Cametá perde, de virada, em Santana

O Cametá sofreu sua segunda derrota no Brasileiro da Série D, perdendo neste domingo para o Cristal (AP) por 2 a 1, em Santana. Em consequência, o time paraense caiu para a lanterna do grupo, com apenas um ponto. O Cametá abriu o placar através de Júlio César, cobrando pênalti, logo aos 5 minutos. A virada do Cristal veio através de Djalma, aos 38 minutos do primeiro tempo, e Ramon, aos 34 do segundo tempo, em falha clamorosa da zaga e do goleiro Evandro.

Série D: Remo cede empate ao América

O Remo empatou com o América (AM) em 1 a 1, na tarde deste domingo, em Rio Preto da Eva, pelo Brasileiro da Série D. O resultado manteve o time amazonense em primeiro lugar no grupo, com a vantagem no saldo de gols em relação ao Remo, segundo colocado. Landu abriu o placar aos 35 minutos do primeiro tempo, dando a impressão de que a equipe paraense poderia arrancar sua primeira vitória fora de casa. E o triunfo quase se confirmou. Apesar da pressão do América, o Remo se defendeu até os 40 minutos, quando Guará escorou de cabeça um escanteio e empatou o jogo. Logo em seguida, aos 47, uma cobrança de falta pelo meia Jefferson bateu no travessão de Adriano. No final da partida, Giba admitiu os problemas enfrentados pelo Remo no segundo tempo, quando a equipe foi inteiramente dominada pelos donos da casa. O técnico disse que o cansaço dos meias Gilsinho e Gian contribuiu para a queda de produção, permitindo o crescimento do América.

Paissandu derrota Águia e é líder de novo

Em jogo de poucos lances de área e baixo nível técnico, o Paissandu bateu o Águia por 2 a 0, no estádio da Curuzu, pelo Brasileiro da Série C, recuperando a liderança da chave A. Um forte arremate do lateral-direito Bosco, de pé esquerdo, aos 6 minutos, surpreendeu o goleiro Alan e garantiu a vantagem ao time bicolor no primeiro tempo. O segundo gol, marcado pelo mesmo Bosco, de pênalti, só aconteceu nos acréscimos, aos 50 minutos.

Com forte marcação no meio-de-campo, a partida foi marcada por jogadas ríspidas de parte a parte, toleradas inicialmente pelo árbitro Fernando José de Castro Rodrigues. Depois de avisado sobre suposta agressão do zagueiro Edkléber em Tiago Potiguar, o mediador advertiu a ambos, sob protestos dos dois lados. A partir daí, perdeu-se no excesso de cartões sobre o time marabaense (seis jogadores estão pendurados com amarelo), revoltando o banco do Águia. Prenúncio de um segundo tempo ainda mais tenso e sujeito a tumultos.

Na segunda etapa, mais lances faltosos e novas reclamações marabaenses. Com a bola rolando, poucas novidades em relação ao primeiro tempo. O Paissandu tinha maior posse de bola, mas não criava situações claras de gol, principalmente porque Tiago Potiguar não rendeu como em outras jornadas. Marquinho e Fabrício também não estavam inspirados e Bruno Rangel pouco apareceu. Quase ao final, o volante Analdo acertou um chute na trave, assustando Fávaro e a torcida bicolor.

O segundo gol nasceu de um cabeceio de Sandro para a área marabaense. Na disputa entre o zagueiro Ari e Zé Augusto, a bola resvalou no braço do zagueiro. O árbitro custou a assinalar o pênalti, que Bosco bateu com categoria, no canto esquerdo do gol defendido por Alan. Ari, que já tinha amarelo, foi expulso de campo. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Portal fantasma da Segunda Guerra Mundial

O fotógrafo russo Sergey Larenkov selecionou algumas fotografias da Segunda Guerra Mundial e procurou combiná-las com fotos recentes, usando a mesma perspectiva. O resultado é impressionante: uma série de portais temporais que ajudam a contextualizar a guerra na realidade atual. A técnica é bastante simples, mas engenhosa e eficaz, gerando quadros curiosos. Na foto abaixo, aparece o lendário marechal da União Soviética Georgy Zhukov. Em 1945, ele comandou a Primeira Frente Bielorrussa do Exército Vermelho, que tomou Berlim com a Primeira Frente Ucraniana. Ele olha para a câmera, circunspecto, nas escadas do Reichstag, rodeado por alguns tenentes e um monte de turistas.

Acima, um grupo de soldados soviéticos caminham pela área externa do Palácio Imperial Hofburg atingido pela guerra, em Viena, Áustria, ntre Audis, Volkswagens e Volvos que reluzem ao sol. O trabalho de Larenkov remete à câmera/máquina do tempo da Adobe e MIT, que permitirá tirar fotos e combiná-las de forma perfeita a imagens históricas. Na galeria, mais fotos modificadas de toda a Europa, incluindo São Petersburgo (na época Leningrado), na Rússia. Para ver a galeria em uma só página, clique aqui.

F1: australiano vence e assume liderança

Em mais uma corrida movimentada, o australiano Mark Webber (Red Bull) ganhou o GP da Hungria, neste domingo, sua quarta vitória na atual temporada, e contou com o abandono de Lewis Hamilton (McLaren) para assumir a liderança do Mundial de Fórmula 1. Com a vitória, o piloto foi a 161 pontos. O espanhol Fernando Alonso, da Ferrari, ficou com a segunda colocação, seguido pelo alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, que completou o pódio.O brasileiro Felipe Massa terminou em quarto lugar, mesma posição de largada. Rubens Barrichello terminou a prova na décima colocação, após acirrada briga de posição com o desafeto Michael Schumacher, que por pouco não prensou o brasileiro no muro da reta dos boxes. (Com informações da Folhaonline)
Apesar de ter largado mal (saiu em segundo e foi ultrapassado por Fernando Alonso), Webber fez uma estratégia diferente, mantendo-se na pista por mais de 40 voltas com o pneu super-macio, assumindo a liderança, fazendo inúmeras voltas rápidas, e quando finalmente parou voltou à frente de todos.

Coluna: Para nos restituir a glória da camisa 10

Na tarde fatídica em que o Brasil perdia para a Holanda no estádio Nelson Mandela Bay e pulava fora da Copa do Mundo, não fui o único a lamentar a ausência de um jogador capaz de mudar o jogo àquela altura. Alguém capaz de pôr a bola no chão, descobrir atalhos e reorganizar a caótica Seleção Brasileira em campo. Mais que a recuperação tática holandesa no segundo tempo, entendo que a carência de um autêntico camisa 10 – problema que vem de longa data – manifestou-se em sua plenitude naquela partida e foi fatal para as pretensões nacionais na África do Sul. Desconfio que o próprio Dunga, apesar dos arroubos de auto-suficiência, sentiu o mesmo vazio ao olhar para seu paupérrimo banco de reservas. E o nome que todos tinham na ponta da língua, jornalistas ou não, era o de Paulo Henrique Ganso.
A lamentação em torno do jogador paraense começou bem antes da Copa, quando o Brasil ainda fazia treinos contra Zimbábue e afins. A indigência criativa daquele meio-campo – com Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká – era por demais eloquente para que se esperasse uma boa surpresa no Mundial. Como se imaginava, o time viveu de lampejos contra norte-coreanos, marfinenses e chilenos. Contra a seleção portuguesa, nem isso. Aliás, no confronto diante dos lusos, uma outra verdade se materializou: a fragilidade dos suplentes. Dunga lançou naquele jogo Júlio Batista, Kleberson e Josué. Todos jogadores de meio-campo e nenhum capaz de dominar a bola com um mínimo de respeito. Deu no que deu.
Pode-se dizer que, sem ir à Copa, Ganso brilhou intensamente. Não estou falando daquele célebre anúncio de um dos patrocinadores do torneio, que tinha como protagonistas Robinho, Neymar e o craque paraense. Minutos antes dos jogos e nos intervalos, os telões dos estádios sul-africanos exibiam as embaixadinhas e evoluções do trio para espanto (seguido de aplausos) das torcidas, que só conheciam mesmo o titular da Seleção. A não convocação do paraense impunha-se, a cada nova dificuldade enfrentada pelo Brasil, como um erro monumental, uma atitude infeliz do técnico.
Certas situações afetam a compreensão do torcedor médio durante um torneio de tiro curto como é a Copa do Mundo. A invencibilidade até as quartas-de-final chegou a encantar grande parte da torcida brasileira, ávida pela comemoração do hexacampeonato. Para muitos, pouco importava o jeito tosco de atuar da meia cancha do escrete. Quando Dunga elegeu a eficiência como palavra de ordem, muitos até aplaudiram e se posicionaram ao lado das dunguices óbvias. Em determinadas situações, somente a derrota tem o dom de repor algumas verdades e clarear as ideias. Depois do apagão que se abateu sobre a Seleção frente à Holanda, a maioria recobrou o bom senso, admitindo que as escolhas do técnico foram determinantes para o fiasco.
Depois da purgação das tristezas pela má campanha, um novo comandante assumiu e não hesitou em corrigir as falhas provocadas pela teimosia. Mano Menezes convocou um time inteiramente renovado, cujo maestro é inequivocamente Paulo Henrique Ganso, talhado para a missão de nos restituir a glória da camisa 10, cujo simbolismo mágico surgiu entre nós – embora sua decadência também tenha começado por aqui. Desde que Pelé elegeu o 10 como selo oficial de sua genialidade, o Brasil só fez acumular conquistas. Sempre que os técnicos se puseram a menosprezar a importância de um autêntico camisa 10 a Seleção só colecionou dissabores.
O Brasil nunca foi a pátria de volantes, como muitos (Cláudio Coutinho, Zagallo, Lazaroni, Parreira e Dunga) tentaram impor por decreto. Aqui nasceu o futebol talentoso, de perfil artístico, que a todos encanta. Não é possível que, por obra e graça de alguns infiéis, toda uma longa dinastia de craques seja repentinamente deixada no esquecimento. Ganso, de passadas largas e passes de primeira, como Sócrates, consegue fazer lançamentos longos e gols como Gerson. A comparação, sempre perigosa em futebol, justifica-se pelo nível das atuações do jovem meia com a camisa do Santos. De mais a mais, há quanto tempo não se vê na Seleção alguém que tenha peito de disparar um passe de 30, 40 metros, como se via até o final dos anos 80? Chegou a hora de fazer as pazes com o melhor futebol brasileiro pelos pés de um garoto paraense, nascido no interior e sem parentes importantes, como na velha canção de Belchior. O surgimento de Ganso, praticamente do nada, como tantos outros craques, confirma que o futebol talvez seja o único esporte que permite a ascensão fulminante, sem escalas ou empecilhos, para quem reconhecidamente sabe tratar bem uma bola. É claro que, para cada Ganso que se salva, dezenas de outros ficam pelo caminho, sem direito a um teste sequer. Mas, na seca atual, só resta comemorar seu aparecimento. Sem planejamento, trabalho de base ou investimento de clubes. Um retrato da total incompetência dos clubes paraenses para gerir pé-de-obra. Tuna e Paissandu, que tiveram o jogador em suas fileiras e não souberam retê-lo. Nem mesmo se beneficiaram direito de seu grande talento.
Por outro lado, talvez tenha sido melhor assim, pois na Vila Belmiro ele teve o privilégio de se juntar a outros jovens craques. E o futebol, como se sabe, é sempre melhor e mais prazeroso quando reúne uma constelação de estrelas. 

(Coluna publicada na edição especial do Bola/Revista do Canso, neste domingo, 1)