Flor de melancolia

Por Armando Nogueira

As moças de hoje em dia parecem gostar, cada vez mais, de futebol. Conheço algumas que torcem, fervorosamente. Neusa, botafoguense, é uma dessas. Por sinal, bonita e brilhante. É a própria versão mulher da Estrela Solitária. Enfim, deixa pra lá que o assunto é outro. Neusa pergunta se vi jogar Quarentinha, campeão com o Botafogo, em 57.
Como vi! Quarentinha era uma atacante de respeito. Tinha na canhota o que, então, se chamava um canhão. Chutava muito forte, principalmente, bola parada. Era de meter medo. Nos jogos Botafogo-Santos, era ele, de um lado, o Pepe, do outro. Ai de quem ficasse na barreira.
Quarentinha nasceu no Pará, filho de um atacante e lhe herdou, intactos, o chute poderoso e o apelido. Não sei se o pai era tão tímido quanto o filho. Quarentinha jamais celebrou um gol, fosse dele ou de quem fosse. Disparava um morteiro, via a rede estufar, dava as costas e tornava ao centro do campo, desanimado como se tivesse perdido o gol.
“Sempre que o via voltando da área, cabisbaixo, eu o imaginava a parodiar, bem baixinho, os versos de Manuel Bandeira: ‘Faço gol como quem chora / Faço gol como quem morre.’ Era uma flor de melancolia o Quarentinha. Que Deus o tenha.” (Contribuição oportuna do amigo Fernando Jares Martins, do excelente blog Pelas Ruas de Belém)

Tribuna do torcedor – 10

Por Edson Freitas (edson.pitagoras@yahoo.com.br)

Caro Gerson Nogueira, leio com freqüência sua coluna no jornal DIÁRIO DO PARÁ, e percebo pela sua verve poética de como você escreve sobre futebol, que você bebeu nas águas dos grandes mestres botafoguenses, como João Saldanha e Sandro Moreyra. Infelizmente, o último dos grandes se foi, o nosso Armando Nogueira, e ficamos mais pobres. Sei que você como botafoguense e com o seu texto elegante e criativo não deixará essa escola desaparecer. Continue sendo diferente, não sendo mais um. Abraços e saudações botafoguenses.

Charles testa formação no 3-5-2

O Paissandu viaja na tarde desta segunda-feira para São Paulo, onde enfrentará o Palmeiras na quarta-feira à noite pela Copa do Brasil. No treino realizado na manhã de hoje, Charles testou a equipe no 3-5-2, como forma de compensar as ausências de Álvaro, Fabrício e Tiago Potiguar. A escalação mais provável é: Fávaro; Leandro Camilo, Paulão e Rogério; Allax, Tárcio, Sandro, Marquinhos e Zeziel; Moisés e Didi. Como perdeu a primeira partida por 2 a 1 em Belém, o Paissandu precisará vencer por dois gols de diferença para garantir classificação à terceira fase da competição.  

Tribuna do torcedor – 9

Por João Lopes (englopesjr@gmail.com)

Como torcedor, posso falar qualquer coisa mesmo, né? O Giba recebeu um time que não conseguiu se recuperar da primeira derrota do campeonato para o Paissandu. Parece que o time se achava invencível e padece de tristeza ao ver que é de carne e osso. No entanto, o feito de terminar a primeira fase invicto mostra do que este time é capaz de fazer e lamentar a perda do primeiro turno tem que ser deixado pra trás. Entendo que o maior problema remista é psicológico, falta de confiança em si mesmo. Mas também é técnico, visto que o time se desarrumou, mas mais por culpa do Sinomar porque ele inventou um modo de jogar e quis
aplicar ao mesmo time que ele vinha treinando a muito tempo como quem obriga a um exército avançar sem que haja municiado seus soldados para o combate. O Giba talvez resolva, mas ele não conhece o elenco e vai levar um tempo pra ele endireitar tamanha confusão, talvez dez dias seja suficiente, talvez não.

Dor

Por Juca Kfouri

A última vez em que conseguimos nos comunicar, porque por telefone era sempre uma choradeira, foi por meio de uma mensagem que ele me mandou, em 10 de dezembro de 2008, exatamente às 10h38, para agradecer uma referência qualquer feita por mim num programa de TV:
“Juca Kfouri,
Teu carinho me conforta como o abraço de um irmão caçula.
Beijos do Armando”

Fico aqui com minha dor, incapaz de ser minimamente objetivo.

Tenho por ele infinito carinho mesmo e sei o quanto ele penou para dirigir o jornal mais visto no país no período da ditadura.

Leal, ele agiu sempre no limite da dignidade possível.

E tratou de proteger o quanto pôde aqueles que eram perseguidos.

O Brasil perde um belo jornalista, mas, antes de tudo, um homem de bem, um enorme ser humano.

Armando Nogueira, +1927-2010

A imprensa esportiva brasileira perdeu nesta segunda-feira um de seus melhores textos. Aos 83 anos, morreu no Rio de Janeiro o jornalista Armando Nogueira, que lutava desde 2007 contra um câncer no cérebro. O falecimento ocorreu por volta das 7h, no apartamento do cronista, na Lagoa, Zona Sul da capital fluminense. Nascido na cidade de Xapuri (AC) em 14 de janeiro de 1927, Armando mudou-se para o Rio aos 17 anos e de lá não saiu mais.

Botafoguense assumido, começou a trabalhar na imprensa esportiva em 1950, ano da Copa do Mundo realizada no Brasil, na seção de Esportes do Diário Carioca. Na época, o jornal reunia grandes nomes da imprensa carioca como Otto Lara Resende, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, entre outros.

Além do Diário Carioca, Armando Nogueira colaborou com o Diário da Noite, teve passagens pelas revistas Manchete e O Cruzeiro e, em 1959, ingressou no Jornal do Brasil. Em 1966, começou a trabalhar na Rede Globo, onde ficou por 25 anos, e foi um dos pioneiros do telejornalismo da emissora e responsável pela criação dos programas Globo Repórter e Jornal Nacional – dois dos principais telejornais da Globo até hoje.

Armando Nogueira esteve presente nas coberturas de todas as Copas do Mundo de futebol desde 1954 e de todas as Olimpíadas desde 1980. Até recentemente, antes de ter a saúde debilitada por conta do câncer, assinava uma coluna reproduzida em 62 jornais do país. O cronista escreveu dez livros ao longo da carreira, todos sobre esporte.

Em homenagem a Armando, o time do Botafogo entrará em campo hoje à noite contra o Boavista, pelo Campeonato Carioca, usando uma tarja preta no uniforme, simbolizando o luto pela morte do jornalista. (Da ESPN)

Aprendi muito do pouco que eu sei lendo seus livros e sua célebre coluna Na Grande Área. Mestre Armando sabia das coisas. No gênero crônica era imbatível, um verdadeiro poeta, ourives da palavra e do texto caprichado. Assim como João Sem-Medo Saldanha, vai fazer muita falta.

As muitas traduções de uma paixão

Vejo logo cedo, no Sportv, um documentário sobre as origens e a história do futebol no Brasil, conquistas e desfeitas, suas primeiras glórias e ídolos. Do programa saltam algumas tentativas interessantes de definir esse esporte tão apaixonante: 

Representação social que melhor traduz nossas identidades e raízes coletivas.

É um encantamento popular, por ser um esporte barato para quem joga.

É o esporte dos meninos mais pobres do Brasil.

O futebol une os homens no amor e no ódio, faz com que admirem os mesmos heróis.

Manifestação popular que inclui os excluídos deste país.