Só a paixão mantém Remo e Paissandu vivos

Por Mauro Cezar Pereira

Na manhã seguinte ao jogo Paissandu 1 x 2 Palmeiras, horas antes de Remo 0 x 4 Santos, pela Copa do Brasil, fui até Icoaraci na companhia do narrador da ESPN João Palomino. A cerca de 20 quilômetros de Belém, o distrito da capital tem como atividade a produção de obras em cerâmica, vendidas em pequenas lojas que têm nos fundos suas oficinas e oferecem uma enorme variedade de belas obras.
Entre elas não faltam peças ligadas ao futebol. Times grandes do Sul do país lá estão e, claro, os dois principais clubes do Pará, Paissandu e Remo. O bicolor está na terceira divisão nacional e os azulinos tentam conquistar uma vaga na Série D, a quarta! Nem por isso os torcedores se escondem. Nas ruas, nas casas, o que se vê a todo instante são camisas e bandeiras dos clubes de Belém.
Em tempos de times artificiais como Barueri, que virou Prudente, Ipatinga e outros que aparecem e desaparecem sem deixar saudades, é muito triste ver a situação crítica de dois clubes com história, tradição e torcidas fieis, apaixonadas. E apesar da paixão pelo futebol, Belém não será sede de jogos da Copa do Mundo de 2014. O Mangueirão foi reformado em 2002, mas já pede reforminha.
O Mundial poderia ajudar a alavancar o futebol local com um estádio reformado e que seria, sempre, muito utilizado diante do amor dos paraenses pela dupla Re-Pa. A área ao redor, pobre, também poderia ser revitalizada. Mas o Pará está fora da Copa, da qual farão parte Estados onde os times locais não despertam interesse, muito menos paixão dos torcedores, como Amazonas e Mato Grosso.
Remo e Paissandu, como tantos outros times, são vítimas de péssimas adminsitrações e intervenções de gente que usa os clubes e depois os abandona mergulhados em dívidas, em crise. As obras de cerâmica em Icoaraci mostram que apesar da força popular de times do Sul e do Sudeste, a dupla de rivais de Belém mantém sua força, ainda domina os corações na região. Até quando?

12 comentários em “Só a paixão mantém Remo e Paissandu vivos

  1. O relato de Mauro Cezar Pereira sobre a paixão de nossas torcidas nos enche de orgulho e ao mesmo tempo de tristeza quando olhamos ao nosso redor e vemos torcidas tão imensas e fanáticas que, hoje estão, comportam-se como “ovelhas sem pastor”, ainda crentes de sua “grandeza”, esta que infelizmente é costumeiramente relacionada a um passado glorioso, a um tempo em que estas “ovelhas” tinham uma “fazenda” para habitar e onde o pasto era, no mínimo, satisfatório.
    Remo e Paysandu são ícones do nosso esporte, de nossa história, de nossa cultura, do nosso viver cotidiano – inebriado de fascinação por uma esfera que roda por campos não tão verdejantes – e, que por isso, nos axilia em nossa própria compreenssão enquanto povo amazônida, nortista, paraense e belemense. Não podem, de forma alguma, entrar para o rol dos ítens do “já teve”. Pois, se um dia, a nossa própria paixão pelos pavilhões bicolores e azulinos entrar para tão indigno rol, melhor será nos reinventarmos. E, quem sabe assim, sem nosso tão querido esporte bretão papa-chibé, talvez possamos viver sem esse sentimento tão fascinante e tão prazeroso que é… torcer.

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  2. Essa paixão não acaba.

    A decadência não e somente dos times é do estado como um todo, na maioria dos aspectos.

    Mas realmente é incabível essa derrota para sediar a copa, é uma incompetencia sem limites. Era pra governadora chorar igual o cabral fez e fazer protestos tb.

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  3. Assisti uma parte do programa “Bate bola” momentos antes de ir ao estádio, quando o Palomino e o Mauro Cezar comentaram este relato, que seria publicado posteriormente.
    Se nós, que temos uma visão “acostumada” aos nossos costumes conseguimos perceber que somos torcedores diferenciados, não é difícil imaginar a impressão que passamos a quem nos visita.
    Ontem, inclusive, minha esposa comentou que em nenhum outro lugar que já frequentamos estádios de futebol (e não foram poucos) ela havia visto um público tão festeiro quanto o paraense. Estávamos lá no estacionamento e aquilo estava uma festa… Paraense é tudo de bom quando se trata de farra!

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  4. Mesmo longe acompanho a tragetória do Leão Azul paraense como se estivésse ai pertinho do Baenão, vem na lembrança os tempos de glória deste clube, os tempos inesquecíveis do nosso futebol, quando jogava qualquer clube do futebol brasileiro no Baenão, Curuzu e Mangueirão e na maioria das vezes almejavam no máximo um empate como bom resultado. Hoje, os clubes do eixo Rio/São Paulo se deslocam até Belém com o pensamento fixo na vitória, porque sabem como anda os nossos clubes, decadentes, com times inexpressivos, e todos nós sabemos o porquê, consequência das péssimas administrações que passaram deixando estes clubes falidos e o que ainda salva é paixão das torcidas que sofre no meio da semana, mas no fianl da semana, lá estão de novo levantando a bandeira dos seus clubes, mantendo aquele refrão, “a esperança é a última que morre”. Um grande abraço ao grande comentarista e profissional Gerson Nogueira.
    Edison Rodrigues (São João dos Ramos – São Caetano de Odivelas)

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  5. A copa nao tem a ver com o petroleo. Cabral foi vitima de um fato politico. Manaus e Natal nao ganharam a copa por isso (dizem que Belem perdeu a copa pra Natal). A questao e mais em cima, de ordem economico-financeira, diria ate capitalista. Quem ja esteve em Natal e Manaus sabe do que estou falando. Os investimentos estrangeiros sao grandes em ambas as capitais,ao contrario de Belem. Foi o que ocorreu no centro-oste. Maggi e o maior produtor de soja do mundo e sua familia construiu uma cidade no MT com praia particular, so pra ter uma dimensao dos interesses envolvidos. O Para nao perdeu, foram os interesses corporativos que levaram a copa. Se formos comparar Campo Grande e Goiania com Cuiaba e brincadeira.

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  6. Isso, amigos, é pra Imprensa daqui se tocar e cair na Real. Enquanto os homens de Imprensa daqui brincam de colocar jogadores e Técnicos locais em Remo e Paysandu, os de fora, ao que me parece, olham pra esses dois clubes com mais responsabilidades. Será que numa rodada de profissionais de Imprensa daqui e, os que vieram de fora, os daqui falariam coisas como: Olha Remo e Paysandu estão no caminho certo, agora, pois contrataram técnicos Locais. No Remo, por exemplo deram todas as condições ao Sinomar pra fazer seu trabalho e, por isso o Remo está bem(?). O Raul é o melhor zagueiro do Futebol Paraense. O Barbieri é um péssimo técnico. Esse time do Remo, é o melhor do Pará. Sinceramente, amigos, mas o cara vir de fora, e dizer que: “ESSE TIME DO REMO É MUITO RUIM, NOSSA MÃE”. pra falar tudo que sempre falo aqui no blog e, eles(os daqui) ficam caladinhos. Poderiam, os daqui, dizerem que o Remo deu de 6×0 no Ananindeua, que o ataque do Remo é o melhor(não são essas coisas que se ouve na Imprensa?)…, essas bobagens que tanto falo aqui. Vou voltar a dizer, a Imprensa Paraense tem que mudar sua postura em relação aos nossos clubes, se não, ao lado de dirigentes incompetentes, que na maioria das vezes fazem tudo que ouvem no Rádio, estão afundando o nosso futebol. Te contar.

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  7. Primeiro sobre o cometário do Mauro, quando lí a manchete me mordí, depois,ao ler a matéria lagrimei, pois o cara falou a pura verdade. Segundo o cometário do Claudio Santos, rapaz! o técnico do Columbia deu um show. A nossa imprensa que que fala que em nenhuma lugar do mundo se fala tanto de futebol como aqui é xenófoba e isso tambem deve ser avaliado, viu Gerson! O exemplo é time da Inter de Milão, que é constituida de 11 titulares estrangeiros e o técnico é portugues . Gerson, você é um dos poucos escribas (como vc mesmo se autodemonina) coerentes que temos por aqui, bem informado e imparcial, mas a maioria, tem o antônimo de suas qualidades; e nas rádios as coisas pioram. Mirem-se no exemplo dos jornalistas da ESPN.

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  8. O futebol europeu e diferente. Com a uniao europeia, a regra e ter gringos, o que e facilitado pelo capital. No pobre futebol brasileiro, contratar jogadores de fora (outro Estado) deveria ser com criterio e para serem titulares. Isso nao e xenofobia. O investimento na base e fundamental. Ganso e Para jogam no Santos, mas Robinho, Neymar e outros foram formados na base, algo que por aqui e impensavel. O Flu segue o mesmo embalo e o Curintia que segue a politica do investimento, nao a utiliza no time de cima, mas o melhor jogador dele em atividade e o Dentinho, porque os medalhoes nao resolvem.

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  9. Um projeto a ser debatido formatado e após aprovado posto em prática nos redimirá.
    As lagrimas que vertemos são o sinal
    É hora de reagir, assim os loucos, desacreditados, reescreveram a história através suas idéias que deixaram de ser utópicas na medida em que deram certo.

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  10. A grande certeza contida no u’ltimo para’grafo: “Remo e Paissandu, como tantos outros times, são vítimas de péssimas adminsitrações e intervenções de gente que usa os clubes e depois os abandona mergulhados em dívidas, em crise.”
    As mudanças virao se homens de bem, com poder de decisao dentro do clube, proporcionarem uma grande reforma estatuta’ria modernizando e democratizando o clube, livrando-se do dinossauro que o impede de torna’-lo administra’vel. Sem isso, e´ chover no molhado, como temos acompanhado nos u’ltimos anos.

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