Papão tropeça na abertura do returno

O Paissandu estreou no returno do campeonato estadual empatando, em 3 a 3, com o Independente, na tarde desta quarta-feira, no estádio Navegantão, em Tucuruí, no sudeste paraense. O campeão do turno entrou muito modificado por opção do técnico Charles Guerreiro, que resolveu poupar alguns de seus principais jogadores.

O placar foi movimentado logo aos 11 minutos, em cobrança de pênalti executada por Bruno Rangel. No lance do penal, muito contestado pelos jogadores do Independente (foto), o goleiro Kanu recebeu o cartão vermelho – para substituí-lo, entrou Dione. O gol e a desvantagem numérica atrapalharam o Independente, que esteve a pique de sofrer o segundo gol, em lances comandados por Tiago Potiguar, que atuou como atacante.

Para o segundo tempo, o Independente veio mais agressivo e, logo aos 8 minutos, o meia Marçal empatou a partida, depois de uma série de ataques perigosos contra a meta de Alexandre Fávaro.  Três minutos depois, o mesmo Marçal desempatou para o Independente. O Paissandu reagiu rápido: aoos 14 minutos, Rogério Corrêa empatou novamente. 

Aos 20 minutos, o lateral Lima, do Independente cobrou pênalti e desempatou. A partir daí, o jogo ficou ainda mais emocionante, com ataques de parte a parte. O Paissandu cresceu em campo, depois que Charles lançou Moisés no lugar de William. E, aos 33 minutos, Tiago Potiguar cobrou falta e Bruno Rangel cabeceou para empatar definitivamente a partida. Adelson ainda teve uma boa oportunidade, mas Fávaro defendeu bem. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Independente – Kanu; Lima, Nielsen (Dione), Silva e Iranilson; Euler, Julio Cezar, Marçal e Adelson; Ró (Diego Silva) e Gian Carlo (Paulinho 47). Técnico: Samuel Cândido.

Paissandu – Fávaro; Claudio Allax (Flávio), Vítor Hugo, Rogério e Zeziel; Bruno Lança (Zé Augusto), Alexandre Carioca, Marquinhos e William (Moisés); Bruno Rangel e Tiago. Técnico: Charles Guerreiro.

Cartão vermelho – Kanu.

Árbitro – Clauber José Miranda.

Renda – R$ 12.776,00; público: R$ 984 pagantes, 61 credenciados (total: 1.045).

Fórum discute a medicina no futebol

Acontece hoje, das 18h às 22h, no auditório da Estação Saúde da Unimed, o I Fórum Paraense de Medicina no Futebol, realizado pela Associação de Medicina do Exercício e do Esporte e pela Sociedade Médico-Cirúrgica do Pará. A Estação Saúde da Unimed Belém localiza-se à rua Senador Manoel Barata, 1508, no Centro. O objetivo é esclarecer dúvidas sobre contusões, dopping, reabilitação de lesões musculares e estratégias em relação a tempo de afastamento. Sob a coordenação do médico Bruno Noronha, especialista em Medicina no Esporte.

Tribuna do torcedor

Glydson C. da Silva (amin29_bb@hotmail.com)

Já existe até uma brincadeira entre a torcida. É a seguinte: ganha um prêmio quem advinhar o que vai acontecer primeiro nos jogos do Paissandú. O juiz vai marcar um pênalti a favor do Paissandú ou vai expulsar um jogador adversário ainda no primeiro tempo? Essa foi a tônica de todos os jogos dos bicolores no primeiro turno. E a brincadeira deve reiniciar no jogo de hoje. Vamos conferir.

O que é que o Pará tem?

Por Juca Kfouri

O que têm em comum Sócrates, o Doutor, Giovanni, o Messias, e Paulo Henrique, o Ganso?

Sim, os três vestiram ou vestem a camisa do Santos.

Sim, os três são longilíneos, jogam ou jogaram um futebol clássico, com extrema visão de jogo e todos os três são, ao menos aparentemente, tímidos e sossegados.

Sócrates nasceu em Belém.

Giovanni nasceu em Abaetetuba.

Paulo Henrique nasceu em Ananindeua.

E o que estas três cidades têm em comum?

As três ficam no Pará.

O que tem no Pará que faz nascerem craques tão originais?

É sempre muito bom ver/ouvir alguém falando bem da nossa terra.

Beckham, mesmo lesionado, é atração na Copa

O Comitê Organizador Local (LOC, na sigla em inglês) da Copa do Mundo África do Sul 2010 quer o inglês David Beckham, afastado dos gramados por lesão que não permitirá que dispute a competição, na cerimônia de abertura do torneio. Beckham “ainda tem um grande apelo na África do Sul”, disse o diretor-executivo do LOC, Danny Jordaan, citado pelo jornal “The Star”, que lembrou o batalhão de câmeras que perseguiram o inglês em sua passagem pela Cidade do Cabo durante o sorteio de grupos em dezembro do ano passado. “Li que (o técnico italiano da Inglaterra, Fabio) Capello quer que ele esteja com a equipe. Falaremos com eles para ver se há tempo e se é possível. Tenho certeza de que se ele estiver por aqui, poderá participar”, disse Jordaan. A intenção do comitê é que Beckham prestigie a Copa não apenas como turista, mas como atração especial. (Da ESPN)

Sindicato amazonense só filia diplomados

Em assembleia realizada na noite desta segunda-feira (22/03), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas decidiu pela não filiação de jornalistas sem graduação na área. A reunião foi uma preparação para o debate que será realizado em Brasília no próximo dia 27/03, pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Para o presidente do Sindicato, César Augusto Monteiro Wanderley, aprovar a filiação de jornalistas sem diploma seria uma contradição. “Lutamos contra a decisão do STF, queremos a volta do diploma. Seria contraditório que aceitássemos a sindicalização de jornalistas sem graduação”, defendeu. (Do Comunique-se)

O adeus do grande professor

O escriba baionense registra, com pesar, a morte do professor Meirevaldo Paiva, na tarde desta terça-feira, no Hospital Amazônia. Aos 70 anos, ele sofria de edema pulmonar. Era um profissional da educação no sentido mais justo do termo. Viúvo, deixa quatro filhos. Trabalhou com comunicação também, tendo começado a carreira na Rádio Clube do Pará, como repórter e redator, pelas mãos de Edyr Proença.

Coluna: A Seleção precisa de Ganso

A decisão do primeiro turno (e suas conseqüências imediatas) ocupou todo o espaço do noticiário durante o final de semana, terminando por impedir que se avaliasse melhor – pelo menos aqui na coluna – a apresentação portentosa de um jovem craque paraense diante de sua platéia. Mesmo ao lado do espetacular Neymar, seu futebol não ficou obscurecido.  

Refiro-me a Paulo Henrique Ganso, um centro-médio como não se via há tempos, digno aspirante a membro de uma seleta confraria que reúne Zizinho, Jair da Rosa Pinto, Didi, Ademir da Guia, Rivelino, Dirceu Lopes, Gerson, Zico, Rivaldo e Giovanni (o nosso).

A função, por ausência de ocupantes habilitados, foi caindo em desuso com o passar dos anos, a ponto de ninguém mais usar a palavra centro-médio, que no passado era termômetro da envergadura técnica de um time. Era regente, maestro, cérebro. O cara a quem a bola era passada sempre que os demais operários não sabiam o que fazer com ela.

Hoje, o camisa 10 é um ser solitário na meia-cancha, sob a rubrica quase deselegante de meia-armador. A partir das Copas de 86 e 90, o futebol ficou mais previsível e pobre, entregue aos esquemas que fecham o meio-campo a cadeado. A bola obrigatória trocou de destinatário: passou a ser carimbada sempre pelo volante, também conhecido pela alcunha de cabeça-de-área, por razões óbvias. Muitas das desditas do velho esporte bretão podem ser atribuídas a essa trágica mudança de rumos.

Lembro que naquele time do pentacampeonato, em 94, todas as jogadas tinham que passar por Dunga, muitas vezes apenas para um toque de lado, inteiramente dispensável. Uma usurpação, um gesto quase boçal. Pagamos até hoje o preço dessa opção pelo futebol mais rude, sem espaço para o passe diferenciado, o lançamento milimétrico, a condução inteligente.

Ganso, menino ainda, pode fazer ressurgir esse papel. É missão tão árdua quanto gloriosa, pois terá que dissipar a sombra da desconfiança que paira sobre esse tipo de jogador – em parte pela sonolência de Alex (ex-Palmeiras). Ronaldinho Gaúcho era o médio clássico, pronto para a consagração absoluta, mas viveu seu auge em clubes, não chegando a render bem na Seleção. Kaká se aproxima desse perfil, mas, no futebol apressado de hoje, que tanto preza a juventude, já é quase um veterano.

As portas, portanto, estão escancaradas para um novo especialista. Ganso, formado nas divisões de base da velha Tuna, é a bola da vez. Sob a influência do padrinho Giovanni, evoluiu muito – até na parte atlética – desde que chegou ao Santos. Joga de cabeça erguida, com elegância. É mais rápido do que aparenta, anda por todo o campo e lança com extrema precisão.

Ganso não tem competidores no Brasil, poucos se equiparam a ele lá fora (talvez Cambiasso, Gerrard ou Iniesta). Lamentável apenas que as normas cartesianas do capitão-do-mato não permitam que seja aproveitado na Seleção em seu melhor momento. Teremos que esperar até 2014. E quatro anos constituem uma eternidade nesses tempos ligeiros.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 24)