Vem aí o “Almanaque do Papão”

Recebo do amigo Ferreira da Costa convite para o lançamento de seu mais novo livro, “Almanaque do Papão”, no próximo dia 19, às 19h, na sede social do Paissandu, na avenida Nazaré. Entre os destaques do livro, a informação de que os dez maiores artilheiros da história do clube anotaram o total de 1.477 gols. Eis os dez maiores goleadores alvicelestes: 1° – Bené, 249 gols; 2° – Hélio, 237; 3° – Quarentinha (Lebrego) 208; 4° – Carlos Alberto, 130; 5° – Cabinho, 127; 6° – Cacetão, 123; 7° – Ércio e Zé Augusto, 104 gols, cada; 8° – Vila, 100; 9° – Edil, 95 gols.   
Esses 1.377 gols representam 17,35% do total de 7.933 gols anotados pelo Paissandu em 96 anos de atividades, desde 1914, ano da fundação até 06.06.2010, na vitória sobre o Águia de Marabá, no Mangueirão, por 3 a 1. Desses dez artilheiros, já faleceram Hélio, Quarentinha (Lebrego) e Cacetão, os demais deverão estar presentes ao lançamento do “Almanaque do Papão”, quando serão homenageados pela diretoria bicolor. A título de curiosidade, revela Ferreira, o 11° maior artilheiro é nada menos do que Quarenta, Paulo Benedito dos Santos Braga, 75 anos de idade, que era meia-de-armação mas sempre deixava sua marca nas redes adversárias nos 18 anos em que envergou a jaqueta bicolor. No total, marcou 86 gols.

Programa Sócio-Torcedor tenta atrair remistas

O Clube do Remo e o Programa Nação Azul Sócio-Torcedor anunciam “uma super promoção a fim de lotar o Mangueirão”. Eles oferecem um desconto na taxa de adesão ao Programa Sócio-Torcedor. A taxa, que custa R$ 30,00, até domingo (8 de agosto) custará apenas R$ 5,00. O torcedor que pagaria R$ 40,00 para ver os dois jogos – contra América e Cristal – agora pagará apenas R$ 5,00 (adesão) + R$ 25,00 (mensalidade) e participará do Programa Sócio-Torcedor tendo acesso aos jogos com mando de campo do Leão. Os sócio-torcedores participam de sorteios, promoções, entrada por catracas exclusivas e descontos em empresas parceiras. Período da promoção: de 4 (quarta-feira) a 8 de agosto. Locais de adesão: Central de relacionamento Nação Azul (sede do Remo) e bilheterias do Baenão (em dias de jogos). Para mais informações, acesse o site: www.nacaoazul.com.br. Fone: 3212-7090.

Duvido que a iniciativa dê certo. Os valores continuam pouco vantajosos. O pior da história é que a diretoria do clube parece não se preocupar com os demais torcedores, que deveriam merecer também descontos para os dois jogos.

Coluna: As boas falas de Mano

Não era meu técnico preferido para o escrete depois da passagem do indigesto Capitão do Mato por lá. Apostava mais em Vanderlei Luxemburgo, que preserva quase solitariamente a preocupação com o ataque. Mas, admito, as primeiras falas de Mano Menezes como treinador da Seleção Brasileira têm sido auspiciosas.
O compromisso assumido com o futebol de bom nível, desprezando o apego ao defensivismo, tão caros a Dunga e Parreira, sinaliza a chegada de uma nova mentalidade. Mano ganha pontos por abdicar publicamente do nefasto pragmatismo que deu ao Brasil a discutível honra de ter a melhor defesa do mundo.
Em entrevistas a vários canais de televisão, anteontem, o técnico observou que o resto do mundo está buscando jogar como o Brasil já jogou um dia. Em sentido inverso, os brasileiros procuram copiar o que não deu certo lá fora. Resulta que, em duas Copas (2006 e 2010) a Seleção patinou e foi uma pálida representação do verdadeiro futebol brasileiro, merecendo fracassar na metade do caminho. Pelo que se depreende das palavras de Mano, há a determinação para mudar o atual estado de coisas, fazendo com que o Brasil volte a ser protagonista da cena boleira mundial.
Chega de conservadorismo tático e insistência com o conceito de privilegiar astros. A palavra de ordem parece ser a de priorizar o talento. Que Mano continue pensando assim. Melhor: que coloque imediatamente essas idéias em prática.  
 
 
Lá se vão oito anos da maior conquista do Paissandu em todos os tempos. Na tarde de 4 de agosto de 2002, um sábado, Vandick e seus companheiros surpreenderam o Cruzeiro e levantaram a taça da Copa dos Campeões. A decisão do torneio, no estádio Castelão, em Fortaleza, tinha a equipe mineira como franca favorita, depois de vencer o primeiro jogo por 2 a 1.
Naquelas reviravoltas que só o futebol é capaz de proporcionar, o Paissandu aliou competência e raça para dobrar os comandados do técnico Marco Aurélio, ganhando no tempo normal e provocando a disputa nos penais, quando prevaleceu a perícia (e sorte, por que não?) do goleiro Marcão, com três defesas decisivas.
Talvez nem os próprios dirigentes acreditassem na façanha. Como sempre, o caderno Bola acreditou, enviando o fotógrafo Mário Quadros, para captar as imagens exclusivas do sensacional feito alviceleste.
 
 
Um velho companheiro de labuta jornalística renasceu nos últimos dias. Abro um pequeno espaço na coluna para saudar sua vitória pessoal. Acometido de graves problemas renais, Antonio José Soares, repórter dos bons, passou por maus pedaços no final de julho. Teve forças, porém, para dar a volta por cima e já se prepara para retomar atividades, para alegria de seus muitos amigos.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 4)

Leão goleia Ananindeua no Baenão

O Remo goleou o Ananindeua por 5 a 0, na noite desta terça-feira, em amistoso realizado no Baenão. Estiveram em ação jogadores que não vêm atuando no time principal e alguns que entraram nos minutos finais do jogo contra o América-AM. Os gols foram marcados por Vélber, aos 7 minutos; e Levy, aos 22 e 26 minutos do primeiro tempo. No segundo, o Leão continuou mandando na partida e assinalou mais gols, com Alessandro aos 21 e aos 30 minutos. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Remo define ingresso a R$ 20,00 para domingo

Contra todas as recomendações em contrário, a diretoria do Remo mantém a decisão inicial de cobrar R$ 20,00 pelo ingresso de arquibancada para o jogo contra o América (AM), pelo Brasileiro da Série D, domingo, no Mangueirão. A expectativa dos dirigentes é atingir um público de pelo menos 20 mil pessoas, apesar da transmissão ao vivo da partida para a capital.

Raúl mostra cartão de visitas

Depois de defenestrado do Real Madri por José Mourinho, o atacante Raúl já começou a mostrar do que é capaz com sua nova camisa. Em amistoso contra o Bayern de Munique, domingo, o artilheiro levou ao delírio a apaixonada torcida do Schalke 04. Marcou duas vezes na vitória de 3 a 1. O segundo gol (video acima) merece placa no estádio de Gelsenkirchen.

Galvão manda recado aos bicolores

“Vamos entrar a qualquer momento com o pedido para que a CBF escale árbitros Fifa para os próximos jogos na Terceirona. Conversei com os dirigentes do São Raimundo e eles também concordaram com a medida. (…) É bom o Paissandu lembrar que ano passado eu venci três jogos e era líder. Não com duas vitórias em casa, mas duas fora. Porém acabei sendo desclassificado, então é bom tomar cuidado. Quem ri por último, ri melhor”.

De João Galvão, técnico do Águia, ainda revoltado com a arbitragem do jogo vencido pelo Paissandu, domingo, na Curuzu.

Paissandu tentará quebrar tabu em Fortaleza

Sem vencer fora de casa, em torneios nacionais, desde setembro de 2006, o Paissandu tem como desafio extra quebrar esse incômodo tabu no próximo sábado (16h) contra o Fortaleza, no estádio Castelão, pelo Brasileiro da Série C. A última vitória fora do Estado foi em setembro de 2006, na partida contra o América (RN), pelo Brasileiro da Série B.

Contra a imagem consolidada de time caseiro, há a lembrança de um fato excepcional: foi no estádio da capital cearense que o Paissandu obteve a maior conquista de sua história: o título da Copa dos Campeões de 2002, em emocionante final contra o Cruzeiro, decidida na cobrança de penalidades.

Desembarcando de Serra

Por Raymundo Costa

Deu tudo errado na coreografia de campanha ensaiada por José Serra. Pelos cálculos do PSDB, o tucano chegaria ao horário eleitoral gratuito à frente da candidata do PT, Dilma Rousseff. Três dos quatro institutos de pesquisa mais conhecidos já apontam a petista à frente – o Datafolha registra empate técnico, mas também a melhoria de Dilma e a queda de Serra em todas as demais variáveis, do voto feminino à rejeição do eleitor. Na prática, o tucano entra no período de propaganda de rádio e televisão com uma preocupação mais imediata: manter o que tem e evitar que Dilma liquide as eleições já no primeiro turno.

Justiça seja feita, Serra e seu marqueteiro, Luiz Gonzales, sempre disseram que a campanha seria decidida no período de propaganda eleitoral. Mas é sintomático o modo como o PSDB passou a ser referir ao segundo turno. “No segundo turno ela (Dilma) vai ter que se expor muito. E a exposição queima mais que a luz do sol”, diz um serrista da copa e cozinha. É quase um reconhecimento de que o PT teve sucesso na estratégia de evitar os debates desde que Dilma consolidou uma posição confortável nas pesquisas. Serra jogava num confronto direto que Dilma contornou enquanto acumulava experiência nos “simulados” do comitê e nas sabatinas.

O primeiro debate entre os candidatos será realizado depois de amanhã na TV Bandeirantes. À esta altura da campanha, não será surpresa para ninguém se Dilma for declarada vencedora. Como assim, se Serra é mais experiente e preparado? O candidato do PSDB mais que ninguém sabe que “vence” o debate quem está à frente nas pesquisas. Serra liderava as sondagens de opinião com folga quando decidiu deixar o governo de São Paulo para se candidatar e quando desenhou sua estratégia de campanha. Não lidera mais. Na realidade, já não lidera com folga há algum tempo, mas o candidato insiste em cometer erros “testados” em outras campanhas dele mesmo.

Este é o caso do discurso de Serra sobre a Bolívia, o Irã e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – as Farcs, um problema que já se apresentara à campanha presidencial de 2002, que Serra perdeu para Lula. Todas as pesquisas feitas à época mostraram que eram assuntos distante das pessoas e do interesse só dos eleitores já convertidos à causa tucana.

Serra começou bem sua segunda tentativa para chegar à Presidência da República. Na pré-convenção PSDB-DEM-PPS havia um clima emotivo que lembrava antigas manifestações do PT na oposição. A oposição chegou a pensar que dispunha de um discurso para enfrentar e desalojar o PT do Palácio do Planalto. As coisas começaram a dar errado já a partir da convenção para a oficialização do nome de Serra, realizada dias depois em Salvador. O DEM esperava ao menos conversar com o candidato sobre a candidatura a vice, mas foi ignorado. Logo na Bahia, um dos feudos do ex-PFL, a sigla antiga do DEM.

Em meio a tudo isso, a espera por Aécio Neves até o último dia do prazo legal foi de uma ingenuidade inadmissível em políticos com a experiência dos tucanos – ou talvez políticos imobilizados pelo cisma partidário É certo que Aécio fez jogo dúbio. Mas pelo menos desde dezembro, quando enviou uma carta ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra, estava claro que ele não aceitaria a vice de Serra. Aécio saiu de férias e pediu para os tucanos não decidirem nada na sua ausência. O PSDB queria acreditar que era um sinal codificado de que ele queria a vice. O resto da novela é conhecido. Sabe-se como Serra teve de engolir o Democratas, que esnobara, como companheiro de chapa.

Além de chegar ao horário eleitoral atrás ou em queda nas pesquisas, Serra perdeu vantagens comparativas, como a inexperiência de Dilma (ela já divide o sucesso do governo) e a maneira nada ética com que o presidente Lula se atirou na construção de uma candidatura saída do nada.

O fato de Lula reiteradas vezes transgredir a legislação eleitoral para antecipar a campanha de Dilma Rousseff não justificava que Serra tocasse no mesmo diapasão. O tucano rejeitou todas as tentativas do PT de dizer que nada fez no governo, em termos éticos, que os tucanos não tenham feito antes. Foram várias as ocasiões em que ele rejeitou essa comparação. O PSDB talvez possa argumentar que se não tivesse usado os programas partidários, como fez o PT, Lula teria passado o rolo compressor sobre a candidatura Serra. Pode ser, mas Serra perdeu o discurso.

Nada justifica a ação Lula, que há três anos trabalha para viabilizar uma candidatura à sua sucessão ancorado na máquina pública e na transgressão sistemática da legislação eleitoral. O senador José Sarney calcula que, qualquer que seja o presidente, um candidato apoiado pelo governo federal entra numa eleição com algo entre 15% e 20% dos votos. Era o que ele prometia a Ulysses Guimarães, nas eleições de 1989, mesmo com seu governo ao rés do chão – Ulysses recusou e acabou na sétima posição, com 4,43% dos votos, mas preservou a biografia. Lula, além da popularidade nas nuvens, empenhou o governo na campanha de Dilma, quase ao ponto de permitir o questionamento da legitimidade da eleição.

Os crentes sempre devaneiam uma carta oculta. Pode ser que Serra vire o jogo a partir do dia 17, mas o fato é que sua campanha é ziguezagueante. Todos os candidatos sabem que o horário nobre do noticioso da televisão pode ser mais importante que os debates (“ganha” quem está na frente, a menos que cometa um erro colossal) e o horário eleitoral gratuito. O governo pauta naturalmente a mídia. Logo, a candidatura da oposição precisa ter uma agenda capaz de levar para o horário nobre problemas que afetem o dia a dia das pessoas. A agenda de Serra não tem um rumo.

Não é da prática do marqueteiro da campanha do tucano, mas no momento em que passa a se preocupar com o segundo turno, o risco é Serra ceder ao apelo fácil de elevar o tom da campanha. Alckmin fez isso em 2006. Não deu certo.

Paraense, Raymundo Costa é repórter especial de Política do jornal Valor Econômico, em Brasília. Escreve às terças-feiras.