Cametá bate o Remo, mas perde a vaga

O Cametá derrotou o Remo por 3 a 1, no estádio Parque do Bacurau, mas acabou eliminado da competição porque o América-AM derrotou o Cristal-AP (2 a 1) em Santana. O final do jogo foi emocionante, pois o Cametá comemorava a classificação quando o time amazonense conseguiu marcar o gol da virada, aos 48 minutos do segundo tempo.

O Remo iniciou a todo vapor, buscando o gol e pressionando o Cametá. Mas, em rápido contra-ataque aos cinco minutos, o time da casa abriu o placar, através de Ró. Para sorte dos azulinos, a arbitragem anulou o gol, acusando impedimento no lance. 

Animado, o Cametá melhorou a marcação, praticamente anulando as jogadas de Gilsinho e Canindé e impedindo os avanços de Hélinton e Vélber. O jogo ficou equilibrado, com tentativas de lado a lado. Aos 37 minutos, em escanteio cobrado por Diego Silva, o zagueiro João Gomes marcou de cabeça.

No recomeço do jogo, o técnico Giba foi atingido por uma latinha cheia de urina, atirada por um torcedor. Aos 15 minutos, Marlon acertou um disparo de fora da área e empatou a partida. Precisando da vitória, o Cametá continuava buscando os lances ofensivos. Aos 19, em jogada iniciada por Marçal, Balão desempatou.

O Remo, já com Gian e Samir em campo, tentou igualar a partida. Criou algumas chances, mas, nos instantes finais, o Cametá voltou a ameaçar em contra-ataques perigosos. Aos 40, em falha coletiva da zaga remista, Leandro Cearense invadiu a área e marcou o terceiro gol cametaense. A partida terminou com o Cametá classificado em segundo lugar na chave, mas no jogo de Macapá o América acabou conquistando a vitória e obteve a classificação, para frustração da torcida presente ao estádio Parque do Bacurau. (Fotos: TARSO SARRAF/Bola) 

Papão vacila na defesa e cede empate

O Paissandu desperdiçou boa oportunidade de disparar na liderança do grupo A do Brasileiro da Série C ao empatar com o Fortaleza, por 1 a 1, na tarde deste domingo, no estádio Edgar Proença. Paulão, aproveitando cruzamento perfeito de Tiago Potiguar, marcou o gol alviceleste logo aos 18 minutos do primeiro tempo. A vantagem inicial deu a impressão de que o jogo seria amplamente dominado pelo Paissandu.

Ocorre que, apesar de algumas boas chances criadas (principalmente por Tiago Potiguar), os atacantes paraenses não acertavam nas finalizações. Marquinhos, Tiago Potiguar e Bruno Rangel desperdiçaram lances diante do goleiro Douglas ainda na primeira etapa.

O Fortaleza buscava atacar, mas errava muitos passes, principalmente pelo lado direito da defesa, permitindo seguidos avanços de Tiago Potiguar em contra-ataque. Aos 44 minutos, em erro de marcação dos zagueiros do Paissandu, o lateral Jeff cruzou para a área e Finazzi complementou para as redes, mas o gol foi anulado, pois Paulo Isidoro estava adiantado.

Mais sólido na marcação e bem mais ágil no ataque, o Fortaleza retornou do intervalo disposto a empatar. Adiantou a marcação e acuou o meio-campo bicolor. Com Rinaldo substituindo a Danilo Portugal, os cearenses passaram a criar boas jogadas e esteve perto de empatar aos 20 minutos, em cruzamento de Jeff Silva. Quatro minutos depois, Rinaldo voltou a criar uma boa situação, mas Fávaro se antecipou e defendeu bem.

O Paissandu tinha mais posse de bola, mas não conseguia mais agredir como no primeiro tempo. Aos 40 minutos, o lance que calou a grande torcida bicolor presente ao Mangueirão. Éder recebeu livre pela direita e chutou forte. Fávaro espalmou para a frente e Finazzi, livre, tocou para as redes, empatando a partida. E, aos 44, Rinaldo quase marcou o segundo, errando na finalização dentro da área.

O Paissandu se manteve em primeiro lugar na chave, com 11 pontos. No próximo sábado, às 19h, enfrenta o Águia de Marabá, no Zinho Oliveira. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Botafogo inaugura estátua de Jairzinho

O Botafogo inaugurou hoje no Engenhão uma estátua de bronze de Jairzinho, um dos maiores jogadores da história do clube e artilheiro da Copa de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato, no México. Antes da partida em que o Bota venceu o Avaí por 1 a 0, pelo Campeonato Brasileiro, a obra foi mostrada e ficará ao lado de outros ídolos alvinegros, Garrincha e Nilton Santos. Jairzinho, de 66 anos, esteve presente no ato vestido com a camisa do Botafogo e, emocionado, disse que era “difícil encontrar palavras para agradecer tal homenagem”. A estátua do ‘Furacão’ tem 2,5 metros de altura e foi feita pelo escultor Edgard Duvivier, o mesmo das duas outras obras. Custou R$ 55 mil e foi paga por sócios do Botafogo. Jairzinho começou e encerrou sua bem-sucedida carreira no Botafogo, clube pelo qual jogou 413 partidas e pelo qual fez 191 gols. Foi o único jogador a marcar gols em todas as partidas de uma mesma edição da Copa do Mundo.

Coluna: Quem dá bola é o Santos

Foi um candente grito de independência. O Santos apresentou um projeto de carreira para o atacante Neymar, ampliou seus ganhos e impediu sua saída precoce para o futebol europeu. A princípio pode parecer uma iniciativa quixotesca, de efeito limitado, mas é bem mais que isso.
Ocorre que, como mudança de mentalidade, funciona como um gesto expressivo, que certamente terá conseqüências interessantes no sentido de valorizar jogadores revelados nos próprios clubes. É a primeira vez que um jovem craque é convencido a ficar no país, recusando milhões de euros 
Neymar, que chegará à Copa do Mundo de 2014 ainda muito jovem, foi seduzido por um pacote de vantagens que nenhum outro clube brasileiro teve a pachorra – e o discernimento – de oferecer a um jogador nativo. Nossos clubes se especializaram em exportação de pé-de-obra. Por razões óbvias, dirigentes têm alergia à idéia de segurar um jogador no Brasil, por mais craque que seja.
A razão de viver de quase todos os grandes clubes é, sem disfarces, negociar jogadores com clubes europeus. Todos sonham com isso. E, quando sacramentadas, transações milionárias são anunciadas com estardalhaço e até com aquele orgulho típico de país colonizado, como se representassem status e prestígio.
Como demonstra a nova gestão santista, essa política tem pés de barro e pode esconder interesses muito mais pessoais do que voltados para o bem-estar dos clubes. Para começar, nem sempre a venda de um atleta significa vantagem financeira direta para o exportador. Na maioria das vezes, é mais lucrativa para cartolas, empresários e procuradores.
Ninguém pode garantir que, mais à frente, Neymar não será assediado com propostas irrecusáveis. Aliás, se continuar a jogar bem, a tendência natural é que desperte a fúria consumista de outros grandes da Europa, que oferecerão até mais que os 30 milhões de euros que o Chelsea propôs. Apesar dessa quase certeza, a atitude do presidente santista Luís Álvaro Ribeiro é inédita e, por isso mesmo, digna de aplausos.
Enquanto seus colegas costumam aceitar submissos qualquer oferta por um jogador, Ribeiro teve a clarividência de buscar uma alternativa, associando-se a parceiros e recorrendo à criatividade. Com isso, estabeleceu uma saudável diferença em relação aos oportunistas que usam os clubes como fonte de riqueza ou alavanca para seus negócios, pouco se importando com os anseios do torcedor.
 
 
Sem nenhum menosprezo ao Fortaleza, clube tradicional e também acostumado a grandes conquistas, mas cabe dizer que o jogo deste domingo no Mangueirão é do Paissandu. Com o estádio possivelmente lotado, a festa é toda do bicampeão paraense. Apesar de ainda não ter conquistado nada no torneio, o time de Charles Guerreiro cumpre a melhor campanha entre os 20 clubes da Série C e merece essa celebração.
Em Cametá, um jogo que interessa mais ao mandante do que ao Remo, já classificado e garantido em primeiro lugar. Nem por isso será parada fácil.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 22)