Copa BR: jogos da dupla Re-Pa já têm data

A CBF anunciou nesta quinta-feira datas e horários das primeiras partidas da segunda fase da Copa do Brasil. O critério de eliminação caso o visitante vença por dois ou mais gols de diferença continua valendo. As partidas serão quase todas na quarta-feira, dia 17. Somente o Santos entra em campo na quinta, dia 18, contra o Remo, em Belém. ASA-AL x Vasco, Votoraty-SP x Grêmio e Corinthians-PR x Ceará serão às 15h30m (de Brasília), por conta da falta de iluminação nos estádios.

Confira as datas e horários dos jogos:

Quarta-feira, 17/3

15h30 – ASA x Vasco
15h30 – Votoraty x Grêmio
15h30 – Corinthians-PR x Ceará
19h30 – Santa Cruz x Botafogo ou S. Raimundo-PA
21h – São José-AP x Goiás
21h – Sampaio Correa-MA x Atlético-PR
21h – Ponte Preta x Portuguesa
21h – Náutico x Vitória
21h – Fortaleza x Guarani
21h – Chapecoense x Atlético-MG
21h50 – Atlético-GO x Bahia
21h50 – Avaí x Coritiba
21h50 – Paraná x Sport
21h50 – Uberaba-MG x Fluminense
21h50 – Paissandu x Palmeiras

Quinta-feira, 18/3 

21h – Remo x Santos

Bota ignora vantagem; Pantera quer aprontar

O Botafogo recebe o S. Raimundo na noite desta quinta-feira, às 21h30, no Engenhão, em jogo que fecha a rodada de volta da primeira fase da Copa do Brasil. O clube carioca perdeu por 1 a 0 na ida, mas o resultado foi anulado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), porque o time paraense escalou de maneira irregular o volante Beto, o meia João Pedro e o atacante Hallace. Com a anulação do jogo de ida, o Botafogo ficou com os pontos, mas os critérios de desempate foram anulados: o Glorioso poderá jogar pelo empate, mas, caso perca, o S. Raimundo se classifica.

“O Botafogo precisa se impor desde o primeiro minuto, não ficando satisfeito nem mesmo se abrir o marcador. Temos que tornar o jogo ao nosso feitio, abrindo vantagem e não dando chances para o S. Raimundo. Se ficarmos administrando o resultado, podemos acabar caindo em uma situação de risco”, afirmou Leandro Guerreiro. O técnico Joel Santana também acredita na necessidade de o Botafogo ser ofensivo, mas lembrou que não pode existir descuido, uma vez que, dentro das quatro linhas, o S. Raimundo saiu vitorioso no último confronto.

Insatisfeito com o desempenho do Botafogo na derrota de 2 a 1 para o Fluminense, no domingo, Joel vai promover mudanças no time. O zagueiro Fábio Ferreira será substituído por Danny Morais, contratado ao Internacional e que vai estrear. Recuperado de lesão no joelho esquerdo, o zagueiro Antônio Carlos reaparece na vaga de Wellington, que volta a ficar como opção no banco de reservas. O volante Sandro Silva vai começar como titular pela primeira vez.

Pelo lado do Mundico, o técnico Flávio Barros faz mistério. Dos jogadores que estavam irregulares na partida de ida, mas que já tiveram a situação normalizada, apenas o volante Beto vai a campo. O treinador tem uma dúvida de ordem técnica no meio de campo, onde Michel e Flamel disputam posição. Em relação ao jogo contra os botafoguenses, o técnico se mostra esperançoso em deixar o Engenhão com a histórica classificação. “Reconhecemos o favoritismo do Botafogo, mas acredito que meu grupo tem condições de surpreender mais uma vez, mesmo no Rio”, falou. Na partida de ida, o grande nome foi o goleiro Labilá, elogiado pelos próprios botafoguenses, e que tem presença garantida nesta quinta-feira.

BOTAFOGO x SÃO RAIMUNDO

Local: Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, no Rio
Data: 11 de março de 2010, quinta-feira
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Paulo Godoy Bezerra (SC)
Assistentes: Fernando Lopes (SC) e Rosnei Scherer (SC)

BOTAFOGO – Jefferson; Antônio Carlos, Danny Morais e Fahel; Jancarlos, Leandro Guerreiro, Sandro Silva, Lucio Flavio e Marcelo Cordeiro; Herrera e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana

SÃO RAIMUNDO – Labilá; Filho, Carlão e Everton; Leandrinho, Marcelo Pitbull, Beto, Michel (Flamel) e Júnior; Branco e Max Jari. Técnico: Flávio Barros

Na Clube – Guilherme Guerreiro narra, Gerson Nogueira comenta. Reportagens de Paulo Caxiado.

Dez!

Por José Roberto Torero

10 x 0! Sim, 10 x 0! Vou escrever com letras para que não fiquem dúvidas: dez a zero!

Que placar de sonhos! De um lado, o zero representando a soberania da defesa, um escudo inquebrantável. De outro, o dez, o número perfeito, que precisa de dois algarismos para ser escrito. Se fosse onze não seria tão equilibrado. Dez é melhor. É o número de dedos da mão (não, não pense em fazer piadas com o Lula). Se um menino foi à Vila ontem e começou a contar os gols em seus pequenos dedos, ficou maravilhado. Ele abriu as duas mãos, uma em frente a outra, e depois bateu palmas.

É como se o Santos saísse do mundo normal e fosse para o virtual, para a linguagem binária. Um e zero, a reta e o círculo, a síntese de tudo. E o dez é, como se pode esquecer, o número de Pelé. É um placar para jamais ser esquecido. Eu, por exemplo, só tinha visto isso uma vez na vida, no jogo entre Venezuela e Iugoslávia, um jogo em Curitiba pelo Torneio Independência do Brasil, em 1972. Eu tinha nove anos, não torcia para nenhum dos times, mas nunca esqueci aquele placar. Ontem, quem esteve na Vila Belmiro terá uma lembrança ainda melhor.

Foram 11 mil pessoas, mas daqui a cinqüenta anos serão centenas de milhares. Assim como todo mundo diz que viu o gol de Pelé na Rua Javari ou suas defesas contra o Grêmio, muitos dirão que estiveram no estádio na noite de ontem. Alguns até acreditarão nisso.

Os invejosos vão dizer que o Naviraiense é um time ruim. Mas ninguém falou isso depois do magro 1 a 0 lá em Campo Grande. E, no ano passado, o Santos foi desclassificado pelo modesto CSA de Alagoas. Ah, os invejosos esquecerão daquele discurso do “não tem mais bobo no futebol” e dirão que trata-se de um time quase amador. Não importa, foi dez a zero. Dez a zero! E que gols!

Houve o primeiro, de Ganso, depois de uma pedalada de Robinho dentro da área.
O segundo, com o oportunismo de André.
O terceiro, de Neymar, com dribles em velocidade.
O quarto, de Robinho, por cobertura, um golaço.
O quinto, de André, depois de uma falta que Ganso mandou no travessão.
O sexto, de Marquinhos, chutando de fora da área.
O sétimo, de Neymar, que driblou três, depois o goleiro, e mandou para as redes.
O oitavo, de André, depois de uma deixada de Neymar.
O nono, de Madson, tabelando em velocidade.
E o décimo, outra vez de Madson, desta vez de falta.

Foram gols de todos os tipos e para todos os gostos. Aliás, de todos os tipos, não, que não houve nenhum de cabeça. A bola do Santos rola de pé em pé. E as comemorações? Criativas e felizes. Teve imitação de um videogame de luta, Robinho subiu nos ombros de um companheiro e fingiu estar dirigindo, houve língua de fora e soco no ar. Os garotos estão felizes.

A melhor definição do time veio de um jogador do Naviraiense. Ao fim da partida, ele se confundiu e disse “O Santos é um time fora do sério”, em vez de fora de série. Ele errou mas acertou em cheio. O Santos é um time fora do sério.

AP esclarece: Lula não vetou Gaúcho

Eu logo vi. Diferentemente do que o blog publicou na manhã desta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não disse a frase “Ronaldinho Gaúcho não merece ir à Copa”. Alan Clendenning, diretor de redação da Associated Press no Brasil, agência de notícias que fez a entrevista com Lula,  o material foi traduzido de forma errada pelo site Goal.com. Outros veículos de todo o mundo usaram o material traduzido erradamente como referência, explicou Clendenning. Daqui, nossas desculpas pelo erro involuntário.

Confira abaixo trecho da entrevista concedida por Lula à AP na qual ele fala sobre Seleção Brasileira e Copa do Mundo. A entrevista está, na íntegra, à disposição no site da Presidência da República.

AP: Presidente, eu queria aproveitar para pedir um palpite para o senhor sobre a Copa do Mundo na África do Sul. Como acha que vai estar o Brasil aí nessa Copa? Dunga falou uma coisa: que jogador que está fora da seleção é melhor do que o que está dentro. O senhor acha que está faltando algum jogador na Seleção?

Lula: O que o Dunga falou?

AP: Que jogador bom é aquele que está fora, que não é convocado, não é? O jogador ruim é aquele que está dentro. Acho que, um pouco, falando sobre o caso Ronaldinho.

Presidente: Bem, eu acho que o Dunga fala com autoridade moral. É importante lembrar que em 90 o Dunga foi acusado do fracasso da Seleção brasileira na Itália, não é? E, em 94, o Dunga voltou e foi campeão do mundo nos Estados Unidos, como capitão da seleção brasileira. No Brasil é o seguinte: cada um de nós é um técnico. O Brasil tem 190 milhões de técnicos, todo mundo é metido a entender de futebol. Então, normalmente acontece. O técnico, que tem a responsabilidade de consultar seus assessores e convocar, de repente as pessoas ficam dizendo: “Ah, mas tal jogador que não foi convocado é melhor”. Se tem uma coisa que eu gosto no Dunga é que ele está convocando jogadores que, naquele momento, estão jogando melhor. Esse é um critério. O outro critério é o critério da confiança. Não basta o jogador ser bom, é preciso saber se o jogador tem a confiança do técnico no cumprimento das orientações táticas que o técnico dá, porque futebol é um esporte coletivo, ou seja, não basta você ficar rebolando sozinho, você tem que chegar no gol do adversário e marcar gol. E eu acho que o Dunga está fazendo um bom trabalho de equipe. Então, eu … O Dunga tem sido um técnico de sucesso no Brasil, mais do que muita gente famosa que dirigiu a seleção brasileira.

Coluna: A vitória de R$ 1 milhão

Mais do que a óbvia importância da classificação à segunda fase da Copa do Brasil, a goleada sobre o São Mateus tem para o Remo um efeito revigorante do ponto de vista financeiro. Além do que foi arrecadado no confronto de ontem, o clube se habilita a faturar nos próximos três jogos (em apenas 10 dias) algo em torno de R$ 1 milhão, quantia suficiente para bancar as despesas do futebol no primeiro semestre.

A conta é simples. Nos dois jogos da decisão do primeiro turno do campeonato, contra o Paissandu, a previsão é de um faturamento em torno de R$ 400 mil para cada lado. Junte-se a isso o montante a ser obtido no jogo contra o Santos pela 2ª fase da Copa BR, no estádio Mangueirão. Em situação normal, é espetáculo para render mais de R$ 600 mil, líquidos. Além disso, ainda há o bônus de R$ 75 mil pela passagem de fase.

A sustentar essa expectativa há o grande interesse do torcedor pelas finais do turno e a atração representada hoje pelo Santos, que encanta a todos pelo estilo vistoso e ofensivo que apresenta. Com Robinho, Neymar, Ganso e Giovanni, o Peixe vence seus jogos e dá show. O pobre Naviraiense, vítima de ontem, que o diga.  

Em campo, o Remo só pisou na bola nos primeiros minutos. Distraída, a zaga permitiu ao arisco Bombom o gol de abertura, dando um susto na torcida, ainda traumatizada pela lembrança das derrotas para Palmas e Central em edições anteriores do torneio. Mas os problemas foram superados e as oportunidades começaram a surgir a partir do instante que Gian, Vélber e Héliton passaram a tocar a bola, fazendo valer a melhor qualidade do meio-campo remista.  

Veio o empate, em lance de oportunismo do atacante Marciano, e antes que o primeiro tempo terminasse Héliton desempatou, tranqüilizando as coisas para o segundo tempo. Antes disso, Gian, Danilo e Vélber perderam boas chances. O São Mateus só assustou quando a defesa deixava de mão os rápidos Bombom e Moisés.

A festa se completou logo no início do segundo tempo, quando Gian fez grande lançamento para Vélber finalizar. À medida que as substituições (Gian por Otacílio, Vélber por Samir) se sucediam, o ritmo ia arrefecendo. Mas o quarto gol, de Marciano, ainda viria para coroar a grande atuação.

A novela que perigava se arrastar indefinidamente chegou ao fim, ontem, por iniciativa do próprio ator principal: o atacante Enilton, anunciado como a grande contratação da temporada (juntamente com o volante Sandro), pediu desligamento do Paissandu. Teve mais juízo que os dirigentes que o contrataram e postergaram uma decisão por duas semanas. Experiente e com boas passagens por Sport e Palmeiras, Enilton reclama de lesões que os médicos do Paissandu não conseguiram confirmar. Detalhe: o jogador foi contratado antes de ser submetido aos exames médicos de praxe. Que a bola fora sirva de lição.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 11)