociosidade. É aquela situação desejada pelos incautos, “estamos na pior, queremos que eles se ferrem muito mais”. Querem tumultuar, mas para mordidas de línguas estamos a 3 dias da série B. E eles se definhando.
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Continuo achando que a transação envolvendo o Helinton é exemplar, independente do comportamento nefasto de Amaro Klautau para o Remo. Infelizmente, hoje o Leão só tem “bananas” a oferecer e se não vende-las para que virem doce verá elas apodrecerem aumentando o prejuizo.
Pelo acordo, se Helinton for vendido por R$3 milhões o Remo embolsa R$1,2 milhão. Pergunto: como seria possível estimar esse valor dando ao jogador apenas a vitrine do campeonato paraense?
Seguramente, as possibilidades de se chegar a esse valor na série B e Copa do Brasil são muito mais concretas.
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Cezar, longe de mim querer achar que a administração atual é um exemplo a ser seguido, mas, aos trancos e barrancos vai restabelecendo uma ordem que há muito não era vista na Curuzu.
Claro que ainda tem uma infinidade de problemas, mas problemas são para ser resolvidos, senão, não seriam problemas.
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Essa rivalidade idiota defendida por grande parte da crônica, que depende disso pra manter seus empregos, é uma BURRICE sem tamanho…Inter e Grêmio são o melhor exemplo de rivais em campo, mas não inimigos fora…negociam em conjunto e não incitam a rivalidade que chega as vias de fato…Remo e Paysandu poderiam sim ser mais parceiros…o resto é papo de quem depende disso pra viver…Como se sabe, um nçao vive sem o outro…Esse Heliton não é craque como estão dizendo, pelo menos ainda não mostrou…se o Paysandu não subir, concordo qque não foi um bom negócio, mas se subir, será um bom negócio sim pro Remo também..ou será que negociaria o jogador em condiçoes melhores…acorda Alice
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O A. Conte disse a verdade sobre a rivalidade aqui no Pará. O Guerreiro deveria ler isto, pois muito disto ficou exacerbado após a era Caxiado na Clube, a ponto de se achar que este é o bambambam dos repórteres (ele se acha) e é muito bem pago, para que a concorência não o tire de lá. E aí em troca dos interesses pessoais (Xem) e coorporativos (Patrocinadores) tudo pode e fica tudo bem.
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